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Exército – Puro Simbolismo
Data: 20/05/03
(feito durante a aula de Matemática, quinto horário)

Daquele tempo...

O que seria o Exército Brasileiro além de pura representação oca do Estado? Não entramos em guerra, tampouco esperamos por uma. Menos ainda teríamos combatentes preparados para enfrentar qualquer outra nação que fosse.

"Sim, mas o Exército tem uma utilidade pública", questiona-se você. Qual? Proteger a Amazônia? Combater o pesado tráfico no Rio? Apesar de tentarem fazer essas funções com todas as forças e terem vontade em seus corações, as tropas simplesmente não são páreo para as madeireiras da região Norte e para os traficantes das favelas cariocas...

Conclui-se, portanto, que, tendo ou não um Exército, o Brasil seria rigorosamente o mesmo. Até onde mais podemos chegar? Aos COLÉGIOS MILITARES! Para quê eles servem então?

Uns que neles estudam saem decididos a virar soldados, "defender a pátria custe o que custar", segundo eles mesmos. Mas, como bem sabemos, não terão nada a defender. Outros seguem carreira, mas somente pensando nos benefícios da aposentadoria. Estes são espertos, mas podem se dar mal tendo uma vida adulta infeliz ou caso a Reforma da Previdência realmente saia do papel.

Há, ainda, mais dois grupos: o dos que saem nem empolgados nem rancorosos do colégio e seguem suas vidas normais em empregos civis e (onde me situo) o GRUPO DOS REVOLTADOS, aqueles mais inteligentes que conseguem discernir o que o Exército deveria ser do que ele realmente é: simbolismo. Saem (se não completando o Ensino Médio, expulsos!) decididos a falar mal do Exército, Marinha e Aeronáutica pelo resto da vida.

Os mais ousados (incluo-me aqui, de novo) vão além e colocam suas idéias em um meio formal de comunicação, esperando mudanças.

CAIAM NA REAL E DISSOLVAM O EXÉRCITO, POVO BRASILEIRO!

Rafael de Araújo Aguiar, ex-aluno, expulso algumas semanas depois.

***

Hahaha! Além de muito me rir depois de reler e corrigir errinhos bobos de gramática, fiquei nostálgico e ao mesmo tempo orgulhoso e inculcado: parece que esse texto de 2003 está muito mais bem elaborado que o de 2005 sobre Anarquia, tanto na construção, como no léxico, como na idéia expressa (a analogia com os morros e a floresta foi muito mais bem-vinda que as – talvez "falta de" – do texto logo abaixo). Poxa, fica aí o mistério: na época namorava, então durante o relacionamento eu estava mais idiota?

Por fim, um desejo: gostaria de voltar a ser tão ácido e tão sem culpa ao mesmo tempo!

Escrito por wormsaiboty às 03:40
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Texto para a escola - aulas de Filosofia/Sociologia/História

3º ano do Ensino Médio na rede pública - claro que é muito além do exigido para pessoas "supostamente no mesmo nível que eu"

18/02/05

AN|ARQUIA - Privação de Chefe

Não venho aqui supor quando o ser humano será suficientemente benevolente para que ele - o Anarquismo - possa ser implantado. Nem como (o modo de transição, o Socialismo Marxista ou o Niilismo puro e simples). Tampouco em que nação será implantado primeiro, se é que podemos conceber uma separação ainda em países quando tal momento se der. Mas sim responder duas outras perguntas acerca desse tema: por quê? O Capitalismo Moderno já não confere ao maior número possível de pessoas condições aceitáveis de vida (uma pergunta só)? É viável acreditar na perfeição de um sistema/regime/estilo de vida tão FRÁGIL?

A(s) primeira(s) é/são tiro(s) rápido(s): apesar de, faticamente, o mundo estar se tornando cada vez mais democrático e igualitário, saiba que numa Anarquia (não confundir com a hermenêutica de "caos" da palavra) TODOS estão em condições milimetricamente planificadas (não é o Anarquismo indígena que está em debate aqui), não havendo exceções, nenhum degrau na sociedade. Abola de sua mente qualquer conceito parecido com "pirâmide" ou "estamento". Em suma: um mundo melhor para uma raça humana merecidamente melhor.

