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CUME DO EDIFÍCIO

Ando sonhando (hoje mais uma vez, 13/11/11) que escalo (por dentro), em vários lances de escada, cômodos, passagens secretas, elevadores bizarros... Um lugar bastante labiríntico e alto, até uma sala de uma instituição (provavelmente de ensino) para falar com alguém importante (diretor, coordenador) que possa resolver minha situação (há algo pendente que não sei explicar direito). Certas vezes não encontro ninguém, é um espaço vazio, um escritório normal com seus papéis, computadores, mesas e cadeiras, só que abandonado. Outras vezes, há uma enorme fila de pessoas e penso que não serei atendido...



Escrito por wormsaiboty às 10:08
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TEOGONIA

O golpe desferido pelo punho do Pégaso surtiu um efeito positivo? Salvou a raça humana? Parece que não se pode sair de uma luta dessas sem seqüela. Mas a afirmação serve para os dois lados!

 

Criança no bosque, aproveitando sua caixinha de areia gigantesca. Família à espreita. Todo o tempo do mundo – só mesmo no outro-mundo!

 

Seiya (re)começará... A escala de poderes era estratosférica, tinha que ser rebaixada... Quem sabe este início de jornada seja apenas a reencarnação passada...

 

Perder não é perder os amigos, em quem sempre se teve fé... Uma fé monstruosa.

 

Zeus venceu Cronos de seu próprio punho.

 

Sempre há incesto.

 

Um Saint Seiya dos Deuses primordiais.

 

Os deuses também nascem bebês.

 

* * *

 

teste fracassado

eline fodida eline fodida eline fodida dedo no cu descompromisso vire uma mulher (bonita!) e me beije!

 

Imaginar a Eline dando para outro ou qualquer objeto fixo não passa pela censura, essa “mulher velha”, como bem se viu. O que está mais próximo é o indissolúvel, o eu, o ânus do fim do sonho, a cama, a conferência, os olhos e ouvidos alheios atentos. Frustrado! Não ultrapassar a margem, isso não é um jogo onde você decide a localização e disposição do personagem a seu bel-prazer A mão afunda com facilidade no orifício e parece “pressentir” as fezes a serem evacuadas, todo aquele molho já sentido incontáveis vezes. Por que este é tratado como o ápice possível do prazer? Onde qualquer elaboração desejosa e complexa vai culminar... Quando não é na mãe. Pensando bem é como se fosse meu útero. Encontrar um fundamento. Fundamento do que são feitos os fundamentos, mas isso é grosseiro, remexer na nossa matéria-prima! Por que não me masturbo? Regressão da libido ou idealização de uma castração, coletiva, por todas as mulheres de Brasília! Ora, estar num barco é como estar numa mulher...

 

* * *

 

Camila e seus ciúmes: pensava que eu queria apalpar o traseiro da Tamires quando a queria levantar do berço pela dobra da perna. Imaginação...

 

(15/11/10) Sonho recorrente: saio da aula (Colégio Militar) pela rampa externa da quinta série. Esses eventos “externos” guardam alguma importância para mim, é como se eu quisesse reviver essa época com minha cabeça atual, “melhorar” o que já está na História. E estou quase convencido de que tenho – ali – corpo de garoto, embora, obviamente, por ser uma representação contemporânea, jamais vá poder voltar no tempo e saber como eu concatenava os pensamentos àquela idade – quiosque, grêmios, estacionamentos, alas periféricas e escuras (onde tirava xérox), a banquinha... fusão com a UnB, subsolo, Antro e outros “becos” e banheiros [*]– “não consigo descer daqui”. Portão oeste: a cloaca de uma era.

 

[*] Eu entrava com Bebel, que se tinha tornado invisível (vergonha?) no banheiro feminino para ver se copulava com ela. Não parecia constrangido. Início dos desejos por colegiais?

 

* * *

 

O(a) Desejante

 

levar esporrada na cara, não ter de empreender esforço, poder gritar alucinadamente sem repreensões, e aliás passar o resto da vida sem mais preocupações materiais pulando de galho em galho, ser cantada todo dia no MSN.



Escrito por wormsaiboty às 18:39
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SEGREDO ENTERRADO NA AREIA

Relato do sonho do dia 07/08

 

Estávamos em uma espécie de viagem.

 

A primeira cena acontece com a minha ausência. As pessoas estão na praia. Apesar de eu não estar exatamente ali naquela hora, uma certa pessoa pressente que estou perto de alguma forma. Ela é a Érika, uma espanhola com quem costumo conversar no MSN para treinar meu Inglês, meu Espanhol e até meu Francês. Na vida real, ela iria viajar para os EUA por três semanas para uma experiência de intercâmbio e nunca mais trocamos uma idéia. Então é como se ela estivesse me procurando para dizer que estava tudo bem, que sentia saudade e me perguntar o que tenho feito. Mas, repetindo, não era eu que participava desta cena. E a princípio a Érika ficava bem confusa, dizia que sabia que eu tinha mandado um recado para ela, mas não o tinha entendido. A Vanessa, minha amiga brasiliense, entrava aqui na história. Ela dizia à Érika que a palavra que eu escrevi para ela, a garota do intercâmbio, “intelligentis”, era para vir acompanhada de outras duas, uma antes e uma depois. De repente a Vanessa começava a cavar na areia – antes disso, a Vanessa estava de pé com roupa de banho e a Érika sentada sobre uma toalha estendida na areia. As duas estavam de frente uma para a outra e o mar, embora eu não pudesse enxergá-lo, parecia estar às costas da Vanessa. Então a Vanessa consegue encontrar a palavra “intelligentis”, como se eu a tivesse escrito na areia com o dedo momentos antes. E há rastros que não são identificáveis por enquanto como letras, tanto à esquerda quanto à direita da primeira palavra. Eis que a Vanessa começa a cavar mais e mais fundo, até achar um objeto: meus óculos! Como estes da vida real: armação negra e lentes um pouco sujas. Pensando bem, apesar de escuros, meus óculos atuais pendem mais para o marrom. Estes do sonho se parecem ainda mais com a armação anterior.

 

Neste momento, a Érika sumia da representação, e eu finalmente surgia. Eu estava muito contente e não sabia como agradecer por terem encontrado uma coisa tão importante para mim, sem a qual eu ficaria completamente incapacitado, refém do mundo. Dizia à Vanessa que não sabia o que faria se não fosse ela em minha vida. De repente, estávamos num quarto (como se fosse um hotel), eu, Vanessa e sua melhor amiga Lorena. Havia cochichos do lado de fora, a partir do corredor. Ou, melhor dizendo, havia murmúrios ou ecos, porque eram distantes demais. Mas eu tinha medo que nossas famílias pudessem intervir em hora tão delicada, o que me fez pedir para a Lorena fechar a porta para conversar com mais privacidade com a Vanessa. Eu queria desabafar, mas não sabia como começar... Minha primeira frase foi claramente: “I want to ask you some questions...”. No exato instante em que acabava de proferir este desejo, percebia que empregava o idioma errado e emendava com um “ops!”. Na seqüência, eu confessava que apesar da diferença de idade entre nós dois e de isso ser considerado proibido e imoral na sociedade, eu estava apaixonado por ela. Após minha confissão, ela aproximava seu rosto do meu cada vez mais, e nos beijávamos.



Escrito por wormsaiboty às 16:08
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A música e o registro das sensações amorosas.


Inventário cronológico (tentativa inicial)

 

MARCO ZERO – Paul Anka – You Are My Destiny (para Carita)

Sailor Moon – Abertura/Encerramento (para Carita)

duvidar da autenticidade do amor platônico – ou pior: incipiente, projetado, proto-empírico...

Tihuana – Por Que Será?

O Surto – A Cera

 

2002/3 – Cake – I Will Survive / The Scorpions – Still Loving You – 1ªs madrugadas extremamente existenciais, melancólicas, melódicas, charmosas... (para Mariana Bahia)

No Doubt – Don’t Speak / The Cardigans – Lovefool

 

2004 – AUGE/PICO

Maroon 5 – This Love, um pouco antes, no desabrochar menos literal: power metals que não suportei conservar, e hoje impossíveis de lembrar (um deles da banda Hangar, no entanto)...

Inuyasha – encerramentos 6 e 7

 

2005 (1º - e último - ano em que projetei com afinco meu casamento)

Lauryn Hill - Killing Me Softly With His Song

Cabal – Senhorita

Black Eyed Peas - ...

Tragédie – Hey ho!

 

2006

Dream Theater – Never Enough (para Débora Schuab)

 

2007

Ronnie Cord - Biquíni de Bolinha Amarelinha (para Melina)

Roberto Carlos – Ciúme de Você (para Melina)

Reginaldo Rossi – Garçon (masoquismo Canal Brasil) (para Melina)

Tim Maia - Me Dê Motivo (para Melina)

Nelson Gonçalves & Raphael Rabello – Naquela Mesa (para Maíra)

Judas Priest – Prisoner of Your Eyes (para Maíra)

 

2008

Pink Floyd – Hey You (para Heliane)

Adriana Calcanhotto – todas da coletânea Perfil, mas especialmente Mais Feliz (para Renata)


2011

Roxy Music - If There is Something (ninguém em especial...)


A Raquel mereceu as composições grudentas da Amy Winehouse e meu melhor texto...

 

Quando ouvimos músicas assim perdemos a disposição de nos arriscarmos, a vida toda passa diante de nossos olhos... Certamente não seria a trilha sonora da reação destemperada a um assalto! Por mais que a música minta e seja um destempero, é um destempero diferente!

 

E pensar que por diversas vezes já estive a um passo de asneiras monumentais tais quais tentar beijar as minhas primas Camila e Fernanda, a Michelle, a Marina, a Hermileide (compromissado!), a Talita “marchista” e a Bruninha que se enfeou tanto, minha caloura!

 



Escrito por wormsaiboty às 19:30
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fragmentos de um chá-de-panela e "a involtável"

Faz um tempo vivi uma experiência de chá-de-panela em razão do nascimento da neta de uma querida professora minha (de Sociologia!), o que, devo dizer, não constitui clamorosa exceção, tendo em vista outras ocasiões semelhantes inclusive na família das quais me furtei ao direito de participar. Neste caso a única adaptação é trocar os utensílios de cozinha por objetos para o bebê (fraldas, mormente), o que não deixa de ser curioso, já que torna a denominação do evento obsoleta (nasceria daí um “chá-de-fraldas”). O que muito me espanta é a afirmação de que homens não são bem-vindos nesses momentos. Talvez por isso não tenha me sentido exatamente à vontade quando participei, naquela ocasião pontual há 2 anos.

 

Agora entendo: há até stripteases forçados! É uma cerimônia mais escatológica do que eu pensava... Será assim em todas as classes? Meu único chá ocorreu na Asa Norte e não se afigurou nem sombra de qualquer brincadeira sexual. Seria extremamente vulgar diante da homenagem à gestante e seu feto. Um ritual machista onde supostamente só pisam mulheres! Para mim se assemelha à ansiedade kubrickiana. de “De Olhos Bem Fechados”: uma catarse pós-moderna.



Escrito por wormsaiboty às 04:26
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A SÉRIE CENSURADA DEFINITIVA

75 – o dilema-base em Zaratustra: ser mestre ou solitário. Outra exegese: para ninguém porque não deve ser seguido. Para todos porque este “não-me-siga” já está no conteúdo do livro. E aos que querem ser sucedâneos de Nie. em importância: metáfora dos planetas. Freeza foi uma aventura.

 

A vida é plenamente justificável tendo eu sido loiro 3 anos, imensamente feliz de novo meio ano (ou menos!), recuperado a majestade menos semestres do que perdido, cheio de Betos no meu calcanhar... Um namoro carnal de 1 ano para vivência espiritual de quase 4! Sábados e sábados... O QUE É REALMENTE LEMBRADO NA VIDA DO GOKU? De quanto tempo o universo precisou para agrupar a energia para UMA batalha tão fugaz quanto lendária? O poder de 5 minutos...



Escrito por wormsaiboty às 15:04
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ROTEIRO DE CINEMA

[18/05/05]

 

“A Volta dos Gênios que Já Haviam Ido”

BREVE RESUMO: Três dos maiores ícones político-científicos, Karl Marx, Sigmund Freud (austríaco) e Einstein (alemão) são revividos pela tecnologia do século XXI e não sabem como lidar com a nova realidade.

 

SCRIPT COMPLETO:

 

Manhã cinzenta, centro de tecnologias avançadas da NASA. Laboratório de física/neurogenética/biologia/medicina aplicadas. Três cientistas de jaleco branco se aglomeram ao redor de três camas. Há corpos nelas, no entanto invisíveis, envoltos por panos brancos. Faz um estranho frio na sala. Um deles inicia:

- E então, parece-me já estarem prontos para a eletro-cardio-ressuscitação.

- Sim, todos os dados preliminares batem, Zeck, submeta-os à câmara de isolamento total!

- O terceiro senhor dá três passos até a porte e os outros o seguem. Vira-se e com um controle remoto faz as camas mecânicas se elevarem até o teto, onde um buraco se abre e os engole. Torna-se esta uma questão de esperar...

 

Trinta e quatro minutos se passam. Lá fora o sol já dá as caras. Um barulho indica a reabertura da câmara. A princípio, silêncio, Após, só o som de um efusivo abraço e o que parecia ser o suspiro de um homem. Explica-se: Freud e Einstein, que já haviam trocado correspondências em vida (na outra), logo se reconheceram e de pronto se cumprimentaram. Marx, anterior a estes dois, simplesmente se pôs a pensar em voz alta como seu já falecido corpo e sua apagada mente estavam funcionando de novo, bem e em plena terceira idade!

 

Depois do trio de cientistas reentrar e explicar toda a situação, os pobres ressuscitados se indignaram. Não só não havia nenhum propósito claro (era só um teste), como não podiam entender por que não fizeram isso com outros – famosos ou anônimos, inteligentes ou não, feios ou bonitos.

 

A dádiva da vida, incondicionalmente para qualquer homem, deve ser usufruída. Mas duas vezes?!? Providos de coisas como RG, CPF e outras identidades necessárias para qualquer ser humano, foram instruídos cada um a explorar a cidade separadamente, num contexto próprio as suas descobertas em vida.

 

Karl Friedrich Marx, filósofo socialista, se desiludiu com o sistema vigente: outdoors imensos com mulheres semi-desnudas e logotipos uns mais estranhos que outros... Quando morreu, acreditava na Revolução do Proletariado porque era uma classe muito oprimida e unida, só faltava mesmo um estalo. Eis que vindo de seu longo sono constatou que não era mais assim e que os senhores capitalistas deram férias, descanso semanal e menos horas de trabalho para a massa só para iludi-la e desunir a classe. “Uma vida de idéias e livros em vão, que lástima, que mundo mais burro! Então dialética era uma grande besteira!” Marx morreria dezessete anos depois como um conceituado dono de fast food!

 

Albert Einstein, quando foi às principais universidade de Física do mundo para verificar os trabalhos sendo executados por lá... bem, chegara para supervisionar o trabalho dos doutores, só que não demorou para que todos vissem que o aluno ali era ele: um século de evolução da ciência e agora qualquer homem “interessado” já sabe mais que o suposto gênio criador de vários enunciados eternos, como “não existe tempo ou espaço. Há o espaço-tempo, uma só dimensão”! Pois é... Acabou conhecendo Stephen Hawking, o físico contemporâneo mais ilustre de todos. Em seus últimos dias de vida era o assistente deste, limpando sua cadeira-de-rodas e retirando os vírus de seu laptop sempre que preciso.

 

E o “deus do consciente/pré-consciente/inconsciente/ego/superego”, enfim, terá se dado bem? Montou um consultório de psicanálise para tratar dos doentes mentais e interpretar sonhos. Seja porque talento se gasta ou porque estava numa “má fase”, Sigmund Freud já não exibia o mesmo desempenho. Todos que se submetiam a tratamentos acabavam desistindo antes da metade e pedindo o ressarcimento financeiro. Seu desfecho foi o mais trágico dos três, em uma camisa-de-força num manicômio. Não conseguiu lidar com o stress da vida moderna.

 

Moral da película: não mexa em biografias intocáveis!



Escrito por wormsaiboty às 21:58
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NOVOS TEMPOS NO FUTEBOL

Que centenas de jogadores (mais precisamente setecentos) do esporte bretão acabam deixando o país todo ano buscando o glamour e o dinheiro europeu (e agora até de áreas mais remotas como a Arábia e a Coréia), isso todos sabem. A novidade é a seguinte: ao descobrirem que o potencial de renovação das categorias de base não é infinito, os dirigentes dos clubes simplesmente passaram a dar uma de “europeus de segunda” e bancar contratações em países de moeda e tradição futebolística ainda mais fracas.

 

Exemplos para ilustrar? Até times como o São Paulo inventaram de trazer um (logo o quê?) venezuelano, Rondón, esperando que pudesse substituir Luis Fabiano, o principal artilheiro da equipe, saído ano passado para (onde?) Portugal. Outro: o mesmo São Paulo contratou um zagueiro uruguaio que sequer foi visto jogando (o presidente do clube confiou em vídeo-tapes). Ao menos nesse caso, Lugano (o nome do rapaz) se mostrou eficiente. Um último caso é um angolano para o ataque do Flamengo. Pode o maior time do país em termos de torcida depender de coringas vindos de países onde nem se come direito?

 

A pergunta “isso resolve?” nem precisa ser respondida, afinal, dos três exemplos citados, 66% são desfavoráveis a essa prática – contando que foi-se seletivo na escolha (leia-se: Lugano é uma exceção!). Trocando em miúdos, quer dizer que a solução é segurar os craques, não tentar achar alguns onde não seja possível.



Escrito por wormsaiboty às 21:12
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RESENHA ORIGINAL DO FILME ELEPHANT

[08/04/05]

 

Esta crítica será dividida em duas partes. Na primeira falarei da experiência meramente como expectador e nada mais, sem pesquisar o elenco, a direção nem detalhes minuciosos do filme, já que não sou crítico profissional de cinema. na segunda, constarão detalhes mais profundos e uma análise mais concisa, visto que receberei “ajuda de fontes externas”.

 

1. IMPRESSÕES DE UM AMADOR

 

Fomos assistir a obra já conscientes de que se tratava de uma peça de “semi-ficção”, pois apesar de nada ali ser verdadeiro, de fato tudo foi inspirado num incidente americano de 1999, o “Massacre de Columbine”, numa respeitada instituição de ensino médio. Fiquei surpreso ao não detectar nenhuma referência direta ao longo de toda a película – se bem que bastam dois jovens com convicções hitleristas e acesso a armas para todos perceberem do quê se está falando...

 

O inacreditavelmente paciente trabalho de câmera, com a mesma cena repetida exaustivas vezes de um ângulo diferenciado, visando a mostrar o cotidiano de cada personagem secundário separadamente, com certeza abismou a mim e todos meus colegas de classe. Ao invés de “chatear” como seria mais fácil pensar, essas tomadas parcialmente idênticas mantêm todos os olhos ininterruptamente grudados.

 

Por que esse “secundários”? Optou-se por não haver nenhum personagem principal, nem os autores nem quaisquer vítimas do massacre. Preferiu-se por retratar pela mesma quantidade de tempo cerca de uma dezena de personagens, que independentemente de sua personalidade ou de seus atos, é basicamente de estudantes. É essa a visão que se quer passar: simples adolescentes no fim do ciclo dos estudos e em breve chegando a um mercado de trabalho voraz.

 

Outro fator que me chamou a atenção é a existência de alguns momentos “morosos” que, acho eu, é algo proposital: ao mostrar alunos percorrendo enormes corredores lenta e silenciosamente e aquele trecho instrumental com música clássica no piano, por exemplo, o diretor parece querer dar um tempo para que os expectadores reflitam sobre o que estão vendo, façam a digestão daquilo que assistem, Tudo isso porque, apesar de parecer ser um enredo simples, na minha opinião Elephant passa uma mensagem a cada pequena cena, é totalmente carregado de significados.

 

2. CRÍTICA COM FONTES DE PESQUISA (www.cenafinal.com.br)

 

ATENÇÃO: isso não é uma cópia fiel, fiz com minhas próprias palavras. No máximo haverá trechos do texto da web entre aspas.

 

Consta da fonte que é uma “narrativa circular”. É essa a palavra que eu estava buscando: o tipo de estória que vai e volta. O homem por trás do projeto é Gus Van Sant, provavelmente holandês, pelo nome. E, contrariando a Box do DVD, que informa ser na Columbine High School a rodagem das cenas, fala que tudo se desdobra “num dia qualquer, numa ESCOLA QUALQUER”.

 

Tamanha qualidade foi enxergada pelos críticos de cinema mundial, pois Elefante ganhou a Palma de Ouro em Cannes 2003, na verdade duas (melhor filme e direção). Comparações com o prévio “Tiros em Columbine”, de Michael Moore, são inevitáveis, mas falaremos disso logo mais. Um dado curioso é que antes, ainda tentando captar dinheiro para o idealização do projeto, Gus Van Sant peregrinou por muitas redes e estúdios, sempre recebendo um “não” como resposta. Eis que um executivo da HBO aceitou bancar, mas com a condição de que fosse uma obra ficcional, sem o termo “Columbine” explícito. Daí é que vem o estranho nome escolhido, uma referência a um documentário homônimo de Alan Clarke [em verdade, curta-metragem, de 1989] sobre a violência religiosa na Irlanda do Norte [um elefante numa sala de estar, não ocuparia todo o espaço da família? Não é um problema fácil de ignorar, o do bullying].

 

Fora tudo aquilo que eu disse no número 1, este texto de crítica profissional lembra das cenas mais impactantes (justamente por destoarem do resto do filme), como os flashbacks dos dois garotos assassinos com acontecimentos anteriores à entrada deles na escola e também o polêmico beijo gay.

 

Há um depoimento do diretor premiado dizendo por que escolheu a perspectiva de detrás dos personagens, na altura do ombro. A resposta? Mais simples impossível: antes ele tentara pela frente e pelos lados, mas não fora feliz.

 

Os intérpretes são, surpreendentemente, atores amadores. São todos da cidade-natal de Van Sant (opa, descobrimos que ele não é holandês, talvez apenas descendente!), Portland, estado de Oregon. E não é a primeira vez que atuam tão maravilhosamente bem: têm no currículo trabalhos como Garotos de Programa e Gênio Indomável. O diretor disse que é bastante inclinado a trabalhar com adolescentes por achar que é esse o período da vida mais importante, quando moldamos nossa personalidade.

 

Por fim, quando Van Sant é perguntado sobre as semelhanças com Tiros de Moore, ele traça um paralelo diferente do que se imaginaria, dizendo que o objetivo do seu amigo era resolver o enigma das atrocidades em escolas estadunidenses. Já Elephant aborda um tema mais descomplicado e interessante: só o durante, sem a origem ou o depois. Quem quiser que os busque em outro lugar!

 

Agradecimentos a Carlos Augusto Brandão.



Escrito por wormsaiboty às 19:11
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GISNÃO TIMES (A)

 

21 de setembro de 2005

 

A principal característica dos partidos brasileiros é a falta de ideologia política, ironicamente. O Impeachment de Collor não teve participação direta da sociedade, somente da Câmara e do Senado. Para que fosse atingida a cassação do presidente eram necessários 2/3 dos votos de ambas as Casas.

 

Na época eleitoral todos os partidos de centro e de direita estavam alinhados a Collor. Só uma fragilidade partidária tamanha faria com que todos mudassem de repente de idéia – foi uma tática populista, atendendo às reivindicações dos “caras-pintadas”. Se no Brasil as agremiações fossem realmente autênticas, o Impeachment jamais teria saído do papel.

 

REDAÇÃO ENEM 2004 [07-09-05(?)]

 

MANIPULAÇÃO DA IMPRENSA [feito em 15min]

 

O INÍCIO DA SOLUÇÃO

 

Num país onde a falta da educação de base aliada à indolência dos pais produz milhões de crianças despreparadas para fazer uma redação plausível de 15 linhas ou ler corretamente um texto mais elaborado, é imprescindível que ao menos aqueles jovens que forem incentivados a ler e ver a nata de programas da televisão, ao menos estes façam isso com a certeza da isenção da fonte.

 

Tal certeza ainda engatinha, pois podemos considerar, citando alguns exemplos, que um ou dois homens podem fazer a diferença (para pior) em todo o âmbito nacional: os Marinho decidem o que querem ou não que figure na edição final do telejornal; o bispo Edir sabe muito bem que é como se fosse uma daquelas mãos de teatro-de-marionete; e o Grupo Abril, com medo de uma Revolução, talvez, combate incisivamente os ideais marxistas em suas revistas. Pergunta-se: em que lugar isto é isenção?

 

Propõe-se o que mais chegou perto de ser a neutralidade na imprensa global: formar comissões de especialistas no assunto, peças qualificadas do governo e cidadãos. Essa trindade deveria zelar pela informação que não procuram lavar algumas cabeças, “modelar” a massa. Já que vivemos em uma nação com liberdade de imprensa, vetar estas matérias seria praticamente esvaziar as bancas e deixar lacunas na TV. Então, que ao menos o veículo ganhasse um carimbo “Perigo: você poderá estar sendo manipulado!” para, se não abrir o olho de cada um, envergonhar os líderes dessa balbúrdia.

 

Brasil, o país do futuro. O lugar da imprensa ainda bebê. Já demonstrou sinais de que poderá ser uma parte diferenciada, passível até de ensinar lições ao Primeiro Mundo. Mas até lá mudanças devem ser feitas.

 

 

SONDAGEM FILOSÓFICA

 

[23-08-05]

 

Sendo você um filósofo, escreva um pouco sobre a sua pessoa, sua família, seus planos para o futuro e sua realidade.

 

Estudante pré-vestibulando, momentaneamente estressado além do normal, mas muito calmo e paciente mesmo com estranhos na vida cotidiana. Não me incluo em nenhum estereótipo: não sou o garoto dos óculos fundo-de-garrafa tampouco um arruaceiro de fundo de sala. Meu pai é formado em Administração, curso objetivo, dono de estabelecimentos comerciais e aposentado. Passa quase metade da semana em seu amado sítio. Mamãe concluiu Artes Cênicas (ops!) na Dulcina, era funcionária da UnB e também já se aposentou. Meu irmão acaba de ingressar na faculdade, curso de Educação Física, já trabalhou na loja de meu pai. Politicamente, somos todos esquerdistas (?). Unindo o pragmatismo de meu pai e subjetivismo da matéria de Artes de minha mãe (excelente pintora e aparentando jovialidade!), parece ter surgido em meus genes um desejo intrínseco pelo Jornalismo (pense, ao mesmo tempo pode ser direto mas livre). Quero ser, ademais, tradutor de obras do Inglês e um dia quero cursar Filosofia exclusivamente por prazer. Tenho a impressão, às vezes, que vou acabar como Professor de Língua Portuguesa. Pior que não escrever bem, é o povo não ter consciência disso. São todos uns tolos que desperdiçam uma bela oportunidade de comunicação. Gostaria de tentar reverter esse quadro [haha!] ao menos em minha sala de aula [hahahaha!]. Atualmente não tenho alcance para fazer muito e a UnB é inacessível para quem não domina as questões de Matemática do Cespe. Mas estou muito feliz por viver com quem gosto e já ter planos de casamento. Isso é tudo.

 

(atividade da Prof.ª Yvanna)

 



Escrito por wormsaiboty às 19:04
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VITÓRIA ESPLENDOROSA [cantiga]

 

(redigido em 23/02/03)

 

Estávamos em menor quantidade

Mas, apesar de tudo,

Prevaleceu nossa vontade


Por amor a nossa nação

Faríamos tudo

Mesmo que fosse em vão

E lutamos com o coração

“Livrai-nos dos maus” gritávamos

Seguindo nossos ideais

 

Nós somos revoltados

Que só querem a justiça

Não seremos humilhados

 

Não obedecemos aos Reis

Não fazemos vossas vontades

Apenas inventamos

Nossas próprias leis

 



Escrito por wormsaiboty às 13:56
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SÍNDROME DE ELINE

 

“Talvez as mulheres sem filhos sofram daquilo a que os psicólogos atuais chamam uma frustração.” Eline, A Redimida. Eline 1; Eline 2. Por dentro, por fora. Dia mais feliz de sua vida: dando a notícia à Danielle. Por ele, essa altruísta até voltaria ao amor antigo... Quanto tempo vai durar? Olhos azuis traiçoeiros. A “perfeição do crime” foi que com o pai anônimo a abstração e desimportância do emissor do gameta foi elevada ao último grau; e ainda mais o rebento sendo masculino. CEUB e a dificuldade para um adulto escrever... Fico pensando neste glorioso futuro desta eterna-prostituída... Nenhuma letra igual à dela na periferia. Nenhuma aluna caída de paixão? O problema são as velhas; e pior: as que ficaram pra titia!

 

Ela não pode sonhar comigo. A irremediável feia dotada de poder hipnótico sobre mim.

 

Eu não estou preso a você. Mas como você estava a mim, é realmente isto que pensa: que carrego comigo, atada a uma das pernas, uma bola-de-ferro com a letra “E” cravada. Somos centrípetos e elas centrífugas... Sartre, o errado: por incrível que pareça, não somos polígamos!

 

Gostamos do destino e elas não. Quem é que está certo?

 



Escrito por wormsaiboty às 10:10
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VOCÊ NÃO É OUTRA COISA

Em “homenagem” àquele que me gerou

 

(Se és o implacável Cronos, sou Zeus. Se és fonte de vida Urano, castro-te.)

 

Quantas vezes você pode me derrubar

Até em seu coração perceber

Se escolhe criticar, escolhe também seus inimigos

 

Tudo que eu digo e faço

Aos seus olhos está sempre errado

Diga onde pertenço em uma sociedade doente

 

Você não é diferente de mim, é!

Não é outra coisa, outra coisa do que eu

 

Olhe para si ao invés de olhar para mim

Com acusação nos olhos

Quer que eu seja crucificado por ser um profano?

 

Escondendo seus crimes atrás de mentiras pomposas

Me diga por onde devo começar

Se você pensa que não peca

Seja o primeiro a atirar a pedra

 

Você não é diferente pra mim

Não é diferente, diferente de mim

Você não é diferente, é!

Não é diferente, não é outra coisa senão eu

 

Será que não vê, que não vê

Não é diferente aos meus olhos

 

Não vai ver, não vai mesmo ver

Não difere de mim

 

Vivendo a vida do jeito que escolho

Diz que eu deveria me desculpar

Será isso inveja nos seus olhos refletindo

Ressentimento?

 

Conte-me a verdade e admitirei minha culpa

Se se esforçar e entender

Que é sangue isso nas suas mãos,

Vindo da sua democracia

 

Você não é diferente pra mim, é!

Não é outra coisa, outra coisa senão eu

Você não é diferente

Não difere em nada, em nada de mim

 

 

 

O que chamais covardia, chamo de vingança literária. Minha única possibilidade.

 

Viveu entre humanos e nunca soube o que era humanidade.

 

Vir ao mundo no seio de uma família maldita; nascer escravo: nada há de pior! Que minha carne possa descansar o quanto antes desse carrossel do horror ciclotímico. Que o último dos tiranos banhe a terra estéril com aquilo que há de virar o jogo (Afrodite!). Caso contrário, toda árvore genealógica seria absurda. Há males que vêm para o bem, ainda que ele esteja depois do arco-íris.

 

 

 

Para saber se seu pai é um bom pai, e caso ele já não seja divorciado da sua mãe, imagine-o saindo consigo no domingo: o que vocês fazem? Ele se diverte, VOCÊ se diverte? Pois é. Não consigo imaginar meu pai, que é casado com a minha mãe, como divorciado e SE DIVERTINDO com os filhos, pois tudo que vem de pessoas de menos de 30 anos é merda fedorenta pra ele e ele só curte passatempos imbecis e enfadonhos para qualquer jovem normal. Logo, trata-se inevitavelmente de um mau pai, egocêntrico e negligente. O mais provável é que no momento em que não tiver mais que morar com esse sujeito, jamais o veja – nem pintado – outra vez.

 

Não tem problema, não,

Só o que importa

é que você e sua invencível razão

um dia estarão juntos

abraçados no caixão




Escrito por wormsaiboty às 08:38
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superinterpretação (o sonho terrível)

15/03/11

 

Meu sonho de hoje foi, talvez, o mais transparente e cristalino que já tive, e possivelmente nada mais será como foi até aqui, pois tenho a franqueza, o acaso e, sim, novas possibilidades ao meu lado, e à frente, e tendo sentido o insípido tão de perto, tão de frente, tão sem censuras... Justo hoje que me curo duma doença, talvez dum câncer... Pode querer dizer a morte de um plano? Impossível! Dificuldade e afobação passageiras, ainda tenho a genialidade trancada para quando quiser se manifestar, mas os alunos vão deixar? Dane-se, nada tenho que provar. Primeiro dia: Nando Reis – “que você era aquilo tudo que me fal-ta-va, a-a-u, uh-uh!”. Primeira lembrança consciente após despertar do presente sonho, o terrível. Esse sonho é diferente de todos os outros no sentido mais importante – ele já teve sua interpretação concluída, perfeita e freudiana, sem tirar nem pôr. Pela única pessoa que poderia fazê-lo. Isso mesmo: eu mesmo. Antes de ter escrito qualquer coisa aqui: porque eu o fiz dentro do sonho de hoje, e lembro com nitidez – e agora posso superinterpretar minha própria interpretação, que não devo menoscabar:

 

Eu anotava num caderno esse último sonho sinistro, parecendo um adolescente no auge da confusão – até pelo título escolhido... Lá vamos nós tentar recuperar minúcias... Eu rasurava o primeiro título escolhido, algo mais ameno, “Os Meus Pais... (algum verbo)”. Ou “O que os meus pais (verbo)”. Sei que ao final ele tinha três palavras que começavam com “N”, o que me remetia de cara ao Nirvana – pela própria letra do alfabeto, pela minha intenção, por ter o “tamanho” de Smells Like Teen Spirit (era essa a sensação durante a representação, que a palavra, que o título que escolhi, tinha a mesma dimensão do título da música do Nirvana, ocupava o mesmo número de caracteres, aproximadamente!) e por conter uma idéia de amputação/suicídio/morte. O próprio nome de banda Nirvana é um tanto revelador, já que sonoramente eu não me sinto ligado ao grupo nem um pouco. O afeto contido no emprego desta nomenclatura – embora evoque instantaneamente o conjunto de Kurt Cobain, o suicida – é todo de outra ordem. No sonho eu interpreto, e julgo estar sendo definitivo na minha análise, meu sonho-síntese, para meu próprio terror.

 

I

 

No sonho-síntese, a família celebra algo na varanda de uma cobertura sem parapeito... Parece Ano-Novo ou data marcante idem, minha mãe está arrumada, a tia Rosângela, minhas primas, estão por ali... Ouço vozes... De certo modo, eu me sinto, nesse átomo, enquadrado em algo extremamente repetitivo, mera conseqüência de uma vida estúpida que já vivi[1]. E não só repetitivo, maçante, mas também angustiante, opressor, eu diria. Eu que nunca gostei da minha família. Parecia, de certo ângulo, um autor onisciente que contempla um dos momentos tardios de sua trama... A história já vem avançada, chegará um dia ao seu fim, e os escassos momentos felizes vão passando, sem perdão, como na mesma velocidade em que um estranho qualquer passa as páginas do álbum de fotografias... Aquilo tudo deveria ser ilusório, apenas uma seqüência de frames de uma película já conhecida e muito batida. Simplesmente não tinha a coloração do real. Como um conto de fadas, se desmancharia fácil pelo império do tempo. Eu bem sabia, como numa profecia, também o que vinha a seguir, e que destoava da “normalidade” desse evento de família... Como se esperasse isso há milênios, ou décadas, vejo, bem ao lado, e lentamente, de forma que podia ter interferido em sua trajetória (fosse para empurrar de vez ou salvá-lo), mas preferi ficar de expectador, o corpo do meu pai silenciosamente deslizando pelo ar, nós que estávamos no topo de algum prédio, à noite, corpo que eu já sentia desprovido de carne e sangue pulsante, um tanto inócuo, só uma casca, mergulhando de ponta rumo ao concreto. E ao mesmo tempo que foi lerda a queda do corpo enquanto ele estava no mesmo patamar que nós da festa, ao mesmo tempo parece ter se dado em 1 ou 2 segundos, se se considerar que assim que se atirou do chão da cobertura para o piso lá embaixo, tão distante, não houve tempo para nenhum gesto ou pensamento de minha parte: metade (da cintura para cima) de seu corpo estava submersa, soterrada, abaixo da calçada. Espatifou-se. Claramente morto (como era um sonho, não está descartada qualquer anormalidade, com ar de naturalidade, haja vista não estranharmos pessoas que voam ou mortos que ressuscitam enquanto não estivermos despertos e de lucidez recuperada). O choque do corpo com o piso havia gerado um forte estrondo. De forma que quando os outros ouvem o baque e são noticiados do desastre, vem logo à tona um dissabor característico dos meus sonhos de morte (uma espécie de rubor facial, grande pesar e vexame, paralisante, mas que nunca senti, dessa mesma forma, a não ser em representações oníricas). E veio porque todos conversavam animadamente, era uma ocasião festiva e foi uma morte inesperada (desculpem pelo chavão!) de um ente próximo, cujo comportamento contrastou imensamente com o da família desde o início do sonho... Curioso que só eu tenha notado o corpo no momento em que ele se jogava. O restante das pessoas só se deu conta do trágico por conta do forte barulho, que já indicava o final da abrupta trajetória daquele corpo, vários andares abaixo. Ao notar o rosto da minha mãe contemplando o cadáver (ou o que era visível dele), apreendendo o que tinha acontecido e que foi tão efêmero e súbito, me enchi de assombro. Mas dissimulado, até certo ponto, porque queria passar outra imagem aos convidados da festa. Por dentro, na realidade, eu era capaz até de alegria, uma alegria longamente anunciada em desejos e palpitações... O presente sonho se encerra ali, e depois sou eu desperto (ou eu já me imaginava como tal) relatando tudo numa folha de papel. Sabe-se que um sonho NO sonho faz com que devamos inverter todos os sentidos – posto que o único substrato do onírico é o real, o que foi representado nele como OUTRO sonho é manifestamente um parêntese ou o pronto acréscimo da palavra NÃO a tudo o que deriva desse real: o oposto do que você quer, o contrário do desfecho desejável... Aos que relativizam essa característica, não considero nada casual a escolha dessa forma negativa de representar a morte do meu pai para mim mesmo. Não como forma de censura que retirasse o fundamental e mais imoral da interpretação do sonho, justamente porque é um dos sonhos de que me lembro com mais exatidão e fidelidade, além de seu teor ser pesadíssimo. Caso fosse realmente uma mensagem positiva, não seria difícil que pulássemos agora para outra etapa do sonho ou que eu tivesse de me despertar do meu sono para rememorá-lo conscientemente e quase sem brechas (o que costuma acontecer quando temos um pesadelo), como o fiz somente ao acordar verdadeiramente. Mas ao “acordar e continuar dormindo”, ou seja, criar o subterfúgio do sonho dentro do sonho, e ter sabido de todas essas operações logo que acordei no mundo real, ficou patente para mim que o que eu fiz foi emitir uma sinalização clara, sem distorções, do que é que eu deveria refutar, o ideal que deveria ser ignorado (meu pensamento crônico da vida consciente de desejo de morte do meu pai). Revelar-se-ia, assim, com um pouco mais de análise a posteriori, o conteúdo latente significativo de verdade, por trás desse teatro tão convincente que encenou a morte do meu pai (ora, dir-se-ia que o sonho é sempre simbólico, mas ele não acaba aqui! Há mais coisas para desvendar, nem tudo me foi dado de presente! Se disse logo acima que quando acordei o sonho já estava totalmente interpretado, foi apenas figura de retórica).