Em seguida... bem, tudo é muito complexo, no entanto meu objetivo é convencê-lo de um ponto: no Anarquismo real e direito não há pessoa que não goste do que faça, essa imperfeição ou lacuna em que todos os críticos do sistema pensam. Explicando melhor: no Capitalismo há o inconveniente de haver profissões lotadas de pretendentes e outras que não atraem metade das vagas ofertadas. É uma falha grave: viver uma vida inteira fora do ramo que se quis para si. No Anarquismo as peças se encaixarão de tal maneira que o "amor natural" das pessoas por uma função será sempre seguido por elas, pois estará conforme a demanda: um agrupamento social tão em sintonia que o pensamento individual será condizente, infalivelmente, com "o todo" anárquico, o bem coletivo.

Rafael de Araújo Aguiar agora está cursando Jornalismo por uma instituição particular porque não pôde com o concorrido vestibular da UnB (também pudera, numa escola como aquela...)

OBS: Consertei aberrações do original manuscrito, como "exceções" escrito com "ss".

OBS2: Nem sei se tal tratado rudimentar sanou alguma dúvida, sequer as que levantei. O "por que" continuou em aberto. Digamos que eu não tinha estudado, ainda, Freud com a devida propriedade. Faltava-me chão, e finalmente eu posso dar prosseguimento ao excerto: se sucede que o Anarquismo é 100% impossível pelo simples fato de os escritores e jornalistas dessa "existência perfeita" (e quem disse que haveria existência perfeita sem a Literatura?) falarão ficcionalmente de atos criminosos e libidinosos (já que no plano real eles não acontecerão), o que incentiva que malucos os cometam. Percebeu a cilada? É paradoxal. O ser humano precisa dessas válvulas de escape. Falar de crime, violência, sexo, traição, poligamia, realizar, satisfazer suas fantasias, tanto essas de devorar aquela mulher que você viu, como se ela fosse um artigo, numa vitrine, ou matar aquele seu vizinho porque você teve um péssimo dia e ele gritou com você. Esqueçam essa baboseira que escrevi há aproximadamente dois anos.



Escrito por wormsaiboty às 02:18
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TECNOLOGIA

Fonte: Revista VEJA - artigo adaptado

A natureza fez primeiro

O avanço da Ciência permite à indústria reproduzir os truques das plantas e dos animais

Por Thereza Venturoli


DA ÁGUA PARA AS ESTRADAS
O novo protótipo da Mercedes-Benz reproduz as formas do peixe-cofre. O carro é 30% mais leve e gasta 20% menos combustível que os modelos de mesmo porte da fábrica

A natureza sempre foi fonte de inspiração para os inventores. Não é para menos: em 3,5 bilhões de anos de evolução na Terra, os animais e as plantas desenvolveram sistemas vitais que desafiam a imaginação dos cientistas. Os mexilhões, por exemplo, grudam-se às rochas com um adesivo tão poderoso que resiste às violentas ondas e correntes marítimas – nunca se conseguiu criar em laboratório uma cola tão eficiente. À medida que o conhecimento da ciência avança sobre as estruturas das células e moléculas, no entanto, fica mais fácil reproduzi-las. Assim, cada vez mais a Ciência utiliza lições da natureza para encontrar soluções tecnológicas [superbonder e velcro]. Um grupo de pesquisadores australianos da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade Britânica, de Santa Lucia, conseguiu a façanha de sintetizar artificialmente a resilina, a proteína mais elástica que se conhece. Graças à presença da resilina em suas patas, as pulgas, que medem menos de 2 milímetros de altura, conseguem dar saltos de 30 centímetros – é o equivalente a um homem saltar sobre a Torre Eiffel. A resilina também permite que as abelhas e os insetos voadores [ou o beija-flor] batam as asas a grande velocidade mais de 500 milhões de vezes ao longo da vida sem que suas articulações apresentem desgaste ou fadiga. Entre as muitas aplicações previstas da resilina sintética estão desde solados de tênis até próteses médicas, principalmente em discos da coluna vertebral.

Para sintetizarem a resilina, os cientistas australianos isolaram o gene que produz a substância nas drosófilas, as chamadas moscas-das-frutas. Depois, inseriram o gene em bactérias, que, ao se reproduzir, transmitiram a informação genética para as gerações seguintes. Com isso, em pouco tempo a colônia produzia uma solução de resilina que, tratada quimicamente, passou para o estado sólido. Não é só por meio da genética que a sabedoria da natureza é aproveitada na tecnologia. A indústria sueca Volvo está construindo um novo protótipo de automóvel com sistema de navegação que se baseia na habilidade dos gafanhotos de voar em grandes enxames sem esbarrar uns nos outros. Os gafanhotos são dotados de um neurônio especial que os alerta sobre os obstáculos e os faz empreender manobras no ar em apenas 45 milésimos de segundo. A Volvo quer reproduzir o mecanismo para evitar acidentes no trânsito congestionado das grandes cidades.