 

Na interpretação do sonho NO sonho, eu, inclusive, me mostrava satisfeito, vingado, quitado, mas, por outro lado, pesado, desgastado, de alguma forma muito severa, enfim, ressentido, rindo amargamente por dentro da postura condenável dos meus pais – daí o prazer em rabiscar o título e reescrevê-lo mais cruel ainda. E agora preciso chegar à cena final do sonho... A parte mais hermética, que complementa a tão transparente mensagem do trecho acima:

 

II

 

Uma espécie de bar de entrequadra, desses típicos daqui, é o ambiente. Bem na orla da calçada, já invadindo a vegetação, dialogo, em uma mesa, ou sem a mesa, mas sei que sentado, com um interlocutor mais ou menos da minha idade a quem tentava explicar “minha teoria”. Eu dizia que árvores novas continuavam sempre nascendo, ou algo assim, em oposição às podres e velhas, que morriam. E então me aparecia uma árvore “nova”, recoberta de um musgo bem verde e vivo, e formigas sem cessar brotavam dela e me forçavam a agitar as mãos e os braços, porque elas vinham em grande quantidade para cima de mim, de todas as direções. O interlocutor se gabava dizendo que eu estava errado e ele certo, mas apesar do incômodo da comichão provocada pelas formigas e tentando espantá-las, eu afirmava confiante: “Não, isso só comprova que eu estou certo!”. Algo mais acontecia nesta cena e de repente eu me via com todas as pontas dos dedos das duas mãos decepadas (e por um instante pareciam mesmo caules de árvores serrados!),[2] como a dizer: uma árvore genealógica que não prossegue é o que de pior pode haver, sinônimo de esterilidade e anti-vida, sem frutos. Para além da morte de meu pai, já exteriorizei a alguns confidentes o forte desejo de extirpar minha própria raça. Eu, pequeno, força apenas reacionária de um mundo decadente, não tendo filhos (nem metas de que me orgulhasse) e morrendo, implicando assim a ainda mais real e ulterior “re-morte” de meu pai, que findaria sem netos, ou seja, o fim da linhagem. Porém, percebi que no fim das contas estamos vinculados de tal forma que querer a morte de um é querer consumar a morte do outro... E acho que nem é isso o que eu quero – o que qualquer impulso vital quer... Ficou claro que eu não podia ter um juízo independente, que havia algo mais forte que eu me sustentando e me puxando, mesmo que inclusive me oprimindo, ora ou outra, mas garantindo, de qualquer maneira, minha existência e meus pensamentos de fundo. Existia esse algo que me superava, por trás, soberano, cimentava todos os meus atos, sendo impossível ser contra ele, já que qualquer estado de ânimo meu, ainda que belicoso e adverso para com a própria árvore que me deu origem, seria um mero reflexo do estado de espírito deste “primeiro” ente, que vou deixar aqui como uma abstração (todos os meus finados avós reunidos, quem sabe).

 

O principal já foi fornecido, mas não esgotei a escrita aqui. Cronologicamente, depois da cena das árvores e do espanto das formigas, e da constatação da amputação múltipla, já estou num carro, só não sei se estacionado ou em movimento. Uma mulher, talvez da minha idade, me pergunta algo a respeito de todos os engodos que se sucederam, e o homem, ao lado dela, talvez eu, talvez não (imagens sobrepostas, parece um amigo chamado Gabriel, muito provavelmente porque a mulher também se parece com uma Gabriela que pensei ter visto num carro qualquer dia desses, no banco do carona, estacionado em uma entrequadra), contestava: “É preciso não acreditar em nenhuma mentira – nem nas dos comerciais...”. “Nem nessas?”, ela insistia. Mas a personagem masculina seguia resoluta em seu ponto de vista...



Escrito por wormsaiboty às 21:39
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superinterpretação (o sonho terrível)

III

 

E há, ainda, no miolo do sonho, um outro trecho que por enquanto omiti para não jogar informações demais e atrapalhar a narrativa central (I), que parece ter sido uma ramificação mais madura de várias problematizações aqui levantadas, antes do “suicídio paterno” na sacada do prédio. Estou em casa só, tenho muito tempo para fazer o que quiser, com bastante liberdade à disposição, como se tivessem viajado e me deixado ali. Uso uma espécie de tecido na cabeça que serve de bandana, algo que pertence aos produtos de limpeza da casa ou que fazia parte da decoração. Talvez uma toalha, mas um tanto gasta e irreconhecível. Ao mesmo tempo, o banheiro está bem sujo e diferente do convencional, com a tampa da privada estofada e colorida como se fosse um sofá, mas o urinol está úmido. Encontro-me meio atordoado porque gostaria de fazer alguma coisa, talvez cantar, cantar várias músicas na seqüência, mas não sei por onde começar nem como encontrá-las... Em seguida, em outro trecho, estou tentando dormir, mas sou acordado pelos parentes da casa que abrem a porta fazendo estardalhaço. O Diogo é o culpado, e me irrita bastante. Alguns objetos do criado-mudo e da cama são mudados de lugar, como almofadas, meus óculos, que estavam longe de mim e de repente estão no meu rosto, e os controles remotos, que vão parar na minha mão. Ligo a TV mas pretendo continuar dormindo, ou fingir que estou dormindo, para os demais da casa. Posso pressentir a presença do meu pai e da minha mãe. Mas agora estou de pé, desperto, e recepciono o Alex, Gnomo, amigo do meu irmão Diogo, com quem costumo ser mais simpático do que com o próprio. Ele está sem camisa e começamos a lutar – de brincadeira. Tento acertar chutes, e socar com toda a força, mas são golpes fracos demais, que não causam praticamente efeito. Quando ele tenta uma joelhada ou investida, sinto que poderia me derrubar, mas ele não luta pra valer, e eu faço a esquiva ou o bloqueio, mas com dificuldade. Gnomo tenta me dar dicas de como combater melhor, me avisa para não abrir a guardo antes de aplicar o direto com a direita, notando que eu abaixava o outro braço e ficava vulnerável.

 

De repente o cenário muda. Somos três – eu, Gnomo e o Diogo, se bem que outrora é o Aloísio, meu antigo vizinho, ao invés do Gnomo – acompanhando o jogo sub-17 do Brasil, no horário do almoço. Minha mãe entra no quarto, aparentemente trazendo um lanche. GOL da Seleção nessa mesma hora! A bola parece que nem passou da linha, o lance foi muito rápido para acompanhar com os olhos. Havia ali uma bola, na nossa frente, e eu sentado começava a brincar com ela, fazendo embaixadinhas curtas, com o joelho – até passava para o Árlesson (outro amigo meu que morava perto e com quem convivi nos anos de infância, como com o Aloísio, que agora substituía meu irmão na cena), que estava de costas, e cutucava a cabeça na bola, talvez involuntariamente...

 

 

 

 

FRASES SOLTAS QUE O FLUXO DE ESCRITOR LIBEROU E QUE NÃO PUDE INSERIR NO TRANSCORRER DA NARRAÇÃO DO SONHO, MAS QUE TÊM RELAÇÃO COM O MESMO:

 

Sim, nossa danação é que somos supersticiosos, e não há quem tire isso!

 

A vida é como um sonho gigante! Mas se o final está condicionado pelo começo... Então não pode ser um sonho...

 

Felizmente, nada é tão claro nem tão hermético – a não ser esse mundo do professor-proletário...



[1] E mais tarde preciso narrar uma cena prévia (ou um conjunto delas) que não estaria diretamente nessa interpretação escrita do final do sonho, mas que cronologicamente, da ótica do acordado, é-lhe anterior. [Vide número III]

[2] Dentro do próprio sonho, “descobrindo” que estava sonhando (mas esquecendo disso logo depois, ou eu realmente despertei mas voltei logo a dormir), me pus a perguntar por quais causas externas, por quais hipóteses, havia-me representado as mãos decepadas: 1) fui ao médico no mesmo dia e ele não tinha o dedo polegar da mão direita; havíamos apertado as mãos e eu estranhei bastante; 2) pensei na possibilidade de estar deitado sobre uma das mãos e ela se encontrar dormente. Não sei se acordei e constatei que a tese estava correta, me deitando corretamente, ou se a sensação de dormência, de que recordo com perfeição, foi artificialmente produzida, como o formigamento dos insetos na cena imediatamente anterior!



Escrito por wormsaiboty às 21:39
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JÚLIO VERNE DOS EDUCANDOS



Escrito por wormsaiboty às 19:47
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EXPRESSIONISMO EM POUCAS PALAVRAS

Itálicos póstumos

com pequenas adaptações gramaticais, apenas.

 

A “arte do instinto”. Uma pintura dramática, subjetiva, “expressando” sentimentos humanos. Usa cores fortes e vibrantes para dar forma a emoções mundanas como o amor, o ciúme, o medo, a solidão, a miséria e qualquer outra. A figura fica deformada, justamente para amplificar o efeito. A emoção supera de longe a razão.

 

Como um modelo de arte moderna, não poderia deixar de usar a Psicologia em seu favor. Através dela consegue se infiltrar no que o ser humano mais tenta ocultar, em vão. Quanto às cores, são sempre inesperadamente chocantes mas podem estar segregadas ou juntas, fundidas.

 

Há sempre um dinamismo, o Expressionismo é contra a estática. As tintas (não se fala aqui das cores, mas do produto) são costumeiramente ásperas, grossas. E o pincel nunca é usado de forma calma. Há o trágico e o sombrio retratados, jamais o cômico. Uma bela curiosidade é que a crítica rotulava alguns expressionistas de Pós-Impressionistas.

 

Principais nomes da tendência: Gauguin (francês amante da ilha do Taiti), Cézanne, Vincent Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Munch, Kirchner, Paul Klee, Amadeo Modigliani, dentre outros, mas cabe ressaltar que jamais quaisquer destes pintores podem ser considerados integrantes exclusivamente do movimento expressionista.



Escrito por wormsaiboty às 18:11
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CRISE DO R

I’m lost!

beat beat beat

Como escrevinhar? O sociologuês, que paradoxo, não é clássico!

 

Homem em frangalhos – por incrível que pareça, bom sinal!

 

Esse seu distanciamento galáctico entre sua mão direita que empunha a pena e o resto do seu corpo tão jovem e prosaico é o seu dilema par excellence – ser professor deve agravar isso ao máximo! Ou resolver tudo depois. Envelhecer. Já que rejuvenescer a mão não vai dar (ê, orgulho!). Não se muda o idioleto da noite para o dia. Caraí, véi!



Escrito por wormsaiboty às 00:59
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QUANDO O DOM DE SE COMUNICAR SE TORNA UMA PRISÃO

Ódio à Tarcila e aos mais burros dentre os burros, os Jullianos e Sonecos!

 

Distração. Sons na casa que eu não era capaz de ouvir – a dor em algum membro como atenuante desse stress invisível. Passo na passarela cagada e as pernas não doem mais. Canto para me distrair. O vento na janela me faz esquecer da mancha nos óculos.

 

Solução fácil? Então criar problemas!

 

ENTROPIA – fractal como paródia de si mesmo – olhe o seu dedo!

 

E sabe do quê mais? Não há nada oculto aí, nem menor nem maior, lá fora, na sua janela.

 

Por que sempre essa mesma concepção bobamente anti-cíclica?

 

História e Geografia: duas barcas furadas.

 

Ressaca: o doloroso interlúdio entre meu resguardo altivo e artístico e minha partícula socializante em comunhão com as baratas tontas.

 

A trilha sonora da “bad trip” não é mais que o barulho randômico da caixa de itens de Mario Kart, outrora semelhante a um na-moda-funk.

 

A idéia harveyana do longa-metragem como o próprio eterno retorno de uma vida (Goku de fato existiu). Microcosmos dentro de um cosmo que é a própria contingência do início ao fim que não pode ser englobada por nenhum tipo de arte, equivalendo na verdade a ela (ser-no-mundo, o roteiro, uma estória). Eterno Mario, eterno Ulisses, etern Nietzsche, eterno Ferris, looping. Eternos Eric e Alex. Eterno meio-dia, grande sacação, eterna Nayana, eterna foto íntegra que já foi rasgada, eterno título, eterno beijo, Eternal Idol. Quantas vezes a série precisa se repetir, Lévi-Strauss? Eterno dente, eterno Dante – defeito dos vivos no Inferno: falta o Juízo Final destes. E depois dele, o Nada!

 

330: sugestões de filmes – começar a se tornar um ADDICTED? A MONO ainda é algo assaz engessado e posso ludibriar minha banca com meus dotes atuais.

 

331: conceituar na tese as noções lentamente trabalhadas por MML de explosão/implosão do mundo ocidental.

 

Dickens como o inventor do fluxo de consciência. Lynch é fluxo de consciência? Estou num meio quente e o babaca do meu irmão esfria. Cuidado com a febre.

 

Os videogames não são o remake da História humana?

 

369-371: um exemplo de como a monografia pode invadir a Política. Rainha estética – precioso papo “circular” com o Th.: “as aparências revelam(?), longe de enganar”!

 

Adoro essas variantes de gordinhas lindas e meigas (Patrícia, como vai?). Talvez aquele pé-sujo do Pedro traga bons fluidos, afinal.



Escrito por wormsaiboty às 03:46
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VIDA OU MORTE, TUDO OU NADA: RAÇA NOBRE, OU FURADA?

 

CAMPANHA DIOGO-MORTO-É-RAFAEL-FELIZ!

 

Será que eu perdi o dente porque tentei me matar? Foi meu coma social. Apagar o MSN. Ou, na contra-mão, relembrar os antigos, sair de repente, aceitar convites... Um rearranjo de Naraku...

 

1º GRUPO: os que apenas recebem (Saulo, Diogo & cia.) (JÁ FUI)

2º GRUPO: os que apenas reproduzem racionalidades (Thomas, Mateus, Rocha e nerds da computação – diferença bem pequena. Arbitrária, aliás.)

3º GRUPO: niilistas críticos ou híbridos. Estou AQUI de taça cheia; ainda recebo mas vomito; já produzo com intensidade sangüínea (dou).

4º GRUPO: artistas realizados – os doadores (Metallica, Kerouac, Brad Pitt, Ronaldo...)

 

A criança quando nasce está no meu patamar, ou no patamar artístico mais nobre. Depois cai de divisão. Aquele que consegue subir de volta, ainda tem que fazer um estágio entre os hedonistas que não são conscientes-de-si-mesmos, ainda que tenham algum tipo de intelecto mais desenvolvido (2º grupo). Desnecessário informar que o adolescente candango típico realmente pertence ao último estrato.

 

Não sou nerd, vagabundo ou louco – sou gênio. Talvez, eu seja os três.

 

 

Com sono eu fico bizumni. Qual a relação tão íntima entre cansaço e prazer? Energia sexual e corpo se exaurindo? Predomínio da inconsciência nessas horas? Relógio biológico apitando? Beber fumar foder dandi dândo cu hipoglós fugir mulher punheta gostosa Eline putinha fluxo fluxo fluxo to fraco? Ou tô forte canibal? Sensual e cheiroso. Vida adultaihs? Taih a resposthomas! Sapiência de um escritor... taradinho. Pedro Piccolo comtesimmel-zine come só água. Maurício, cuidado com o vício. Thi, trauma de ago... GUI! Gay gayguiarmariii... zelambra se lamba.

 

 

SOB EFEITO DE QUÊ?

 

Uma crônica de outubro

 

Dias de chuva revelam verdades. Retroalimentação do sistema no berço ancestral e no ciclo passional. Mês mais doido. Pico 2005. E antes? Bermuda sigma? Não, antes. Internet dilemma, Caritinha, PB, óculos aê, divisões errôneas e formas reformadas, THAÍS, não tenha aversão ao meu método de escrever, não seja repelente! Peneirando a lava, a lama do soccer só quer me namorar SAR vírus Camus SUS pus jus naturalis for all FORRÓ tall um troll video show. LOL. Mão, foi mão, a mão direita artreira. Stilo preservativus vasectomicus dourados pó de para-lá... A droga sou eu. Transar com Camilla, ela grita. Quantas Camilas super-significativas... Comida. Sociologia fria, Luisza! Não quero saber, você vai morrer! Rannabreu a porta do meu coração compreendeu o silêncio ótima esposa  Adeus  Pesadelo psíquico estava quase lá, podia até tocar cocô xixi xoxota piupiu papa-rico cricri mimir mamar papar momô biggy retorno ao zero carne contra carne compreensão mútua pré-imagética dindim kabou kaboomda! dodói bebela felfel ine-bine cine egüinha filezinha de vizinha patricinha aloisinho e riaminha. maurinho estricNina vidinha a sina missão naylão que curiosa irrisão cebolinha monição de arma franjinha é emo? Eu faço êle rotinautomaçãoprecavidavelhavilagrosseria! Nayara Ana moscovita Bianca cara de carranca Fabiana você não me engana, rebola como a Nana e adora uma  jubajurjabur  batida como minha Juba sópramim ha rolinhas no parque da cidade, Lady Sol, sua gueixa! Serviço grátis de caridade, ninfeta!

 

Descobri ao menos por que a chuva dissipa o pensamento... Ouvido, o órgão mais sensível e estuprado do organismo. Ninguém liga para o molhado; mas o sol não tem chiado. A paisagem é bucólica mas não embrutece, apenas emudece – o que é bom, pois serena. Seria essa a alma plena de um poeta? Escrever como se canta? Jogos de linguagem – vou avançar o sinal da civilização? Maconha musical. Alarido hostil. Pernilonga noite, 24h de custódia. Tamine, termine linguarude Por incrível que pareça, já estou com saudade do sexo! Cheiro de sêmen seco. Narinas. Computador = molho.

 



Escrito por wormsaiboty às 00:00
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ALMOÇO EM CARNE VIVA (E A COMIDA FRIA)

29/09/09

 

Ativo demais, inepto demais, bem-me-quer, família-mal-me-quer... Buracos, buracos, fujões, marmotas... Alguém aqui precisa morrer, e como eu sou AZARADO e PENSANTE, sei que não serei eu! JOGAM DUPLO, ESSES DESGRAÇADOS! Eu preciso AGORA de um SEIS no DADO DA VIDA, vamos!!! Algo sempre se sucede; ou melhor, sucede ao outro... Rafael significa ANTI-CRISTALIZAÇÃO. FOGO – ME PERGUNTO POR QUE FUMO! ÚLTIMA VEZ? CONTA OUTRA!

 

 

Se eu não tiver para onde estourar, se a novela empacar (tudo depende do diretor e da audiência, vou acabar me apaixonando pela Thaís. Aprender a conversar. Aumentar a frieza. Que Paul Rée ou P. Gast... não passa de um Tom malévolo de Wagner...

 

 

“Mal da afasia” – Ainda não li a respeito de algum distúrbio que pudesse ser tão-somente oral, enquanto o sujeito é um “best-seller”.

...Só eu e o terrível...

 

Teoria da Ofensa – afastar-se mesmo dos maiores amigos nesse tipo de clima pesaroso, sobretudo quando estão em grupinhos. Ouvidos alheios espreitando – isso machuca! Gosto do tête-a-tête, “monogamia” neste aspecto. Eu e T., papos melhores que eu e 2T.; eu e Maur., controle da conversa, ao invés dos palpites inúteis sobre N... Thiago: lixo perverso, afasta-se quando demandado e aproxima-se quando chafurdado em fezes, só para alastrar o cheiro. 3T! T&M, TM&R Company... Fuck the company! Trio de patetas alinhado de través... Noviça gostosinha de preto de luto que evade. E uma coroa. Bons papos de sábado à tarde, para afastar o bolor. Pedro Pedro Pedro LSD tarja preta ácido fabíolo – não me dou com esse nome. Nome cristalizado. Silêncio e xavecagens no escuro... A gente sempre trai o melhor amigo, porque enxerga as fraquezas maiores... Tudo dói quando se caminha sob o Sol e se pisa na casa-forno cheio de atribuições...



Escrito por wormsaiboty às 03:42
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LARANJA ASSASSINA

Ontem, ano retrasado, matei meu pai e os postiços ao som de Leper Messiah e Fight Fire With Fire. E ontem aloprei com Cattini e Fialho, mamonei, traguei, comi um doce bolo de chocolate, adormeci e tive visões as mais ricas do hedonista.



Escrito por wormsaiboty às 23:37
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PROCURANDO A VALENTIA DO SUICIDA

Se eu pelo menos levasse a cabo esse ato. Segurasse no cabo da faca sem sentir o peso nas mãos... Se algo mudasse nessa história... Se o instinto vital não me atrapalhasse por completo. Se eu tivesse o direito de ter alguma coisa melhor do que uma vida ruim, já que tudo o mais não me foi dado escolher! Infligir sofrimento aos meus mais próximos – meu único consolo! Ardam nesse fogo que ajudaram a espalhar pelas florestas da minha alma, pais insossos! Sintam o fogo queimar a pele como a última coisa, a punição definitiva. Tudo que nos é infligido é sem dúvida alguma retornado, ainda que por outras maneiras e com desvios. Desgosto. Se ser assim não pesasse lá na frente...



Escrito por wormsaiboty às 22:19
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VANTAGENS E DESVANTAGENS DE BANCAR QUEM NÃO SE É

Pode parecer loucura controlar as relações que se tem com humanos. Mesmo loucura afrouxar ou apertar as rédeas quanto seja, pois somos muito volúveis e a cada dia reinventamos as escalas!

 

Temo que a única prova de que não tenha me descoberto neurótico, lunático ou psicopata é que me pergunto todo dia pela procedência da minha sanidade mental. Estou nas raias da pedofilia [in]confessa[vel], da santidade erudita, do desinteresse, do ódio fraternal, tudo isso junto.

 

Mas as de catorze, quinze anos, se muito ingênuas e muito abertas, me enjoam rápido. Elas não sustentam uma conversa, e eu sou puro demais para ousar algo bruto, abrupto.

 

As mais velhas estão já vacinadas, e gosto de passar tempo com elas mas elas parecem já não gostar, se trancam aos homens, sejam eles como forem.

 

A solução seria enganar ALGUÉM, ou um número reduzido de alguéns, a melhor chance de manter de fato as aparências. Da máscara não cair e se espatifar no solo.

 

Tentar uma ousadia maior aqui e acolá, dar tempo ao tempo, retroceder, fazer pouco acaso, me desculpar.

 

Outro problema: com quem falar ou apenas cruzar os braços?

 

Desanuviamento, incremento. Ressaca, esgotamento de forças, depressão.

 

“Cadê os brothers, ‘leque?” Assim não se consegue viver, pensa você.

 

Eu não respondo por mim. Viu só?

 

Cuida dos teus negócios que eu cuido dos meus. De mim para mim mesmo.

 

Eu sei que você não vale nada. Sei, sim. Com as pessoas de valor somos mais hesitantes e orgulhosos em puxar papo, assunto. Vocês não passam de corpos descartáveis com decotes atraentes.

 

Nada fere minha autenticidade. Não do jeito que se pensa.

 

Qualquer reflexão que vá além disso não valeria o custo, me deixaria mais doente, ou seria possível extraí-la apenas de alguém mais doente do que me encontro agora.

 

Ass: Sujo e Puro



Escrito por wormsaiboty às 17:55
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MANIFESTO DOS FAMINTOS

30/07/09

 

Meu maldito inimigo: o dinheiro.

 

Proclamo-lhe guerra eterna. Tirou o meu amor.

 

Seu fantoche é meu pai. Com sabor, se refestela ao saber que a menos que eu o tenha serei um ninguém para toda a vida. Mas vejamos o que é tê-lo e desprezá-lo! A cidade do dinheiro! Nasci no útero do inimigo, combaterei o forte de dentro! Cada vez eu sou mais carne viva e estilhaços! Mas este highlander aqui é uma bela panela velha... e quão mais viva a carne, mais viva! Mais vermelha, mais agitada, mais musculosa... Em trabalho, impiedosa, volitiva... Vou conquistá-lo e desdenhá-lo, ou você vai me matar como fez com bilhões... Sujo assim, acho difícil, porque eu sou o veneno indicado para essa imundície que vale os que não suportam verter nem mais uma gota de suor na testa esburacada colada ao asfalto!



Escrito por wormsaiboty às 01:26
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SABRE DE LUZ DE SUPETÃO

O batido inaudito.

 

Rafael, aprendiz de aprendiz de feiticeira.

 

Resquícios de tempos encardidos...

 

Somos grandes poços de desejos...

 

Vou jogar minha última moeda, e torcer de olhos fechados...

 

A indispensável que é aleatória. A necessidade que me constrange, mas poderia muito bem deixar de ser assim... A pessoa certa na hora errada? A cobertura impecável, o retoque perfeito, detalhe, ornamento, enfeite... Enfeite para me embelezar.

 

Não! A pessoa errada na hora certa. Por isso, não existia hora... Ela deteriorou de novo...

 

Você quer um amigo ou quer um amante? Não negociamos hibridismo.

 

Nosso amor é assim: sei o que ela quer quando deita seus olhos nos meus.

 

Cumplicidade.

 

Especuladores da bolsa de Vênus.

 

Perder as estribeiras deve ser assim como perder a montaria, o estribo e as beiras (onde agarrar).

 

Flecha que oprime o meu peito! Sai daí, e deixa o sangue jorrar, agora que é inevitável...

 

Vinícius de Moraes ou Cristo, esses dois hoje, são idolatrados ao se abrirem os livros, mas na rua e na prática seriam rematados babacas! Porque não entenderam a mensagem, há realmente vários Filhos do Senhor poraí, eternamente pisoteados pelos “bons-modos” alheios.

 

Puta inocência!

 

O pobre quer enricar, mal sabe a felicidade que vai se tirar.

 

O rico quer empobrecer mas não tem pulso.

 

Falo do verme sensível, pois do anêmico não se esperem reações ao princípio da inércia...

 

As flores têm que brotar de espinhos...

 

Você me cativou, e agora eu estou no cativeiro.

 

Poeta tuberculoso eu sou. Zero testemunhas eu carrego ao tribunal da inquisição.



Escrito por wormsaiboty às 21:00
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NÃO HÁ ESCAPADELA DO INFERNO

Vencido pela burocracia

Fraturas na Sociologia

 

                                                               Suicídio: o plano

15/07/10

 

Estou devastado. Fui despido de todas as condições de continuar lutando. Nunca considerei a vida algo mais vão; exceto quando o tema é sofrer: sofrer com contrastes, entre a crença na iminente realização de um objetivo ou no inevitável cumprimento de uma missão que se desdobrou por tanto tempo, mas que um dia passa... entre esse sentimento fortalecedor, esperançoso, e seu oposto: o desfalecimento de todas as aparências; pois na verdade eu estaria enrascado. E enrascado ainda á pouco.

 

Estou oprimido por um peso incalculável. Nada mais importa.

 

Hierarquia: “um bom jornalista é melhor e mais verdadeiro que um sociólogo medíocre”



Escrito por wormsaiboty às 23:51
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GERAÇÃO PREGA

Longo prazo é algo que não existe para algumas pessoas. Mormente o meu irmão. O tipo-ideal do hedonista. Por que alguns autores escondem o hedonismo na carapaça de um pessimismo lato? Porque hedonismo é isso: não se crê no amanhã. Não se deposita a mínima fé no futuro! É tudo agora, a terra perecerá para os próximos, porque os últimos recursos escassos estão sendo solapados nesta “festa”. Enquanto eu semeio o amanhã com meu sacrifício (julguem vocês se quero retribuições mundanas por isso), alguns vermes estão aí apenas para mamar, e mamar, e mamar. Só sendo um pessimista para suportar a sucessão sem-cor dos dias que são vividos dessa maneira! O pior castigo seria alguém obrigado a ter a vida do Diogo e pensar como o Rafael: felizmente essa aberração não existe; seria anti-natural. Porque alguém que só se desperdiça, se soubesse que faz isso, mas sendo pusilânime até para pensar em suicídio, eu realmente não sei se se acomodaria em sua cama para assistir os Simpsons até completar 40 anos de idade. Pensemos na minha pessoa como uma cabeça diogal: perambula por todas as dimensões do humano, desce até os mais grotescos lamaçais que foram preparados pelos seus ancestrais e onde ainda se banham seus contemporâneos e, a despeito de tudo isso, não se dá conta do perigo! É, pensando bem, ignorância é para ignorantes...

 

Pequeno desabafo de fim de noite. Menos carrancudo do que parece, essa não é como daquelas outras vezes: mantenho absoluto auto-controle e tranqüilidade, só diria que foi o corolário de uma grande noite de estudos, não sem uma visita a minha cozinha para vivenciar mais uma daquelas reuniões familiares que não redundam em nenhuma conseqüência para o dia que já vai nascer...



Escrito por wormsaiboty às 00:45
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PÊLOS E TEIMOSIAS

Toda vez que alguém fala que eu tenho de cortar o cabelo ou fazer a barba, sinto vontade de manter meu islamismo visual. Meu cabelo, por exemplo, poderia se tornar o da Rapunzel, se eu registrasse num caderninho: “cada conselho imprevidente equivale a um dia sem ir ao barbeiro”.

 

Mas ultimamente me vêm incomodando essas patricinhas que gostam de peles absolutamente lisas; preguiçosas que são para ir morar lá no Japão, elas têm de importunar o rapaz da janela ao lado! Pensam que seu ideal estético está em todas as cabeças, e solicitam a imediata supressão do cavanhaque e das costeletas. Se soubessem o que algumas madames fazem entre quatro paredes com os mais barbudos, sem reclamar, rá, não se ouve ninguém chiar, mas eu diria que afora isso se pode ouvir muita coisa!

 

Um brinde a quem falta humildade e por isso possui orgasmos bem humildes. E dois brindes às mulheres mais socráticas, com, talvez, pontinhas de inveja das portuguesas com pêlos no buço!



Escrito por wormsaiboty às 20:11
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JAMAIS SE REPETE

Esboço de um complemento ao MEU PENSAMENTO-MOR (09/07/09)

 

Mistérios do tempo. Grécia. Um grego hoje que diz sentir fluir em si o sangue dos antepassados. Moderno tresloucado, boca-grande, infame; ou apenas conseqüente? Chame do que quiser, mas nos tornamos herdeiros demais e patriarcas de menos. Tempo bom, não vai voltar. Musa enganadora. Aurora há de brilhar. Reencantamento do mundo, isso não pode ser, porque pressuporia um (re)-en(canto), uma volta ao encanto, mas essa repetição é impossível. O encanto é ser uno. É um novo inaudito canto, no máximo. Des-encantar, como esfriar, gelar, depois aquecer, esquentar, são apenas etapas de um jogo mudo e infinito. Uma roda não gira mais de uma vez neste jogo. Não estamos, pasme, convergindo ao grego. Leonel, Gabriel, Bárbara e Hilan: adeus?! (Sempre há gêmeos nessas histórias)

 

Há-Deus: nem mesmo isso poderá ser repetido, que agonia incisiva essa da morte da criatura mais poderosa já desenhada, e que caricatura pervertida, o máximo do poder – bem como os gregos, ele também vai desaparecer! Quem sabe que novos arranjos de potência e impotência advirão? “A Era dos Extremos”...

 

Espírito trágico, espírito trágico...

 

Falta de nostalgia até da falta de nostalgia

 

Você não vai subir pelos flancos?

 

Mas se a oportunidade é pouca, e você ainda leva um tranco

 

Ruminou tanto, deitado, que quando foi andar viu que estava manco

 

Se a rima parar, aí então eu desanco!

 

Porque comigo é preto no branco

 

Não sou como esses homens que mais se parecem com orango-tangos

 

Mundo do pior-melhor-diferente

 

Bem abrangente

 

E quem sabe do futuro? Grande brincadeira é escrever um livro sobre isso!

 

Enfim, o sonho e o pesadelo, descartes, kantorias, happy schopenhauers, marx-ua-vida-com-boas-marcas, caminhe com pêlo de camurça poraí... tomás uma vida de alegria...

 

O sonho e o pesadelo... Consumo-Ressaca-Consumo-CONSUNI-ressarce-consumo-ressaca-consumo-ressaca-coturno-na-marra-com-uma-paulada-eu-sumo-ou-pelo-menos-me-aprumo-,saca?

 

esse é o próprio sonho e as idéias que destroem o sonho

 

comilão o monstro!

 

sonso... até meio troncho

 

poço de desgosto que gera a maravilhosa Vênus redentora... happy end, the wind tearing away the sand

 

sim eu posso

 

dane-se

 

Código de Manu. O Rei está nu. O homem está nu e o take 1 desse filme excitante vai começar quando a claque bater. Palmas!



Escrito por wormsaiboty às 19:38
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DO PROBLEMA DA SAÚDE/DOENÇA E DA PRESSÃO BAIXA

 

 

Às Janas

 

31/05/10

 

 

Como explicar meu quadro oscilatório, em mais detalhes do que numa conversa informal com alguém não-iniciado à fisiologia trágica do artista? Esqueçamos classificações atribuíveis como arrogância ou leviandade...

 

É possível controlar o fenômeno? I. e., evitar que ele incida sub-repticiamente justo no momento em que mais precisava da impressão de segurança? Seminários, conversas com desconhecidos ou encontros longamente ansiados. De um lado, quando os domino, há uma febre quase libidinosa e uma super-abundância de formulações, infelizmente murchada antes que seu potencial possa ser “satisfatoriamente” executado. Terapia? Não quero me curar. Porém às vezes sou deslocado ao extremo oposto dessa mania, meu corpo se volatiliza. O núcleo do problema/da doença é justamente a velocidade e o alcance dessa circulação do sangue. Ora pareço estar num cockpit em meio a um bombardeio, adrenalina a mil; outrora sou um vampiro em jejum, anêmico. O problema da gordura. Importância dos períodos de ingestão alcoólica massiva e das diversas fases “reestruturadoras” da ressaca. A condição de alguém produtivo é essa fragilidade do corpo, que no entanto implica maior concentração no afazer. No entanto, há o momento da displicência, do “bobo alegre”, da comédia.

 



Escrito por wormsaiboty às 13:38
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O ARREPENDIMENTO FINALMENTE ASSOLA MINHA ALMA?

 

Eu tinha um leãozinho ou tigrezinho falante, que mijava no chão do banheiro, cuspia fogo, tentava escalar minhas cortinas, fugir para a lixeira (!) da quadra, talvez suicidar-se. Paralelamente, tínhamos uma empregada que, ao que parece, tinha o soldo atrelado à nossa posse do tigrezinho ou oncinha (impossível, tinha voz de homem!). Se nos livrássemos dele ou se não comprássemos sua ração, isso significaria uma espécie de brecha para que ela processasse minha mãe. Em dados momentos eu tinha indizível prazer em espremer a criatura como se fosse matá-la, mas ela apenas desmaiava. CURIOSAMENTE, num setor mais remoto do sonho, eu abraçava a Ranna e nós dois chorávamos. Ela dizia que me amava, sentia uma falta absurda; e eu que fui, agi como, um idiota (beijá-la ou não beijá-la? Onde está o Patric?). Em outro trecho, eu jogava bola, provavelmente em times de 3 x 3, em pequena quadra com golzinhos. Eu era bastante confiante. Começava defendendo (um gol absolutamente minúsculo, que eu podia tapar com facilidade!), mas saía jogando e até fazia gols de tiros da meta oposta, de longa distância! Os outros jogadores observavam estupefatos a redonda atravessando todo o piso e morrendo nas redes...

 

Dureza da missão!

 



Escrito por wormsaiboty às 16:10
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AS NOVAS TEORIAS SUPREMAS

23/09/03

 

Com o propósito de dar uma continuidade às Teorias Supremas primárias, venho com novas. Mas não sei se o termo correto é mesmo “continuidade”, já que, dia desses, relendo as dezessete páginas primordiais, percebi que não acredito em praticamente nenhuma das minhas idéias que afloravam um ano antes [idiota]. Paciência... Acho melhor dizer, então, que estou recomeçando da ESTACA ZERO, reconstruindo tudo de um jeito infinitamente melhor. Tanto com textos mais maduros e científicos como também com temas mais interessantes à sociedade em si e não apenas aos amantes de Cosmologia, sem falar que usarei um Português bem mais limpo e nem por isso menos culto.

 

Desta vez não estou usando folhas de papel, uma lapiseira e uma borracha. E desta vez não estou tentando me esconder nem alertar “o meu futuro eu sobre meus projetos passados”, pois sei que o “eu” de amanhã sempre será melhor e é inútil moldá-lo à maneira do passado. Quem está lendo este documento, é porque EU quis. Seguro neste PC, não há como não-autorizados lerem e fico mais feliz assim, pois não serei taxado de louco, pelo menos não por quem eu não quero.

 

Antes de tudo, caso os que leram as primeiras teorias não tenham entendido, queria explicar que o tal ser dominante da Auto-Gestão seria eu mesmo, embora já não acredite mais naquelas coisas...

 

Queria dizer também que a idéia de forças superiores me controlando já não têm associação com minha pessoa: o homem é o maior ser do cosmos. Cosmus, aliás, bastante utilizado nas Teorias Supremas de 2002, também não deve existir se eu estiver certo.

 

Antes, também, desejo informar que não sou 100% cético mesmo na condição de ateu, pois ainda tenho crenças inocentes e, até, irracionais, como veremos na primeira das teorias.

 

Sobre a imagem de capa das Teorias Supremas, acho que não ficou claro para todos o porquê de chamas abaixo da Primeira Escala, juntas de duas figuras sombrias com um B sobre elas, se opondo ao Mau, acima da Terceira Escala. Um dia pretendo voltar a esse tópico e explicá-lo melhor, MESMO não fazendo a menor questão e relutando em re-acreditar em ficções como estas. Farei não porque alguém já tenha pedido ou isso seja necessário para meu “crescimento mental”, mas apenas porque temos algo chamado “vontade”, e não costumo largar as coisas pelo meio.

 

Última observação: algumas das teorias daqui, apesar de estarem sendo escritas a partir da data acima, já foram planejadas dias depois da conclusão do primeiro documento. Na verdade, mais teorias seriam escritas se metade delas não fosse rejeitada pelo “mesmo eu de um ano depois”. De qualquer jeito, aquelas que ainda continuam aqui podem não ser TOTALMENTE fiéis aos meus pensamentos sobre o tema em questão. Obrigado.

 

Esclarecidas todas as dúvidas (espero), hora de conhecer As Teorias MAIS QUE Supremas de Rafael:



Escrito por wormsaiboty às 23:12
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A Teoria da Similaridade Einsteiniana

 

 

Sempre me achei parecido com o inventor da Teoria da Física Pós-Moderna, onde se encontram os conceitos de Espaço-Tempo e etc. Não por concordar com suas idéias sobre Física, até porque meu interesse não está na Física dos cálculos, mas somente na teoria, especificamente na Cosmologia, teorias físicas referentes aos grandes corpos celestes e sua origem (de quando e de onde). Minha Linha do Tempo continua sendo a de Newton, a das primeiras teorias: sem início ou fim, paralela às três dimensões comuns.

 

Mas então no que me pareço com ele? “Você deve se achar muito inteligente e sai por aí dizendo que é o Einstein da família”. Não é bem assim! Não vou dar aulas de modéstia e vou dizer que sou inteligente sim, pois estou aqui escrevendo um artigo que poucos jornalistas formados teriam a capacidade de fazer. E digo também que sou mais esperto que Einstein. Mas até aí nenhum segredo, pois QUASE TODOS NÓS somos. Afinal, Albert não tinha Internet, televisão ou outros meios de comunicação eficientes que pudessem manter a pessoa mais informada sobre o mundo à volta. Logo, mesmo tendo o potencial para, não conseguia absorver tantas informações quanto a quantidade que absorvemos (e fazemos isso desde a infância, involuntariamente). Isso não é idéia minha, É FATO!

 

Chegando aonde queria, acho que sou o Einstein do século XXI em dois aspectos diferentes:

 

1)                Cosmologia Fora-da-Física: a frase que este homem tanto usou (“Deus não joga dados”) talvez tenha feito todos pensarem que ele acreditava em Deus ou semelhante. Mas não o fazia: era um modo de avisar os leigos (e outros físicos deístas) sobre suas teorias universais. De qualquer modo, SE Einstein já veio um dia a acreditar em um Deus, este era inanimado e não-humano: não só na forma, mas ele não se preocupava com humanos também, de fato. E, se me lês desde antes, sabes que comigo as coisas funcionam em semelhante esquema.

 

Eu acreditava antes naquela entidade estranha chamada Cosmus, que estaria no centro de cada Universo que supostamente existiria. E também em alguns seres de forma, superiores a nós, mas não propriamente deuses. O fato é que acreditava em forças que ignoravam os humanos ou os levavam em consideração muito pouco. E agora perdi o pouco de religião irracional que havia em mim. Só uso de crenças nas horas de extremo desespero em que preciso me agarrar em alguma inverdade para escalar o poço. Sou como AE (Albert E.) no que diz respeito à questão ateísta do espaço.

 

2)                Ele acreditava em um sistema de inteligência bastante difundido hoje em dia por alguns estudiosos da sociedade: quanto mais o tempo passa e a humanidade avança na Idade Contemporânea, maior é a inteligência coletiva, mas mais ínfima é a individual. O quê? Fácil: quanto mais o mundo sabe, menos você vai poder saber proporcionalmente, pois não conseguirá absorver tantos dados nem que seu cérebro vire um processador de última geração. Ele não disse, como os homens de hoje, que o melhor era “saber muito de nada” e não “nada de tudo”.

 

Eu penso exatamente como ele. Além de concordar com seu sistema de inteligência, ainda acho errado, também, dizer que o ser humano deve se fechar a temas muito profundos, o que nos alienaria (ver A Teoria da Alienação Total).

 

Espero que não tenha sido arrogante no desenvolvimento de meu artigo.

 

 

A Teoria da Não-Originalidade

 

 

Simplesmente NENHUM humano consegue ser 100% original, nem que viva só, como um ermitão, afinal seus genes também atrapalhariam bastante. É que é impossível, por mais consciente que se seja, já que a sociedade é algo falho e imbecil, não exercer (ou ser exercido por, óbvio) influências. Sobre cada ser que está ao seu redor. Mas você sequer imagina que isso não se limita a seus amigos de escola, da vizinhança e família: vai MUITO longe. Não seria errado de minha parte dizer que, de algum modo, alguém na África fez algo diferente do que faria se VOCÊ não existisse. Não falo de Astrologia, posição de corpos. Falo de influências verídicas e comprováveis, basta procurar por elas. DICA: a Internet é o meio mais fácil, mas não o único. Aliás, um menino da favela tem quase o mesmo poder de influência sobre locais distantes quanto você!

 

O que queria retomar é que, qualquer que seja o ponto de vista tomado, você SEMPRE sofrerá interferências em sua mente (aliás, será que sua mente é SUA, não seria uma JUNÇÃO DE VALORES DA SOCIEDADE AGREGADOS A UM CORPO QUALQUER?). Tome o seu quarto como ilustração: sua televisão deve ter muito poder. Você vai parar o que estiver fazendo para assistir àquele clip que não via há muito, ou aquele desenho que seu amigo recomendou. Seu amigo, aliás, liga e pede o dever-de-casa. Já está aí outra forma de mudar sua mente, que estava centrada em outra coisa. Mas se isso não é o que você estava imaginando, se o que queria era saber se as ATITUDES mudam, saiba que é a mesma resposta. Se alguém disser que você é feio, é quase impossível que não fique alguns minutos pensando nisso. Mesmo se já não se importar e for psicologicamente forte, seu humor e formas de lidar com aquela pessoa vão mudar.

 

Essas são mudanças “macroscópicas”, visíveis a “olho nu” e por qualquer ser com um mínimo de inteligência. Mas as microscópicas são as mais difíceis de ganharem terreno na terra do Acredite Se Quiser. Às vezes um bebê influenciado pelas repetidas quedas de sua chupeta do berço pode vir a ser um sujeito desobediente e revoltoso no futuro, e isso é comprovado cientificamente! Qualquer ser humano ao redor, ou ser vivo ou até objetos inanimados, cruzam sua vida de algum modo que o tiram da reta que você seguiria caso nada existisse [?]. Todos os humanos têm caminhos tortos, nenhum mais torto que o outro, a princípio...

 

 

A Teoria da Multi-Emocionalidade

 

 

Ao contrário do que meu “persômetro” mostrava, não somos apenas bons, maus, neutros, demoníacos ou angelicais. A mente humana é complexa demais para medir nossas emoções e defini-las como extremos ou centros de pólos: mundos bi-polares = Bem X Mal. Tristeza é o quê? Pode ser bondade por fazer o bem e receber patadas em troca, como pode ser também a infelicidade e decepção de planos maus não concretizados. A raiva, associada a demônios desde a Idade Média (porque a pessoa ficava com a face vermelha devido ao sangue, o que aparentava o pigmento de pele do traidor do Deus da bíblia católica), pode ser algo puríssimo. Assim como a maldade em si pode ser apenas um distúrbio mental ou uma coisa feita pela pessoa para se livrar das mazelas sociais (sendo, portanto, de gênio bom, na realidade), assim como o contrário é aplicável. Usamos de multi-emoções. Talvez não usássemos se a Teoria da Não-Originalidade não fosse verdadeira, mas É.

 

Não existem LOBOS e CORDEIROS. Existem lobos-cordeiros-inocentes-maléficos-legais-imbecis, no mínimo... Nenhum ser humano ou animal super-desenvolvido como o macaco é feito de pedra e sim de carne e, como tal, usa de várias peles em meio à sociedade, voluntária ou involuntariamente.



Escrito por wormsaiboty às 23:11
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A Teoria da Não-Confiança

 

 

Também chamada por mim de Teoria da Baixa Auto-Estima. É nada mais que o estado super-instável que QUALQUER ser humano vive mais de uma vez por dia, às vezes. Num segundo é o “Rei do Universo”, já no outro é só um verme que vive por compaixão ou pena dos outros, bem superiores. O que leva pessoas a, mesmo endinheiradas, apaixonadas e casadas, realizadas, bem de saúde e emocionalmente estáveis, caírem no seu atributo de auto-estima?

 

Seres humanos querem sempre mais! Não importa quão boa seja sua situação, ela não será eterna, não dentro de você mesmo, ao menos.

 

Haveria maneiras de subir a auto-estima temporariamente, mas nenhuma muito fácil ou mesmo recompensadora. Não se deveria preocupar com isso, afinal todos os outros seres humanos sofrem, teoricamente, do mesmo mal (ver A Teoria da Mente Ilusória, se não concorda).

 

O princípio de vida de todos nós poderia ser nenhum outro do que: CHEGAR AO PONTO MÁXIMO DA AUTO-ESTIMA, À AUTO-REALIZAÇÃO SUPREMA, TÃO GRANDE QUE INDEPENDERIA DA APROVAÇÃO DA SOCIEDADE PARA OCORRER E PERMANECER ATÉ O FIM DA VIDA.

 

A Teoria do Não-Sacretismo

 

 

O que você entende por não-sacretismo? Provavelmente, Ateísmo: não acreditar em divindades, em relíquias sagradas, em contos e falácias. De fato o é. Mas não estou aqui para debater este assunto em específico, mas um outro bastante mais interessante.

 

O tema da vez é: por que, afinal, uns são propensos a acreditar em charlatães que saem batendo às portas e oferecendo bíblias para a salvação pessoal e outros já não conseguem ouvir o nome “Deus” sem se indignarem? Estaria nos genes? Pode até ser, mas não sou geneticista para saber e mesmo estes talvez não saibam ainda...

 

Pela minha ideologia, isso depende da vivência da pessoa. Não com quantos religiosos ou quantos ateus ela cruzou, já que se quisesse simplesmente era avessa a todos, mas outro tipo de vivência. Perder alguém da família é um tipo de coisa que na maioria dos casos deixa uma pessoa muito mais religiosa que antes. Ou uma alucinação. Mas há o inverso também. Aquele que acredita em Deus e na justiça, de tanto sofrer e não ver as coisas sendo reparadas, se revolta e deixa de acreditar em abstrações. Faz bem, aliás. Esta é a moral da história: vivência do lado sofrido da vida -> revela seu lado verdadeiro. Se és apenas um mero religioso insignificante, serás revelado como tal. E o inverso é mais que válido.

 

 

A Teoria da Timidez

 

 

Esta aqui desenvolvi no lugar mais inusitado: ao invés de concluir, como nas outras teorias, minhas idéias vivendo minha rotina ou pensante numa mesa, foi numa festa. Numa das piores já freqüentadas por mim. Quando a festa é boa, ninguém se pergunta o porquê, mas quando nada presta, perguntas surgem na mente: “Para que então humanos ficam celebrando datas ridículas como ‘exatos anos da data em que nasci’ ou coisas assim?”. É difícil saber. Isso remonta à Pré-História, talvez. Mais questões: “O que estou fazendo aqui, falando com quem não quero e fingindo que rio na frente destes anônimos? E qual a finalidade de dançar, algo tão irracional?”. Realmente. Dançar e fazer essas coisas é tão irracional quanto o amor. E o que se procura em festas é:

1)                popularidade: ficar com alguém por ficar, o que não dá nenhuma auto-realização, mas aumenta a moral exterior;

2)                auto-realização imaginária: imagina-se encontrar uma alma gêmea no meio de uma festa dessas e que essa pessoa mudará sua vida, mas isso é muito difícil, na verdade um acontecimento com desprezíveis chances de se concretizar [quem diria, pinguço do Gisno!]. Não dá moral externa, às vezes, mas daria uma auto-satisfação imensa. DARIA, pois só os tolos pensam assim. Eles não sabem que “amor” é algo que deve ser abolido o mais cedo possível (ver Teoria do Erro da Mente Humana).

 

Então, qual objetivo for, mais uma pergunta: por que sentimos vergonha de interagir com essas pessoas para chegar a esses objetivos, principalmente em festas e celebrações em geral? O que seria a “vergonha”?

 

Para quem leva a vida a sério demais, é até fácil falar dela. Seria um nervosismo tendencioso que aflorava sempre que a pessoa não se sentisse muito à vontade. E o pior é que esse tipo de pessoa é o que mais liga para a timidez: quem tem e não controla deve morrer de ódio de si mesmo... [ereutofobia]

 

Já as pessoas que não levam a vida muito a sério, principalmente por não saberem a finalidade exata dela (eu), se questionam: por que eu tenho vergonha mesmo não querendo ter? E daí se as coisas derem errado e outros seres debocharem de mim? O que isso teria de errado? Há três respostas plausíveis para isso.

 

A primeira é que as pessoas, ao longo das eras, aprenderam a ser antrópicas demais, ou seja, amam a sociedade e qualquer ser humano que passe por elas na rua. Por isso, ao despertar sentimentos como esses (graça) de outros, elas se sentem realmente ofendidas, porque só queriam mesmo o bem deles.

 

A segunda seria uma pró-darwinista, pois evoca logo a nossa mente os princípios da Evolução. A vergonha teria sido criada pelas nossas gerações primárias porque se percebia que alguns humanos simplesmente estragavam toda sua vida perante a sociedade ao cometer atos considerados avessos aos demais, ou seja: você não sai pelado na rua, no fundo, porque sabe que o prejuízo da história não é rirem de você, mas sim ser tratado como inferior e ter uma vida pior desse dia em diante.

 

A terceira é uma da qual gosto bastante: todos têm o anseio secreto de ter o máximo de PODER possível. Ainda não se sabe o porquê, mas quem sabe a resposta só venha mesmo quando já se tiver o poder almejado. E para tê-lo, seria necessário subjugar todos os humanos ao redor. Vê-los zombando de sua cara ou mesmo apenas achando seu jeito “estranho” seria um grande empecilho, fora que feriria profundamente o orgulho e atrapalharia a auto-realização (note que a auto-gestão das primeiras teorias era tão importante como agora parece ser para mim a auto-realização).

 

 

A Teoria da Repetição

 

 

Saindo do tópico sociedade/comportamento humano, que tal voltarmos a falar de Cosmologia? A Teoria da Repetição (ou Flashback Theory, na verdade não criada por mim, mas de certo modo por mim simpatizada) prega que tudo que vivemos AGORA já vivêramos antes e viveremos depois, infinitas vezes. Se bem que isso é meio que acreditar na (no mínimo) “estranha” Teoria do Big Bang. [?]

 

Além da já mais-que-falada explosão REPENTINA E INEXPLICÁVEL inicial, haveria processos (detalhes não serão dados) que reverteriam a expansão do Universo e este começaria a se retrair e voltar até o estado anterior: concentrar toda sua matéria num único ponto supra-pequeno, ou seja, de densidade infinita, dada a matéria contida ali. Isso, claro, seria o fim de nós e exatamente o oposto do que foi o Big Bang. Poder-se-ia chamar o Big Bang de Big Starting Bang e a outra de Big Ending Bang (BSB e BEB). [...]

 

Mesmo para quem não acredita na BSB, a BEB parece uma idéia e tanto. E depois? Depois de certo tempo (não explicado direito), o ponto de densidade infinita voltaria a explodir num BSB2 (ou seria o de número “oito deitado”, ou quem sabe o "890423572451283757275235782359" da História...), sendo depois re-desligado por uma nova BEB. Isso se repetiria sem a mínima exceção, assim como todos os acontecimentos entre esses dois fenômenos. Defecar tudo de novo, escrever tudo isto aqui de novo, fazer tudo que se tenha feito de novo. Deve ser tortuoso! Pelo menos você não se lembra...

 

Parece legal, mas ao mesmo tempo sombrio. Estaremos presos num ciclo irracional? O Universo não passaria de um relógio que gira os ponteiros todos os dias mas não sabe mudar o dia???

 

O mais interessante são as “lembranças” que repentinamente temos: “já vivi isso antes. Tudo acontecia exatamente igual”. Há quem diga que é o que sobra de alguns sonhos ou que seja uma lembrança perdida no Cosmus dos ciclos passados. Como não acredito mais no Cosmus, fico com a primeira opção.

 



Escrito por wormsaiboty às 23:08
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A Teoria do Anti-Capitalismo

 

 

Para quê capitalismo? Vai me acusar de ser contra a sociedade e anarquista? ACUSE! É isso que sou e que quero que seja. E que quero que reconheçam como estas sendo minhas principais características. Falaremos de política por estas bandas:

 

Nada melhor seria uma sociedade completamente igual em que ninguém ousasse desrespeitar ou roubar ninguém, em que todas as casas fossem a céu aberto e se confundissem com as ruas. Para quê bens e capital? Se você não é o que mais o detém e trabalha para consegui-lo, deve concordar comigo, a não ser que seja daqueles tolos que repetem o bordão “Me orgulho do suor que produzi para sustentar esta casa”. Parabéns para você...

 

Uma pirâmide social ao contrário. Muitos na classe alta e poucos na classe baixa (quem sabe a prisão, para os que violassem as regras do Estado Utópico dos Sem-Governo, o EUSG). Isso é que se chama de liberdade. EUA não seria a terra da liberdade nem de muito longe perto desta!

 

Confesso que me inspirei um pouco num grande filósofo da Idade Moderna (Renascimento), Thomas Morus/More. Ele descrevia uma ilha chamada Utopia (coisa boa demais para ser verdade) em que tudo vivia harmonicamente desta forma que recitei no parágrafo anterior. No caso dele, haveria adoração a deuses, no entanto (veja que nenhuma teoria é perfeita).

 

De duas uma: iremos chegar ao dia em que o capitalismo se auto-destruirá com o mundo ou no qual os homens não serão mais conscientes (ou mais ousados e eficientes) e finalmente derrubarão esse regime opressor disfarçado. Esperemos...

 

 

A Teoria do Erro da Mente Humana

 

 

Nossa mente vem se desenvolvendo ao longo das gerações, de milhares ou milhões de anos. Mas um GRANDE defeito dela continua sem solução. Pode até ter adquirido efeitos maléficos menores que antes, mas ainda assim os apresenta. Qual defeito? O Amor.

 

Note que este substantivo é causa de muitas das besteiras que fazemos em vida. Já passei por isso (e intensamente) mais de uma vez e por isso sei que: 1) ele não vale e a pena; e 2) ele não é verdadeiro, pois “só é infinito (em intensidade) enquanto dura (tempo)”. Pode até ter seu lado bom: quem sabe não é algo feito para amadurecer os seres humanos, fazê-los entender os dois lados da vida, o subjugado e o dominante. Mas depois de aprendido isso, por que nos apaixonamos de novo? Isso é errado. É um grande equívoco cometido por nós. Deveria ser uma etapa de amadurecimento, mas é um empecilho que dura para a vida toda. Sem dúvida foi criado por alguma razão, já que bactérias não sentem amor uma pela outra, nem tão pouco animais que copulem entre si. O motivo deles estarem fazendo isso é procriação e nada mais.

 

Por isso, acredito fortemente que em momentos de extrema necessidade o homem das cavernas aprendeu a amar, mas, quando já não precisava, não conseguiu se desvencilhar desse amor, pois lhe parecia muito acolhedor. E deve ter ensinado a seus filhos e seus filhos aos próximos descendentes, etc...

 

Moral da história: devemos mudar isso das seguintes maneiras

1) não ter filhos; OU

2) ensinando-os o jeito correto de viver: “Filho, você tem um ‘amor’ para gastar. Mais que isso significa DEGOLA”.

 

Macabro? Não acho.

 

 

A Teoria da Alienação Total

 

 

Retomando um velho assunto, presente na primeira teoria deste documento, falemos do que seria a Alienação Total, citada por alguns filósofos mas levemente adaptada aos meus moldes.

 

Alienação é “enlouquecimento”, para quem não sabe. Enlouquecimento total logo remete à sociedade: quem é louco (patologicamente falando) nem sabe que o é e, internamente, é são, portanto. Mas é louco para os integrantes da sociedade que também não sejam loucos. E alienação total seria o fenômeno (mas artificial, porque é produzido pelo homem) que traduziria em que estado mental estaria a pessoa: tão mal que não só externamente, mas internamente, ela estaria maluca. Tão maluca que já saberia que estava maluca mesmo não estando sã, mas não conseguiria sair desse estado paralisante, claro.

 

Agora que entendemos O QUE É, queremos saber O QUE CAUSA. Como falado na teoria 1, quem se concentra em aprender “tudo de nada” se aliena naquilo. Só consegue pensar naquilo, já que se dedica àquilo e nada mais. O cérebro já não agüenta centrar suas forças sempre para aquele tema. Precisaria se “mover”, entre idéias e outras práticas.

 

Se isso não fosse possível, se alienaria. Seria o Hospício da Mente. Experimente ficar trancado no quarto muito tempo: antes de morrer você enlouquece. Pensando do mesmo modo com a mente, ela simplesmente entraria em pane e nos faria sair da vida.

 

Logo, a Alienação Total seria, mais brevemente, a etapa anterior ao falecimento do corpo por excesso de trabalho mental e seria causada não só pelo excesso de trabalho mental, que às vezes é normal, mas também pelo excesso de trabalho da mente SOBRE MATÉRIA SUPRA-ESPECÍFICA.

 

Agora você deve entender o que eu e Einstein queríamos dizer.

 

 

A Teoria da Mente Ilusória

 

 

Já pensou que você É aquilo que você PENSA QUE É? Que TUDO é aquilo que você bem imaginar? Saiba que pode (DEVE) ser a verdade. Ou não, isso se você pensa que não é. Mas pode voltar a ser, assim que você desejar. E se não vivermos e tudo for uma simulação de como seria se existíssemos? Bem plausível. Não se confunda, você, leitor.

 

Já imaginou que você está numa conspiração em que é O ESCOLHIDO, sabe-se lá para quê, mas que todos o observam 24 horas por dia e de certa forma o idolatram? Certamente que sim. Deve ter pensado também que é o pior dos humanos nas suas crises, e devia ser mesmo, pelo menos enquanto pensava assim.

 

Nossa mente seria teoricamente tão forte que o Universo não seria um lugar comum. Todos teriam seus Universos, em que as coisas ocorrem diferentes (muito ou pouco, tanto faz) de um para o outro. É realmente bizarro, mas nem tão difícil. Isso explica porque você é você e sempre vê as coisas em 1ª pessoa, em perspectiva pessoal e interesses próprios.

 

Os que professam o destino de outros em bolas de cristal fajutas são aqueles que crêem que podem fazer isso ou que podem enganar os humanos que o possam. E no Universo deles, as coisas funcionam assim. E, eles imaginando que uns acreditariam e outros não, criam seus Universos, bons e ruins na mesma dose.

 

Aquele que se chama de predestinado também. Pois se sabe que existe uma estrela que brilha somente para ele o tempo todo (ou melhor, se crê) é porque vira a realidade dentro de seu Universo.

 

Se estou imaginando que vocês vão ler e acreditar nisto, então irão mesmo! E se penso que vocês pensam que estou apenas dizendo isso para fazer com que minha teoria vire aceitável para vocês, deve ser isso também, mas para mim. Porque como cada um de vocês vive em seu próprio universo, cada um tem suas infinitésimas interpretações.

 

 

 

MUITO OBRIGADO PELA NOVA OPORTUNIDADE, LEITOR, DE EXPRESSAR MINHAS IDÉIAS.

 

OBS: Fiquei surpreso por ter terminado em apenas uma noite todas estas 23 páginas e 11 teorias (24 com esta!).



Escrito por wormsaiboty às 23:07
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AS TEORIAS SUPREMAS

 

 

 

Introdução

à TEORIAS HUMANAS

A Teoria do Orgulho

A Teoria da Inteligência

A Teoria da Transformação

A Teoria da Transformação Demoníaca

A Teoria das Personalidades

A Teoria do QI Astronômico

à TEORIAS UNIVERSAIS

A Teoria da Não-Religião

A Teoria Cosmular

A Teoria da Inexistência

A Teoria do Fim

A Teoria do Mestre Supremo

A Teoria do Tempo

A Teoria das Dimensões

A Teoria da Complexidade Divina

A Teoria dos Universólogos

A Teoria da Guerra Dimensa

A Teoria da Quebra da Barreira

A Teoria da Origem

A Teoria da Codificação Mental

A Teoria do Portal

A Teoria da Ilusão

à CAPA

 

 

[Fantasiar: modo de vida superior ao científico]

 

04/06/02

 

 

Não preciso dizer que dia é hoje porque já está escrito acima. Estou escrevendo esse texto porque estou num lugar onde não há nada para fazer e ninguém com quem conversar, e por isso mesmo é que pôr as coisas da minha mente para fora é necessário no momento. É como se eu falasse comigo mesmo, mas sem ser taxado de louco, pois ninguém que está aqui me olha. Se estiver, nem sabe qual tipo de coisa estou escrevendo (quem sabe o dever, que era uma redação?).

 

Bom, deu para ver que eu adoro falar comigo mesmo. Quando estou sozinho em casa, falo comigo em voz alta o tempo todo, até não suportar mais minha voz ou ficar rouco. É, mas talvez não seja eu que esteja lendo e, se não for, preste atenção: eu sei que pode não adiantar nada, mas devo avisar que isso é algo particular e deve ter caído nas suas mãos por descuido meu ou simples acidente. E, se isso é particular, deve ser visto apenas por mim e mais alguém que eu queira. E eu não quero que ninguém, seja de que época ou lugar, saiba que escrevi isso. Se você pegou esse papel no meu quarto ou qualquer lugar onde eu guardei ou esqueci, mais que provavelmente me conhece.

 

Se você me conhece, nem preciso dizer meu nome e idade. Senão, se a pessoa que está lendo achou, por exemplo, no meio da rua esta folha, não vou dizer MESMO nada de mim. Nem se sou homem ou mulher, embora tenha dado, estou dando e darei sinais de minha sexualidade. Por quê? Para nunca ser descoberto, claro!

 

“Mas, para que essa perda de tempo?”, pensa você. “Melhor do que ficar sem fazer nada”, respondo eu. Está certo que filosofar é meio chato, mas se você está lendo é por livre e espontânea vontade (aposto que, se chegou a este ponto, você teve de se agüentar muito para não parar de ler). Além disso, gasta grafite  da lapiseira, folhas e até idéias, mas prefiro gastar as coisas que tenho. Sim, pois tenho umas duzentas folhas em casa, uma caixinha inteira de grafites e bilhões de idéias agora.

 

E depois eu sou a única pessoa que me entende 100%. Duvido que você entendeu ou concorda com tudo que eu disse, não estou falando (escrevendo) a verdade? Bem, até agora eu só enrolei (e tudo porque gastei muito tempo falando coisas sobre mim, que só serão úteis se você não for eu, mas é difícil que não seja). Começarei logo a escrever o que quero. Ah sim! Antes, mais um aviso: isso não é um diário, cheio de coisas românticas e relatos do dia anterior, até porque as pessoas que usam diários conversam com ele. E depois eu não usaria uma folha para essas coisas, eu compraria um diário ou uma agenda, já que não sou pobre! Acontece que o conteúdo desse texto é de cunho mais científico e filosófico, entende? Senão, pare de ler, porque você não vai entender mais nada do que vou escrever daqui para frente!

 

Estou pensando em meu íntimo o que escrever primeiro: escreverei algo útil a mim, não a você a menos que você seja eu. E deve ser útil para o futuro, pois é no futuro que eu estou lendo isso. Talvez nesse futuro eu nem lembre que escrevi isso, mas continuando a ler lembrarei das minhas idéias e projetos do passado. Terão sido seguidos ou realizados? Senão, espero que esse texto reacenda essas antigas idéias.Como começar explicando-as? Mesmo que seja para mim mesmo, elas são muito complexas!

 

Acho melhor começar outro dia. A hora de ir embora desse lugar está chegando! Talvez eu nem venha a escrever de novo, mas se voltar, as folhas posteriores estarão (com certeza) juntas dessa, procure bem! Até mais (ou não)... [Cleber Machado mora em mim]

 



Escrito por wormsaiboty às 06:25
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06/06/02

 

 

Como pode ser visto no topo desta folha, esse é um documento que faz parte de um outro, sendo sua continuação. Se isso chegou às suas mãos acidentalmente, procure bem pelo local para ver se acha a folha 1. Se você já a leu, sabe muito bem a que estou aqui, escrevendo. E, para esses que não leram a primeira parte, notem que isso é particular e que apenas eu mesmo posso ler tal texto.

 

Estou aqui, nesse lugar chato e monótono de antes, dois dias depois. Pelo menos agora passarei menos tempo aqui, por isso o texto será mais curto.

 

Finalmente sei por onde começar: vou falar do meu orgulho, pois sou alguém com uma adoração por mim mesmo que ultrapassa qualquer outra de um ser mortal. Mas ultimamente tenho tido crises existenciais. Essa história eu conto ainda aqui assim que tiver a oportunidade.

 

 

11/06/02

 

 

Mais uma vez estou nesse lugar fatídico. Dessa vez, porém, estou levando a tarefa de contar sobre mim a sério, não só como um passatempo. Hoje tenho um pouco mais de tempo que nos outros dois dias para explicar minhas teorias e ideologias. Aqui está a primeira:

 

A Teoria do Orgulho

 

Tudo, presume-se, começou em dado tempo da Idade Contemporânea. Nascia um ser como outro qualquer, na forma de um bebê igual a tantos outros. Mas o cosmos apontava para algo de extraordinário vindo dessa criatura. Ninguém, evidentemente, sabia desse fato. Nessa época nem o próprio ser conhecia aonde seus poderes poderiam chegar.

 

Ele foi crescendo e, antes da puberdade, já era um ser nórdico, diferente dos outros. Mas as pessoas só percebiam diferenças externas, não as internas. E ele próprio não tinha seu conhecimento mental. Mas o cosmos ou não é perfeito, ou simplesmente premeditou algo. Tempos antes de seu nascimento, o que não chega a ser muito, um distúrbio direcionado a outra pessoa incidiu-o indiretamente, fazendo sua capacidade de auto-concepção se reduzir ao ínfimo.

 

Por isso é que demorou muito tempo antes que ele tomasse conhecimento de suas habilidades infinitas. Mas, desde essa época, ele coincidentemente perdera seus dons exteriores e voltou a ser normal para os outros. Mas não importava mais. Um ser auto-gestionado não tinha obstáculos em sua vida. E esse é, talvez, o primeiro ser plenamente auto-gestionado.

 

Auto-gestão é a capacidade não-humana de não receber influências de alguém que não seja a própria pessoa dona do corpo e da mente. A partir da auto-gestão atinge-se a perfeição (ou o ponto máximo, que pode ser maior ou menor que a perfeição) em todos os aspectos: inteligência, velocidade, força, resistência, maturidade, frieza, habilidade motora, paciência, sensatez e até mesmo o orgulho. Então se cria um ciclo eterno, porque o orgulho é a chave para a auto-gestão, ou seja, dá ainda mais poder e aperfeiçoamento nos já falados aspectos (note que ainda existem milhares de outros), inclusive no orgulho, que repetirá o processo ilimitadamente. [retroalimentação]

 

E esse ser, depois de perceber seu interior e após entender o exterior, atingiu um estágio supremo e inabalável de orgulho. Ele já pode usar um pouco deste para ganhar pontos em seus aspectos, mas ainda não o faz voluntariamente e nem com precisão, pois usa apenas um ínfimo do que poderia.

 

Sim, então por que motivo esse ser não usa todo o seu orgulho quando desejar em benefício de si próprio? Porque simplesmente ele não sabe como fazer isso. Por um considerável amontoado de tempo ele tem tentado, às vezes com sucesso, às vezes não. Vem evoluindo pouco a pouco, pois seu Quociente de Inteligência aumenta cada vez que a auto-gestão é acidentalmente usada.

 

E, quanto maior o seu QI, mais conhecida a fórmula da auto-gestão suprema se torna. Do pouco que esse ser entendeu sobre o assunto até hoje, segue a explicação, nas palavras do próprio:

 

“Quanto mais orgulhoso fico no momento, mais facilidade há de converter essa sensação em energia, que é passada para meus aspectos. O que significa que meu orgulho pode ser um sentimento instável e não-controlável, pois na maior parte das vezes, só consigo usá-lo onde não há pessoas percebendo minha presença.”

 

O que ele quis dizer é que demorará muito até o conhecimento pleno da fórmula, pois ele não consegue impô-la aos demais. E impô-la aos demais é o primeiro passo para a dominação da auto-gestão. No momento ele esconde suas habilidades, mas terá de revelá-las um dia se quiser reinar.

 

Às vezes há crises existenciais nesse ser: “Por que estou aqui? Por que tenho essa habilidade? Será que apenas eu sou auto-gestionado? Sim, pois senão não me subestimariam tanto como subestimam”.

 

Infelizmente não posso revelar quem é este ser “propenso” a ser auto-gestionado.

 

Pronto, este foi o fim da Teoria do Orgulho. Está escrita numa linguagem meio avançada, tudo porque se descobrirem esse documento mais tarde, quero que façam um livro sobre minhas teorias, isso se eu mesmo não compor e editar meu próprio livro, que seria mais como um ensaio. Sim, essa é a palavra certa para definir o que estou escrevendo há uma semana e duas folhas e meia.

 

Se você não entendeu o que era A Teoria do Orgulho, leia mais, seja mais culto e, em segundo, leia a teoria de novo. Uma observação: jamais tente usar sua auto-gestão, pelo simples motivo de que você não tem uma, a não ser que seja o ser de quem tanto falei. [Sessão: “crianças, não tentem isso em casa!”]

 

Agora as conclusões finais sobre o texto anterior: será este ser capaz de superar Einstein na inteligência, Lennon na sensatez e Michael Johnson na velocidade, assim que desejar? Só o cosmos sabe, por enquanto, a resposta.

 

Isso me leva a lembrar de uma próxima teoria, infelizmente sem tempo para ser relatada hoje: A Teoria da Inteligência, que é ao mesmo tempo uma seqüência e uma origem da do Orgulho. Talvez nem um nem outro, pode ser que essas duas de interliguem ou que essa segunda seja uma nova versão para a primeira. Ou talvez uma simples volta à mente obscura de mim mesmo, daquele “mim” que escreveu A Teoria do Orgulho.

 

 

21/06/02

 

 

A Teoria da Inteligência

 

Como já revelado na teoria passada, quanto mais alto se torna o QI (Quociente de Inteligência) do ser, mais conhecida se torna a fórmula da auto-gestão. Mas até a fórmula ser desvendada por completo pode ser que o indivíduo já não exista mais, ou seu cérebro não suporte tanta inteligência.

 

O fato é que existe um outro tipo de inteligência, cujo processo de aperfeiçoamento não é tão longo como o de QI. Longe disso, pois é um tipo de inteligência de resultados assombrosos que podem custar não mais de alguns minutos ou segundos. Mas tudo tem um preço, e o preço desse tipo de habilidade (exclusiva do ser) é que seu efeito é temporário e causa fadiga corporal.

 

Usando essa nova inteligência (NoIn), a fórmula poderia ser decifrada em dias. Mas o “privilegiado” enfrenta a mesma dificuldade de manifestação da NoIn observada na do orgulho. É algo predominantemente involuntário, usado em situações extremas. É como um auxiliar do orgulho no dever de levar o corpo do ser ao ponto máximo. Mas o orgulho é usado em situações radicais, com alto fator adrenalina. A NoIn, por sua vez, entra em ação em estados de calmaria, paz profunda, quando a auto-estima do ser está inabalável. [deus ex machina]

 

Ou seja: o orgulho é, de certo modo, o caminho mais curto. Mas não o mais recompensador, pois é quase certo que a NoIn pode aumentar também o QI do ser de modo estupidamente veloz. E mais: com a NoIn poder-se-ia chegar à adrenalina, fator ideal para a manifestação do orgulho, o que possibilitaria uma Transformação, que será explicada da próxima vez...



Escrito por wormsaiboty às 06:25
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22/06/02

 

 

A Teoria da Transformação

 

Quando a auto-gestão é finalmente atingida (através da NoIn uma primeira vez e do orgulho nas posteriores), ocorreria, de acordo com algumas previsões teóricas, uma transformação física para comportar os novos poderes do ser. Seria uma transformação na aparência, que ainda possibilitaria um permanente aumento nos atributos pessoais, não sendo necessário, assim, de orgulho contínuo ou progressão da NoIn (o que seria bem mais complicado).

 

Teoricamente, a transformação primária poderia duplicar as habilidades normais da pessoa. Mas, assim como todas as outras coisas do cosmos, a transformação teria suas desvantagens: uma delas é que, assim como seria fácil transformar-se, seria fácil, também, destransformar-se involuntariamente e perder as habilidades. Acontece que a transformação é um estado de estabilização emocional e sentimental. Então, com uma eventual desestabilização (raiva posta para fora, choro, risos de alegria ou outros tipos), o organismo retornaria ao estado normal.

 

Outra desvantagem é que após o retorno ao estado normal (se ele houver) a pessoa sente enorme fadiga (como já mencionado antes), dependendo da duração e potência da transformação. [a isso se chama ressaca]

 

Sim, potência. Depois de dominado o estágio primário da transformação, seria possível que novos estágios fossem desencadeados com o tempo. E as habilidades dobrariam novamente. Isso, especula-se, até o nível de número 9, máximo que o corpo poderia agüentar. Ainda seria possível uma transformação paralela (mais a seguir). Ou seja, no final as habilidades do ser seriam 512 vezes maiores que antes, algo inimaginável. [domínio de potenciação na escola]

 

Note, porém, que não apenas o desenvolvimento das habilidades pelo tempo e pela experiência contaria na hora de subir de nível. Um acesso de fúria seria necessário para “limpar a mente das emoções humanas”, inclusive da própria raiva [?!]. E evidente que deveria ser um acesso involuntário, pois ninguém sente raiva quando bem quer [alguém aqui falou em auto-gestão?]. Inclusive esse é o quesito para se transformar pela primeira vez (além de possuir uma alta NoIn). A partir da segunda vez que se transforma, se já houver dominado a técnica, o ser pode fazê-lo voluntariamente. A destransformação, por sua vez, é sempre voluntária, mesmo na primeira tentativa de realização.

 

O que poderia causar caos em público é a mudança repentina no aspecto estilístico/físico/muscular: expressão totalmente fria, cabelos arrepiados e músculos contraídos involuntariamente (misto de relaxamento e tensão na dose certa). Mas, o ser que possuir realmente uma auto-gestão, será capaz de disfarçar esses efeitos o máximo possível e “se transformar apenas internamente”, permanecendo praticamente igual para os outros. A seguir, a teoria da transformação paralela.

 

A Teoria da Transformação Demoníaca

 

Como já dito, existe uma transformação adicional, paralela aos nove níveis comuns, de efeito indiscutivelmente maior e mais estarrecedor. Ela pode ocorrer antes do controle pleno das transformações normais, mas nunca antes do uso (pela primeira vez) do nível 1 da transformação básica.

 

É uma espécie de personificação do demônio pessoal (mais a seguir) de cada um. Ocorre quando uma explosão emocional má ocorre, mas uma explosão realmente forte, associada a eventos mortais e puro ódio e inveja.

 

Depois da transformação, assim como no caso paralelo anterior, a aparência da pessoa mudaria drasticamente se não fosse possível administrar isso (experiência). Desta vez, além de veias dilatadas e pêlos arrepiados, se observaria uma feição de ódio e maldade na face da pessoa, não uma fria e neutra como a de antes. E, conforme as emoções dessa pessoa afloram até seus limites, seus olhos brilhariam em chamas negras, chamas da maldade. Afugentariam qualquer potencial inimigo menos poderoso.

 

Basicamente, em seu universo, é um ser invencível, pois além de ter maldade e frieza ilimitadas em seu coração e mente, seus atributos (aspectos) são igualmente ilimitados (não do ponto de vista matemático, mas em comparação com os seres humanos comuns, que mal conseguiriam medi-los): velocidade, inteligência, força, etc.