A Mercedes-Benz apresentou recentemente o protótipo de um carro que copia, tanto no visual como na estrutura da carroceria, o design do peixe-cofre – comum nas costas do Japão e da Austrália. Resultado: o carro é 30% mais leve e, devido à aerodinâmica calcada na forma do peixe-cofre, gasta 20% menos combustível do que os modelos de mesmo porte da Mercedes. Até para a exploração de outros planetas o reino animal oferece soluções geniais. Cientistas de diversas universidades americanas tentam reproduzir tecnologicamente os micro-pêlos que existem nas patas das lagartixas e lhes permitem ficar grudadas nas paredes e no teto por uma atração entre as moléculas chamada força de Van der Waals [a mesma que permite que alguns insetos planem sobre a água]. O sistema seria usado em sondas capazes de escalar rampas íngremes ou entrar em crateras de vulcões.

***

Fantástico - texto e fotos -, não crê?!

Escrito por wormsaiboty às 00:23
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ESPAÇO

Como os cientistas sabem que o Universo chegou a ser criado ou criou-se?

Para fugir do debate eleitoral às vésperas da escolha do Presidente da República e de alguns governadores, Cosmologia. Não é interessante divagar sobre o estranho que é esse espaço sideral que nos circunda? Mas chega dos subjetivos demais "de onde vimos", "para onde vamos", "onde estamos", "o que somos", "há vida inteligente" (provavelmente não, quem sabe uma vidinha simples e humilde em algum dos trilhões de planetas de uma das centenas de bilhões de galáxias – números verdadeiros) e variantes. Vamos tentar – e conseguir! – responder a uma pergunta mais trivial, quiçá, porém (espero eu, caso contrário o artigo terá sido em vão), a mais cercada de mistérios que se possa imaginar.

Ã? Como? Que pretensão! Uma pergunta não pode ser boba e encerrar tantos mistérios. Pode sim: é que o ser humano é um bicho desatento. E não é a questão do título. Na realidade é algo com que lidamos todo dia; ou achamos que lidamos, por estarmos "tão próximos", imersos nele. POR QUE O CÉU É PRETO? A resposta para essa dúvida "boboca" de criança de 5 anos é que surpreende – e puxa questões existenciais complexas. Sempre que pensamos nisso a cabeça dói. Mas prometo não descambar para esse lado, o mesmo do "quem somos nós", "o que havia antes do início" e "você acredita no Apocalipse".

Habituamo-nos a considerar o dia como claro/luz e a noite como a escuridão. Senso comum. Depois aprendemos na escola que o Sol não desaparece, é apenas um dos lados da Terra que "se esconde" dele. Que no nosso Sistema Solar ele é a única fonte de calor e dependemos dela para sobreviver. Entretanto, por que a "cor original" (a visível pela percepção humana, ao menos) tem de ser negra? O que haveria de "errado" se o pano-de-fundo do Universo, se o wallpaper desse magnânimo sistema operacional incapaz de travar, fosse branco, rosinha, verde ou mais "CHEGUEI"??!?!

Melhor se contentar com branco/preto: maioria das estrelas (que, também aprendemos no Ensino Fundamental ou mesmo na pré-escola, são os "Sóis dos outros") observáveis a olho nu emite um espectro branco ou muito próximo a ele (amarelinho ou semelhante) – além dos astros emissores de luz de cor vermelha ou azul que contemplamos nas imagens telescópicas, contudo, para não embaralhar, atemo-nos ao binômio branco/preto.

É, então... Por que não branco? Não existe o vácuo na prática. Mesmo o espaço negro que percebemos é cheio de matéria. Muitas vezes gases ou o que chamam de poeira cósmica. São coisas "escuras", não-emissoras de luz. O negro é ausência de luz, o branco são todas juntas, esqueceu? Quando aprendemos isso, parece um choque, porque na sociedade industrializada os valores são invertidos: a folha de papel onde se desenha o castelinho bonitinho é branca, enquanto que o giz-de-cera negro "preencherá o nada". Se só esses corpos chamados estrelas são "brancos" no Universo pretão, só existe uma maneira de conceber um cosmo claro. Até ela, um longo caminho...