 

Mas a pessoa precisa do pleno domínio sobre suas forças, caso contrário pode ser facilmente dominada pelo seu lado demônio e não ter mais uma vida normal. [meio-youkai]

 

 

11/08/02

 

 

A Teoria das Personalidades

 

Cada pessoa tem três personalidades básicas: uma má, uma boa e uma neutra. Maioria das pessoas usa as três com freqüência ao longo da vida, mas outras têm bastante dificuldade em usar o lado mau ou outro qualquer. Acontece que, por características genéticas, essas não tendem a ser equilibradas (se os pais de alguém são puros de coração é raro que esse indivíduo desenvolva maldade dentro de si). Mas condições exteriores extremas podem afetar seriamente os princípios de qualquer pessoa, causando uma “mudança artificial” de personalidade.

 

Mas, como já dito antes, estas são apenas as principais das personalidades e claro que existem milhões ou bilhões de outras, tamanha a complexidade da mente humana. Chamemos, então, os lados Bom, Neutro e Mau de cada uma das Personalidades de Nível Primário. As de nível secundário se seguem, conseqüentemente, como subdivisões. Por exemplo: certa pessoa pode ser Neutra, mas tender ao lado Mau um pouco. Então, ela seria uma pessoa 0, -1 (0 para Neutro primário e -1 representando o lado Mau secundário).

 

O que pretendo explicar com essa denominação numérica é que quanto mais distante de 0 uma pessoa tiver sua personalidade (chamarei a isso de persômetro) mais definição de caráter e intensidade de ações ela terá. Mas o nível secundário está longe de ser o último do persômetro. Pode-se dizer que este último é mais longo e complexo que o número pi, por exemplo. Darei um pequeno exemplo de até onde pode chegar esta complexidade medindo, aproximadamente, minha própria personalidade:

-1, -2, 0, 0, 0, -1, 1, 0, 0, 0, 0, 1, -1, -2, 0...

 

Reparem que o -1, o 0 e o 1 são amplamente usados, mas números além desses (2 ou 3) são mais raros. Porém, existem. Acontece que apenas os possuidores de uma ou duas personalidades extras têm esses números mostrados no persômetro: são as personalidades Angelical (além da Boa) e Demoníaca (além da má, que é, aliás, uma das chaves para a Transformação Demoníaca). Analisando meu persômetro (do modo como o enxergo) chega-se à conclusão, portanto, que eu sou uma pessoa Má na raiz, com instintos quase Demoníacos e, poucas vezes, que tem neutralidade e bondade em suas ações. Antes de encerrar a teoria, vou contar o que um dia me disseram:

“Aquele que for completamente neutro poderá tudo, menos ser o próprio Demônio”.

 

A Teoria do QI Astronômico

 

Muito antes, na Teoria da Inteligência, você conheceu como este atributo pode interferir ou decidir o rumo da vida de alguém. Soube que nem a força aliada à rapidez pode vencê-lo. Que a inteligência, além de ser o maior atributo do ser, é o ser em si. Devido à tamanha importância, faz-se necessário que se saiba mais sobre o assunto, já que o que relatei foi apenas a amostra do que esse atributo tem poder de realizar.

 

É sabido que nós, atualmente, usamos apenas 3% do cérebro. E esses mesmos 3% podem equivaler a até 200 de QI em uma pessoa realmente inteligente (ou mesmo valor em NoIn, como queira). Então, multiplique esse número (200) por 33,33 vezes e você obterá um QI de 6.666 no momento em que for possível se usar 99,99% do cérebro em prol do próprio ser.

 

Um quociente dessa proporção significaria que este seria um ser encaixado num nível centenas de vezes além da perfeição, sendo comandado e regido apenas pelo Cosmus (ou cosmos) e ninguém mais. Mas, para se chegar ao domínio de pelo menos 5% ou mais do cérebro seria necessário um requisito extremamente apelativo: ser um ser Neutro, e somente Neutro. Seu persômetro não deveria conter jamais outro número a não ser o 0. Porém, dizem que nos próximos tempos um ser não-Neutro chegará ao trono.

 

A Teoria da Não-Religião

 

Não existe Deus. Essa frase resume o que seria a Não-Religião. Tampouco se ele existisse seria humano, pois não houve nenhum, e nunca haverá, que supere o Cosmus. Então, como poderia alguém inferior ao Cosmus criá-lo? Por isso é extremamente fácil detectar a ausência de um criador.

 

A maior dúvida seria a razão ou a explicação da criação do Cosmus, mas isso será explicado apenas a seguir. Continuando a teoria:

 

cada um é um Deus, o Deus de cada um (ou daqueles que conseguir subjugar). Sendo assim, somente quem pode interferir na sua vida além do Cosmus são os Deuses: você mesmo e as outras pessoas que o cercam. Portanto não deveriam existir igrejas ou rezas, que são apenas tolices. Ou seja: você é sempre aquele que deve ser auto-agraciado pelos seus atos ou auto-desestimulado pelos seus erros.



Escrito por wormsaiboty às 06:24
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17/08/02

 

 

A Teoria Cosmular

 

O Cosmus, também chamado de cosmo, não tem forma ou sequer inteligência. Não há vida ou esperança de que haja, um dia, vida neste. Mas, sim, há poder, um poder imenso o suficiente para que o universo fosse criado. O Cosmus criou o universo, tudo, mas jamais foi criado por nada ou ninguém mais anteriormente. Já estava lá, no ápice de tudo, desde o nunca (já que o tempo é infinito para ambos os lados: passado e futuro).

 

Esse misterioso ápice foi o que seria, de acordo com cientistas daqui, o Big Bang, grande explosão que originou tudo e ainda se expande em direção ao vazio. “O Grande Ápice do Cosmus” foi quase que uma explosão, mas não pode ser classificada como tal. Porque além de ter sido em proporções menores, suas conseqüências demoraram mais a surgir. De acordo com meus cálculos, nós, humanos, erramos quanto à previsão de criação do universo: tudo teria levado o triplo do tempo para ocorrer (surgimento das estrelas, planetas, sistemas e galáxias).

 

Ocorre que esse Ápice apenas ocorreu, ou seja, não continuou. Depois da criação do “núcleo” do universo e de suas proximidades, ele teve seu fim. Agora o universo continua sua expansão, mas não por fenômenos mestrais, cosmulares. Agora, a expansão vai aumentando sua área e conteúdo por simples ordens físico-químicas do próprio conteúdo já existente dele. Isso quer dizer que o mais trabalhoso no processo de criação foi o Ápice. Desde que ele acabou, tudo é mais fácil.

 

Existem, porém, graves problemas enquanto o universo se expande: o Cosmus, por mais poderoso que seja, não consegue dominar lugares muito distantes de si. Uma conclusão é tirada disso: o universo está se tornando um lugar indomável até para seu “criador involuntário”. Isso não é apenas um problema: é a maior catástrofe. E ninguém tem poderes para contê-la. Aos humanos (que não estão muito longe do Cosmus, ao menos), só resta continuar suas vidas até o Declínio, a era da destruição do plano material.

 

A Teoria da Inexistência

 

Infelizmente, planejei para que todas as minhas teorias pudessem co-exitir. Porém, esta invalida automaticamente a Teoria Cosmular e vice-versa. Tudo o que você pode fazer é optar pela que lhe é mais conveniente.

 

Tudo o que se prega nessa teoria é que o universo jamais existiu. Sim, o “nada” que nos cerca, a imensidão negra, é algo que não existe. O que há no inexistente existe sim, mas fora a matéria (incluindo os gases contidos no negro do espaço) o resto não há. Tanto é que chegado certo momento, o universo não contém (se bem que ele inexiste e por isso nem pode conter) mais matérias sólidas, gases ou nada que se possa relacionar à existência.

 

Tudo o que há (ou não há), então, é a escuridão espacial infinita, sem nenhum átomo, próton, elétron ou nêutron, sem inclusive leis físicas e químicas (falta de gravidade, impossibilidade de reações) ou sons ou temperaturas-ambiente. Constata-se, por tal descrição, que o “nada” é pior que o caos: o vácuo é a pior prisão que pode existir, pois é aquela em que você é livre, no entanto não consegue escapar!

 

 

20/08/02

 

 

A Teoria do Fim

 

Como já explicado, não existe a religião. Ela é apenas um antro de idiotas, uma armadilha para aqueles que se julgam sábios. E como muitos seguem o catolicismo, seguem também um de seus princípios, que será desmistificado a seguir:

 

Quem é católico acredita que após a morte de nosso corpo, nossa “alma” irá viver eternamente em dois lugares: ou no paraíso ou no inferno. O primeiro seria o destino daqueles que passaram a vida apregoando a bondade entre os “irmãos”. O segundo era onde os opositores desse primeiro tipo de cidadão iam parar. E ainda exista uma terceira localidade, o purgatório. Seria um lugar vazio, destinado à meditação, onde as pessoas sofreriam pela extrema solidão. Iriam para este lugar aqueles que morreram exatamente na linha entre os dois lados. Mas passava-se ali apenas algumas semanas, até cumprir o castigo de seus pecados em vida, indo direto ao paraíso logo depois.

 

Aí é que eu e minhas teorias entramos na história, afirmando, com razão, que isso tudo não é verdade. Após a morte material não há vida espiritual. Simplesmente deixa-se de existir. Tampouco o ser voltará à vida na pele de um corpo diferente. Haverá simplesmente uma enfadonha escuridão eterna, que sequer será sentida. Ou, quem sabe, nossa mente seja imortal (mais numa teoria futura) e continue pensando mesmo sem produzir resultados. Seria como um “sonho real”, bastante melancólico, aliás...

 

A Teoria do Mestre Supremo

 

Disse a verdade quando afirmei que não existia um Deus que rege a tudo e a todos. Mas digo que existem seres superiores que podem vir a nos controlar de modo indireto, o que não chamo propriamente de Deus (pois, na definição, Deus é aquela divindade cultuada pela raça humana). Esse ser é ilimitado em qualquer aspecto, pelo menos comparado ao nosso nível. Em nosso sistema de inteligência tradicional (QI) presume-se que seu intelecto esteja em torno de 6.500 a 7.000, o que é bastante próximo ao número que podemos chegar usando 100% do cérebro (por meio das transformações).

 

Este ser não tem nome, mas deve ser vulgarmente chamado aqui de Universólogo. Ele rege, inclusive, o tão temido Cosmus, mesmo que não o tenha criado. E nunca perde controle sobre o mesmo, exceto por interferências de terceiros.

 

Mais detalhes sobre o Universólogo existem, apesar de escassos: sua aparência é a de um humano comum, dizem aliás que teria criado um aqui na Terra a sua imagem e semelhança, mas aonde e em que época é difícil saber. Ele não passa, no entanto, de um ser comum em sua dimensão (talvez um dia você venha a saber o porquê). Além disso, sabe-se que ele dedica sua vida ao nosso universo, planejando por incontáveis anos cada segundo de existência de cada ser ou coisa.

 

Ele não faz uso de instrumentos materiais, mas sim apenas da mente! Ela lhe dá possibilidades ilimitadas. Sim, ele é o Big Brother, o Grande Irmão. Ele sabe tudo o que você faz e parece gostar do que vê.

 

 

24/08/02

 

 

Oi para todos. Vejam que depois de 2 meses e 20 dias e 11 teorias explanadas superficialmente, acabei, em tese, meu objetivo ao fazer anotações nessas folhas. Queria apenas espalhar para a humanidade meu modo de pensar ou ajudar o eu do futuro a retomar o caminho que vinha levando nos dias de hoje, afinal nunca se sabe se o tempo realmente muda as pessoas.

 

Mas não esteja surpreso ao constatar que essa não é e está longe de ser a última folha que escrevi. É que ao longo dos dias posso muito bem formular mais teorias que complementem minha ideologia. Mas esteja ciente que, agora que cumpri minha missão, não vou tratar desse assunto como prioridade na vida.

 

Na verdade eu já tenho em mente, hoje, mais 6 teorias para explanar a vocês (eu). Pois bem, vou começar a redigi-las neste exato momento:

 

Apresento

 

A SEGUNDA LEVA DE TEORIAS SUPREMAS

 

A Teoria do Tempo

 

O tempo é aquilo que jamais começou e jamais terminará. Não importa se o Universólogo se emprenhar em mudar isso, pois não será possível. O tempo é infinito, infinito em todas as direções possíveis.

 

O maior mistério ou dúvida dos humanos é como ele existiu, mesmo antes do início dos tempos. Vê? Essa expressão de “o início dos tempos” é errônea; Por mais que se tente regredir uma quantidade infindável de tempo, não se chegará à sua origem, por ela existir. Claro que antes somente o tempo e o Cosmus, de idade ilimitada, existiam, e o resto era um fosso negro.

 

Mas a era do tempo em que o próprio co-existia somente com o Cosmus teve um fim quando o Universólogo resolveu dar forma a nossa dimensão. Mas, por mais que esta forma um dia acabe ou que a própria dimensão desapareça, o tempo continuará existindo, mesmo sem a mesma graça e plenitude de antes.

 

Ainda há de se convir que não há apenas um tempo: cada dimensão possui o seu.



Escrito por wormsaiboty às 06:23
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A Teoria das Dimensões

 

O universo, apesar de ilimitado, é uma porção mínima da existência. Acontece que nosso universo é apenas uma criação sem quase importância ou influência no Plano Total. Chama-se de Plano Total (ou PT, sem conotações ao partido político) à junção de todos os universos.

 

Sim, o nosso universo convive com trilhões (quem sabe infinitos) outros. E esses universos não se conectam, pelo menos não naturalmente. Ou seja: o plano material não faz sentido quando se leva em conta a ligação de tantos universos, ou dimensões diferentes. Os dois espaços ocupados por dimensões são paralelos. Só irão se cruzar no dia em que dois Universólogos diferentes puderem entrar em acordo e abrir um portal. Ou no dia em que um Universólogo, apenas, puder descobrir a chave que permite o acesso dele a uma dimensão que não é a sua.

 

Mais duas teorias (a dos Universólogos e a da Guerra Dimensa) irão, futuramente, continuar o raciocínio deste.

 

A Teoria da Complexidade Divina

 

Esta dá continuidade à longínqua Teoria do Fim. Ela ensina basicamente uma coisa: a mente humana é mais complexa que tudo, inclusive o Cosmus. É um ser próprio, que pode até escapar dos domínios do ser que a tem, mentalmente. Tudo isso apesar de não poder escapar do próprio fisicamente. Aliás, talvez a mente já domine o ser desde o princípio, e não vice-versa.

 

E nossa mente é imortal. A vida de nosso corpo é apenas a Segunda Era da Mente, onde somos escravos dela. A Primeira é antes da formação plena da própria, quando toda a complexidade dos neurônios está em desenvolvimento dentro do útero da mãe.

 

Já a Terceira e última das Eras da Mente marca o fim do domínio da mente sobre o corpo. Não que ele tenha se livrado dela, mas isso ocorre na sua morte. Então, a mente vive apenas em pensamentos filosóficos e não volta a ser a mesma, aquela do passado, que regia o próprio corpo e podia até influenciar mentes alheias.

 

O corpo pode ser muito inferior à mente, mas é essencial para que os planos dela se realizem. Porque a mente é muda, e sem um instrumento interlocutor governará só aqueles que podem ouvi-la: ela própria. Não é pouca coisa uma mente se governar, no entanto, pois a mente é a complexidade em pessoa, mesmo não sendo uma pessoa!

 

A Teoria dos Universólogos

 

Óbvio que você já deve ter raciocinado: como existem várias dimensões paralelas, cada uma tem seu próprio Universólogo. Não necessariamente igual ao do nosso universo já descrito. Acontece que os Universólogos vivem num outro universo, mais forte e influente que os outros, que não possui portais para outros, pelo menos não que os próprios possam construir. Desse “universo central” eles regem os outros.

 

Mas há quem diga que ele é o universo principal apenas para os universos criados pelos Universólogos que vivem nesse mesmo universo, pois existiriam outros como este, regidos por um novo universo central, ainda mais forte e influente. Este seria o universo-mor, aquela dimensão que comanda todas as outras do plano total.

 

Para os Universólogos Supremos (que, aliás, são para os comuns o que eles são para nós), portanto, isso é apenas uma diversão (ou profissão, como queira): a de criar.

 

Nota-se, então, que somos, grosso modo, lixos: estamos na menor das 3 escalas do PT. Somos subjugados por um Universólogo comum, além de re-subjugados por um misterioso Universólogo Supremo, cujos detalhes não temos.

 

A Teoria da Guerra Dimensa

 

Dentro da elite, do universo central, os Universólogos Supremos vivem criando e destruindo seus próprios universos e sub-universos, mas não são satisfeitos apenas com isso: querem mais.

 

Mais exatamente TODO o PT. Como não há um “rei” dos US (sigla para Universólogos Supremos), todos têm condições iguais e se sentem capazes de “roubar” todos os outros universos e reger o plano.

 

Mas depois que essa ideologia deixou de povoar os pensamentos e passou a ser exercida por cada US, o que era brincadeira ou profissão se tornou a origem da Guerra Dimensa.

 

Dimensa é relativo às dimensões que estão em jogo nesta guerra. E, claro, o PT inteiro corre riscos de desaparecer para todo o sempre.

 

Os US, apesar de serem imortais aos seres de escalas mais baixas, podem se matar. Mas essa não é aquela guerra a que vocês estão acostumados a ler nos livros de História ou ver em filmes em cartaz no cinema: é uma guerra individual. Aqui ninguém age em equipe a não ser quando faz parte da estratégia pessoal para se chegar ao topo.

 

Mas é difícil que mais de trilhões de US continuem essa guerra, que está apenas começando, sem destruir o PT. Ninguém tem controle sobre isto, agora que as coisas já eclodiram. Portanto, nós, humanos da Terceira Escala, dependemos de alguma virada na situação crítica da Primeira Escala. Saiba, no entanto, que a Segunda Escala não está fora da Guerra Divina...

 

A Teoria da Quebra da Barreira

 

Na ganância pelo poder, mesmo com tamanho QI, cometeram um erro que chega a ser evitável por nós mesmos: ficaram cegos e não puderam ver que os Universólogos da Segunda Escala tramavam algo para evitar que essa guerra acabasse com a raça deles.

 

Eles começaram a absorver dados que o Cosmus trazia (mais no futuro) e ao longo do tempo foram descobrindo mais e mais do extenso Código Mental do Universo Central (mais no futuro).

 

Atualmente eles já decifraram mais da metade do código e os US ainda não se deram conta disso. Em um curto período de tempo, se tudo continuar nesse ritmo, o código seria totalmente decifrado e a barreira entre todas as dimensões da Segunda Escala e o universo central poderá ser fragmentada por completo, sem uso de nenhum portal, possibilitando que o universo central seja completamente invadido pelos Universólogos comuns, o que faria com que criadores e criaturas se enfrentassem cara a cara. Os US têm ampla vantagem em confrontos-solo, mas a população da Escala 2 é muito maior, pois junta o universo de cada um dos US.

 

Desse modo a guerra fica completamente indefinida, tamanho o equilíbrio. Somente nós, portanto, ficaríamos de fora dela.

 

 

Esse é o fim da 2ª Leva de Teorias, que totalizam seis. Mas se você gostou das 17 que já leu, ainda não tem motivos para ficar triste, pois em meio a essas seis teorias minha mente já foi povoada por novas idéias e agora planejo escrever mais duas, que complementarão os fatos da Guerra Dimensa, que foi o foco desta segunda leva.

 

Apresento

 

A TERCEIRA LEVA DE TEORIAS SUPREMAS

 

A Teoria da Origem

 

Mas como se originou o universo central? Com o Cosmus, afinal ele também tem o seu. Mas seria esse um diferente, que surgiu e criou tudo sozinho? Não, este é um Cosmus como outro qualquer, sim, com a diferença de ser maior e mais forte para suportar as barreiras desta dimensão, que são bem mais poderosas.

 

Conclui-se, logo, que alguém criou esse Cosmus, mas quem? Tudo será explicado a seguir:

 

Em partes mais remotas do tempo, antes de dimensões diferentes co-existirem, já existia um grande trono vermelho, desde o sempre, posto a permanecer a eternidade isolado e se degradando no escuro, eis que surge um espectro de sombra minúsculo sobre o trono. [You are non entity, you have no destiny / You are a figment of a thing unknown / A mental picture of a stolen soul / The fornication of your golden throne – The Writ – Black Sabbath]

 

Esta criatura foi, com o passar do tempo, adquirindo poder e inteligência. Com sua inteligência constatou que para que pudesse aumentar seu foco de sombra e sobreviver eternamente no trono, evitando que sua sombra fosse engolida pela luminosidade do vermelho presente no assento, ela deveria se concentrar em criar. Criar as três escalas, os US, os Universólogos comuns e nós humanos, indiretamente.

 

Isso porque essa criatura era 100% maldade e seu combustível para sobreviver era mais maldade. E as maldades que os seres criados por ele executassem criariam influência em seu poder. E, agora que a Guerra Dimensa está prestes a estourar, o Mau (nome da criatura) está ansioso para ganhar poderes como nunca ganhou antes. [O Anticristo puro e genuíno]

 

Por outro lado, o Mau não tem o poder de influenciar, controlar ou modificar as três escalas uma segunda vez. Isso limita as chances dessa criatura de sobreviver. Mas nem tanto assim: o Mau criou cada ser com mais maldade do que bondade no coração, para que os US vivessem em constante guerra. Deu certo.

 

E por que não ter feito um coração inteiramente mau para cada um? Isso você verá numa próxima teoria, ainda sem nome ou data definida para ser escrita.



Escrito por wormsaiboty às 06:23
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A Teoria da Codificação Mental

 

Anteriormente falei muito sobre um certo código de segurança que permite que apenas o criador de sua dimensão possa executar alterações nela. E este é um código extremamente extenso e, por mais que o universo em questão seja simples, seu código será de difícil memorização.

 

E conseguir o código dos outros Universólogos é o objetivo de cada um nessa guerra, pois isso daria mais poder a essa pessoa. Com o código poder-se-ia quebrar a barreira do universo, além de modificá-lo internamente. E é nisso que os habitantes da Segunda Escala estão se concentrando ultimamente. Já decifraram metade do código do universo central.

 

Para se descobrir o código de alguma dimensão, deve-se chegar ao “quarto” do Universólogo, local onde ele geralmente vive a maior parte do tempo e onde cria seu universo. Claro que em ocasiões onde o criador está ausente esta tarefa é facilitada. Dentro do quarto deve-se procurar o Globo Cosmular, uma esfera eletrizada de alguns centímetros de diâmetro que contém toda a essência exclusiva do Cosmus do universo do respectivo Universólogo [usa instrumentos!]. Nada mais é que um “armazenador de idéias mentais/decodificador dessas idéias”.

 

Mas a fórmula contida na esfera é muito grande e é impossível decorá-la de forma rápida e simples. Além disso, caso a esfera saia dos domínios do quarto onde foi criada, o mais provável é que exploda, destruindo o Cosmus (e conseqüentemente o universo) do qual continha a essência. Mas a explosão tem um raio enorme e pode, inclusive, destruir o ser que a roubou e mais esferas que estejam em quartos próximos.

 

Isso tudo poderia causar uma reação em cadeia suficiente para destruir o PT. Bom, mas a dúvida é quanto à esfera do universo central. Como os US ainda não detectaram a presença dos Universólogos no quarto deles? E como eles invadiram este quarto sem poderem entrar na Terceira Escala?

 

O que acontece é que o quarto não está localizado dentro da Escala 3, tampouco da 2. Está numa região intermediária, com acesso de ambas as escalas. Isso porque em tempos de paz os US usavam a esfera como instrumento de ensino a seus criados, para que eles também criassem seus próprios universos.

 

Os Universólogos se tornaram grandes sábios, e com astúcia acima de tudo. Não ensinaram nada sobre a esfera para nós da Terceira Escala, para que nunca ficássemos poderosos a ponto de sairmos do controle deles. Sequer sabemos sobre as escalas (todos nós), aliás.

 

O erro dos US foi, em meio à guerra, ter abandonado a guarda do quarto, deixando que os Universólogos comuns o invadissem. Já há muito tempo os mais sábios deles vêm se revezando na tarefa de memorizar este código que é o mais extenso de todos. Eles só precisam torcer para que os conflitos internos na Escala 3 continuem em ritmo semelhante, até que todo o código seja desvendado e a segunda parte da Guerra Dimensa comece.

 

25/08/02

 

 

Agora sim sinto ter chegado o momento: tenho somente mais duas teorias em mente para esta Quarta Leva. Realmente, quando estava ao redor da folha 8 (esta é a 7), planejava que as teorias iriam até a de número 13. Não tenho planos de acrescentar teorias posteriores, portanto prepare-se para ler o complemento do resumo do que seria a Guerra Dimensa para você, leigo.

 

A QUARTA LEVA DE TEORIAS SUPREMAS

 

A Teoria do Portal

 

Muito se teorizou sobre como se abriria o portal que divide duas dimensões ou qual a forma dele. Agora já se sabe o modo de abri-lo (na verdade são duas): conhecendo plenamente o código para executar a aparição do portal ou quebrando a barreira inteira e de efeito não-temporário (o que seria a forma mais difícil).

 

Mas, como ninguém ainda viu tal portal, não se sabe a forma dele. Conseguiu-se formular hipóteses até inteligentes e lógicas. Uma delas é que um buraco negro seria um tele-transportador à outra dimensão, no entanto ele é tão forte que destruiria algo próximo. Mas quem sabe a luz sugada não viajaria algumas dimensões? Outras teorias menos otimistas dão conta de que o buraco poderia levar somente a lugares distantes, mas do próprio universo, não paralelos.

 

Uma grande virada aconteceu quando se ouviu falar de revolucionárias teorias pós-modernas, que diziam ser o espelho mais que um vidro bem-polido...

 

A matéria do espelho seria algo especial, podendo ser desfeita e refeita de acordo com a vontade do Universólogo. “Você do outro lado não é o você. É o eu da nova dimensão. Mas cuidado, pois a cópia pode ser você.” Ninguém sabe ao certo o significado dessa frase sem autor, mas tem-se uma vaga idéia da complexidade dos portais...

 

A Teoria da Ilusão

 

Finalmente vamos à justificativa da escolha do Mau: ele preferiu colocar um pouco de bondade em cada um, mas, se ele tinha apenas planos maléficos, isso não foi entendido muito bem.

 

Não, o Mau não cometeu um erro. Ele foi o mais inteligente dos seres ao ver que o mal não é plenamente mal, nem que o bem é algo puro. Nada é podre, nada é aproveitável por completo. Cada elemento tem um quê de oposto: o lado bom de cada um pode assumir o lado frio que o lado mau não tem coragem de assumir.

 

Claro que o mal é mal e o bem é bem, mas nada pode ser tudo. Por isso, o grande Mau percebeu que um ser totalmente mau não serviria. O convívio contínuo dos maus com outros maus terminaria em paz. Mas todos sabem que, pela teoria de Yin-Yang, sempre existem dois lados.

 

E o mal não existe sem o bem, o bem não existe sem o mal, pois um perderia a referência sem o outro. Por isso, até mesmo o Mau descobriu que ele não é mau. Porque nele não existe o bem. Mas ele é bom, porque nele existe o mal, e ninguém é puramente mau. A conclusão filosófica direta disso tudo é que: “o Plano Total é uma ilusão. O que é nunca foi mas será”.

 

O grande Mau é o ser mais puro que poderia existir dentro do Plano Total. Fora dele não se garante muita coisa...

 

 

 

Acabaram! Minhas teorias acabaram! Tendo ou não gostado, você chegou até esse ponto e conseguiu absorver boa parte da minha ideologia, e por alguma razão. De qualquer jeito, me faz bem tudo isso. Não gostaria da idéia de trancar minhas idéias na mente, afinal mesmo ela sendo imortal não poderia revelar a verdade em sua Terceira Era, como diz a minha própria Teoria da Complexidade Divina (divina em tom de “esplêndida”, não relativa a deuses).

 

Bom, deu para ver que antes o que era de cunho filosófico se tornou mais um conto sci-fi extremado, com toques de O Senhor dos Anéis. Mas pense: TUDO ISSO PODE EXISTIR!

 

E, de qualquer jeito de novo, nessas 14 folhas, o que exprimi foi muito pouco. Talvez, meu sonho de publicar um livro com o conteúdo aqui presente não seja realizado, pelo simples fato de todas as minhas teorias não terem sido longas o suficiente.

 

Sim, hoje em dia o mercado literário prefere uma droga bem grossa a uma mini-obra-prima.

 

[capa na pasta]



Escrito por wormsaiboty às 06:23
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O ESTUDADOR DE TODAS AS COISAS

OU GERMES DO GÊNIO

 

(reflexões de um menino em polvorosa)

 

{desde 01/11/2003}

 

Tudo que observar agora será posto aqui.

 

Este documento se dedica a:

-> observar e estudar qualquer fato que ocorrer daqui para frente comigo

-> refletir sobre acontecimentos passados

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 1 de novembro de 2003...

 

Apenas direi que não estudarei os documentos passados tão cedo assim, pois preciso de mais tempo para amadurecer e analisar os fatos de uma perspectiva mais racional e saudável, distante.

 

E, também, começarei uma análise fina sobre BANHEIRO, mais particularmente, BANHO...

 

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1. BANHEIRO, BANHO

 

Lugar e tempo de maior reflexão durante o dia, momentos curtos em que eu desenvolvo novas metas para mim mesmo (foi no banho de 10 minutos atrás que tive a idéia de inaugurar este documento) e tento aquelas 'transformações milagrosas' para ver se minha vida melhora...

 

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2. TRANSFORMAÇÕES MILAGROSAS

 

Conceito subjetivo acreditado por mim em situações não-muito-racionais em que tento amadurecer subitamente em questão de segundos, num fechar e abrir literal de olhos, após uma sessão de alguns minutos de falso sofrimento. Em 100% dos casos (foram muitas até hoje) obtive fracasso. Espero que desde este dia nada pior aconteça (que eu não re-pense em fazer tais transformações fúteis novamente).

 

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3. AMADURECIMENTO PESSOAL

 

Pelo que pude observar do mundo, ele não chega subitamente, numa transformação como a dos animes. Demora tempo, disposição, aprendizado e requer muitas condições especiais. Primeiro, coisas para que você amadureça DEVEM acontecer. Segundo, você deve sempre estar ATENTO a essas coisas. Gradualmente o meu 'eu' vai mudando e, quando menos se espera, já sofri uma transformação a longo prazo!

 

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4. LADO NEUTRO DE ACONTECIMENTOS

 

Sempre tendo (isso é de natureza humana) a enxergar as coisas de modo otimista e/ou pessimista. Hoje, no entanto, estou muito racional e podendo julgá-las friamente. Um exemplo é minha expulsão do Colégio Militar e entrada no Sigma: PARECE INFERNO, mas não estou vendo tudo tão distante como eu queria para saber realmente. Se ao final for, ótimo. Mas ainda não cheguei ao final e as coisas podem melhorar. Fora que tudo depende de um PONTO DE VISTA. E se isso estiver me ajudando inconscientemente a amadurecer? Situações difíceis -> procurar soluções para saná-las

Procurar soluções para saná-las -> amadurecer

Amadurecer -> meu principal objetivo, mais do que adquirir inteligência...

 

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5. OBJETIVO DA VIDA

 

Ainda indeterminado. Realmente sou novo e 'burro' demais para saber. preciso atingir uma idade maior. Inteligência, claro, ajudará, mas sobretudo a maturidade que só o tempo dá. Ainda não sei claramente por que estou aqui, mas isso está relacionado a PROGREDIR. Tenho que sempre me aperfeiçoar. Esta vontade de ser uma função sempre crescente está em minhas veias.

 

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6. TEORIA DO IMPRESSIONISMO

 

Sempre quero impressionar as pessoas, em especial aquelas com que lido pela Internet, fazendo-me parecer um misterioso ser perfeito. Tento planejar qualquer coisa que faço, desde um bobo away até em como passar meu dia (fazendo o quê e com quem). De certo modo, ODEIO isso. Levo as coisas a sério demais e deveria ser mais objetivo e descontraído no uso com essa máquina. Por incrível que pareça, já acho crime o fato de demorar para responder alguém em um messenger (o estou fazendo agora). Terei que mudar isso de forma lenta e gradual, AMADURECENDO para poder impressionar as pessoas do modo correto.

 

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7. A MANIA DE PERSEGUIÇÃO

 

Procurarei eliminar meu sentimento mais corroedor de mim mesmo: essa sensação de que sempre sou o alvo dos mal-olhados e das falas e risadas (se é que esses existem ou são só imaginação). TÁTICA NÚMERO 1: se não tiver certeza, esquecer; se vir explicitamente, apenas não levar muito a sério, afinal por mais que eu lute contra essas pessoas, nunca parará de haver este tipo de coisa nem que eu fosse o mais poderoso (e de fato creio que sou!).

 

Falei mais do que planejava, algo bom. Minha produtividade parece ser maior quando não planejo tê-la.

EX: amanhã vou fazer isso, isso e aquilo. resultado final: FALHA

      amanhã não terei nada especial para fazer. resultado final: CONFECÇÃO DE ALGO QUE EU CONSIDERARIA PRODUTIVO.



Escrito por wormsaiboty às 19:38
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>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 3 de novembro de 2003...

 

8. TEORIA DA INFLUÊNCIA SOCIAL INVOLUNTÁRIA E SEMI-IMPERCEPTÍVEL

 

Não posso negar: sou tudo que as pessoas me fazem ser, infelizmente. E elas podem até ter pouco poder de influência, isoladamente, mas têm: basta alguém me chamar de otário que ficarei 3 dias extremamente abalado e poderei até mudar minha rotina por causa disso. Já. alguém falando “você é ‘O’ cara” mudaria as coisas para melhor por um tempo considerável. O que quero é tentar fazer com que coisas negativas passem batidas por mim ou tenham o mínimo efeito nocivo possível e as coisas boas permaneçam até estragarem!

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 5 de novembro de 2003...

 

9. TEORIA DA INSIGNIFICÂNCIA MUNDIAL

 

Já pensou que você pode ser pouco influente na sua casa e no seu quarteirão? Pois isso, então, não é nada comparando-se com sua INFLUÊNCIA AO REDOR DO GLOBO! 6 bilhões de pessoas... E você (EU mais precisamente) não é mais importante ou agente modificador que nenhum deles, necessariamente. Só quero, depois de saber disso, fazer duas coisas...

1) contemplar a complexidade do mundo e a influência de blocos sociais (às vezes nem o presidente da república dos USA consegue ser influente isoladamente, necessitando-se de um GRUPO de pessoas), algo fascinante demais que deve ter nascido de um simples átomo de H!

2) TENTAR sair dessa condição e ter influência... Quem sabe aparecendo como destaque supremo de alguma publicação muito importante e de tiragem nacional eu já não começo bem?

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 8 de novembro de 2003...

 

10. PA E PG OU RA E RG?

 

Venho me perguntando se há progressão Aritmética e/ou Geométrica na humanidade ou se é uma Regressão! Seria a Teoria da Regressão Universal. Quanto mais (pensamos que) progredimos, mais estamos regredindo. Isso, para mim, tenderia a minha pessoa a temer o futuro e valorizar meu passado de quando era um lindo loiro, nórdico, intocável. Para o mundo, significa o caos completo. Aliás, significa na nossa concepção (dos humanos comuns) uma COMPLETA ORGANIZAÇÃO delas. E isso é o que eu realmente chamo de CAOS. O que havia antes das coisas se criarem no Universo (que seria caos pelas pessoas) é que seria o modo perfeito de vida (ou melhor, de inexistência: nenhum sofrimento, nenhuma preocupação, tudo perfeito, mesmo que não haja cérebros pensando e agindo para manter essa tranqüilidade). Enquanto isso, nós, os supostos inteligentes ao extremo, cada vez nos preocupamos e nos esforçamos mais para resolver as coisas. E ao invés de chegar cada vez mais perto da tranqüilidade, estamos nos distanciando dela. Será que estamos ficando “burros” quando entendemos as coisas? Você criança (num exemplo bobo) andava pela rua de boca aberta e gritando bem alto. Qual o problema disso? Na época nenhum. Mas hoje você tenta andar de boca fechada e sem fazer estardalhaço. Para quê? A sociedade lhe ensinou isso. E ao fazer isso, você está abdicando de uma grande liberdade sua, preocupando-se com coisas banais demais para fazer parte da engrenagem visível do Universo. Ser uma bactéria deve ser melhor. Ser um cachorro também, mas ser bactéria mais ainda. Você sequer tem células que o façam sentir dor, nojo dos vizinhos feiosos ou fome! Sequer pensa. E quem não pensa não consegue ver que é apenas um verme no meio de seis bilhões (no caso das bactérias, bem mais). Não perde tempo debatendo sobre o objetivo da vida ou a existência de Deus (o que não sabemos e não saberemos a resposta tão cedo). Uma mesa, então! Deve ser a melhor coisa... O UNIVERSO ERA MUITO BOM QUANDO HAVIA O NADA. Caos? Tudo era PERFEITO!

 

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11. TEORIA DA IRREGULARIDADE DE PROGRESSÃO/REGRESSÃO

 

Ou talvez não seja isso (uma inversão no gráfico), mas apenas o fato da função que determina nossa evolução/des-evolução poder ser irregular, subindo e descendo com o passar dos séculos. Então, pode ser que em trezentos anos ela vá caindo, mas que depois venha um momento próspero e acabemos com todos os problemas atuais: guerras religiosas, terrorismo, efeito estuda, etc... Quem sabe...

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 23 de novembro de 2003...

 

12. TEORIA DO PARALELISMO HUMANO

 

De tão complexas que são nossas mentes e características individuais, bem provável é que não seja possível comparar uma pessoa com a outra, nem em aspectos detalhados. Ou melhor, poder-se-ia fazer isso, mas a pessoa que o fizesse erraria, pois os dois termos comparados na verdade são PARALELOS.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 25 de novembro de 2003...

 

13. TEORIA DA VALORIZAÇÃO VITAL

 

Não há NADA de sagrado no mundo. Tudo pode ser explicado pela Ciência ou ainda poderá. Portanto, crer em estupidezes tais como reencarnação ou vida após a morte ou que sou um deus ou que tenho uma estrela que brilha mais forte que a de outros é ENTRAVANTE, bloqueia o verdadeiro conhecimento! A verdade é que apenas vivemos a vida. Razão AINDA desconhecida, mas há uma sim. E enquanto não a sabemos ficaremos valorizando nosso dia-a-dia como se realmente fôssemos Deus e tivéssemos que idolatrar todas as fantásticas coisas do mundo e acontecimentos pessoais. Mas como não somos, temos que manter os pés no chão, nem levitar nem afundar e, claro, FAZER TUDO QUE DEVE SER FEITO DA MELHOR FORMA E O MAIS RAPIDAMENTE POSSÍVEL!

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 13 de dezembro de 2003...

 

14. TEORIA DA FOCAGEM

 

Alguém que procura se dar bem por meio de metas complexas demais ou numerosas demais, se dá mal. Deve-se pensar a curto prazo de vez em quando (quando não MAIOR PARTE DO TEMPO) e talvez cumprir uma coisa de cada vez renda bem mais do que pensar em “n” possibilidades em conjunto. Isso vem dando certo em experimentações que venho fazendo há uma semana já.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 19 de dezembro de 2003...

 

15. TEORIA DOS “TRÊS RAFAÉIS”

 

Existem três “eus”: o Público, aquele de quando saio de casa; o Particular, aquele de quando me encontro isolado de TODO o mundo no PC; e o Central/Neutro/Semi-Público/Semi-Particular, de quando estou em casa com outros afazeres, no qual pelo menos me comunico rudimentarmente com enteados.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>HOJE, dia 20 de dezembro de 2003...

 

16. TEORIA DO ÓDIO

 

O ódio move mais até mesmo que o orgulho. Direcione-o aos mais próximos!

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>17:19 27/12/2003

 

17. TEORIA DA QUASE IGUALDADE

 

A diferença entre o ser humano mais incapacitado para o melhor é tão pequena que poderíamos dizer que todos são iguais.

 

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>18:37 4/1/2004

 

18. TEORIA DO ENTENDIMENTO TOTAL

 

Álcool ou qualquer outro tipo de drogas faz-nos chegar ao estado em que entendemos tudo: exatamente não entender nada e viver com irracionalidade. A racionalidade pouco vale para compreender o Universo e o prazer que ele pode trazer. O ser humano é menos que uma bactéria, diria eu. Ou pelo menos que um macaco!

 

Depois pode-se argumentar que fiz essa teoria estando bêbado mas repare bem: estou são o suficiente para escrever com coerência (e que coerência!) e VOCÊ, LENDO, SE ESTIVER SÃO, COM CERTEZA NÃO TEM O PRAZER QUE TENHO ENQUANTO ESTOU AFETADO PELA BEBIDA... NÃO QUERO DIZER QUE SE DEVE BEBER SEMPRE, MAS QUE, AO MENOS, DEVE-SE TENTAR VIVER COMO SE SEMPRE ESTIVESSE BÊBADO!



Escrito por wormsaiboty às 19:37
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19:40 26/1/2004

 

19. TEORIA DOS ESPELHOS

 

A sociedade não passa de uma união de bilhões de espelhos, com raras exceções, já que poucos detêm o BOM SENSO e o usam a prol da sociedade. Já os restantes são aqueles que usam o SENSO COMUM, seja por burrice, ingenuidade ou teimosia. E os que se iniciam na inteligência (quando se está na idade propícia para isso) acabam indo com a maioria inconscientemente e se tornando mais um espelho, já que os outros refletiram esse pensamento a ele. E ele fará o mesmo com o próximo! Todos refletindo pensamentos irracionalmente. E pensamento, em si, é algo racional. Que mundo? Que humanos? Os homens só regridem (vide teorias 10 e 11)...

 

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>15:45 5/3/2004

 

20. TEORIA DA NÃO-EXCLUSIVIDADE

 

Ao contrário do que muitos pensam, é muito difícil que alguém seja alguém em qualquer caso. Leia-se com mais exatidão: você não seria você, não teria esse mesmo orgulho, esse mesmo método de pensamento, esses mesmos gostos caso não morasse na sua casa. De fato, se você nascesse no meu lugar, seria igual eu, ou seja, suas vivências seriam idênticas e o modo de pensar também. Isso é algo lógico mas triste, pois derruba a importância do “cérebro humano de cada um”, pois mostra que não somos seres especiais, únicos em todo o Universo e apenas o reflexo do que acontece ao nosso redor, numa questão de probabilidades (tudo depende de onde você nasce, com que pessoas se relaciona, onde estuda, etc...).

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>19:44 10/4/2004

 

21. TEORIA DA CAPACIDADE MÁXIMA

 

O cérebro humano (pelo menos no estágio atual de desenvolvimento) não agüenta ultrapassar determinada inteligência e ritmo de atividades. Isso pode não ser novo. A novidade é que esse ponto em que a inteligência deixa de crescer mostrou ser bem menor do que eu pensava, pois tenho quase certeza de estar experimentando os sintomas da “barreira”: talvez eu seja um humano no auge, nos 100% de sua capacidade inteligível. O fato de não poder chegar a “101%” seria só a ponta do iceberg, já que vários efeitos colaterais têm me acompanhado, todos eles psicológicos, sendo que em determinadas horas (e cada vez mais freqüentemente) eu sinto algo indescritível, que faz entrar em colapso meu sistema nervoso. Anotações para complementar esta até agora crua teoria 21 estão por vir...

 

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5b. complemento a OBJETIVO DA VIDA

 

Estou bastante inclinado para o Hedonismo (busca do prazer total) e para alguns filósofos gregos similares que dizem que o ser humano busca prazer pelo acréscimo em seu eu intelectual, o que seria totalmente impossível se a teoria 21 estiver certa para mim, pois hoje já deveria saber o que é este prazer – e não sei.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>15:22 16/5/2004

 

22. TEORIA [praticamente confirmada] DOS INSTINTOS TOTAIS

 

Tudo que pensamos, agimos e debatemos (reflexões também, o que estou fazendo aqui) não é nada mais que instintos mentais já programados para acontecer, assim como uma abelha ter por instinto a fabricação do mel. Talvez a raça mais evoluída da história do Universo ainda seja programada por instintos (e quem sabe se Deus existe seja um instinto-mestre). Mas, de fato, o ser humano pode ser a ponte para algo maior, visto que pelo menos é passível, pelo bom senso, de compreender que no que pensa é instinto: ele não é inteligente! E o trabalho possivelmente não o glorifica, até porque seria um instinto apenas, visto que a abelha não deve MESMO sentir orgulho do doce alimento que confecciona.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>14:12 5/6/2004

 

23. TEORIA DA CURVA EM “U” OU DO CICLO “O”

 

A evolução (desde o princípio vazio) até seu fim, pela ótica da civilização atual (desde os cientistas até os mais reles mendigos: acho que todos o diriam) seria progressiva. Sempre melhores, mais inteligentes, num avanço para a conquista do espaço. Mas isso tudo é um referencial de uma raça. Uma raça humana que não julgo nem ter 1% do requisitado para compreender o Universo e as “caixas-pretas”, mito criado por nós mesmos. Sendo humano, não me surpreenderia se minha teoria (ou todas as já citadas) estivessem erradas, mas foram tentativas – e esta é mais uma. No que chamam de “caos total” (não havendo nada) o plano total estava no ápice de sua evolução. Foi regredindo conforme os elementos surgiram e agora está ao mesmo tempo no seu ponto mais baixo mas convergindo para a retomada do progresso: nossa civilização, talvez única no Universo, que evolui (para nós) mas que na verdade não sobe nem desce na grande escala U da ótica neutra. Em breve, com o domínio do nosso cérebro por completo, com habilidades de materialização ou hedonismo a bel prazer (literalmente), talvez – e provavelmente – a curva siga os rumos que penso que irão seguir, até a nova chegada do nada, que pode voltar a ser AQUELE nada, num ciclo (o que mostra que não é perfeito, já que se mostra instável em algum ponto) ou um novo, perpétuo e que não é na verdade um NADA, mas será imóvel do mesmo jeito. Não há de haver acontecimentos fora de rotina, mas isso não será motivo para tédio dos seres que possivelmente estariam vivenciando esses anos...

 

Minha teoria suprema até o momento, creio eu.

 

[Com 16 anos eu fui capaz de chegar aos mesmos postulados de Hegel sem jamais ter lido um tratado de filosofia inteiro]

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>23:21 19/6/2004

 

21b. complemento a TEORIA DA CAPACIDADE MÁXIMA

Pois bem. Dois meses depois da confecção desta, venho a constatar que até o atual momento minhas “dores mentais” continuam acontecendo com certa freqüência (mas devo admitir que em menor intensidade, talvez porque tenha me acostumado a elas). Como conclusão, ou posso admitir que minha teoria está correta (que cheguei ao ponto máximo da inteligência, o que é arrogante e também desesperador para toda a humanidade – afinal se for o ponto máximo, é de longe insatisfatório, pois pouco sei) ou que sofro de algum distúrbio do gênero que a medicina possa (ou “possa vir a”) explicar.

 

[Na verdade as duas possibilidades estão concatenadas]

 

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24. TEORIA DA PERFEIÇÃO INICIAL

 

Nossos instintos nos levam a crer que, conhecendo um novo ser, este teria 100% de atitudes (a nossa ótica) perfeitas, um modelo da atual raça humana, o que seria um paradoxo, na verdade uma máquina sem bugs. Com a convivência, percebemos cada vez mais que esta suposta máquina comete erros que cometemos (e às vezes que não) e passamos a tratá-la com mais banalidade – pois descobrimos que não é um modelo, mas sim um indivíduo como qualquer outro inserido na sociedade. O que antes era 100% vai caindo, até que não seja nem a décima parte daquilo que se esperava. O mesmo talvez não funcione quando pensamos sobre nós mesmos. Alguém que tente julgar qual sua “porcentagem de perfeição”, digamos assim, jamais estará sendo imparcial, pela impregnação que nossos instintos nos causam.

 

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25. TEORIA DA MOTIVAÇÃO PROVENIENTE DO DESCONHECIDO

 

Temos fôlego, ânimo, disposição e condições de realizar alguma coisa apenas se essa coisa não é 100% conhecida. Caso contrário não a faremos – ou a faremos roboticamente. Pois o ser humano se alimenta do desconhecido. O desconhecido lhe proporciona uma sensação de ir atrás, de clarear o negro (imagine aqueles RPGs de exploração em que o mapa é escuro até que o jogador avance sobre essas áreas). Algo que é desconhecido geralmente nos remete a um falso otimismo, de que aquilo que será descoberto no futuro será diferente de todo o resto, trará algo de supra-especial. Já coisas plenamente conhecidas nos geram ou indiferença ou pessimismo (“será sempre assim”, “isso não funciona e não funcionará porque já conheço todo o mecanismo disso”, etc).

 

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26. TEORIA DA FASE DE TRANSIÇÃO

 

O ser humano é um ser tão contraditório – tão ao mesmo tempo ligado a instintos primitivos e ansioso por um futuro de suprema sabedoria – que talvez seja uma fase de transição conturbada entre um tipo de ser de fase 1 (todos abaixo de nós) e os de fase 2 (acima de nós, PRESUMIVELMENTE ainda não existentes), assim como o é a adolescência para cada um. O ser humano já começa a questionar seus próprios instintos de sobrevivência, suas emoções, a si mesmo. Mas ao mesmo tempo isso é prejudicial. Se se nega a proliferar a espécie, está deixando de lado seus instintos, o que em parte é negativo, mas estará contribuindo para a extinção da própria espécie, o que acarreta não chegar nesse futuro planejado, o que seria o lado bom dos instintos tão antigos... A razão para esse conflito então? Não sei se é necessário, se é mesmo um conflito, afinal sou um ser dessa esquisita transição!

 

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obs: credito as teorias 24 a 26 a Rodrigo Barbosa.

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Escrito por wormsaiboty às 19:36
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22:23 20/6/2004

 

27. TEORIA DO GRÁFICO FELICIDADE X CONHECIMENTO

 

Felicidade e conhecimento formam um gráfico onde a felicidade é o eixo y e conhecimento o eixo x, sendo que são valores de produto constante (fxc=sempre o mesmo valor, digamos que arbitrariamente 1). Ex:

uma pessoa com conhecimento 0,5 tem felicidade 2. Uma pessoa de conhecimento 1 tem felicidade 1. Um de conhecimento 5 tem felicidade 0,2.

 

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20b. complemento a TEORIA DA NÃO-EXCLUSIVIDADE

 

Isso não é dizer que estamos atrelados a um destino (aquele que o Universo nos moldaria), até porque dizer que nós somos de certa forma programados, tudo bem. Mas o Universo em si não é. E nós também não totalmente, porque podemos moldar o Universo em nossa volta parcialmente também, ao nosso gosto, ou seja o gosto que o Universo nos moldou, que volta a ser moldado para ele, um espelho. E o que é moldado para ele rebaterá e nos será moldado num ciclo sem fim que pode ou não ser chamado de destino, mas eu não chamo.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>20:43 23/6/2004

 

28. TEORIA DO SOFRIMENTO NÃO-SUFICIENTE

 

Para alguém que não tem perspectivas otimistas para sua vida e quer se livrar dela por qualquer meio, simplesmente nenhum sofrimento a acontecer-lhe na vida a abalará tanto assim se ela tiver a ideologia dessa teoria dentro de sua mente. É só pensar na dádiva de estar vivo. Na dádiva de ser tão bom que mesmo o melhor de todos – si mesmo – não consegue matá-lo ou prejudicá-lo e portanto ninguém conseguirá.

 

“Viver pelo prazer de estar vivo. Sim, é possível. Não significa recusar os benefícios. Mas não lamentar os prejuízos.”

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>21:53 24/6/2004

 

Bem efervescente essa minha fase: mais de uma teoria por dia!

 

29. TEORIA DA REPRODUÇÃO ASSEXUADA HUMANÓIDE

 

Não, o nome não diz respeito a nada científico. Eu não descobri como fazer filhos sozinho. Mas a algo psicológico, passado de geração em geração. Se o modo como os pais criam os filhos for um ESPELHO deles, o filho se desenvolverá de modo muito parecido, sendo que terá os mesmos valores éticos. Sendo assim, esse tipo de ser está mais volúvel à extinção por não se adaptar a novas condições, a novos tempos, porque age como se estivesse 20, 30 ou 40 anos atrás. Alguém que adquire bom senso e acaba se desvencilhando do pensamento incluído na moral dos pais é um “ser mutante” que está se adaptando aos novos tempos e é um dos prováveis participantes do grupo evoluído que cada vez mais vai se restringindo, conforme seus descendentes são mais e mais evoluídos, para a constituição de uma nova raça. Caso não tenha entendido a metáfora à reprodução assexuada: em Biologia é aprendido que a forma de reprodução assexuada das bactérias é uma em que a “filha” será IGUAL à mãe, ou seja, pode entrar em extinção uma espécie que só se reproduza assim porque condições ambientais novas podem pôr em xeque aquele código genético ultrapassado. Já bactérias que trocam material genético para gerar nova vida SEXUADA dão a essa nova vida características totalmente novas, pois ela sofre mutações e adquire um RNA/DNA diferente do dos pais e assim terá melhores condições de sobreviver.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>15:19 29/6/2004

 

Baseada num artigo de Francisco Mattos na simplória, mas que ultimamente tem vindo bem a calhar, Revista MTV:

 

30. TEORIA DOS UNIVERSOS IMÓVEIS DE TEMPO MÍNIMO

 

[Nada mais que O SER E O NADA]

 

Vou começar citando um trecho da coluna:

 

“Há algumas semanas, o neurologista Oliver Sacks afirmou num artigo que é bastante possível que o cérebro humano absorva a realidade como uma câmera de cinema, tirando pequenas ‘fotografias’ que, unidas, dão uma ilusão de movimento.”

 

Isso me fez pensar que cada menor intervalo de tempo em que se possa pensar (e não estou falando “humanamente”) seria um Universo diferente, sendo o cérebro aquele que se encarrega de fazer essas associações. Ao contrário do que todos estamos acostumados, seria o Universo algo simplesmente estático?

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>18:40 4/7/2004

 

31. TEORIA DA IMPREVISIBILIDADE / ESTAGNAÇÃO DA EVOLUÇÃO

 

Por decorrência da Revolução Industrial, talvez o ser humano esteja trilhando caminhos diferentes de todas as espécies já observadas na Terra, que seguiam o processo de Seleção Natural tão pregado por Darwin: como nasciam muito mais seres do que o ambiente poderia comportar, os piores morriam e, assim, a população ficava num número estável e perfeito (quando não em extinção: mas é notável que nunca há populações acima do permitido, ou seja, é impossível haver mais moscas do que os alimentos para as moscas ali pudessem sustentar). Malthus escreveu sobre isso há cerca de dois séculos e meio e – como não poderia prever os adventos da Revolução Industrial – falou aquela célebre frase de que “procriamos em PG, mas produzimos alimentos em PA”. Ou seja: em um dado momento a nossa população na Terra chegaria nesse ponto máximo permitido e nos ocorreria o mesmo que com todos os outros animais, sobrevivendo apenas os melhores: muitos, mas muitos mesmo, morreriam, mais do que em qualquer guerra sangrenta. Eis que a Revolução Industrial promovida pela Inglaterra muda tudo e hoje temos como abastecer todos os incríveis 6 bilhões de habitantes (a África está na miséria, mas os países ricos estão na abundância, logo bem que poder-se-ia balancear essa equação...). Como não houve a necessidade da Seleção Natural humana, conclui-se que ou nossa Evolução será muito mais lenta que a das outras espécies (será que daqui a milhões de anos seremos totalmente semelhantes, ainda?) ou que simplesmente não haverá, enquanto se puder sustentar uma população mais e mais exorbitante se apoiando em idéias tecnológicas. Ou ainda, uma terceira chance: estou errado! Mas, se estiver certo, quer dizer que nosso rumo é diferente de todos os outros e a Revolução Industrial (que ironicamente me permite pôr estas idéias no computador, permite a todos verem as Copas do Mundo no conforto de suas casas, etc!) pode não ser uma “evolução”, algo “para melhor” criado por nossos antepassados. Pois pode ser que essa invenção bloqueie uma Lei da Natureza essencial não para nossa sobrevivência, mas para que cheguemos num estágio inteligível ainda mais avançado.

 

OBS: coincidentemente pouco depois de confeccionar essa teoria (até depois de fazer a que está mais abaixo, a 32) tive a oportunidade de ver que, obviamente, não sou o único que pensa assim: “Lei do mais forte, lei da selva, seleção natural e evolução das espécies. Como foi explicado pelo pai da biologia moderna, Charles Darwin, a natureza funciona assim, brutal às vezes, para garantir a sobrevivência, é o que comprova a ciência. Longe daí, porém, concluir que a sociedade humana também tem de operar da mesma forma...”, falou Richard Dawkins, um dos maiores biólogos da atualidade.

 

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32. TEORIA DE SUCESSÃO DA RAÇA HUMANA

 

“Especiação é o nome dado ao processo de surgimento de novas espécies a partir de uma espécie ancestral. De modo geral, para que isso ocorra é imprescindível que grupos da espécie original se separem e deixem de se cruzar. Essa separação constitui o isolamento geográfico e pode ocorrer por migração de grupos de organismos para locais diferentes e distantes, ou pelo surgimento súbito de barreiras naturais intransponíveis, como rios, vales, montanhas, etc., que impeçam o encontro dos componentes da espécie original. O isolamento geográfico, então, é a separação física de organismos da mesma espécie por barreiras geográficas intransponíveis e que impedem o seu encontro e cruzamento.”

 

Com base no anterior fragmento de artigo científico referente à Evolução, para mim fica claro que o ser humano, enquanto vivente na Terra, apenas evoluirá, se lapidando, mas não dará origem, com o tempo, a seres notavelmente diferentes (macacos para homens -> é bem aceito que isso só foi possível porque um grupo em especial, segregado dos outros, foi, também, se separando cada vez mais e os cruzamentos sucessivos produziam cada vez mais seres diferentes, que acabaram sendo nós, uma nova espécie). O que faria surgir uma nova espécie, uma nova subdivisão taxonômica na Biologia? Pode parecer muito Guerra nas Estrelas, mas a colonização espacial, já que a Terra já está totalmente povoada por nós. Conforme seres humanos se separam para cruzamentos em partes longínquas do Universo, a tendência é seres cada vez mais modificados, que, inclusive, quando encontrassem outros seres advindos desse mesmo tipo de condição mas num lugar totalmente remoto, não reconheceriam outras ramificações humanóides no futuro.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>12:54 7/7/2004

 

AQUI REGISTRO O FIM – TEORICAMENTE – DE UM PERÍODO DE DRÁSTICO SOFRIMENTO QUE PREFIRO CHAMAR APENAS DE “ERA SIGMA”, TENDO DURADO APROXIMADAMENTE 1/16 DE MINHA VIDA, OU SEJA, 1 ANO INTEIRO. SE ESTENDEU ENTRE JULHO (DIA INDEFINIDO) DE 2003 E – ESPERO – ATÉ O DIA 6 DE JULHO, LÁ PELAS 7 DA NOITE (19h). É SEMPRE NECESSÁRIO AMADURECER, MAS DESTA VEZ ISSO ACONTECEU DE FORMA TÃO ABRUPTA QUE SE PUDESSE ESCOLHER ANTES DE PASSAR POR ISSO TUDO EM TROCA DE GANHAR INTELIGÊNCIA, ACHO QUE CONTINUARIA NA MINHA VIDA NORMAL – E BURRA! VAMOS VER QUE TIPO DE ACONTECIMENTO ME AGUARDA NA ERA “PÚBLICA”...



Escrito por wormsaiboty às 19:35
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18:31 20/7/2004

 

AQUI CONFIRMO A NOVA FASE, agora que estou nela, e não mais apenas a prevendo. No entanto, o baque na minha auto-estima foi tão grande no “ano de cárcere” que ainda não me recuperei plenamente. A volta por cima será lenta, mas gloriosa!

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>17:11 30/7/2004

 

21c. segundo complemento à TEORIA DA CAPACIDADE MÁXIMA

Talvez eu não tenha atingido o máximo da inteligência possível para um ser humano ou para minha genética, como sugeria a teoria 21, mas sofra de uma doença da qual acabei de ler sobre:

 

A rotina tumultuada do ambiente de trabalho leva cada vez mais pessoas a apresentar os sintomas do Déficit de Atenção e Hiperatividade – a nova doença do século da informação [...]

 

conversa despretensiosa

 

Estou aqui dando risadas após a releitura. E pensar que foi há dois meses! Ainda estava em conceitos muitos básicos da teoria que prega que você não é o que você é, mas o que há ao seu redor. Acabara de formular a dos Instintos Totais. Sempre imperam as gozações aos religiosos nas minhas conversas com o Rodrigo, e isso faz anos!

 

Há muitas conversas similares anteriores que gostaria de ter gravado. Talvez haja resquícios em LOGs de mirc, mas sinceramente não me sinto motivado a abri-los todos.

 

>>>>>>>>>diário outubro 2003

 

Do período exatamente anterior a este (que começa logo no primeiro dia do mês seguinte). Uau, já no dia 1º aquela agressividade fora do comum, vendo de uma ótica distante, não devia ser natural de mim: aquele Inferninho Educacional estava me afetando até as raízes neurônicas, digamos assim. Sobre meus pais até poderia estar certo, afinal é esse debate até hoje conflitando na minha mente com o passar dos anos, semanas e dias. Mas acho que ali há um certo “karma” da minha “nova turminha” sendo descontado sem necessidade. Ou melhor, com a necessidade de me deixar melhor, porém sem resultados práticos. Egocentrismo incalculável. Três dias depois, uma honestidade pouco vista e auto-percebida por minha ainda limitada concepção de mim mesmo. Não me conheço e acho que não conheço nem meu eu que já passou. Aquela raiva toda... Não imaginava que fosse tão grande. De fato meus desejos de domínio da sociedade continuam, mas menos fortes: qual o propósito disso? São tão banais que prefiro nem gastar mais impulsos nervosos, saliva e pontas de dedos com isso! Dez dias depois as inscrições continuam... Incompreensíveis, é bem verdade... Em relação ao dia 22, mal eu enxergava que querer ser um Feitor de Destinos é justamente se importar com a sociedade [aqui fala o rebanho, que esqueceu de sua missão por ter arranjado uma namorada]. Postagem do 24º dia bastante enigmática. Sempre falando de maturidade sem tê-la, de novos golpes sofridos pelos “colegas” e de algo promissor que viria dali a 3 meses que ainda não identifiquei!

 

12:35 6/9/2004

 

35. TEORIA DO CONGELAMENTO EVOLUCIONÁRIO

 

Parece-me que o homem é a primeira raça – produzida pela própria Seleção Natural das Espécies, claro – que está retardando ou até mesmo parando com este processo que perdurou na Terra por pelo menos 3 bilhões de anos. Acontece que os seres evoluem e mudam por mutações genéticas. Não que todas sejam boas, mas os que sofrem as ruins acabam morrendo, e os bem-sucedidos vão se procriando e gerando decentes mais capazes. No entanto, é de se notar que a raça humana combate veementemente a mutação. E na verdade só chegam à nossa vista os piores tipos dela. O Mal de Parkinson, o de Alzheimer e qualquer outra, todos sabem ser uma mutação cromossômica ou o que for. Já Michael Phelps, por exemplo, para a imprensa e o mundo, é um “fenômeno” de ser humano. Mas o que lhe faz ser esse fenômeno aquático? Provavelmente uma boa mutação, oras! Acontece que a medicina consegue reduzir muito as mutações humanas e sem mutações, como poderá a humanidade evoluir para algo maior e melhor daqui a uns poucos milhões de anos? O Cosmos não espera, o Sol não espera. Se permanecermos com nossos cérebros limitados e nossa sociedade atrasada até a era da nova Guerra Mundial e/ou a morte da nossa estrela, não há mutação relâmpago que nos salve!

 

18:05 6/10/2004

Se dizem que só se pode ter uma paixão na vida, porque eu (e não estou me supervalorizando: acontece com tantos e tantos milhares de outros) tenho de ter tantas? Em brechas tão pequenas? Isso é mesmo amar? Será que não estou, consciente, semi-consciente ou inconscientemente querendo sentir isso, forçando-me a tal? Para quê, se sei que por todas estas que isso sinto, também enxergo mazelas – e não poucas? E por que será, questão ainda mais brutal, que amava 100% alguém quando achava que a sociedade a cultuava, e agora a enojo porque percebi que todos à minha volta foram os primeiros a fazê-lo? Será que sou tão frágil – e o indivíduo de minha raça, em geral – que preciso me amparar em outros vermezinhos ainda mais impotentes para tocar adiante minha vida? Recuso-me a pensar assim, mas realmente tenho que averiguar os fatos, não posso dar de ignorante e fugir da questão...



Escrito por wormsaiboty às 19:34
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NOVOS HORIZONTES

 

 

O que esperar do Jornalismo no futuro? Num futuro próximo, que se diga. Como deve estar ou ser o novo jornalista? Como estará o mercado? Antes de responder a tão triviais perguntas, uma outra, esta emanada do seu interior: "eu sou o único que tenho tantas dúvidas?".

 

Não, não é. A mídia, o popular Quarto Poder, está sempre mudando. Transforma-se num ritmo galopante que supera o de qualquer outra profissão, pode acreditar. Natural que o estudante de Jornalismo sinta-se inseguro defronte de questionamentos tão profundos, não bastasse o fluxo de informação que passa todo dia pela cabeça do aluno, que precisa estar antenado mais do que os outros acerca do que acontece no mundo. Telejornais são o mínimo. Fica até ridículo se for a única base para tentar entender a sociedade e se atualizar. Ler, ler e ler. No micro ou no papel, é de fato o papel do jornalista do século XXI não perder sequer um dia de sua vida com atividades que não sejam relacionadas a uma boa leitura.

 

Por falar em "papel", eis o foco da discussão. As respostas para todas as perguntas acima dependem, sem exceção, de uma única coisa, se é que essas respostas não passam de uma só: a ascensão dos Blogs e dos blogueiros. "E a falência da mídia impressa?". Jamais se iluda: a mortificação do jornal de papel, das revistas ou de qualquer material que precise de uma gráfica e de uma logística bem bolada para estar em várias bancas país afora não se deve a outra coisa senão ao despontar da chamada "blogosfera". Trata-se da irmã virtual da democracia: um reino onde tudo é permitido, até mentir.

 

Isso mesmo! Um professor meu até comentou: "é ótimo que nenhum leitor confie plenamente no que está lendo, porque estará, então, treinado para desconfiar confiando, confiar desconfiando, primeiro passo para um senso crítico acurado". E, de qualquer forma, são tantos os Blogs que não vão faltar fontes íntegras, defensores legítimo de um dos lados de alguma discussão, ao final da consulta. Consulta esta que nunca deverá demorar muito: algumas "googladas" e o internauta já trafegou, pulando de página em página, quando menos esperava, em textos de mais de quinze ou vinte autores. Em tempos como esses toda rapidez (sem afobação) é bem-vinda. Rapidez não é bem a palavra: praticidade. A blogosfera é tão ilimitada (em termos numéricos e ideológicos) que consegue até dissipar o poder dos maiores conglomerados de comunicação. Manipulação é um conceito em extinção!

 

Se você se acha refém das agências de notícias internacionais, saiba que a blogosfera não vai deixar barato. Ela fiscaliza, ela também apura. Se você é daqueles aspirantes a jornalista cujo maior sonho é trabalhar na Globo, hora de mudar o norte. A blogosfera ainda vai revolucionar suas pretensões.

 

O Jornalismo do futuro, a despeito de uma enormidade de visões cataclísmicas, será mais democrático, opinativo, passional e, acredite, bem-remunerado e lotado de vagas – mas só para profissionais verdadeiramente competentes (acabou o balaio de gatos pingados). O novo jornalista deve ser muito mais curioso que seus antepassados do ramo. Deve ter uma cachola grande o suficiente para absorver os pontos de vista tidos como esquisitos, ao invés de filtrá-los de imediato com pré-conceitos (o chamado senso comum), como ainda ocorre com profissionais da "velha guarda". Por mais que a sociedade ainda duvide disso, o novo jornalista será o protagonista de um mundo melhor. Jornalista rima com otimista.

 

Rafael Aguiar



Escrito por wormsaiboty às 03:43
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CONFISSÕES PERIGOSAS

[09/10/09]

 

Perigosamente, eu faço o registro documental do que correntemente me envolve: um enceto de TRIÂNGULO AMOROSO. Quase-platônico, intelectual, embora um acréscimo ao tempero transforme tudo em dança dionisíaca (aquele velho dito, “se melhorar estraga”). Afasto-me do Thomas [nome de protagonista donjuanesco, vd. Insustentável Leveza do Ser] na progressão em que me acerco da T[h]aís. O fato de eles serem um casal em que cada par manifesta maciça indiferença pelo outro só contribui para o acirramento da tendência...

 

O Thomas sempre pensou que a Taís fosse muito mais burra que ele. Eu sempre pensei que ele fosse muito mais inteligente do que é. Os dois me vêem como uma referência máxima e não hesitam em acolher minhas idéias, exceto durante rompantes de empáfia. Deveria ela se guardar de me ser tão confidente? Por acaso ela joga duplo? No amor nenhuma carta é um ás. Não haverá confissão dos temores por parte de ninguém – amizade, o elo mais forte.

 

[Em alguma data entre 23/10 e 07/11/09]

 

O que se sucede nesses círculos íntimos hoje? Estou namorando platônica e sub-repticiamente? Desempenho hoje o mesmo papel público que desempenhava o Thomas em relação à Taís? Estou apaixonado por ela, animado por sentir a paixão dela por mim ou simplesmente febril, galante, dândi, descompromissado? Ontem quando pensei em me matar ela era o pretexto para NÃO fazê-lo! Ela está se ofertando a mim, sinto isso, e a qualquer momento tentará um último canto de sereia. É claro que ela andava precisando de uma peça de reposição, essa Salomé: eu não sou seu parceiro carnal. O prazer de manter tudo oculto, mas de mostrar algo debaixo das saias. Reparar em cada sentença. Aproveitar as sextas-feiras, tratar o ex-namorado dela como um estranho ou um rival. EM BANHO-MARIA.



Escrito por wormsaiboty às 22:57
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RAFAEL E SEU NADA

 

 

18/07/09 a 22/07/09

 

Relação com meus sonhos vigentes – o amor, a fusão panteísta. Eu e Eline um ser só: trágico. O que amar depois? Não existe “eu por cima; ela por baixo”, não há primazia, só rivalidade inefável Yin-yang. Nosso namoro jamais acabaria por acabar, sem uma nova essência como ameaça de minha supressão. Embora eu tenha vencido, porque não só sou eles dois na minha própria carne agora – e sou consciente disso! – como deixei minha marca na alma do Don Juan de boteco e da modelo de sarjeta. Trocas. Assusto-me com a terrível vidência diária de meus sonhos. Eis a cena, na cama, no quarto, no banheiro, de não querer desgrudar dela, de estar inseguro: “o herói de Proust, que instala sua amante em sua casa, pode vê-la e possuí-la a qualquer hora do dia, e soube deixá-la em total dependência material, deveria ficar livre da inquietação. Todavia, sabemos que, pelo contrário, acha-se atormentado por preocupações. É por sua consciência que Albertine escapa de Marcel, mesmo quando ele está a seu lado, e é por isso que ele só se tranqüiliza quando a contempla dormindo. Não há dúvida, portanto, de que o amor deseja capturar a ‘consciência’.” 457

 

461: “O ideal do sábio e o ideal daquele que quer ser amado, com efeito, coincidem” – Rafael também possui este significado: quer chamar a atenção. Tagarela, comunicativo. Alma de protagonista.

 

Febre e paixão são a mesma coisa em mim. Hoje eu choro ressecado como fez Nie. nos escritos finais. Não por uma Lama qualquer... Ó minha Ariadne! Perdi seu amor tão fugazmente. Que terrível ladeira! Que jeito de ser jogado na solidão! Serei o campeão dos ferimentos? Só consigo pensar na minha noiva como puta! Mas o devasso não sou eu? Por que todo esse caldeirão transbordou e foi respingar em mim? A lembrança da queimadura é o que me deixa trêmulo, engessado. A fogueira se esvaiu há muito tempo. Eline morreu. Poderia ter levado aquele tiro, sumido de repente. A verdade é que eu sempre achei que um dia isso aconteceria. Longo luto! E se tudo não passou de mal-entendido, eu me entreguei unilateralmente?

 

463: “sentimos que nossa existência é justificada” – Asas do Desejo – essa é mesmo a palavra final? A prova de que levei a sério foi minha declaração de “morte viva”, simbolicamente mais forte que um suicídio de Werther! Amor fati.

 

“perpétua vergonha/orgulho” do amante: paradigma Mel: não ficaria com ninguém que me causaria vexame, quer seja, essas menininhas... Só posso ter orgulho dessas mulheres mais velhas. Mas elas têm vergonha de mim porque eu sou muito novo e não trabalho. Há um desequilíbrio. Não é a desculpa da “cabeça”.

 

O que é pior? Ficar absolutamente entediado como tangendo ao grupelho de piolhos de TSC ou nada à vontade entre as menininhas super-dotadas de FDA? (*) A quem eu quero enganar? Com inferiores sou sempre blasé, quando não há intenso ar de novidade (culpa ou minha ou do calendário, jamais de alguma inovação deles). A aula da Antonádia foi uma bela medição desta gangorra. Minha vantagem sobre – digamos – o Alexandre: eu sei nomear cada um desses processos, que um e outro inevitavelmente sentem. A música e o fone-de-ouvido: recrudescedores últimos – non plus ultra – desta era. Revirar páginas no PC como antônimo da fascinação ruborizada da apresentação de galerinhas em meio a um show.

 

(*) Em outros termos, ou eu sou o “muito sábio em vão” ou o “burro/deselegante/desajustado”. Cada vez as zonas intermediárias se achatam mais e eu só sinto esses extremos sadomasoquistas. Besta/bestial – de acordo com um detalhe de uma vastíssima cena. Melhor exemplo: estendo a mão e não me cumprimentam. Caio do altar.

 

 

Cada vez mais são menos – e em menos ocasiões, e de menos formas – os sujeitos que podem divisar algo mais em mim, além do olhar trocista ou apavorado – e esse alguém não pode ser a Camilla, não pode ser o Saulo! Destinatários da dádiva reprimida em um rodízio de pizza – aí eu brilho, sem a sombra de um Beto ou Luan.

 

Deve advir daí meu desejo de um torneio de luta – ritual agonístico purificador [de vestir-se de branco como a Justiça e sua balança e espada ou um herói grego e suas sandálias lendárias]. Sentir-se igual a alguém – atacando-o!

 

Tanto quanto o Zaratustra, Der Wille Zur Macht foi feito para todos e para ninguém – não é outro brasiliense aquele que na sua alta juventude há de tê-lo em sua cabec|eir|a.

 

O 8 ou 80 MACHUCA. Malefício da sensibilidade saulo-dostoievskiana. Beyond Heaven & Hell, I’d like to stay on Earth. A saída não é fácil – quanta tinta gasta…

 

Idiotas & Viagens – desconfiar de tudo que faça eu me aparentar com meus pais. Paradigma “Rebeccinha”. Bateria recarregada para desovar toxinas... Eu que tanto preciso de ar puro! Pelo menos se esse bufão morresse... Outra refutação de Adão e Eva ou de um princípio de homem (Geertz razoável!): não havia o terceiro elemento da espécie, o ciúme. Por isso vira-e-mexe acusam a serpente de ser uma mulher! Pandora abre a caixa, Ulisses e Aquiles resolvem. Mas, Pandora, isso é um elogio... Um animal que não tem por instinto atacar, apenas revidar? Já nem sei em qual dos meus problemas devo me concentrar! Remédios? A medicina moderna, sei por razões intestinais, é uma coisa na qual não confio. E os efeitos colaterais? Haha, eu tenho tantos males que eles já se organizaram de forma que se uma moléstia for atacada as outras reagirão. Atacar o plano geral seria um suicídio da minha genialidade... Eu sou o mal, e o ópio é minha caneta! Mas tal qual com este, o efeito das doses vai se apequenando, e quando não é mais férias, então... Estímulos, estímulos, estímulos... Como alguém consegue escrever UM LIVRO – com as cinco letras maiúsculas – neste mundo? Se a Michelle toma tanto anti-depressivo, como ela ainda bebe e cheira? Será que preciso de drops imagéticos de novo? O T. Bag sempre encontrava uma brecha... A universalidade é meu pior inimigo! Nenhum progresso em uma semana... Tempo pra criar! Ou ao menos dinheiro pra comprar uma arma e... ler é bom, mas... FUTURO!

 

Como pode ser que meus desabafos realmente sejam pré-concebidos para se esgotarem justamente nas últimas linhas do verso desta folha?

 

475 – por causa dela “parei tanto”, OSON11.

 

479: “O erro, aqui, provém do fato de que aprendemos que o ato sexual suprime o desejo.” Eu sei o que é a imortalidade simbólica de um inimigo, que sobrevive a infinitas ejaculações.

 

Ora, ora... Você muito amou... Mas teve muito ímpeto de trair, é certo. E se tivesse 100% de certeza de que não iam caguetar...

 

Exemplo vivo do que significa não dar crédito (o que retrata bem meu círculo vicioso presente): “ainda que pudesse abolir o outro no momento presente, não poderia fazer com que o outro não houvesse sido (...) Aquele que, uma vez, foi Para-outro está contaminado em seu ser pelo resto de seus dias, mesmo que o outro tenha sido inteiramente suprimido (...) inclusive perdeu toda esperança de agir sobre esta alienação e volvê-la a seu favor; já que o outro, destruído, levou para o túmulo a chave desta alienação [O excepcional desta lição: que eu sou um exímio frasista! Fico imaginando o IMPACTO disso!] (...) a última tentativa, a tentativa do desespero”. Aplicação pessoal: do que ele me acusa – falta de esperteza; despeitado; pobretão. Ele é: sovina; covarde; grotesco; fracassado; pusilânime; mau pai. E não assume responsabilidade nenhuma pelo que ele – de modo cristalino – é! O Judas. Eu carrego a marca do lerdo, desbocado, atrevido, “vagabundo”, universitário sem emprego, filho de elite decadente, DESAJUSTADO no corpo dela aos olhos dos demais filhos. Exatamente: eu SUPORTO esse peso!