Antes que você tente adivinhar e acabe errando pior que os antigos astrônomos ("e se o Universo fosse uma estrela?", hoho), mais um dado: as estrelas estão distribuídas uniformemente pelo firmamento. Leia a legenda abaixo:


Para entender o parágrafo seguinte pode ser que você precise fitar a figura com uma idéia na mente: com as estrelas, é a mesma coisa. De perto, de longe...

A questão do "por que o céu não é claro" ou "por que é escuro?" deixa de ser meramente estética para adentrar os domínios da Lógica. Quanto mais distantes objetos uniformes, mais "compactos" os vamos enxergando, ou seja, é como se as estrelas fossem se unindo, até formar apenas um corpo majestoso e brilhante no "fundo" do Universo, na ilusão de nossa vista.

Mas o Universo não é um campo de girassóis. Ao menos não é o que parece, pois não é essa a visão que detemos, certo? De todos os lados, exceto de muito perto, tudo deveria ser branco, se assim funcionasse. Esse "deveria", caprichoso, encerra uma verdade fundamental. Aqui a Lógica sozinha não é capaz de explicar a situação. Evoquemos a Física, os equipamentos, o conhecimento humano acumulado após gerações.

Esclarecimentos a respeito da negritude do visível nenhum gênio do Renascimento até o século XIX obteve, por mais que sua massa cinzenta evaporasse no esforço. Kepler, Newton, Halley... Não, não! Essa definitivamente não é uma pergunta de menininho de 5 anos. Ou, se é, trata-se de uma daquelas que deixam a família toda sem-graça, que disfarça instantaneamente dizendo que o frango está uma delícia – já que não podem dizer "Veja como o céu está azul!" (já que almoços em família não acontecem enquanto o céu está negro, e isso só dificultaria as coisas!).

Heinrich Olbers – sempre os alemães! – avançaria um degrau, o suficiente para deixar o problema com sua nomenclatura, o Paradoxo de Olbers, a razão do céu ser escuro. Não obstante, ele errou a razão! Em Olbers e seus trabalhos, tudo era uma questão de "absorção da luz pela poeira sideral". Faz sentido. Fazia sentido. Com os computadores o cálculo de comprovação dessa teoria se tornou viável. Olbers esqueceu de um princípio básico da Física: dois corpos de temperaturas divergentes que interajam não podem, a longo prazo, conservá-las como estavam antes do encontro. Mesmo que estejamos falando essencialmente da luz, o que elimina a noção de "corpo", as estrelas possuem um núcleo. Núcleo quente, muito quente. A poeira intergaláctica, pelo contrário, não passa por nenhuma fusão, nada de "movimentos suspeitos" de gases aloprados circundando "pelo interior". Ela é gélida. E o gelado, depois de absorver tanta luz, teria de ficar "quentinho" (sou leigo, não posso explicar com a máxima propriedade), e ela – a luz – tenderia a reaparecer, branquinha como nas estrelas (manifestação da radiação, incandescência). Ou seja: depois do equilíbrio térmico, ainda assim, o céu tinha de se conservar branco. O que há de errado? Voltamos a afirmar: as estrelas estão dispostas de modo uniforme no firmamento, não existe o menor engano nisso.

Os cientistas da contemporaneidade (ok, podemos até admitir que já morreram antes que tivéssemos nascido, no entanto cada um deles deu sua contribuição já no século passado) apelaram para mais uma hipótese antes que impusessem a verdade mais estarrecedora de nossas vidas (ó!): como o Universo está em constante expansão, esta faz com que a luz "enfraqueça" no meio do caminho. O enfraquecimento da luz deve ser entendido como uma redução em sua freqüência, e o ser humano não capta luzes abaixo de certa freqüência. Sem embargo, aparelhos capazes de detectar esses raios mais fracos também não apontam para estrelas por todo canto indefinidamente, além de os cálculos mostrarem que a expansão do Universo, na velocidade em que se dá, não é capaz de baixar a freqüência da luz até um patamar inacessível a nosso globo ocular. Então, se as estrelas se dispõem de modo uniforme e nossos olhos são capazes de enxergá-las, o que há de errado?