 

Em ordem para não ser mais aquilo de que ele me acusa – se é que é necessária essa expiação! – eu estou tratando de começar a minha vida.

 

Eu estou sempre um passo à frente de mim mesmo.

 

Meu metabolismo é lerdo. Porque ele tem de ser. Eu não devo reagir imediatamente (*). Aquele texto dos superdotados e os escritos finais nietzschianos sequer tinham possibilidades factíveis de chegar a mim – e serem compreendidos! Tudo isso aconteceu porque eu tinha um amiguinho da 6ª série na sociologia e vi um maldito filme terrorista no 3º ano!

 

(*) Aquele que objetar que isso é uma desculpa louca e esfarrapada, lembro dois momentos nos quais enganei uma tripulação inteira e meu pai. “O Esperto”:

-pego o ônibus indeterminado, lugar certo, hora certa, esfarrapado como mendigo e sorrateiramente, pela porta de trás, após o milico que não paga. Desço a salvo em casa – uma aventura de 2 ou 3 dias;

-outra conseqüência de uma comemoração prolongada, raciocínio rápido e seco: um homem paga o aluguel em dinheiro vivo e excepcionalmente o recebo. Preciso do dinheiro para soldar uns óculos e isso é inadiável. Como fazer com que as suspeitas da subtração de 60 reais não caiam sobre mim? Aproveito a má fama e o histórico indigesto do meu irmão para depor contra ele. Mas ao mesmo tempo crio um novo álibi para deixar subentendido, para os especuladores, que foi um outro agente misterioso que acabou furtando objetos do apartamento, livrando, assim, em tese, a barra de um irmão, o que seria conspurcar a família, embora já fosse melhor do que conspurcar a mim mesmo isoladamente.

 

E sonhar com aranhas, o que é que tem isso?

 



Escrito por wormsaiboty às 03:46
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Não ser solipsista, não conter em mim o germe da minha condição mundana, me valoriza ainda mais!

 

Meu salto quântico de inteligência... Essa impressão que o meu inconsciente sabe mais que eu! (é bem isso) 570: “não sou a simples consciência perceptiva de minha mão que traça sinais no papel; estou muito à frente desta mão, indo até à conclusão do livro e até à significação desse livro – e da atividade filosófica em geral – em minha vida; e é nos limites desse projeto, ou seja, nos limites daquilo que sou, que se inserem certos projetos rumo a possibilidades mais restritas, como expor tal idéia dessa ou daquela maneira, parar de escrever por um momento ou folhear um livro no qual busco tal ou qual referência, etc.” Clone da minha situação! Vide interrupção deste manuscrito para ler Ecce Homo, por exemplo. Nossa consciência É O FUTURO. É como um traçado no mar que eu já estudei com esmero, só que agora estou sobre a prancha num trecho anterior. Eu já havia delineado a carreira de professor faz tempo, mas só cuidei dos pormenores bem mais tarde. Primeiro, idealizei o mestrado; depois, o vestibular. Eu simplesmente fiz parecer fácil... E o que dizer do projeto “novo computador”, “1ª namorada”? Eu fui capaz de unir, severas vezes, ambições arcaicas com estalos conjunturais. PENSAR NA AUFKLÄRUNG.

 

Por isso penso que não é qualquer ressaca de 3 dias ou pequenos desvios que arruinarão meus esforços para efetivar meus grandiosos livros, os quais já projeto e já rascunho extra-oficialmente. É bom não subestimar a própria memória! Claro, esse cotidiano nos rebaixa mas, se sou excelente para pescar “anedotas de infância”, não o sou menos para engastar as pérolas da minha meia-idade. E ainda sobrevém o consolo: nada posso saber da morte. Por isso, outrossim, tendo pensado na próxima década, é impossível que eu decidisse me jogar lá embaixo! A imagem “libertadora” me fascina, mas meus músculos negam. Bom sinal. Guy Debord: no fim, uma bela travada!

 

Falta amor à minha vida. 

Não há sujeito mais obcecado pela vida do que eu!

[Frases escritas em datas diferentes] 


Quanto à última citação de Sartre: no que afete fundamentalmente minhas pretensões eu serei rígido. Quanto a detalhes periféricos que surjam, é certo que vou deliberá-los de fato, não “alegoricamente”.

 

“Por que eu escolhi ser professor?”

 

Anti-Mariana: eu assumo a responsabilidade de me desobrigar da responsabilidade de ser um bom professor! Sobrevivência em 1º plano.

 

Tenho as mãos e pernas trêmulas, não gosto de olhar no olho dos outros e falo mal – para me curar eu tenho que atacar o mal pela raiz. A raiz é a sala de aula? Não vejo como ser outro ambiente! Ao invés de fuga, isso é muita coragem... É como pular de cabeça do trampolim de 30 metros no 1º salto numa piscina olímpica... Quem quiser suavidade, que viva em sua salinha de departamento...

 

Se o problema for mais amplo – SOU FECHADO PORQUE QUERO SER, P. E. –, aí está fora de meu alcance... É impressionante como de repente toda a heterogeneidade que vivemos adquire unidade... Hoje, tentar me soltar é um convite à desesperança na raça humana... É sempre nesta parte que penso “nos molecotes de 15 anos” do “roteiro do altar-ego” [seção RETROCEDER]. Não é “não ser mais tímido”, é “habituar-se a ser tímido”, e cada novo recanto exige o recomeço... Também imagino o quanto sou hiperbólico! A verdade é que DAR AULA será o início de um novo projeto, que só pode ser em decorrência do sucesso da missão de agora. O “fracasso” como jornalista-entrevistador foi determinante nesse deslocamento. Nesse contexto, preciso de uma variável familiar – minha constante vai ser a sala-de-aula! “O que é isso, um tipo de E. R.?” Thomas

 

Sabedoria que remonta a 2006: a timidez não pode ser cruamente extirpada, exatamente por ser uma FIMOSE. É-se o que se é. Eterna criança!

 

PROMETO AQUI não me matar para vencer (CALOR DO MOMENTO?).

 

E estou do lado de Sartre nesta rixa com Camus. (O problema é que não foi por isso que eles brigaram... O rompimento entre Sartre e Camus é posterior a “O Ser e O Nada”.)

 

 

Estou sempre sonhando com ônibus e a W3, os limites da cidade.

 

640-41: jamais fomos modernos, mundo a-metafísico e a singularidade de Pelé:

 

ADVERTÊNCIAS A BRUCE E SAULO

 

“seria absurdo supor que determinado estado das técnicas fosse restritivo para as possibilidades humanas. Sem dúvida, um contemporâneo de Duns Scotus ignora o uso do automóvel ou do avião, mas ele só aparece como ignorante do nosso ponto de vista, nós que o captamos privativamente a partir de um mundo onde o automóvel e o avião existem. Para ele, que não tem relação de espécie alguma com tais objetos, e as técnicas referentes a estes, há uma espécie de nada absoluto, impensável e indecifrável. Semelhante nada não poderia limitar de forma alguma o Para-si que escolhe a si mesmo: não poderia ser captado como uma falta, qualquer que seja o modo de considerá-lo.”

 

Depreende-se disso que: NÃO HÁ NIILISMO. Ou SEMPRE HÁ NIILISMO. Sempre há idiotas. Sempre aparecem gênios. Sempre há o que deve ser escrito, sempre há nostalgia e também esperança. Sempre há o que deve ser ouvido, mas não significa que NxZero seja bom (lembre-se: minha posição – e os sons que escutava aos 13?!): não é só o que conhecemos. Eu sou Rafael Aguiar, o nascido em 88. Nada mais a acrescentar. Nenhuma vontade de devir histórico que não o MEU devir histórico... Esquecer as resoluções da ONU e também os Estados, a não ser que queira bancar o profeta, mas isso há de montão. Não posso querer mais que uma estética Super Nintendo, o thrash metal e por aí vai. Completude.

 

SE... LEITE DERRAMADO... COLÉGIO MILITAR... BILLIE JEAN

 

“Uma questão tão absurda como essa é comumente colocada à maneira de um sonho utópico: que teria sido de Descartes se houvesse conhecido a física contemporânea? Equivale a supor que Descartes possui uma natureza a priori mais ou menos limitada e alterada pelo estado da ciência de seu tempo, e que poderíamos transportar esta natureza em bruto para a época contemporânea, na qual ela iria reagir a conhecimentos mais amplos e precisos. Mas com isso esquecemos que Descartes é aquilo que escolheu ser, é uma escolha absoluta de si a partir de um mundo de conhecimentos e técnicas que tal escolha assume e ilumina ao mesmo tempo. Descartes é um absoluto desfrutando de uma data absoluta e perfeitamente impensável em outra data, pois ele fez sua data fazendo-se a si mesmo.”

 

NÃO EXISTE O VALOR! EU DEVO CONSERTAR MINHA MIOPIA... OU AO MENOS ADMITI-LA: CABELO LAYLA É O MEU PREFERIDO, POR EXEMPLO.

 

SERES MITOLÓGICOS SÃO ATEMPORAIS.

 

CLÁSSICOS SÃO UNIVERSAIS. IDADE SEM CLÁSSICOS? QUE SE DAME. PARAR DE VER FUTEBOL: ACEITÁVEL.

 

POR QUE SENTIR VERGONHA DO MEU CORPO, DA CIDADE?

 

Minha família não possui talentos. Será que para que eu existisse teve de haver várias gerações medíocres antes e havemos de presenciar outras tantas inócuas?

 



Escrito por wormsaiboty às 03:44
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17/07/09

 

Como explicar uma sensação de “infinito do quarto do Diogo”, talvez refletida em minha vertente onírica? Por que penso numa tecnologia ultrapassada como paradoxalmente o imergir em experiências mais profundas? O Walk-Man na era do MP4, 5, 6... Uma fiação antiga, menos canais, tela menor, computador rústico e sem conexão. mas ao mesmo tempo essas coisas transcendem! O equipamento é branco e vasto, há observadores, risos, comparações... Dilema da inveja-superioridade inextricável (sadomasoquismo)? Posso entrar e utilizar um media player arcaico e escutar um CD. Por que anseio por fazer isso, se seria somente um plano C? Lendo Latour e (sobre) Heidegger... um dèja-vù tecnológico... Um tema caro a mim desde o meu sonho com o buraco/abismo negro com circuitos azuis e brancos...?

 

Será que o drive lê CD-R? Continuo sem DVD player-2.

 

Nostalgia? É que parece não haver nada aqui em casa mais concretamente parecido com uma máquina-do-tempo! (também para o futuro)

 

Minha “cabana”. Medo de morrer de tédio! Por isso tenho tanto afazer na fila... Outra coisa que explica meu status de monstro sagrado: desde bem pequeno sempre me apliquei a projetos, a coisas longas... Os outros trabalham para esquecer que vivem!



Escrito por wormsaiboty às 03:37
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OSON, Sartre (o apêndice sujo e impudico)

 

14/07/09 a 16/07/09

 

FILOSOFANDO

 

(ARANHA, MARTINS)

 

286 – mágoa contra meu pai (a mais ancestral – vide “O ÓRFÃO”, 30 de dezembro de 2009) e contra a Eline: preciso extirpá-las! Projetos vindouros... sem dias a menos com estultices... DANE-SE A CICATRIZ! Ela serve para ser cuidadoso com as próximas, não raivoso com o que já foi!

 

Não confundir tal postura com frouxidão e lassidão. Quer queira, quer não, pé atrás é gasto de energia (cotidiano). Quando melhorei – ao pedir perdão à Débora e Ana Helena. Por mais que elas não merecessem. Fui infantil e fiz uma guerra pública. Nada de escândalos na UnB [acho difícil, quando eles VÊM até mim]: um singelo cala-boca, um se-afastar discretíssimo, uma conversa a sós, uma resposta na hora decisiva...

 

Eu sei do que se trata essa oscilação entre o atacar-todo-mundo e ser-sereno. Talvez nem seja oscilação – pelo menos não há contaminação! Sim, esse semestre eu demonstrei ser menos carrancudo e ainda guardar um estoque muito amplo de singelezas... Meu pai, assevero, é um caso perdido. Sem eu mesmo querer – é o instinto, deveras! – purifico meu coração quanto à malignidade burocrática dos outros! Uma senhora com seus medalhões fazendo a feira realmente não tem nada a ver com isso! Ainda bem que também me desculpei com a Maíra... Mas foi-se o tempo em que eu brigava sem razão... Cada um segue sua (rota) rota.

 

Mudar num instante, sem constrangimento, do fardo ao riso... Sim, noite excepcional!

 

Sonhos picantes, intensamente pornográficos! Introjetadores de idéias que eu, o maníaco do banheiro, que já quis escrever um romance sobre fezes – que Saramago! -, ainda não tinha contemplado conscientemente! Por que agora? Potência que excede? Fase principesca?

 

O que é que tem de mais em enfiar o dedo no cu? Parece se situar aqui o limite – antes daqui – da discussão de bar mais antropofágica!

 

Não manejo bem as mãos, logo... canalizo para o pinto?

 

“Você dança super-bem” Obrigado, Raquel. Esta pessoa realmente me cobre de elogios há 10 anos!

 



Escrito por wormsaiboty às 01:13
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ROSE, A FACEIRA

 

28/09/09

 

Não era de recusar os galanteios dos escolares, nem dos inúmeros clientes nos trabalhos que desempenhava – primeiro como manicure, depois como bar-girl, invariavelmente entrando em contato com homens, uns inocentes na história, outros que realmente intentavam uma aproximação. Olhos verdes, sorriso e rebolar magnéticos, mas sem dúvida aquele jeitinho de fumar e o ar silencioso eram os aspectos mais irresistíveis. No entanto, sempre soube manter a imagem afastada de escândalos. Escândalos reais, porque os boatos não se evitam. Turminha e ambientes profissionais permeados de invejosos e dos ex-pretendentes amargurados.

 

O mais tocante nesta menina-mulher dos cabelos lisos, cor variável e indefinível, para mim individualmente, era o contraste daquela beleza fresca, magra, ainda com espinhas, com a atitude e a ousadia de um homem. Talvez, também, a voz exageradamente grave. Jogava basquete e não tinha medo de baratas, além de não fazer cerimônia para assoar o nariz. Forasteira, só podia ser uma forasteira...

 

Dizem que seu único comprometimento era uma foto em praia nudista com o irmão caçula. Pensando bem, meio-irmão. E a opinião pública não perdoa esse tipo de vacilo, mesmo que não tivesse nada a ver... Corpos que se tocam podem se envolver. Organismos em atrito, nunca se sabe. As maiores histórias começam dos mais frouxos dos laços...

 



Escrito por wormsaiboty às 18:57
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O GRANDE DIA

 

31/01/10

 

Nanee – ou deveria dizer: a grande decepção? Não por se interessar por outros em detrimento de mim – mas por se interessar por outros! Cria nessa “guria” como alguém forçosamente independente e maduro. E o que essa presepeira saltitante me saiu? Apenas mais uma...

 

Achei que fosse alguém que dispensava os outros...

 

Plenamente pronta – mas que nada.

 

Me sinto tão um zero à esquerda por ter acreditado nela...

 

 

MAGRAS GORDAS BAIXAS ALTAS

 

02/02

 

Qual me cairia melhor, uma junkie como a Bárbara ou uma menina leve e disciplinada como a Natália guaraense? À espera de uma cantada formal? Uma bêbada caída em meus braços – ela mal sabe quem é digno desse privilégio... Nos dois casos, um orientador. Não sacrificar nada por garotas... Quando viajamos parecemos adquirir uma sabedoria doméstica centenária... Se eu fosse um medidor de termômetro, diria que já trabalhei em corpos de mortos e daqueles tifóides a alguns passos de perder a vida...

 

A foto encantadora em que ela é uma Carolina de plano de fundo. Plano de fundo é a expressão mais acertada para descrever mocinhas assim, à deriva. Naneenigma.

 

 

12/02

 

SONHO – banheiro da área de serviço fedendo há vários dias... Parece cigarro. Alguém fumou ali e não ventilou o recinto... Minha mãe vai descobrir. Tento pôr a culpa na Clarinha...

  insere a mão na minha cueca e descobre sorridente a textura do meu pênis mole.

 



Escrito por wormsaiboty às 01:33
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PERDER E PERDER. GANHAR E GANHAR

Por mais que busque entender as razões que a levam a fazer justiça a qualquer custo por intermédio do Estado e de modo tão blasfemo, ainda me é impossível esse desvendamento. Para mim, sem dúvida, perder seria não poder ser eu mesmo no que eu sou mais rico – na comunicação. Ganho mais se pago o ônus da ficha suja mas me encontro íntegro comigo mesmo. De cabeça erguida. Sigo nas encruzilhadas da vida, querendo ensinar e mais não sei o quê... E ela? Poderia se comportar de modo sutil e obter muito mais coisas. Mas parece sofrer de uma febre amorosa, terríveis convulsões. Delírio e peso na consciência, claro. Quer dinheiro? A reputação de volta? Uma vez tendo partido, para sempre é destroçada! Me ver atrás das grades? Não, ainda que livre, mais valeria notar alguém descomposto. Garanto que em mais este episódio não perderei a compostura. A tranqüilidade, fazer o que eu tenho de fazer! É aí que vislumbro a resposta: ela só quer se degradar, mais e mais!



Escrito por wormsaiboty às 20:23
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BAZUCA 2.006

 

O assessor se vê num limbo. Um corredor apertado. Ou segue por ele ou volta e leva um murro na cara. O “toma lá dá cá”, essa troca de favores, essa reciprocidade tão instantânea (e que, depois, já era) parece ser o único critério para a renovação do contrato pelo cliente: a empresa ou indivíduo assessorada(o) não se satisfaz caso o(s) maior(es) jornal(is) da região não reserve(m) alguma coisa de seu(s) espaço(s) para uma materiazinha com respeito a um produto desta empresa ou pessoa. Não importando se a empresa negocia pedras marcianas, coisa por que ninguém é obrigado a se interessar, ela é egocêntrica e exige que o assessor consiga divulgar seu “super-produto”. Se não conseguir, a culpa é toda do assessor, claro. Se ele não possui amigos na redação do jornal que é bom que saia matéria ali, babau, é bom que se lasque. É o cúmulo da idiotia, aliás, crer no “espaço” como garantia de retorno. A simples divulgação da venda de pedras marcianas não resulta em trocentas pessoas ligando ou entrando em contato de outras formas para comprá-las. No máximo escreverão para o jornal perguntando se é uma piada de mal gosto. Ou conferirão no calendário se é 1º de abril. Espaço não significa dinheiro, recompensa, se é o que os assessorados estão pensando. Tudo bem que a assessoria seja não mais que um investimento para que o lucro aumente (não há companhia que pague um jornalista por caridade – se ele não consegue aumentar a margem de lucro do patrão, tchau! Lei da selva: ele pode aumentar a renda do cara em 40 ou 75 vezes. Quem sabe até mil. Mas seu salário não será modificado. Mais-valia!). Só que a busca por “quanto mais espaço melhor” não é a mais inteligente. Há campanhas e press releases bastante criativos que só precisam chegar ao conhecimento de uma ou duas pessoas para o negócio ser bem-sucedido. Imaginando, por exemplo, que a Fiat queira vender seu modelo mais caro (mais que uma Ferrari, por exemplo), um comprador já satisfaria bastante o assessorado. Renovaria com o assessor. Se é uma empresa que vende chicletes, um só não adiantaria, no entanto e se a pessoa espalhasse para sua vizinhança (“Hm, que saboroso”)? Seria um ganho maior do que uma matéria num quadradinho do maior jornal da cidade a que leitor algum acaba por dar importância. Não há um medidor de qualidade, por certo. O serviço de Assessoria de Imprensa se encontra deveras avançado. Do lado do que trabalha nela. Os clientes é que não entendem muito da coisa, ainda. Precisam estudar um pouco mais. Desenvolver uma imprescindível paciência. Fazer cobranças mais brandas e longo-prazistas, não obstante pareça suicídio. O simples fato de se encontrar um jornalista que bem escreve deve ser valorizado na proclamada “sociedade dos analfabetos funcionais”. Imagine um contratante que vê um texto otimamente redigido da parte de seu assessor e, por pura falta da divulgação desejada (e não que ele não tenha tentado: apenas não tinha “amiguinhos” o suficiente no jornal-panela da cidade), ele é mandado embora. Desperdício de talentos. É descobrir uma mina de ouro e deixar que os outros a garimpem. Ou pior: caso o jornalista nunca mais encontre uma oportunidade de emprego e decida, frustrado, mudar de carreira, terá sido, analogicamente, uma mina implodida antes de ter seu ouro extraído. Êta, mundão: tem gente que contrata assessoria para melhorar a Comunicação e jamais se dá ao trabalho sequer de uma comunicação pacífica, igualitária e racional com esta: só manda, só calunia, só desaprova os resultados obtidos, só quer saber de mandar o bilhetinho azul... Não é à toa que tem tanto CNPJ fechando as portas... Burrice e presunção. Aprendam.

 



Escrito por wormsaiboty às 00:30
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“Dos males o menor” ou “ruim com ele, pior sem ele” são provérbios que não se aplicam. A mídia sempre mentiu. Discursar é mentir. Advogar causas como a busca utópica pela imparcialidade é o supra-sumo do mentir. Com o governo, mente-se em prol deste; sem o governo, mente-se ora a favor ora contra o mesmo, ou então há apenas uma displicência (ubíqua nas matérias) desligada de qualquer conotação política mas que, claro, se reflete no campo político. A mídia sempre vai mentir, seja qual for seu “dono”, e não creio que haja uma gradação entre os tipos de mentira. A imprensa sempre foi uma publicidade mais refinada, com ares de verdade. Todos precisamos de informação, é bem verdade (de novo essa palavra!). Precisamos de distorções para sobreviver. Comprar produtos, comprar idéias, usufruir mercadorias, ainda que abstratas. Aliás, sobretudo abstratas, pois compra-se um carro – que não se esqueça – pelo tácito nele, e não por ele em si. É irônica essa proposta de fusão estatal com a notícia no berço do Neoliberalismo, enquanto ela suscita justamente o oposto, Stalin.



Escrito por wormsaiboty às 00:23
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NO DENTISTA...

Ah, que secretária! Seus dentes eram branquinhos, apesar de tão disformes quanto montanhas desenhadas aleatoriamente por uma criança. Não tinham o mínimo alinhamento. Estava claro que devia ter usado aparelho nos dentes quando mais nova. Se possível, um freio-de-burro ou pior. Essas mulheres... São as que mais nos atiçam, nesse contraste beleza ardente e comportamento irrepreensível, mimando-nos. Fofas e sensuais. Despertam os desejos mais profundos. A qualquer atitude sua, um muito obrigado e em seguida, inclusive, um desculpe-me, por favor! Cuspa em seu pé, abra sua braguilha, e ela perguntará se quer café, se não está sentindo calor, que o dentista não demorará a nos atender.

 

A respeito desse fetiche intrínseco a todos nós, apresento dois contos erótico-utópicos (ando indo muito ao dentista, sorte que sei disfarçar meu ímpeto!):

 

***

 

Quando entrei, notei que além da proteção no pé seria necessário uma espécie de “fralda”, que envolvia o púbis e grande parte das coxas, para que não houvesse manchas nas roupas após a estadia no consultório.

 

Como a proteção não entrasse, a recepcionista me pediu para retirar a calça: seria atendido de cueca, mesmo. Mas dada minha ereção ela realmente não pode envolver, rodear, meu tronco naquela altura tão delicada... Optou por mandar-me despir a cueca. Contrariei-me bastante. Ela riu timidamente e disse que não ia demorar. Afirmou que a única solução era, de um jeito ou de outro, do jeito mais simples ou do mais complicado, tornar meu pênis maleável, novamente mínimo e relaxado. Perguntei qual era o jeito complexo, no que ela percebeu que não seria simples, dada sua presença ali, efetuar o amolecimento pela via da espera e do bloqueio mental. Começou então a me masturbar enquanto atendia o telefone e avisava o doutor que o paciente estava quase pronto (vestido, embora fosse o inverso!). Como nem na mais intensa velocidade eu “cedesse”, ela começou a usar a boca. Seu piercing na língua e seu aparelho dental fizeram um misto de cócegas e de êxtase indescritível. Depois do jorro, o qual tratou de engolir quase por inteiro, com seus resquícios melecando a folha de papel onde costumeiramente assino à saída. Disse que não tinha problemas, e que agora poderia envolver a proteção de modo justo. Dei um beijo em sua covinha agradecendo...

 

***

 

“Vejamos...” É a voz da dentista. Não sabia que agora seria uma mulher. “Seu principal problema é mau hálito? Mas não sinto nada”, e se inclinava desavergonhadamente para meu rosto com seus olhos, nariz e aquela boca, a uma distância que se estirasse a língua poderia me lambuzar. “Devo fazer um teste com você.” Vendou-me e sentou-me na cadeira de paciente. Imperiosamente, avisou o periodista de que ele não precisava mais permanecer na saleta. Voltando-se, produziu alguns barulhos ao meu redor, primeiro atrás, depois à frente, que me deixaram curioso. Quando retirou a venda, vi-a sentada em uma cadeira móvel, suspensa por um estranho ferro, uns três palmos acima de mim. Estava de minissaia. Por pouco tempo... Desabotoou a veste, e não havia nada por baixo. Reclinou a pequena cadeira aérea e a rebaixou mais para que eu pudesse contemplar seu sexo com pouco esforço ao utilizar meu pescoço em movimentos frontais. Gargalhou, relatando que, por mais estranho que pareça, tudo não passava de relação médico-paciente aprovada pela portaria do Ministério da Saúde. A singela explicação: o cheiro do clitóris é aquele do corpo humano que mais se exala pelo ar, e que mais dificultosamente é eliminado. Se meu mau hálito fosse suficientemente desagradável eu permaneceria muito tempo com o odor de sua vagina ao falar, e aliás seria um cheiro insuportável nos primeiros minutos, o que logo ela mediria. A experiência daria certo, contanto que eu não cometesse o sexo oral de forma desleixada, que fosse fundo na ação.

 

Ao começar, ela parecia nada sentir. Teria se anestesiado. Apenas comandava, dirigia-me, como um flanelinha ao dono do carro. Incentivava, de quando a quando: “Isso! Mais rápido... Mais devagar se quiser... Com mais potência, mais vigor...”. Mas os “oh!” e “ahhhhhhh...!” não demoraram muito tempo.

 

E começou a se sacudir, parecia querer levantar na micro-cadeira. Quicava, em suma.

 

Comecei a mordê-la e ela não pediu para parar, mas se revirou, para que, de bruços, eu completasse o ato da consulta: o clitóris era apenas a primeira metade! Eu deveria lamber seu ânus, de borda a borda, circulando, e depois, penetrando meus dedos, arrancar-lhe alguns pedaços de excremento. Esses sim revelariam o teor de meu próprio problema.

 

Depois de certo tempo na árdua tarefa, ela provou, me receitou um remédio, se vestiu e fingiu que nada tinha acontecido. Pediu para que não voltasse.

 

No elevador, vi uma propaganda na parede: “consultórios: 3º andar. Casas de orgia: 7º”. De fato, eu estava agora, depois de 3 segundos, no sexto andar!

 

Somente me pergunto: serão esses comprimidos suficiente para eliminar o fedor das fezes?!?

 

***

 

Gostou do espetáculo sci-fi-escatológico? Possuo outras histórias, que depois reunirei. Todas falsas, infelizmente.



Escrito por wormsaiboty às 00:19
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BIOGRAFIA – DAVID LYNCH

Um diretor que quando tinha um time de artistas de primeira linha e muito dinheiro no caixa não fazia valer sua qualidade, no entanto quando os recursos são escassos sempre se dá bem – conheça David Lynch!

 

Cinema trash? Fato é que começou com “Seis figuras ficando doentes”, um vídeo de 1966 repleto de pessoas vomitando com a cabeça em chamas, hologramas e nada mais. Terá sido um teste? “Se colocaram essa absurdez no mercado acho que vou mesmo virar cinéfilo”, deve ter pensado. Provável que sim. Mais provável ainda que o diretor David Lynch, o mentor da obra, já soubesse que seu curta debutante seria lançado comercialmente e faria sucesso – antes de fazer.

 

O fim – pelo menos até a data do artigo – deu-se neste ano. Ainda não se pode medir o impacto de “Inland Empire” sem boas chances de incorrer em erro. Impossível diagnosticar a repercussão exata de uma película só pelo que rendeu nas bilheterias. É necessário um pouco mais de tempo, isso com respeito a lançamentos comuns. O que dizer de um sujeito considerado a “antinomia de Hollywood”, que tratou de elaborar o script de modo fragmentado, poucos minutos antes da filmagem de cada cena? Coisa de maluco. Coisa de David Lynch.

 

Quem tem dificuldades ao pensar em interpretações nonsense para o seriado Lost deve simplesmente esquecer David Lynch. Seus filmes são muito mais psicológicos, possivelmente menos convergentes para a “teoria de alguma coisa”, idiossincráticos e – o pior – ele se nega peremptoriamente a bancar o analista do que se viu na telona. Na entressafra de nada menos que 40 anos (e no ano em que se converte em sexagenário) Lynch emplacou projetos como Cidade dos Sonhos, Estrada Perdida, Twin Peaks (dois, o seriado reunido em DVD e o longa, com um desfecho especial), Coração Selvagem, Veludo Azul, Homem-Elefante e A Avó.

 

Irônico pensar que se não fosse uma mariposa ele poderia ter passado pela Terra sem deixar vestígios, vivido a existência de um adulto normal. Quando começou a pintar, aos 19 anos (até os 14 desconhecia o “artista”, aquele profissional que se sustentava pintando quadros e contribuindo com a cultura de seu tempo, veja só!), depois de quase terminar uma tela, assistiu incólume à aterrissagem de uma mariposa, que não conseguiria se desvencilhar da tinta. Do seu prisma, ela não estragou o trabalho. A dualidade vivo-morto, inesperado-planejado, o encantou tanto que desde então passou a usar mais animais (mortos – pelo menos após algumas horas ou dias), objetos e até pedaços de carne como “a cereja do bolo” de suas produções pictóricas. Pense de novo no filme do pessoal vomitando sem cessar: parece um desses quadros!

 

Um Assombro de Talento

 

Ah, se aquela mancada que a gente dá na vida sempre resultasse no melhor! Quer um exemplo? Lycnh viveu péssimos anos. Faltava dinheiro, sobravam encargos. Fez um filho com alguém que não amava. Claro, toda hora isso acontece com os terráqueos. A diferença é que quanto mais fundo parecia que ele cavava, mais assombrosamente talentosa sua mente se revelava. O sofrimento carnal se convertia no sublime ficcional. Se um sujeito já soubesse, de antemão, que ao engravidar sua namorada ia enriquecer em poucos anos... Aí então o planeta teria 10 bilhões de habitantes – e poucos miseráveis!

 

A palavra assombro, empregada como advérbio (“assombrosamente”, parágrafo anterior), não serviu como um “esbanjar” do articulista. O mote dos filmes de David Lynch é resgatar o lado obscuro da mente humana. Mais Freud, difícil. O americano malucão usa e abusa de joguetes que, parecendo distantes para os mais incautos, não passam de manifestações completamente cognoscíveis para qualquer indivíduo. A resposta dos filmes de Lynch está em nossos próprios medos infantis. E como ele é frio! Ao assistir o nascimento de sua filha, com uma rara deformidade nos pés, seu primeiro ato foi lançar Eraserhead (“Cabeça de Borracha”, enfim, um monstro), em que o ator principal engravida a namorada e seu filho nasce bizarro. Não haveria motivos para não tentar, afinal a pessoa a que mais ele podia magoar era a si mesmo. Sobreviveu.

 

E persistiu cutucando a ferida. O Homem-Elefante tem como protagonista um menino tão bisonho quanto o cabeça-de-látex acima. Mel Brooks co-dirigiu a "peça", porém o resultado final ficou tão nefasto (no melhor dos sentidos, davidlynchianamente) que Brooks optou por sair de fininho dos créditos (até então havia construído sua carreira como comediante). Azar o seu, porque Lynch ganhou projeção mundial de verdade (e sozinho) neste momento. O que deixou Mel Brooks ressabiado foram a trilha – um rock’n’roll contrastante com o conteúdo do filme – e os jogos de luz-e-sombra góticos.

 

A Duna veio de presente. Seria um filme hollywoodiano. Finalmente decidiram apostar no garotão. Diretor de lá, sabe como é, não tem limite de gastos. Mas Lynch não nasceu para estúdios onde todos no set transpiram arrogância e manias imbecis. A película fracassou, não obstante Lynch não demonstrou apatia ou trauma, muito pelo contrário... Poucos são aqueles que brilham sem subir ao palco. Para estes, quando se sobe, impossível disfarçar o desconcerto.

 

Deixando as aberrações de lado (nada de deformidades físicas ou ejeções do corpo humano), o tema preferido de Lynch é certamente aquela cidade do interior que de pacata não tem nada – mas essa revelação se dá apenas implicitamente (ou seja, não se dá), no decorrer de novos sucessos de crítica como Veludo Azul e Twin Peaks.

 

A Estrada Perdida, de 97, dividiu definitivamente a opinião pública. Ame-o ou odeio-o. As alucinações do protagonista (recurso onipresente em sua biografia) irritaram tanto a crítica que ele parece ter feito História Real dois anos depois só para ter sua aparição nos jornais, revistas e televisão despida de ofensas – por um curto período. Os filmes de David Lynch no novo milênio continuam vagando pela tênue divisão do onírico e do plausível. Todos pedem uma mãozinha, e ele rebate dizendo que todos com massa encefálica podem empreender os significados exatos – mais de um?

 

Faltou dizer: mesmo não estando “no circuito”, o genial diretor já foi indicado três vezes ao Oscar, em anos esparsos (o que comprova sua regularidade), a despeito de nunca ter abocanhado a estatueta dourada.



Escrito por wormsaiboty às 23:58
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QUERO CORRUPÇÃO!

[Outros tempos...]

 

Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque não precisavam de mediador: no debate televisivo do dia 13 de setembro todos firmaram um pacto anti-Lula e esqueceram de gerar polêmica – já não se fazem debates como antigamente

 

Desenrolou-se na quarta-feira passada talvez o debate entre candidatos à Presidência da República menos visto de todos os tempos. Foi transmitido pela Rede Gazeta e também para os internautas do Portal Terra. O virtual líder do esquete e provável vencedor em primeiro turno não deu satisfações, para variar. De qual bar apreciava a disputa?

 

Seja de onde tenha sido, fato é que Lula da Silva apreciou muitos xingamentos a sua pessoa. Eufemizados, claro. Fujão, cara que compactua com a corrupção debaixo de seu nariz e esmoleiro teriam sido suficientes para despertar os “eleitores-bolsistas” contra tão temível reeleição? Analisemos os desempenhos pormenorizadamente:

 

Alckmin – Tão seguro que postergava a verdadeira resposta para além daquele 1 minuto e meio, ou 1, ou meio, desafiando os “Ok, ok, ok” da apresentadora. Cortassem os microfones, ora pois! Isso é facilmente perceptível na pergunta feita por um jornalista sobre o posicionamento do ex-governador de SP com respeito à emenda da reeleição. O homem poderia responder “Sou contra” e desenvolver a justificava na sobra do cronômetro, mas gastou 90% dos escassos segundos tratando de defender Mário Covas e FhC (como adora dizer Millôr Fernandes, o superlativo de PhD!). Seu “não, não sou a favor” veio praticamente estourado, na conta do chá! Desse jeito prolixo, G. A., caso consiga o que tanto quer, só vai servir para empurrar os problemas do Brasil com a barriga por mais 4 anos até o sucessor! Será mal de médico? Não sabe como dizer a um paciente que ele tem apenas mais alguns dias de vida?!? A nação está na UTI.

 

H. H. – Ah, se ela ao menos respondesse o que lhe era perguntado acerca de Economia! Eis o ponto sensível de seu programa. Crer na reforma braçal de toda a estrutura sócio-político-econômica, ainda que não haja nada de errado no combate a um antigo pesadelo do brasileiro, a inflação! Onde estava Heloísa Helena por todos esses dias instáveis de consolidação da democracia e da estabilidade econômica, quando o governo era forçado a congelar os preços e lançar planos e mais planos fracassados num ritmo incrível e quando o consumidor estocava meio supermercado em casa esperando o pior? Viajando a tout le monde?

 

Cristovam Buarque – O “Senhor Cronos”. Terminava suas respostas exatamente nos três segundos finais, sem a mínima margem de atraso. Não atacava os outros. Teve sua vitória pessoal. Que pena que a mesma careça de representatividade, porque, como ele mesmo ressaltou, “quem sabe que o povo precisa de educação é a parte do povo que já passou pela escola”. Resolva essa, amigão! Como em terras tupiniquins dá mais pobre do que urubu em corpo de morto, fica difícil as pretensões de voto no patrono da Educação ultrapassarem 1%.

 

Na verdade, pelas linhas discursivas, tanto bafafá (“temos de buscar..., temos de mudar..., iremos reformar...”) e acusações a quem se encontrava ausente (será que, se resolveu respeitar a Lei Seca, Lula não foi porque estava doente? De cama? Será que era caxumba?!) só servem para adiar um pouco a festa do barbudão. No mínimo o atual presidente ganha em segundo turno. E sem precisar gastar saliva.

 

Bárbaro, não? Defender caixa dois dá voto! É uma lástima que figuras como Luiz Estevão e Eurico Miranda estejam inelegíveis. Queria ajudar a eleger um comprador de votos também nas esferas distrital e municipal, além da federal. Ainda resta uma esperança: transferir meu título de eleitor para Alagoas (Collor), Pará (Jader Barbalho), Bahia (ACM, filhos e netos), Maranhão (Sarney's, enfermos ou não), Amazonas (Amazonino, o predestinado que já nasceu com o nome parecido com o de seu feudo), São Paulo (Quércia, Maluf... ai, ai, que urticária!), Rio (Garotinhos famintos, com G de gordo, digo, "g" maiúsculo!)... Enfim, para estes ou qualquer um dos demais vinte estados.

 

Pensando bem, por que não manter tudo como está? Tenho um prato cheio a minha frente: violador de painel liderando as pesquisas!



Escrito por wormsaiboty às 23:48
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MAIS UM FIM DE SEMANA EM BRASA CITY...

 

Sábado à tarde saio de casa com dor nos dois braços de tanto carregar caixas; o Sol torra todos os viventes, principalmente os branquelos de preto. Armado com crédito para muita birita e uma carteira e meia de cigarros, começo minha peregrinação pela “linha fantasma” da W3 Norte, me lembrando de uma música de uma banda não-tão-boa-assim daqui, Cowboys de Entrequadra. Mas a situação parece mais Camões. No CONIC e à hora marcada, estranhamente nenhum som, nenhum palco, nenhuma gente, dos que interessam... Exceto dois caras de indumentária característica com quem cruzo. Pergunto se houve atraso ou cancelamento. A resposta é negativa, mas a pergunta é o prenúncio do negativo dia seguinte...

 

Cabelo amarrado, o calor e o suor são insuportáveis. Pobres circulando pelo Conjunto Nacional. Há pobres e há pobres – o que intensifica a pobreza, de verdade, é a vulgaridade, não importa a renda per capita. Não concedo esmola a nenhum dos pedintes. Ter de utilizar o isqueiro aumenta a sensação infernal, e o vento não ajuda, queimo as pontas dos dedos, ou então a lateral do refil. Seguir em frente e virar algumas esquinas escuras é o procedimento.

 

Palco pequeno, lugar inusitado. Pouco a pouco fui me acostumando. Mas não havia quase gato pingado, músicos testando ou rebuliço, apenas umas mecânicas reverberações. Procuro uma conhecida loja de camisetas e ela misteriosamente “mudou de lugar”, ou trocou o letreiro e a disposição dos cabides. Dou mais uma turning e ressuscito as delícias verbais com a atendente charmosa da venda de discos e compacts que-dá-pro-coroa-como-movo-de-vida (existem muitos exemplares!). Na Berlin, o dono acusa o atraso, mas sem acusar: “Era tudo planejado, fecharemos em breve”. Me dirijo ao por enquanto desolador cenário.

 

Prefiro esticar as passadas e cair na cadeira amarela, ao modo dos peregrinos cansados e satisfeitos. Demoram a me perceber. Peço a do Pingüim na embalagem, um homenzarrão que apareceu com uma nota de 2 reais saindo do bolso pede para sentar na mesma mesa, consumindo já a sua breja. Claro que eu anuo, e acabo descobrindo que não era só um figurante conferindo as novidades da surf store mais próxima. Esse é o Grilo, baterista do Aversão, quase quarentão, boa-pinta e lacônico, suspeita de tersol ou ressaca por trás dos óculos escuros. Vai tocar só amanhã e não ficará para todo o show, apenas espera seus dois colegas de Power Trio. “O negão?” “Flávio!” “Isso!” Já pudemos nos entender tão rápido! Amigo de amigos, assim é a cena do Val, do Gama, do entorno em geral... Tonhão, outro não-da-banda, aparece e assume seu lugar. Começa a acender alguns Derbies e me estimula a consumir os meus. O pessoal das outras mesas também participa das discussões animadas. O pessoal de negro vai se agregando e dentro em pouco são duas mesas com (mais de) 8 cadeiras – e aperta a mijação. Bebel aparece por primeira vez, é mais criança do que eu pensava. Na verdade é tão criança quanto sua idade deveria fazê-la ser.

 

A ansiedade por sair da mesa e fechar a conta se intensifica, até que ganho sinal verde (ainda faltavam 24h para ganhar uma nota de real verde, essa eu tenho de evitar lançar!), me despeço de alguns e começo a andar por aí. Velhas caras denunciando minha “banha extra”. No começo estou sedentário e papeiro, depois aumento o fluxo, a observação e a incorporação no espírito dos que estão ali mandando ver para ambientar toda a galera. Bandas atrasam, tudo dentro da normalidade. Malucos do Porão, outros que nos abordam com frases sobre o Arruda. Os aleatórios são os mais engraçados, os que valem mais a pena. Os outros são uns viadinhos-Manson...

 

Esta é uma das primeiras vezes que prometo o bis e realmente me disponho a cumpri-lo. Depois dos pés cansados, daquelas feministas nojentas tocando com um gutural mal-feito, uma tour, no final, bem movimentada, rumo à Rodoviária e aporto no lar, faminto. Minha insônia dos desenhos animados faz com que acorde com os concertos de domingo supostamente já em curso.

 

Umas aranhas aqui, outras lá, boa alimentação e hidratação são essenciais para os “vagabas de plantão”. Depois de uns bolinhos de carne e pastéis de queijo, desço naquele lugar sujo do palco pequeno que já me desceu a goela. Mas só o “Moisa” está ali, com aquele crachá brega na cintura. “Furaram!” – muito bem, rockers! Nada de mods... A moda é dizer que não foi mesmo já tendo sido um grunge deslavado e imoral...

 

O jeito é improvisar. Procurar um bar ou ambulante. Número 2. Continuo mijando nas paredes apesar da segurança podendo fazer o trabalho em silêncio. Bêbados vomitados, coroas rabugentos, gameiros raulzeiros, rodinha de violão, adolescentes pipocando, uns indo outros vindo. Nenhum exatamente ficando...

 

Decido descer (ou descido decer) uma Pingüim escaldante na falta de opção melhor e menos corrosiva para meu sistema. Vêm uns mais maneiros e as idéias atingem seu ápice no dia. Penso em voltar a pé urgentemente, mas pensando bem... lembra do Sol? É, então decidem dar um rolé bem efêmero atrás de reabastecimento. Como a distribuidora estava de portas cerradas, o jeito foi subir mais uma linha reta nessa cidade quadrada, até um posto – teto quadradão – perto daquele shopping dos sem-chão. Vai uma velha pedida, o conhaquinho. Devagar, devagar. Diálogos saiyajins. Uns se perdem no caminho.

 

Sentado na escadaria, talvez a circunstância mais repetida, começo a me irritar com os coitados filando meu fumo. Mas é isso: Brasília, dos encontros adiados, nos propicia mais do mesmo, com pitadas diferentes e exóticas... Pessoas indevidas, minutos preciosos, truques baratos ensinados, despedida do fim de semana. Missão Metallica entrando em cena, para não fugir à regra um imbecil gritando da janela do carro uma coisa que não me tira do sério porque não escuto o que é. Mas eu quase surfava no concreto, estava bem disposto. 50 e poucos minutos e subo o elevador. A cidade do pecado em mais um de seus contos...

 



Escrito por wormsaiboty às 20:30
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NAYANE AGUIAR

 

Gostaria de ter entrado por engano no banheiro do 2º andar justamente quando Nayana estivesse tomando sua ducha imediatamente anterior à queda dura na cama, após uma daquelas boas farras acompanhada de seu amoreco Allen. Fatigada e ainda ébria, mal notaria minha presença. Quando o ruído de meu meia-volta volver finalmente me denunciasse, tampouco sua “surpresa” faria brotar-lhe qualquer escrúpulo. “Rafa, venha cá... Sabe onde eu fui... Err... Agora não é o momento de falar dessas coisas, certo?” – a cortina ainda nos separava, mas eu sentia as curvas de seu corpo, era um vulto que fazia sombras, e o volume de meu pênis assomava nas roupas íntimas – “Pega pra mim o sabonete que está dentro do espelho, a sua esquerda?” Agilizo-me em atender seu pedido. Ela me puxa pelo braço deliberadamente, fazendo o objeto deslizar até uma das quinas. Solta um riso, pede para que eu volte e tranque a porta. Dispo-me; já entendi tudo. Lavo toda aquela criatura angelical e ao mesmo tempo prostituída, quase-noiva... Seu gemido sonolento e gracejante me faz ejacular precocemente. Pago minha afobação com uma incursão bucal por seu “sistema de prazer”. Até uma limpeza anal eu fui capaz de executar. Por fim, aquela boca travessa me fez conhecer o reino animal, em um grau inaudito.

 

(esta eu escrevi agora, 1:20 do dia 10 de julho de 2008. Mas é impressionante! Ao virar a folha me deparo com “nova velha” astúcia sexual... Minha priminha merece – porém, desta vez, teremos um conto erótico mais “passivo”!)

 

Não podia acreditar. Nayana cavalgava nua, diante de meus olhos, sobre aquele saco de esteróides. Estava no banco traseiro daquele Gol. Mateus também acompanhava atentamente. Mas para mim tinha ares de novidade. Na minha terra não é costume que as primas sejam tão carinhosas e atendam as pulsões sexuais mais sujas de seus parentes masculinos. E eu me dou melhor observando do que tocando. De toques bastam os meus. Sou auto-suficiente e imaginativo. Fortuitamente, era hora de minhas retinas trabalharem, em compasso com a cueca progressivamente afrouxada em suas costuras, dadas as incessantes doses de prazer onírico-voyeurista que cultivo desde a terra dos “românticos demais, práticos de menos” (ânus açucarado). Nayana, eu mastigaria cada pedaço consistente de uma diarréia sua! Você me faz esquecer o dengo da Melina, a irmã da Maíra e até as orgias elíneas instantaneamente! E jamais encostei meus lábios em sua face... perdi-me tanto nesse êxtase efêmero mas imortal – sem querer, o Edson deve ter absorvido Baco! – que mal percebi quando se mexeram nos bancos dianteiros e trocaram de posição. Logo, um jato branco suplantava aquela boquinha salpicada de emissões de gemidos. Seu busto balançava. Ela era peluda mais abaixo. Riu para mim e deixou que eu a explorasse com a mão direita. Dois policiais apareceram. Para não ser multada, presa e possivelmente denegrida em sua vida familiar a menina, nua, conduziu o carro até um motel, com os novos convidados, e pagou diárias (ou noturnas!) para todos (seis). Ali fui deixado em paz, embora contemplasse guerras e guerras...

 



Escrito por wormsaiboty às 12:49
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FRAGMENTOS IMPUBLICÁVEIS

 

Ter conhecido o Maniax e trafegado em uma terra-de-ninguém, as paixões, o vestibular e sua ocorrência repentina, o status de pai, a viagem para Fortaleza, as casualidades noturnas candangas, o querer evadir, o querer voltar atrás no tempo e reviver os dias de ensino médio... onde a fronteira entre o real e o imaginário é mais tênue – ali eu me acho. Presentemente, por exemplo: sinto-me extremamente regozijado quando passo a perna em alguém que deposita confiança em mim... Se não estiver emanando prazer, é porque estou estafado – mas logo volverei à baila. Como Zaratusutra, que...

 

Episódio particularmente supremo meu: arruíno minha visão, encontro-me no inferno, entre ferir de fogo minhas mãos e congelar meus braços... Sujeitos que parecem me conhecer há longa data ou que estavam lá em um universo simbólico remoto, à minha espera, estes dançam a minha frente. A malícia de esconder um recurso extra, a continuação da aventura até um cume absurdo digno de Édipo-Rei em que incrimino meu irmão e venço – não sem um dia absolutamente efervescente e raskólnikoviano... Aconteceu de antes de tudo me deparar com uma circunstância favorável decisiva... Dormi – ou antes não – pensando no círculo e no eterno retorno daquela, ainda que gritasse via pênis de outro. Ela é a mulher-verdade perfeita, agora reconheço, e o desfecho com sua aparição foi o mais digno.

 

O excremento quando sai é o recado de que vêm mais aventuras – e naquele mesmo lugar, quase a fogueira, obtive uma ampliação desta sede vívida. A doença serve minha saúde, por isso não há contradição. Seria coincidência estômago cheio render pesadelos ou eu passar por embrulhos de dor e ânsia quando penso no meu próximo encontro com Eline? E o trabalho aleatório que deu atingi-la! E a vertiginosa queda do cavalo, de volta à banalidade? No momento certo apareceram estes novos elementos...

 

Oscilo entre dizer que “nada volta” e que “tudo sempre foi igual debaixo do sol”

 

Ela nunca foi minha, mas até hoje sinto que pode ceder. O que é a ejaculação? O mecanismo biológico a garantir o prolongamento da aventura! Esta prostituta barroca é a fêmea dos desejos de qualquer um! Se por um lado a coquete é quem joga, o homem é o adivinhador frente à esfinge (sem segredo)... Outro dado – literalmente – marcante é minha cicatriz no dedo e a história de cada um dos meus músicas e textos...

 



Escrito por wormsaiboty às 12:45
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Escrito por wormsaiboty às 23:53
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Provável tese de monografia

 

Primeiramente experimentar divagações sem se preocupar com o linguajar pesado – que posteriormente poderá ser rearranjado.

 

1)    Nietzsche “simplifica” (sei que isso vai pegar mal), em diversos pontos de sua obra, o homem em dois tipos: o niilista cristão e o imoralista ou aspirante a (?) Super-Homem (Übermensch e seus problemas de adaptação lingüística – Frag. Finais). Quem são ambos?

2)    Edgar Morin descreve o que entende por Cultura de Massa. Descreve o homem tendente ao medíocre e afeminado que a integra... (tendência da convergência dos sexos) (COMPRAR LIVRO)

3)    Quando Nietzsche morreu, não podia conviver com tais homens, mas pôde prevê-los. Aí está: há uma forte correspondência entre o homem da cultura de massa do século XX e o niilista cristão do alemão. Evidenciar...

4)    Complexificando e delimitando ainda mais as coisa,s podemos ter: teoria da catarse (Aristóteles) e alguma psicologia recente (Jung?), além das contribuições de Harvey e outros possíveis analistas do homem (vide o curioso andrógino pós-moderno de Jair Ferreira dos Santos). Com este material, posso inclusive tentar demonstrar uma similitude entre o espectador e o niilista passivo. Mesmo o espetáculo semiótica-histriônico de Debord pode me ser útil. Influências difusas mil – Goethe! Aliás, os comentários de Goethe se encontram na minha gaveta? (isso é grave – ler Fausto!) Disse espectador porque tentarei especificar o participante da mass culture dos audiovisuais. O que Nie. Pensaria da “TV universal”?, da paixão por carros, dos vícios (pós-)modernos? Fenômenos curiosos e abrangentes, indispensáveis hoje para o mundo! Ademais, oponha espectador à idéia de artista, que Nietzsche equivale a um imoral (todo grande homem). FISIOLOGIA DA 264 do VONTADE... No fim, não temos muita certeza, mas o homem da cultura de massa pode tanto ser o medíocre abominado pelo pensador quanto uma realização libertadora via mediação (relação totêmica com o olimpiano), projeção e identificação. Porém Nie. Até distingue quem FAZ e quem RECEBE (as mulherzinhas histéricas!!!). É uma polêmica que me apatece. Talvez dividir para filmes e programas de TV é que seja o mais trabalhoso...

 

Extras:

 

Estamos na decadência do ocidente de nie. (não implica que haverá transmutação – fora dos limites do trabalho!) ou na alvorada/no emergir de uma civilização de indivíduos fortes (não mais indivíduos, o trágico!)? ou ambos???

 

Ego-ísmo. Relação do eu – já há integração com o devir, intensa auto-responsabilidade? Senão, é apenas uma fuga. – desligamento do causalismo se pede

 

Aquele que frui os momentos, sabe ser outros, é RICO. Sofre até a morte sem morrer. Importância da experiência em CAMUS.

 

Há algo de dionisíaco na reação aos programas (participação?), porém também Apolo. Uma luta pode estar sendo travada...

Escrito por wormsaiboty às 20:36
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Rafael de Araújo Aguiar

Tema de dissertação: O desenvolvimento da TV no Brasil e no mundo através do caso “Rede Globo e o acordo Time-Life”; o problema estrutural do nivelamento, para grandes públicos, da programação de uma emissora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DOSSIÊ GLOBO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Brasília, 15 de setembro de 2007

 

SEÇÕES

1. INTRODUÇÃO

 

2. DESENVOLVIMENTO

2.1. A História Secreta da Rede Globo, por Daniel Herz

A cronologia da manipulação

Considerações finais

2.2. Chatô – O antecessor de Marinho

2.3. Bordieu e a macro-teoria da televisão

O estúdio e seus bastidores

A estrutura invisível e seus efeitos

 

3. CONCLUSÃO

4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

5. ANEXO A

 

1. INTRODUÇÃO

 

            O presente dossiê não tem o objetivo de ser panfletário. Não possui a pretensão, tampouco, de ser referência em escala universitária (ou em qualquer outra) na temática a que se propôs divagar. Pretende, sim, elucidar de modo sucinto o conteúdo de uma importante pesquisa, muito mais elaborada, sobre o assunto da televisão monopolista no Brasil, na figura da Rede Globo, A História Secreta da Rede Globo, livro de Daniel Herz.       Claro que não é um trabalho apoiado exclusivamente sobre esta obra, no entanto há contribuição substancial de suas páginas no atingimento do meu objetivo particular. Em outros termos, também não é intenção do Dossiê Globo fazer publicidade do livro de Herz, louvá-lo de modo acrítico em seus postulados ou se encarregar de refutá-lo em seus pontos fracos. É o ponto de partida e de maturação rumo a uma consideração mais ampla com respeito à realidade de todos os Estados, não só o brasileiro, onde uma associação do tipo magnata/poder público não é refreada: a distorção da realidade, a criação de hiper-realidades desfavoráveis à formação dos indivíduos. Pierre Bordieu será fundamental neste aspecto. Parto do específico para o genérico, ao basear minha justificativa estrutural do problema nas concepções do sociólogo francês.

            De volta ao substrato da dissertação, o livro de Daniel Herz, a “história secreta” do sistema Globo (o que inclui o jornal O Globo, o primeiro veículo de comunicação de Roberto Marinho, herdado do pai, Irineu Marinho), é uma coleta de dados assombrosos que demonstram o monopólio da emissora no setor, em fins da década de 80, aliada a uma narrativa minuciosa dos últimos anos do governo João Goulart e dos primeiros anos da ditadura, quando houve o mais significativo crescimento nos negócios da companhia, apoiada esta, principalmente, nos relatos da CPI Rede Globo/Time-Life, instaurada durante a gestão Castelo Branco. Explana ainda como, na transição democrática, Marinho se manteve no topo graças à calculada aliança com Tancredo Neves. Em suma, é o retrato fiel da tática chapa-branca da empresa de Roberto Marinho, um elefante latino da mídia.



Escrito por wormsaiboty às 18:43
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2. DESENVOLVIMENTO

 

2.1. A História Secreta da Rede Globo, por Daniel Herz

 

A despeito da idade avançada dos dados presentes no livro (uma investigação sobre o período de formação da Rede Globo), mormente os números que sinalizam os lucros da companhia na segunda metade da década de 80 (valores que indubitavelmente precisariam ser corrigidos ou adaptados à inflação e desvalorização paulatina da moeda), a pesquisa de Herz é consistente.

            Com a expansão no mercado interno saturada (cerca de 80 milhões de telespectadores no total; 50 milhões antenados diariamente no Jornal Nacional), a emissora de Roberto Marinho lançou seus tentáculos pelo mundo. Na Itália, arranjou briga judicial com o até então nem tão poderoso assim Silvio Berlusconi, que viria anos depois a se tornar o presidente daquele país e a controlar a mídia local – uma versão européia de Marinho.

            Com alcance de 98% do território nacional e instalada em lares ainda sem geladeira, não é exagero classificar a Rede Globo como uma espécie de Grande Irmão, onipresente e coercitiva culturalmente. As vinhetas de seus telejornais, do plantão urgente e das comemorações de Ano-Novo e Carnaval são célebres, parte do inconsciente coletivo.

            Consta em Herz (conclusões tiradas de “O Nacional. E o Dr. Roberto falou”, obra de Eric Nepomuceno, e de uma reportagem de 13 de janeiro de 1987 do New York Times sobre o império “global”) que as pautas do Jornal Nacional dependem integralmente “do caráter e das convicções de seu único dono, Roberto Marinho”. Uma das maiores comprovações da concentração de um poder imperial nas mãos de um singular homem é o embate Rede Globo contra o político Leonal Brizola. Roberto Marinho admite que direcionou seus noticiários para a derrota eleitoral deste homem na disputa ao governo do Rio de Janeiro, onde se localiza a sede da Globo. Em vão, por duas vezes. Marinho diz que o fez porque, poderoso como é, com índices de audiência entre 70% e 80% de seu país, tem o dever cívico de melhorar a nação.

Prova disso é que veste a camisa das Diretas Já!, de súbito, depois de várias semanas ignorando o movimento popular. Tal aderência não passa de um balão de ensaio. Assim, todos adquiriam uma visão altruísta da Globo, aquela que luta pelo povo e pela democracia. A Globo queria, verdadeiramente, mostrar simpatia pelo poder civil que logo tomaria posse e que seria escolhido de forma indireta, ou seja, pelos parlamentares. Eis que surge o nome de Tancredo Neves, um líder das massas, ideal para receber o apoio com segundas intenções. O candidato em questão tinha de ter o amparo deste colosso televisivo e se sentiu obrigado a atender a algumas reivindicações marinhistas, como empossar homem de confiança no Ministério das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, com quem Marinho estreitara laços.

            Em 1994, algum tempo depois da última edição do livro de Herz, dia 15 de março, houve o cumprimento de uma decisão judicial histórica: a divulgação de uma carta, direito de resposta, de Leonel Brizola, em rede nacional, durando quase 4 minutos, na voz famigerada de Cid Moreira, no programa de maior ibope da emissora, o Jornal Nacional. A Globo teria, àquele tempo do mandato de governador carioca de Brizola, uma política agressiva de noticiamento e sobrevalorização da violência urbana na cidade fluminense e arredores, o que deveria afetar a popularidade de seu principal algoz, a autoridade máxima no comando do estado do Rio. Na carta (vide Anexo A do trabalho), Leonel Brizola diz que toda a perseguição política e midiática a que é sujeitado provém de sua iniciativa de tentar vedar a Rede Globo de transmitir o desfile carnavalesco no sambódromo da Sapucaí, o que constitui um negócio bilionário para a empresa. E o mais relevante do discurso brizolista: a Globo viveu em simbiose, em total concordância, com o regime militar brasileiro (1964-1984). Desacostumado a perder para o governo (vide posteriores detalhes neste tópico), Marinho deve ter-se assustado com a decisão judicial de março de 1994 a favor de Brizola.

            De onde vem tamanha influência? É raro um cidadão que não teme o próprio Estado onde está inserido. As Organizações Globo se alçaram à condição de “hegemonia na distribuição de informações” em solo tupiniquim quando, em 1961, firmaram um pacto com a gigante americana Time-Life (por trás de estações de TV, estúdios de cinema e tantos outros empreendimentos no mundo da comunicação). O acordo envolto em mistério (nenhuma empresa “joga fora seu dinheiro”, então teria de haver uma razão muito boa para tal investimento transnacional) rendeu à Globo respaldo para gastar muito acima do montante arrecadado nos primeiros anos de funcionamento (pelo menos é o que fica subentendido).

            Em segundo lugar, para ilustrar o principal do dossiê, que é a proximidade ilegal entre o Estado brasileiro e a Globo, cita-se Luiz Gonzaga do Nascimento e Silva, ao mesmo tempo ministro da Previdência no regime militar e advogado atuante em favor da entrada em voga do acordo Globo/Time-Life. Não será a última pessoa mencionada que tira proveito de seu posto público para efetuar concessões privadas.

Em terceiro, assim como a própria Time-Life é um conglomerado, um ajuntamento complexo de empresas razoavelmente divergentes entre si (mas interligadas), Roberto Marinho facilita seu caminho de conquista de poder por possuir desde bastante cedo várias empresas fora do âmbito da comunicação. Herz cita um mecanismo freqüente adotado com êxito pelo acionista majoritário da emissora Globo para alavancar os próprios negócios pessoais: uma simples informação falsa de reservas petrolíferas encontradas em território nacional é suficiente para inflar o valor das ações de empresas do ramo. Marinho possui uma distribuidora no setor. Ainda mais eficaz é o afago ao governo mediante a valorização das ações da Petrobras em um mercado puramente especulativo. Com um aliado tão forte, fica difícil parar a Globo. O Estado precisa de um veículo preparado, competitivo e expandido para construir sua imagem. Muito mais vantajoso se suas relações com o mesmo permanecerem subjacentes. Por sua vez, a Globo precisa dos três poderes ao seu lado para, sendo parte do Quarto Poder, afirmar-se como preponderante entre as mídias, fonte de influência e muito lucro, em um círculo virtuoso para os operadores do esquema (e vicioso para o povo). Como diz Herz no final do segundo capítulo, a revista alemã Der Spiegel, em matéria sobre Marinho e seu poderio midiático, conseguiu captar a essência do negócio: a Rede Globo engole o que consegue engolir. É uma fórmula simples.

 

A cronologia da manipulação – P. 51: “A legislação que regulamenta as concessões de rádio e televisão, vigentes há vinte e dois anos, atribuem ao presidente da República um poder absoluto. A outorga de concessões independe de pareceres técnicos ou qualquer outro tipo de avaliação relevante: é uma decisão pessoal da Presidência. No governo do general Figueiredo esse arbítrio foi levado ao extremo: foram feitas mais de 700 concessões de rádio e televisão, o que representa mais de 1/3 do total das emissoras existentes desde o surgimento da radiodifusão no Brasil. § Somente no período que vai do início do governo Figueiredo até maio de 1984 (cerca de dez meses antes do final do mandato) ‘foram outorgadas 295 rádios AM, 299 FMs e 40 emissoras de televisão. O que corresponde, respectivamente, a 23,5, a 56,3 e a 27,3% do total das emissoras existentes no país’ [FOLHA DE SÃO PAULO. Figueiredo fez 634 concessões de rádio e TV. São Paulo, 14 mar. 1985 p. 4]. Boa parte dessas concessões foi outorgada por motivos políticos e a empresários e parlamentares ligados ao governo.” Para quem desconhece a estruturação ainda semi-feudal (a concentração aguda de renda nas mãos de uns poucos marajás, enquanto a massa não dispõe de nada) da sociedade brasileira, o trecho assusta. Mas não é só. Vejamos mais parágrafos reveladores de Herz antes de prosseguirmos:



Escrito por wormsaiboty às 18:30
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P. 71: “Pelo poderio econômico que permite à Globo comportar-se como um poder autônomo e incontrolável, podemos dizer com convicção que o maior problema da radiodifusão brasileira é o monopólio dessa empresa. Não é o único problema, mas sem dúvida é o maior por ser a expressão mais gigantesca e acabada de um modelo comprometido com interesses antipopularess (sic) e antinacionais”. Em outros termos, a denúncia contra a Globo não é o ataque ao mal em sua essência ou a última das ofensivas necessárias. Ela é apenas a parte mais exposta de uma anomalia endêmica em território nacional: a expropriação do direito constitucional do ouvinte ou telespectador (cidadão) de exercer a democracia, o suposto regime em que se encontra ou encontrava, mesmo à época dos militares, oficialmente, que proibiam ostensivamente o emprego de termos fortes nos jornais e emissoras de rádio e TV que caracterizassem o regime.

P. 76: “O desenvolvimento dos meios de comunicação no Brasil, no início do século, seguiu a tendência predominante nas relações internacionais. Na medida em que a produção dos países industrializados excedia a demanda interna, os equipamentos iam sendo colocados à disposição do mercado mundial, especialmente dos países compelidos pela divisão internacional do trabalho a exportar produtos primários e importar produtos industrializados. A introdução da tecnologia de radiodifusão no Brasil, pela simples importação, corresponde a um momento de expansão do capitalismo monopolista no plano internacional. E corresponde, no plano interno, a um período de ascensão de uma burguesia industrial e comercial que disputava a hegemonia política com as oligarquias rurais ligadas à produção agrário-exportadora (...). Nos primórdios de seu desenvolvimento, predominou na radiodifusão brasileira seu caráter cultural, mantendo-se relativamente desvinculada do sistema produtivo, ao contrário do verificado nos Estados Unidos, onde as indústrias eletrônicas iniciaram operando as emissoras para estimular a venda de receptores. Nos Estados Unidos, a radiodifusão desde logo foi manipulada pela indústria e pelo comércio em geral, como instrumento de intervenção no mercado [DE FLEUR, Melvin L. Teorias de comunicação de massa, Rio de Janeiro, Zahar, p. 86-98].” Ver-se-ão mais detalhes do implante da TV no Brasil (pregressa a Roberto Marinho) mais abaixo, em subtítulo referente a outro livro utilizado na pesquisa. Fato é que, se se preocupavam mesmo com o lado comercial da radiodifusão, os militares demonstravam incrível despreparo, já que as faixas de transmissão eram vendidas a esmo (o termo “concedidas” ficaria melhor, mas “vender” não está necessariamente ligado ao capital: pode ser um escambo, a recompensa pela bajulação política) sem que se importassem com o respectivo número de ouvintes (antenas receptoras da freqüência), com estratégias direcionadas ao público, com a audiência, com os anunciantes e com a viabilidade (obtenção de lucro) das estações que nasciam a cada dia, com testas-de-ferro associados a políticos da situação. Para a nata brasileira, “a propaganda é a alma do negócio”, epígrafe levada às últimas conseqüências nos Estados Unidos, ainda era um jeito exótico de tratar o rádio e a tevê. Primordialmente, aliás, fala-se apenas do rádio nesta parte no livro, já que ele segue uma linha temporal rígida a partir do segundo capítulo.

Este, o rádio, ganha conotações políticas – em detrimento das exclusivamente culturológicas – no Estado Novo de Getúlio Vargas. Órgãos fiscalizadores como o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e programas estatais de cunho obrigatório em todas as faixas de transmissão são coerções fundamentais que inauguram o interesse das emissoras por veicular o tema da Política. Claro que, em princípio, cerceadas que eram as estações, só o governo falava. Até hoje o modelo implantado pelo presidente-ditador G. V. persiste, tendo mudado apenas seu nome: A Hora do Brasil passou a ser A Voz do Brasil.

Em 1931 foi aprovada a Lei da concessão de rádios: cabia ao presidente (chefe do Executivo) aprovar ou rejeitar a proposta sobre sua mesa. Claro que motivações ideológicas eram as únicas que tinham vez. Amigos ou parceiros políticos recebiam a outorga de funcionamento de seu sistema de transmissão. Adversários, por mais que detivessem um projeto competente e tecnicamente gabarito, nunca seriam licenciados. O critério era a legenda, os interesses partidários. Assim a comunicação de massa é guiada no Brasil, uma vez que os avanços na área se afiguram como pífios.

Quanto à única exceção possível, as rádios comunitárias, é utópico imaginar alguma, àquele período, funcionando no âmbito da legalidade. No Brasil o particular é público porque as faixas são do Estado. É uma estrutura defasada e dissonante da realidade, mesmo para a época do implante, bastando comparar-se nosso sistema com o ianque ou europeu.

Na década de 50, com os investimentos estrangeiros, surge a televisão no Brasil. Finalmente é o setor privado – ancorado no capital internacional – que dá as cartas. Como supracitado, voltaremos ao ponto mais tarde.

O presidente Juscelino Kubitscheck e suas promessas de desenvolvimentismo relâmpago (“50 anos em 5”) representa o início dos oligopólios. Sua administração é o embrião da Rede Globo. Em julho de 1957 se sucede a outorga do sinal de radiotransmissão da emissora de Roberto Pisani Marinho. Rapidamente, dentro de 4 anos, ocorre o pedido da abertura, pela Globo, de 25 subsidiárias pelo país, para que seu sinal chegasse ao lar de ainda mais brasileiros. Essa época coincide com a do princípio do consórcio desleal com a concorrência batizado de Globo/Time-Life, o epicentro das denúncias do livro de Herz. Com o poder de origem estrangeira da Globo, em concomitância com o dos militares (ambos cresciam juntos), pôde-se suprimir a pioneira TV Tupi, que resistiu longamente às dívidas que acumulou principalmente por conta do monopólio “global”, até o decreto governamental que a mandou fechar as portas. A essa altura o fundador da rede, Assis Chateaubriand, já não estava mais vivo.

            Foi fundamental o investimento dos militares na revolução telecomunicacional do quase intransponível território brasileiro para que a Globo tanto se expandisse. Em termos midiáticos (e tecnológicos, sem relação com a qualidade ou a veracidade das informações veiculadas), a ditadura foi uma época de ouro, que impulsionou as operações no ramo. E, sobretudo, as ações das Organizações Globo. Em 1969 elas já dispunham de uma rede de afiliadas, os tentáculos do grande polvo, o Frankenstein do Estado.

            Conforme já colocado, a utilização de testas-de-ferro era corriqueira na submissão de pedidos de concessão de faixas de transmissão ao governo federal. Pois Herz acusa Roberto Marinho, utilizando aspas de Almeida Filho, de ser um laranja do poderoso banqueiro (e que exercia, ao tempo, o cargo de ministro da Fazenda) Walther Moreira Salles, que por sua vez representaria o grupo de americanos acionistas da Time-Life, que por meio do monopólio da mídia brasileira logrou êxito na tarefa de controlar toda uma economia capitalista periférica, no caso a dos (até então assim denominados) Estados Unidos do Brasil.

            Na realidade é difícil definir um início para o acordo Time-Life/Globo. A data na qual ele passa a valer, ser oficial, é contradita algumas vezes pelo próprio livro. Para Herz, as cláusulas do(s) contrato(s) ganharam ares práticos em três momentos diferentes, segundo três trechos da investigação: em 1961, em junho de 62 ou logo à instauração do regime militar. Não obstante, é interessante observar que, se a defasagem entre a confecção dos contratos e seu cumprimento prático foi de um, dois ou três anos, pouco importa: a Rede Globo recebeu os dólares dos poderosos norte-americanos, ininterruptamente, religiosamente.

A Globo teria ferido várias disposições constitucionais nos dois contratos firmados (um chamado de Principal, o outro de Assistência Técnica). Não poderia haver controladores de mídia estrangeiros no país. Além disso, Roberto Marinho “fez escola” no quesito “abrir uma mídia de sucesso” (já tinha o jornal O Globo, herdado do pai, Irineu Marinho, e algumas estações radiodifusoras – e segundo consta passou a perna nos irmãos e mãe, menos incautos, ficando com uma cota maior de ações do que a que tinha realmente direito), através de cotações subfaturadas de dólar (obteve preços especiais – a compra de equipamentos para a emissora com descontos aproximados de 50%).

“Assistência Técnica” era uma camuflagem para um contrato de cunho, pelo contrário, administrativo e regulatório, que supervisionaria a obediência da Globo ao contrato nº 1 ou Principal. Nele, ocultavam-se diretrizes institucionais e normas publicitárias da empresa – da Time-Life, que subjugava, via parágrafos redigidos, a Rede Globo de Televisão. Até que ponto isso seria vantajoso para R. Marinho?

A conduta editorial de O Globo era um indício do que a TV Globo faria de modo muito mais espalhafatoso, continuamente, a partir dali: notório camaleão político, agia de acordo com o governo quando este se mostrava firme e via empréstimos à iniciativa privada com bons olhos, porém veiculava manchetes intempestivas quando as condições não se tornavam mais favoráveis e as relações dos três poderes com o quarto adquiriam volatilidade.

Em 1965 o Contrato de Arrendamento substituiu o Principal, investigado pelas autoridades como irregular. De acordo com este, a Globo se sujeitava ao absurdo de pagar aluguel por um prédio que era seu e que foi parar nas mãos da Time-Life, tudo isso a título de cobertura da nova fatia de lucros visada pela empresa anglo-saxônica, que se eleva de 30 para 45 por cento. O contrato ainda prevê a validade da sociedade – salvo vontade em contrário da própria Time-Life – por no mínimo 50 anos, o que compreende o período vigente na conclusão deste trabalho (setembro de 2007), visto que o documento foi firmado nos anos 60. Suscita-se então o questionamento: a Time-Life perdura como receptora de quase metade dos lucros da Rede Globo? O livro não permite a resposta da pergunta por pertencer aos anos oitenta.

Carlos Lacerda, governador do antigo estado da Guanabara de 1960 a 1965, foi a pedra no sapato de Marinho. João Calmon, dos Diários Associados não ficava atrás, embora fosse mais explicitamente um desafeto comercial da Globo (os Diários e Emissoras Associados de Assis Chateaubriand eram a maior rede de jornais, revistas, rádios e TVs e vinha continuamente perdendo espaço para o grupo Time-Life e sua sucursal no Brasil) e não um defensor do direito à informação não-manipuladora e do cumprimento do que está na Constituição. Ressalve-se que Calmon também presidia a ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), que como combatente das práticas monopolistas era uma voz solitária no Planalto. Quem intermediou mais fortemente na esfera federal para que o consórcio fosse punido foi mesmo Lacerda, usando de sua pesada influência e prestígio ainda no começo da ditadura para pressionar os militares. Sem seus apelos constantes, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso possivelmente não seria criada.

Herz dedica mais da metade de seu livro a colher depoimentos de todas as partes envolvidas na investigação, efetuados durante a CPI de 66 Globo/Time-Life. Apesar de ter atraído a atenção da mídia mundial por vários meses, quando a comissão se encerra com parecer favorável ao conglomerado Marinho o escândalo rapidamente se esfria. A Globo, desde o começo de sua operação, funcionou como uma catalisadora de múltiplas falências no mercado televisivo, pois contratava com dólares ilegais os melhores funcionários das emissoras rivais. As denúncias julgadas, aliás, não tinham fim. Como em uma novela sem uma trama central, as personagens da CPI iam lutando para resolver as novas intrigas já sem entender por que ou onde tudo começou. Não obstante, as maiores evidências não bastaram para as autoridades condenarem a prática. Claro, já que em realidade a incentivavam e dela precisavam para a sustentação do regime. Roberto Campos, ministro do Planejamento (que tinha um status próximo ao do ministro da Fazenda), intercedia a favor do capital estrangeiro o quanto podia, por isso os órgãos encarregados de vigiar a Globo saíam-se de modo tão incompetente. Ele participava de negócios na área dos impressos mantidos, outrossim, por norte-americanos (uma publicação de conteúdo e ideologia estrangeiros, além do investimento inicial por eles aplicado e de parte dos lucros a eles endereçada, porém integralmente em Língua Portuguesa – o cúmulo da ilegalidade constitucional e da manipulação maquiada).

Interessante observar também que o veredicto da CPI foi distorcido para que simulasse, de modo demagógico (o que os outros veículos queriam ouvir), a condenação da Rede Globo. Em 22/08/66 sai o relatório final – o relator curiosamente se chamava Djalma Marinho, mas não guardava parentesco com Roberto Marinho. Naquelas linhas, não fica tão patente assim o cenário vantajoso que a Globo passava a usufruir. R. Marinho, provavelmente a mando dos militares, ainda tentou “em vão” reverter a “decisão que considerava injusta”, para, no mundo real (e não no conto de fadas da CPI) ampliar ainda mais seu leque de vantagens. Os militares não podiam ceder tantos privilégios à Globo sem que isso soasse estranho, então acenaram com um “não”. Todo esse vaivém de solicitações e recusas não passou de desfaçatez.

Tanto é que Costa e Silva autorizou a continuação da operação do canal em franca expansão pelo país, após finos reajustes contratuais, simples de serem feitos (um reordenamento das palavras e expressões menos tácitas quanto ao controle estrangeiro do primeiro texto), juntamente à Time-Life, e a reformulação das leis que regulamentavam o setor e o protegiam da intervenção forasteira, uma vez que seus parágrafos não estariam clarividentes. Portanto, não é difícil concluir, admirando-se, pelo nível de falcatruas que atingiu sua implementação, que a Globo nunca chegou a ser retirada do ar. Jamais pesou sobre ela qualquer cassação sobre o direito de transmissão de imagens, nem o pedido de reformulação da grade. Tudo por conta, recapitula-se, do favorecimento promovido pelos militares, sem o qual o enxerto do império marinhista teria sido interrompido.

Em 1966, a contabilidade da emissora, definitivamente em paz com a Justiça no que se refere à legalidade ou não de sua conturbada abertura, já se mostrava estabilizada. Institutos de medição nos grandes centros apontavam a Globo como a nova líder no segmento. Desbancava as rivais retirando para si o que elas tinham de melhor, como já dito, o que catapultava a própria audiência e deixava rombos incríveis nos outros canais, que feneciam, combalidos, sem um parceiro internacional que lhes injetasse dividendos.