Escrito por wormsaiboty às 02:23
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Fica sobrando uma conjectura, a resposta obrigatória do Paradoxo de Olbers, triste para aqueles terráqueos com sangue de explorador nas veias: O ESPAÇO É FINITO. Dizer "finito" significa, na nossa realidade, delimitar no tempo e no espaço, porque são conceitos inseparáveis. O espaço é constituído de três dimensões, mas o Universo tem 4. A última é o tempo. Não existe nada "congelado". Olhar ao redor é fazer viagens no tempo. Olhar seu dedo é embarcar numa "micro-excursão" para descobrir como era o dito-cujo há alguns milionésimos de segundo (viu como ele mudou bastante de lá para cá? Ops, o "cá" não pode ser possível. Estamos sempre observando o passado, por mais imediato que seja. O conceito de "presente" é falso. Existe o que já passou e pode ser visto, "testemunhado com defasagem"; e o que virá, que podemos apenas imaginar). O presente – da visão – é o passado do cosmo.

Troque o seu dedo gordo pelas estrelas: a luz de algumas deveria demorar anos, décadas, séculos, milênios, eras geológicas, milhões, bilhões de centenas de dias para chegar ao nosso campo de vigília. Há um limite, porém. Tem de haver. Se não houvesse, estaria sempre chegando a luz de outras estrelas mais distantes (ou "indo", dependendo da perspectiva), sem cessar, com o céu branquinho, branquinho 100% do tempo, enquanto o contemplássemos. Posto que não é assim, os cientistas se sentiram obrigados a informar os tripulantes da Espaçonave Terra: há um limite que não permite que haja estrelas para além de "tal lugar". Esse limite, se é espacial, é temporal; se é temporal, é espacial. Significa que o Universo tem uma idade determinável. Não existe desde o sempre. E quem nasceu numa dada época não pode ter crescido infinitamente, porque quem nasceu era apenas um pontinho e foi se expandindo gradualmente... A máxima velocidade de expansão é a da própria luz, e tudo leva a crer que, no momento, um extremo ao outro do Universo distam uns 15 bilhões de anos-luz um do outro (ano-luz: a distância percorrida pela luz ou alguma coisa "imitando a luz" em um ano, lembrando que a luz "corre" a trezentos mil quilômetros por segundo!). Logo, no horizonte de nossa visão, ou da dos telescópios, há o negro, a falta da luz, isso porque as estrelas primogênitas "ainda não nos alcançaram", portanto estamos no começo daquele campo de girassóis da imagem (na verdade numa periferia cósmica), vendo-os (aos girassóis, uma analogia às estrelas), por enquanto, de modo espaçado. Olhar para o céu é muito mais divertido que olhar para seu dedo, porque o Universo é tão vasto que aquela informação pertence a um passado muito remoto, com boas chances daquele "quadro cosmular" (sua apreensão do céu) preceder mesmo as primeiras formas de vida do nosso planeta. Impressionante, que tal? O negro representa a constatação de que "há 'x' bilhões de anos aquela área não era povoada por estrelas até o talo" (só umas aqui, outras ali, jamais uma miríade, o que nos permitiria ver todas como uma só, como o fundo do campo de girassóis).

Essa conclusão é potencialmente infeliz para muitos de nós já que nosso espírito desbravador aparentemente preferiria um plano existencial ilimitado, que sempre existiu e existirá, com lugares sem-fim para visitar e explorar. Entretanto, não se deixe abater pela mesquinha verdade do finito, terminável ou esgotável: somos um fragmento tão ínfimo da Totalidade que, apesar de na teoria ela apresentar um "desfecho", na escala humana é tranqüilamente aceitável chamar as coisas de infinitas, uma vez que será impossível vivenciar todas as possibilidades, sequer sobras, reduzidas frações, destas. Ufa!

Além disso, é um calar-de-boca aos Criacionistas ou afins, donos de idéias mais exóticas para justificar tudo ao seu redor. Houve o Big Bang, isso é fato. Outrossim, o Universo está se expandido. Mas paremos por aqui. Prometi que não falaria sobre essas coisas, só responderia "POR QUE O CÉU É PRETO?", então missão cumprida! Um dia, distante, possivelmente tanto quanto uma daquelas estrelas no zênite, volto para adentrar esse perigoso terreno e incutir-lhes o conhecimento. Por hora, contemplai a irrelevância da raça humana e a finitude infinita do cosmo! Ah, sim: as noites estreladas, também.

Fontes de pesquisa e imagem: www.zenite.nu & http://astro.if.ufrgs.br/univ/

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Ciência

Escrito por wormsaiboty às 02:23
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