Escrito por wormsaiboty às 18:28
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Considerações finais – Dado esse imenso poder, não tardaria a haver uma declaração do tipo da que está inscrita no subtítulo de “A História Secreta da Rede Globo”, proferida por quem a proferiu e com a admissão do óbvio: “Sim, eu uso o poder”, declama Roberto Pisani Marinho. A fala é atribuída aos anos 90, quando Marinho utilizou, principalmente, o Jornal Nacional a favor ou contra os candidatos que julgava os mais ou menos aptos para serem eleitos. “Eu uso o poder” é uma ostentação tão sincera quanto desnecessária, porquanto são todos os cidadãos brasileiros os obrigados a lê-la.

A Lei da oferta de ondas de rádio para os “interessados” é ambígua e padece de filosofia. Há apenas mandos e desmandos sem metafísica ou teleologia, por vezes desconexo da realidade. Em outros termos, existe a Lei e ela deve ser cumprida, mas não se saberia explicar sua razão de ser ou a que fim se destina, nem haveria meios físicos de cumpri-la. Se investigado, o Código Brasileiro de Radiodifusão que vigorava na época de ouro da Rede Globo, datado de 62, evidencia que seu jeito dual de ser interessava tão-somente à autoridade, a encarregada de outorgar as concessões: ao mesmo tempo que em certo parágrafo determina que um indivíduo não pode estar à frente de mais de uma concessão, abre-se uma brecha, logo em seguida, possibilitando-se que uma emissora possua redes de afiliadas por todo o território. Significa que, quando quisesse, o governo cassaria as permissões de desafetos alegando que eles descumpriram a Lei. Quando desejasse, de outro modo, justificaria legalmente a posse de vários veículos na figura de uma só pessoa física, ou seja, de um só Cadastro de Pessoa Física (isso quando não se recorre à alternativa dos laranjas ou testas-de-ferro), no caso de ser um parceiro do regime. Um exemplo disso é Roberto Marinho, intocável diante de qualquer presidente militar. Vale lembrar, aqui, que o AI-5 dava ao chefe de Estado o poder de contradizer um juiz e ter seu ponto de vista validado, acima do bem e do mal como estava.

Em 1969 o governo concedeu, por meio da Embratel, transmissão via satélite de primeiríssima qualidade para gigantes como as Organizações Globo. Os serviços eram pagos, mas a verba publicitária dos anúncios do governo já cobria as despesas. Além disso, a Globo, como principal cliente da Embratel, era praticamente a abastecedora exclusiva da empresa, uma vez que Marinho era o dono das subsidiárias que forneciam os materiais comprados pela Embratel. É um elo vicioso que mostra como se enredavam os concessionários privados da radiodifusão e o próprio Estado. Exemplos dessa associação malvista pelo bom senso e espírito democrático são, como se vê, o que abunda pelo livro.

A Globo provocava falências em todos os setores da mídia, sem exceção. Não precisa ser computado O Globo para entender o fenômeno da crise dos jornais a partir da popularização da televisão no lar do brasileiro: a Publicidade passou a se concentrar no canal de Marinho, abandonando o barco da imprensa impressa. A Globo é como que um predador terrível que um cientista maluco (o governo) jogou dentro de um ecossistema para desestabilizar toda a cadeia alimentar da região.

Destaca-se o histórico discurso de Carlos Lacerda no plenário, durante a CPI do caso Globo-TL, em que condena veementemente o presidente Humberto Castelo Branco, um dos responsáveis pela impunidade dos veículos de mídia americanizados e da Globo, o maior deles. Lacerda lutava uma luta impossível o tempo todo. Castelo Branco não queria se desgastar resolvendo o problema e o transferiu estrategicamente para as mãos de Costa e Silva, à expiração de seu mandato.

Não se mencionou o banco que servia de intermediário entre os recursos provindos dos EUA e sua aplicação no estado da Guanabara até perto do desfecho do livro, apesar de a idéia que no último capítulo é exposta estar subentendida no decorrer da leitura. O governo fazia de conta que se tratava esta de uma repartição terceirizada e transparente. Na verdade o misterioso banco-intermediário era o Banco Central, o BC do Brasil. Dênio Nogueira, o presidente do órgão, ficou calado durante a Comissão Parlamentar de Inquérito para não levantar suspeitas. Obviamente, ele e outros possuíam alto grau de envolvimento com o capital estrangeiro, o que era, aliás, um dos pontos fundamentais da gestão militar que tinha por meta o desenvolvimento acelerado da economia brasileira (o que desencadeou, anos depois, a nomenclatura de “milagre econômico”) e, para tanto, a modernização imediata da infra-estrutura semi-arcaica de alguns pólos territoriais. No caso, Rio de Janeiro e São Paulo deveriam despontar ainda mais como cidades-potência, atrativas para o capital externo.

            Quatro presidentes militares (um no posto, três anos antes) receberam a visita de Roberto Marinho em fevereiro de 1965. Ouviram a minuciosa descrição do esquema Globo/Time-Life. Como carro-chefe, a proposta dos governos militares pretendia apresentar um “desenvolvimentismo conservador”, ancorado em economias como a dos Estados Unidos. Justifica-se, então, esse cuidado de Marinho como o mais acertado possível: a Globo abriria as portas dos investimentos advindos do exterior, ao mesmo tempo em que abria a porta dos fundos para comunicação direta com o governo dos militares. A área de comunicação era uma das que mais exigia a intervenção tecnológica primeiro-mundista. Tendo isso em mente, o encaixe das peças torna-se intuitivo.

Em 46 meses a Globo recebeu US$6.000.000 (seis milhões de dólares, em diversas prestações) da Time-Life Company, um dinheiro absurdo dada a necessária conversão da moeda para os valores inflacionários atuais e pelo fato de os negócios com a televisão no Brasil estarem só começando quando da idéia do consórcio. Foi um capital decisivo não só para a felicidade final dos Marinho mas para que a Globo girasse (funcionasse, operasse) em seu preâmbulo, até porque havia homens com cargos na empresa de Roberto Marinho remunerados pelos americanos encarregados de professorar a técnica que envolvia o “fazer televisão” para os nativos incipientes.

            Durante todo esse período de implantação (de um, dois ou até três anos, citado acima) a Globo não devolveu sequer uma nota à matriz, nem um por cento dos tantos previstos em contrato. Não estaria lucrando? Daniel Herz não deixa claro, mas ao começar um negócio como esse o normal é gastar muito, o que leva, de extremo a extremo, a arrecadações irrisórias ou prejuízos homéricos. A Globo estava salvaguardada pela Time-Life Company, de qualquer forma. Fácil de entendê-lo pelo trecho da página 195: “(...) Time-Life cedeu à Globo mais de trinta vezes o valor de seu capital”. O patrimônio da Time-Life era, além disso, outras trezentos e sessenta vezes maior que os dólares investidos na rede brasileira.

Hoje a Time-Life é a Time Warner, companhia que cede (a baixo custo) filmes de cinco estúdios americanos à Rede Globo. No princípio, aliás, a Globo recebia um pacote diário de três filmes, uma benesse sem precedentes, que desabava a concorrência. Nessa época os filmes da Warner não estavam no catálogo: atualmente a Time-Life é fundida com a Warner Bros. e possui um capital de várias dezenas de bilhões de dólares. A fusão recebeu ampla cobertura da mídia e, como não poderia deixar de ser, dos telejornais “globais”. A transação transcorreu no ano de 1989, mas seu impacto e o lançamento de ações na bolsa demoraram a ser mensurados, tamanha a dimensão das cifras envolvidas no negócio.



Escrito por wormsaiboty às 18:24
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2.2. Chatô – O antecessor de Marinho

 

O implante da TV no país foi caro e seu retorno não podia ser assegurado, por isso natural que se desse por meio da iniciativa privada (já que não havia ainda a ideologia desenvolvimentista entre os detentores do poder de então). Foi o magnata e jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o homem por trás dos Diários e Emissoras Associados, quem, já no final da década de 40, tramou a inauguração da quarta emissora de televisão do mundo, pioneira na América Latina, o que veio a acontecer na prática somente em 1950. Investimento inicial: 5 milhões de dólares, gastos com trinta toneladas de equipamentos. A compra foi efetuada nos Estados Unidos (país que, naturalmente, como carro-chefe do Capitalismo, foi o precursor também no ramo televisivo), frente à RCA Victor, uma gigante do mundo das telecomunicações.

Àquela altura, obviamente, os funcionários contratados para dirigir o primeiro canal brasileiro não tinham nenhuma experiência com televisão. No máximo algum histórico no pouco menos imaturo cinema nacional. Outros tantos foram contratados diretamente das rádios do grupo dos Diários. Ocupando a faixa de transmissão que veio a ser conhecida posteriormente como “canal 3” (PRF-3), a TV Tupi (primeiro em São Paulo, depois no Rio de Janeiro) principiava com inaugurações de locais chiques da cidade, a mando do dono, Chateaubriand, e shows de calouros. De acordo com os primeiros funcionários, seria “o mais subversivo meio de comunicação deste século [XX]”. A maior dificuldade era proporcionar aparelhos televisores à carente população. Pouquíssimos dias antes da estréia não havia nenhum em funcionamento no país e eles foram trazidos de contrabando dos EUA, com direito a uma entrega especial ao domicílio do Presidente da República em exercício, Gaspar Dutra (e até cujo palácio não chegavam os sinais da transmissão no primeiro ano de funcionamento). Assis Chateaubriand era um homem influente e não tinha medo de presentear o chefe de Estado com uma TV pirateada.

A grade de programação era de 4 horas diárias (um período considerado grande, pois só eram possíveis transmissões ao vivo, dada a ausência do revolucionário videotape) e sem dúvida se voltava para as elites. Não havia estratégia mercadológica bem-feita que justificasse outra postura, porquanto a TV só virou uma realidade ubíqua brasileira após a ditadura militar (é só reler, no princípio do Desenvolvimento, como a Globo tentava e freqüentemente lograva êxito em manipular os fatos políticos mais importantes que definiriam o futuro do brasileiro, de qualquer classe social), sendo possuída por poucos nos primeiros tempos. A onda de programas nivelados por baixo com propostas vulgares visando ao atingimento das classes populares, portanto, estava longe de se tornar a regra. Muito pelo contrário: a TV Tupi se consagrou como expoente dos primeiros grandes jornalistas dos meios audiovisuais através de telejornais premiados internacionalmente como o Repórter Esso (era usual que se utilizasse o nome do patrocinador do programa no título do próprio. Não obstante a “ousadia”, até onde se sabe tal medida não influenciava a pauta das edições, como hoje seria inevitável pensar).



Escrito por wormsaiboty às 18:23
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2.3. Bordieu e a macro-teoria da televisão

 

Sobre a Televisão, um seminário na própria televisão francesa, de duas horas de duração e sem intervalos comerciais, com liberdade de criação, transformado postumamente em livro, faz a denúncia da televisão como um meio de comunicação de massa que não cumpre seus desígnios democráticos. A televisão é um perigo para as Artes, Ciência, Literatura e o pensamento. Bordieu chama a rápida digestão que se tem de fazer das notícias na telinha de “fast food cultural”. A mídia até ensaia provocar guerras, mais do que simples mal-entendidos! Bordieu dá o exemplo da situação de uma ilha cuja soberania não estava bem-resolvida: por causa dos telejornais, quase Grécia e Turquia iniciam um conflito bélico. Em suma, essa mídia de alcance global seria a sede do recalque, das “paixões primárias” do homem. E os jornalistas, sem os quais os telejornais não existiriam, são Narcisos. Apóiam-se sobre o baluarte da Ética e da Verdade, mas se contentam com o serviço mal-feito, fazem escárnio do telespectador.

 

O estúdio e seus bastidores – Por que, e como, falar na televisão que a televisão não presta? A Bordieu foi concedido um cenário especial, talvez irrepetível. Pierre Bordieu fala do intelectual que aceita o convite para aparecer na TV e no entanto nada irá dizer. Implicitamente, o convite é a solicitação de “comportar-se”. O intelectual sabe que será tolhido, e ainda assim aparece. A TV é um palco para o mundo, um mero interposto estético rumo à realização máxima do ego do indivíduo: ser, exibir-se, atrair as atenções, quem sabe concentrar uma ilusão de poder.

            Principais restrições da telinha: o tema é imposto (ipsis literis) e o tempo para articular raciocínios, se é que isso existe, é pífio, totalmente regulado. Jornalistas e demais funcionários da rede são ao mesmo tempo manipulados e manipuladores. Aqui podemos contextualizar a afirmação do sociólogo francês à realidade brasileira, com Bonner e Bernardes à frente do JN, a dupla que além de apresentar, dirige, decide o que será veiculado. Ao mesmo tempo que Bonner considera o receptor-médio um “Homer Simpson” (sem muita, ou nenhuma, capacidade de reflexão), ele não passa de uma marionete marinhista. Pratica-se, assim, uma violência simbólica, não menos grave que a física. É neste campo que entra a Sociologia como ferramenta de auxílio, já que é ela a ciência que vai revelar esse tipo de coerção tácita. P. B. dá nome aos bois: para ele, o praticado pelos jornais televisivos mainstream seriam as informações omnibus: fugazes, universais, porém desprovidas de qualquer função. “E se minutos tão preciosos são empregados para dizer coisas tão fúteis, é que essas coisas tão fúteis são de fato muito importantes na medida em que ocultam coisas preciosas”, cita.

            A TV forma razoáveis parcelas do povo. Esse formador alija o cidadão de refletir e de exercer sua democracia. Os “óculos da profissão” são outro conceito cunhado pelo autor, logo em seguida ao das omnibus news: lentes que enxergam até certa distância e que produzem efeitos exclusivos. Uma clara metáfora para o zeitgeist (do alemão, “o espírito do tempo”) conjugado com a formação de 3º grau da classe em questão. Significa dizer que os jornalistas possuem lentes diferentes das dos sociólogos, e estes das dos médicos, enquanto os engenheiros usam óculos alternativos aos de qualquer profissional divergente... Strictu senso, o jornalista está condenado a observar o subúrbio com tendências espetacularizantes. Há a paranóia do furo. O que importa num presídio? Suas rebeliões. Outras pautas sobre ele serão no máximo frias, e raramente sem alguma ocorrência extrema inclusa (“edipianidades”).

            Ao se interessar pelo idiossincraticamente extraordinário, os jornalistas se esquecem de que a mesma notícia pode ser banal para outrem e que ele mesmo pode deixar escapar algo realmente extraordinário a muitas pessoas, que para ele é supérfluo. O telejornal, diário, quer sempre chocar (níveis de audiência). Quer mostrar aquilo que “não acontece todo dia”, todos os dias! Logo, é necessário dramatizar para obter os resultados visados. O modelo do Jornalismo é auto-esgotável, pois o objetivo da “diferenciação em relação à concorrência” é perseguido por todos, o que redunda na constatação de que todos fazem a mesma coisa e não se diferenciam. Em qualquer telejornal poderíamos dizer que há um sufocamento completo de qualquer boa intenção: o binômio censura estatal mais censura interna (auto-censura) se encarrega de obliterar o interesse público. Quanto à Globo, como ela se confunde com a extensão do Estado, não é possível separar auto-censura e censura estatal.

            Se todos os jornalistas (via de regra, mas não todos – porém, é essa preponderância que determina como se configura o Quarto Poder) buscam o sensacionalismo, é somente o da televisão que obtém o retorno mais incrível: além de atingir mais gente, convence mais, porquanto a imagem, o virtual que se faz passar por real, é como que a encarnação da verdade para a audiência. Como poderia uma imagem mentir? Ironicamente, os jornalistas mataram os jornais.

            Ademais, para Bordieu os debates políticos na televisão são todos mentirosos, porque os políticos de partidos antagônicos são amigos de bastidores. Já o mediador é o Senhor Cronos, pois tem o tempo a seu favor na condução da discussão. Ele cerceia os métodos mais eloqüentes e intrincados com que os participantes se exibem, de modo a nivelar a conversa por baixo, tornar as idéias mais automáticas e banais, para o grande público.

            Bordieu faz um paralelo com o parto das idéias de Sócrates: o mediador é uma farsa, não executa seu trabalho! Um operário, ao microfone, por um ou dois minutos cronometrados, não terá, a priori, a habilidade que um grande escritor tem na síntese de seu discurso. Havendo desigualdade, a finalidade prática do debate televisionado é desancada. Mas o mais perigoso é o que não se deixa ver: aqueles que jamais seriam convidados, e aquilo que um convidado jamais falaria. Bordieu relata que passou pelo constrangimento de receber perguntas para as quais sua resposta tinha de ser outra, porque a inabilidade ou engessamento do mediador não permitiam a fluidez necessária aos pensamentos.

 

A estrutura invisível e seus efeitos – Vale salientar que explicar as instituições, sobretudo os MCM (meios de comunicação de massa), pelo seu dono é errôneo, um discurso vazio ou senão simplista. Não se compreende uma emissora de TV por se saber quem a detém (o que se aplica a dizer que não se conhece a Globo por se ter escamoteado a trajetória de Roberto Marinho. Esta é uma pequena ressalva que faço às conclusões apresentadas no trabalho. Devo considerar, no entanto, que as evidências do monopólio criminoso praticado pela empresa já foram suficientes em Daniel Herz).

            A explicação do coercitivo que é o estúdio de televisão reside, em parte, no afinco do jornalista em seu mercado. A concorrência intra e inter-empresarial entre os homens que compõem as redações é que define, em última instância, todo o poderio econômico das grandes redes. E os jornalistas não são cotistas. Poucos são empresários. Logo, não é, aparentemente, a necessidade financeira o que mais os move (eles têm renda fixa ou por produtividade, nunca a participação nos lucros), mas o ego, o Narciso de cada profissional, a vontade de ser e estar bem-relacionado. A essência humana está na base da espetacularização e banalização televisivas.

            Portanto, as notícias omnibus, anti-atritosas, são inerentes à condição humana e independem do exercício do poderio econômico por parte do “chefe”, até porque esse fenômeno acomete todos os telejornais dos canais ditos “abertos” do Brasil. Mudar, então, seria doloroso e desgastante além-limites. Seriam, para os pioneiros, mais graves, o prejuízo e a decorrente inviabilização (da forma “cabeça” de executar um telejornal), pois com canais rivais atuando na antiga fórmula os índices de audiência atingiriam patamares ridículos.

            A questão não é “fazer a TV voltar a ser o que era”, mas reinventá-la, do começo. Para Bordieu, em um paralelo entre a TV nos anos 50 e nos anos 90, mesmo que antes a programação não fosse orientada para as informações omnibus, nunca houve o proveito da mídia em seu potencial democrático, já que se passou do elitismo à demagogia burlesca. Mas os encadeamentos de Bordieu para explicar os mecanismos tácitos que tornam a TV pateta do jeito que ela é ainda não findaram. Há algo para além da aparência coercitiva do estúdio e da competição ególatra dos jornalistas. A “manipulação”, a “acobertagem do bom”, a “fragmentação cultural” propiciadas pela tevê são inconscientes, involuntárias. Isso porque são conseqüências econômicas, ou seja, inerentes à organização em sociedade. Neste aspecto Pierre Bordieu assente com Karl Marx e sua famosa “superestrutura dos modos de produção”. Repete-se: não são o Cidadão Kane ou seu supra-sumo Roberto Marinho, unicamente, que mandam e desmandam no cenário da televisão mundial ou brasileira. R. M. deve ser entendido como um elétron num campo: de onde vem sua força e seu capital? Do passado colonialista, seria a resposta mais direta.

            Pierre Bordieu tem consciência da própria utopicidade, ao afirmar:       o Capitalismo, um sinônimo para “concorrência” ou “disputa”, gera o sentido de urgência, a necessidade do furo jornalístico. O furo é não-raro o responsável por erros de cobertura. Do momento em que todos os MCM sabem dessa rede de determinações, seria saudável que selassem um pacto para minorar os efeitos nefastos do instinto de competição: se ninguém perseguir o furo irrefletido, a situação melhora.

Aqui se encerram os limites do trabalho, mas não os esforços “globais” para a estabilidade máxima nos futuros negócios. Os Marinho estão sempre em busca da posição perfeita na balança, da posição mais favorável no jogo do poder.



Escrito por wormsaiboty às 18:20
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3. CONCLUSÃO

 

            À época era difícil saber, para Roberto Marinho, se seria um bom negócio. Tanto pela dificuldade em esconder que o capital estaria atrelado ao capitalismo internacional quanto pelas poucas perspectivas de autonomia para veicular produções e idéias próprias, característica patente no contrato. Além disso, os lucros seriam cortados a menos da metade após as remessas ao estrangeiro. Já foi comentado que a empresa de Marinho se tornou velozmente um elefante entre os veículos de imprensa. Mas não estaria Marinho inaugurando um elefante branco, ou seja, uma filial passiva de empresa supranacional sem confirmação rápida de ganhos materiais, prestígio ou poder? Afinal, Marinho já possuía um dos maiores jornais do Rio de Janeiro (e de circulação nacional), detinha riquezas, influência e respeito mesmo diante das maiores autoridades e um histórico familiar igualmente pomposo. Um homem de negócios nato sente o cheiro bom dos empreendimentos que valem a pena e arrisca sua carreira. Roberto Marinho não falhou.

            Na decisão final do CONTEL (Conselho Brasileiro de Telecomunicações) a punição para a Globo é aliviada, senão totalmente suprimida, segundo o autor do livro-base do trabalho, Daniel Herz. Tendo apurado irregularidades e práticas anti-constitucionais na associação Globo/Time-Life, deveria caber ao órgão, no tempo da decisão, em abril de 1966, exigir a cassação das faixas de transmissão “globais”. Houve complacência do Estado militar, uma vez que a única exigência foi a modificação do contrato em um prazo de três meses, o que de modo algum garantiria o fim do envolvimento americano na programação e na linha de conduta da emissora carioca. O governo vislumbra uma excelente oportunidade, um exuberante meio de comunicação, onde poderia, sub-repticiamente, construir-se uma boa imagem, daí não ser estranho o favorecimento, contra todas as provas apresentadas em condenação a Roberto Marinho, do emergente canal de televisão, que a todo momento pedia novas concessões de espaços de ondas em outros estados da federação. Formou-se, nas entrelinhas, um convênio Globo/Time-Life/Estado, uma simbiose perfeita.

            Está minimamente explicado no trabalho o processo de formação do oligopólio global, um oásis em meio a empresas à beira da asfixia mercadológica, o usual no Terceiro Mundo. Tal configuração (um gigante e vários pequenos) é típica de um Estado que exige muitos encargos e preenche o setor de entraves burocráticos e que ao mesmo tempo não devolve aos que com eles sofrem a segurança e a prestação de serviços adequada. Pior: o panorama brasileiro é decorrência de um Estado comprometido com práticas derivadas diretamente do período colonial. Da autoridade que só serve às elites, um Robin Hood às avessas, reprisando o sistema dos latifúndios e seus senhores.

            A esse papel, de tomada de consciência, julgo que se comprometa Herz. Detalhes da convivência da Globo com o regime militar – retribuição de favores mais do que esperada para quem conhece a proto-história do país e desses dois lados aqui citados – são encontrados em outras obras da bibliografia utilizada, todavia Herz foi o autor mais consultado e espelhado.

            Desde que apareceu, a Globo é a dona da melhor imagem e do melhor som. Em uma estação de televisão, esses dois são atributos essenciais para angariar público e obter postos de liderança. Com o investimento Time-Life, pôde-se produzir os próprios espetáculos, filmes, novelas. A Globo e as produções dos estúdios do Projac viraram sinônimo de excelência no setor. Assim como o JN e sua vinheta, as novelas noturnas da rede passaram ao status de ícones da contemporaneidade verde-e-amarela e até das comunidades latinas residentes fora do país. Há quarenta anos o plim-plim é do inconsciente coletivo.

            A ética nos mass media se afigura mais como blague. O oligopólio Marinho, sufocante em nível nacional, é o reflexo do subdesenvolvimentismo brasileiro, da herança da colonização, do autoritarismo português, que na verdade se confundia com o próprio paternalismo luso. Essa característica dual explica a postura do Estado, opressor da população e benfazejo com uma empresa do terceiro setor que acabou ficando mais gigante do que seria possível se as leis do mercado fossem respeitadas ou se não houvesse uma intervenção tão poderosa no jogo da competição capitalista (a “mão visível”, diria Adam Smith). A história do Rádio no país se confunde com “concessão política de faixa de transmissão”.

O domínio da Globo gera também uma reação em cadeia no terceiro setor inteiro do país (ou, dir-se-ia, de mais do que isso, uma vez que as grandes empresas costumam ser multinacionais), pois inviabiliza a veiculação de propagandas de pequenas e médias empresas em sua grade de programação, uma vez que o preço do espaço publicitário da emissora cresceu acima da inflação e da capacidade de qualquer empresa que não seja líder de setor e não possua nacos significativos do mercado. Disso resulta que o panorama se agrava cada vez mais. Há uma polarização entre os exíguos proprietários na bonança completa e os micro-empresários que sofrem para tocar adiante seus negócios.

Esse efeito em cascata, panorama nefasto e indesejável para um mercado sadio (um Capitalismo funcional é competitivo, sem vantagens e desvantagens a priori para um dos concorrentes), só tem chance de acabar com a promessa das novas tecnologias. Faz-se um desfecho otimista, porém não porque se quer, mas realmente porque com o advento de recursos digitais e a terceira revolução tecnológica a pleno vapor os custos de produção e transmissão caem vertiginosamente, o que pode permitir uma revanche das pequenas e médias empresas. Não é inteligente concluir que, se o Estado se puser novamente contra estes, o barateamento de equipamentos e novas possibilidades estéticas vão ser sozinhos os responsáveis pela inversão do domínio da Globo (e das outras gigantes do ramo, Record e SBT, “mini-Globos”) entre os mass media tupiniquins. O país já mudou desde a reabertura democrática. As instituições estão mais fortes. Falta valer seu peso para que a competição sadia se cumpra. Os próximos anos serão fundamentais para a comunicação da República Federativa do Brasil, da América Latina e mesmo do mundo. Bons veículos de comunicação, ou um mercado não-dominado por apenas uma força, possuem mais condições de reestruturar os índices de uma nação subdesenvolvida, desde o nível educacional até as opções culturais na cidade, passando pelo interesse e engajamento político e a promoção de valores éticos e de cidadania.

 

Bordieu – Discordo da visão bordieuana no tocante à apropriação de todas as vias culturais e possibilidades de fatos (notícias) pela televisão. A revolução chamada Internet possibilita ao “usuário comum” a produção de conteúdo, a despeito, obviamente, de o alcance televisivo continuar incomparável: maior contingente simultaneamente observando uma hiper-realidade, impossível. Porém, não me estenderei mais do que estas cinco linhas sobre a world wide web por escapar dos paradigmas do trabalho.

Sobre o parágrafo da “utopicidade” de Bordieu, em que o sociólogo propõe um pacto entre os meios de comunicação de massa, entendo que o ser humano precisa da vertente marrom ou sensacionalista, como meio catártico de subsistência na cidade grande. O que deve haver é mais jornais sérios do que há atualmente, para equilibrar a balança, com os de pastiche do outro lado. É exuberante o esforço teórico humano objetivando a superação do cinismo, da amoralidade destes tempos, mesmo sabendo o estudioso tratar-se de uma tarefa impossível. Chega a ser comovente, a máquina-homem, chegar ao ponto paradoxal (e todos os pontos o são) de traçar-se metas de regozijo pleno para todos (e veja-se que isso nunca existiu sequer para um!), muito embora depois de tanto tentar, retrospectivamente, tenha constatado que a natureza, a existência, o mundo físico, nós, a sociedade, os indivíduos, sofremos de limitações inexoráveis.

Veja bem: se veicular cultura e não manipular o povo fosse, do mesmo modo, fazer de Marinho rico ele não teria hesitado! Assim como qualquer um de nós, em seu posto, seria o mesmo homem que contou com a ajuda dos militares para implantar ilegalmente um verdadeiro império no país. Sociologicamente, dizer que Marinho é um subproduto do colonialismo é apenas isso: mostrar que os seres humanos não têm uma essência pré-definida, que estão desligados das forças sociais. São estas que nos produzem (não que estejamos selados a um destino – o próprio conceito de habitus de Bordieu nos rende essa desejosa flexibilidade). Não é desresponsabilizar Marinho, que deveria ter sido sancionado de alguma forma em vida, sem embargo é compreender estruturalmente o problema.



Escrito por wormsaiboty às 18:10
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4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

HERZ, Daniel. A História Secreta da Rede Globo. 2ª ed. Porto Alegre: Tchê Editora, 1987.

POLISTCHUK, TRINTA, Ilana e Aluízio Ramos. Teorias da Comunicação. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003.

BORDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Tradução de Maria Lúcia Machado – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

MORAIS, Fernando. Chatô – O Rei do Brasil. A Vida de Assis Chateaubriand, um dos brasileiros mais poderosos do século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

PATERNOSTRO, Vera Íris. O Texto na TV: Manual de Telejornalismo. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1999.

BUCCI, Eugênio. A TV aos 50: Criticando a televisão brasileira no seu cinqüentenário. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.

JORNAL NACIONAL. Programa exibido em 15/03/1994 (arquivo em http://www.youtube.com)

BRASIL: MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE (documentário produzido pelo Channel Four da Inglaterra em 1993 sobre Roberto Marinho e seu legado – a versão original se chama Brazil: Beyond Citizen Kane)

 

5. ANEXO A

 

Transcrição do direito de resposta de Leonel Brizola na voz de Cid Moreira:

 

“Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.

Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.

 

Leonel de Moura Brizola”



Escrito por wormsaiboty às 18:08
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MÁ QUALIDADE NO ENSINO PÚBLICO BRASILEIRO (E PARTICULARMENTE NO DF)

É incontestável o teor da matéria publicada pelos senhores. Na sociedade auto-proclamada moderna e laicizada o “brilhante” governo deveria se preocupar não com cem, dez ou dois (o outro seria a Saúde), mas essencialmente com um pilar de sustentação a perpétuo prazo da nação: a educação de alto nível. Não é o que se vê desde a primeira série do Ensino Fundamental até a terceira do Médio, nem mesmo no pretensamente revolucionário governo de esquerda em plena era da Globalização.

 

Conforme mostrado em artigo da semana passada nesse semanário, a situação é crítica e, pensando-se com bom senso no problema, sempre ficará como está: os políticos precisam de eleitores ignorantes para abrirem seu leque de votos.

 

Com palhaçadas como a Reforma Universitária (Reuni) eles tentam fazer um prédio deixar de ruir pelo conserto de seu topo, e não da base já toda trincada. O grande mal está lá no princípio: professores que não correspondem ao título de licenciatura que lhes foi concedido (dão aula de outra disciplina), calendário risível cheio de feriados, conteúdo programático defasado em relação aos principais vestibulares, excesso de trabalhos e poucas provas, exames na maioria das vezes objetivos – jamais discursivos –, diretoria que não respeita os alunos e crê que a máquina burocrática do aprendizado tem de ser a mesma de antigamente e sobretudo um sistema sem fiscalização do emprego dos recursos, inscrito no modelo “de cima para baixo”, em que a liberação das verbas é deficitária, acarretando, em última instância, em salas de aula antiquadas, imundas e odiadas pelo estudante. O foco da educação não deveria ser a sala de aula? Pois bem: inverte-se o caso, de modo que o cafezinho dos funcionários esteja sempre quentinho.

 

Que pai, senhores, em sã consciência, colocará o filho no ensino da Fundação quando tem dinheiro para fazer o contrário? É ainda mais lastimável que a capital, com acesso direto aos recursos federais e com uma maior obrigação de ser exemplo, viva o mesmo dilema que qualquer cidadezinha do interior. Pais, aposentai mais cedo para que podeis dar um complemento aos fracos estudos de vossos filhos! Tête-a-tête: a solução emergencial! Embora quem tenha tido buracos em sua formação não vá deixar de perpetuá-los...

 

Rafael Aguiar,

Brasília-DF

 

(exercício de “carta argumentativa”. Não disponho do texto-fonte dos argumentos)



Escrito por wormsaiboty às 16:20
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A SÁTIRA DAS SÁTIRAS

“Macunaíma” é uma película datada da década de 60 que sintetiza com perfeição a vertente antropofágica do modernismo tupi. Cenas de sexo (implícito), trechos em que o homem caçava o outro a fim de provar de sua carne, etc.

 

O título é o nome do protagonista, negro nascido em aldeia de costumes estranhos e cujos índios podiam até mesmo ser nórdicos. Sem dúvida é um jeito irreverente de retratar a miscigenação canarinho.

 

Joaquim Pedro, diretor, conseguiu transpor para a telona o exato conteúdo da obra literária de Mário de Andrade, apesar das irreconciliáveis diferenças da linguagem audiovisual em relação à linguagem puramente verbal, apenas reinventando o humor para que ficasse nos moldes do novo formato. Qualidade, deve-se dizer, não foi subtraída do livro ao filme.

 

  "Aí, que preguiça!"

 

Depois de várias estripulias “no mato” (quando já “nasce adulto” e se envolve com uma mulher), presenciando a morte da mãe, ele e alguns comparsas (e que atuações memoráveis, aliás!) decidem fazer uma peregrinação até a cidade. No caminho, Macunaíma bebe de uma água que o faz “embranquecer”, tornando-se às vistas de terceiros um príncipe.

 

Em meio urbano o coitado só se faz meter em confusões, mas acaba sobressaindo sobre todos os outros sujeitos envolvidos, quando não por trapaça, por sorte (Macunaíma é a personagem preguiçosa e malandra característica do “jeitinho brasileiro”). Chega a ter trabalho, casa e filho, no entanto termina só, chupando caju e comendo formiga.

 

O longa é um misto de crítica à sociedade vigente e mero humor bonachão, aquele pelo qual o brasileiro julga valer o preço de uma sessão.



Escrito por wormsaiboty às 15:31
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Nintendo 64

Bomberman Hero



FICHA TÉCNICA
Developer: Hudson Soft
Publisher: Nintendo
Estilo: Ação / Plataforma
Data de lançamento: 31/08/98



NOTA
7.2

"Mais uma vez Bomberman é protagonista de uma aventura intergaláctica, com a diferença de que pode pular!"

Vamos ser francos: entre 96 e 99 a Hudson Soft exagerou nos jogos Bomberman para Nintendo 64 e também outras plataformas: foram três para o console da Nintendo e mais três para Saturn e PlayStation juntos, uma média de 1 e meio por ano. Este aqui foi o segundo do N64 (e o quarto no geral) e, felizmente, o melhor deles. Mas bem que poderia ter sido mais cuidadosamente elaborado. Talvez o problema não fosse a falta de capacidade dos produtores, mas o tempo!


Screen da divertida introdução

REFERÊNCIAS

Chegando pouco tempo depois de Bomberman 64, nunca nosso herói disparador de bombas foi tão "platafórmico", pois jamais anteriormente havia arriscado dar um pulo! Sua tarefa, inicialmente curta e grossa, a de resgatar a Princesa Millian das garras de Nitros indo a Primus Star, planeta vizinho ao mundo natal de Bomberman, vai se prolongando indefinidamente, uma vez que o gamer descobre novas nuances, incluindo Nitros, o vilão mais persistente da série, sempre querendo uma revanche após outra sova. No meio do caminho, ajudas carismáticas como a do robô pessoal da princesa, Pibot, e o monstrinho verde que serve de garupa no penúltimo planeta (praticamente uma cópia do Yoshi (Mario Bros.), que dá wall-kicks incríveis). São 5 corpos celestes no “sistema Bomber” aguardando a exploração, incluindo a base do inimigo e cenários de gelo e de fogo. Mas... é só isso, não é? Minha boca é um túmulo!

O protagonista faz mais do que simplesmente saltar, fabricar e arremessar suas bombas. Pode ser ruim para super-fãs do velho homem-bomba de SNES, porém o fato é que para a maioria há mais vantagens do que contras. Você pode usar vários veículos em fases especiais, tais quais o Bomber Jet, na água; o Bomber Slider, na neve; o Bomber Marine, de novo em meio sub-aquático (há diferenças na velocidade e na forma de ataque); e o Bomber Copter, para explorações aéreas. Fora o mencionado amiguinho "dinossauro-canguru alviverde" disposto a ajudá-lo no em Mazone, Louie (para falar a verdade, ignoramos o sexo da criatura), que mata os adversários pulando sobre suas cabeças (algo inimaginável para antigos idólatras da franquia Bomberman!). Mudanças não se atêm ao fator gameplay: inexiste modo multiplayer. Como assim? Tá com febre, Hudson Soft? Não é possível! A marca registrada da companhia... Se bem que Hero tem tantas fases que não deve ter sobrado espaço no cartucho. E, ademais, como já existe a versão 64 para isso (foi um título com um modo 1P fraquíssimo e com modalidade multi-jogadores caprichada), espera-se que o gamer aceite a baixa de bom grado. Este é um Bomberman “mariozado”, num 3D nem-tão-3D-assim e cheio de elementos plataforma, assemelhando-se em certo grau a Crash Bandicoot e suas aparições no PlayStation.


Bomber Copter, um dos veículos especiais do herói multi-funções: grande sacada!

SISTEMA DE JOGO

Vamos falar da tarefa usual do nosso querido retratado: jogar bombas. Bomber não deixa meramente uma bomba no chão como antes, a não ser que você mesmo queira. O controlador pode mirar a distância do seu arremesso e a altura, lançando com mãos ou pés e, inclusive, arremessar até quatro delas simultaneamente. A projeção do explosivo também dependerá em grande parte da velocidade e do direcionamento do herói no momento escolhido para soltá-los. Aumentar o poder de fogo das bombas é viável, como de praxe. Foi-se além: há até variações da bomba de fogo comum, como aquela acionada por controle remoto, a congelante (usada no mundo 4 com inimigos durões que, como não morrem, devem ao menos servir como plataformas improvisadas) e a de sal (também achada exclusivamente penúltimo mundo, para enfrentar as gosmentas lesmas).

Os itens especiais (power-ups) inovam bastante, sem embargo podemos rever tradições da série Bomberman do Super Famicom como a luva para explodir inimigos de longe, o colete e outros. Há corações (restauram um slot de energia), vidas extras (morrer Game Over significa perder todas as habilidades – poder de fogo e número de bombas para jogar num curto espaço de tempo, sem contar a técnica de segurar o B –, mas pelo menos você continua da fase atual), atravessador de paredes e por aí vai.


Fase da prisão no terceiro planeta: use a cabeça para sair da cela e, depois, cuidado com as intrusas nos jardins!

Escrito por wormsaiboty às 04:49
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ASPECTOS TÉCNICOS

Visualmente, gráficos fofos. Lançado em 1998, o game foi sombreado por sucessos imortalizados como Banjo-Kazooie e Zelda, no entanto os polígonos de Hero não são de se jogar fora. Há, inclusive, inúmeras animações entre as fases e muitos inimigos peculiares, concretizados com solidez (você não transpassa por eles como poderia acontecer em jogos de primeira geração, entre eles Mario 64). As explosões, então, são um show à parte! Como se não bastasse, as expressões faciais do menino-bomba, sozinhas, bastam para fisgar legiões.

Musicalmente, BH tem uma trilha feita de “restos” de Saturn Bomberman, geralmente misturas de techno e drum n' bass, ou seja, ambientada numa atmosfera fantástica futurista. Especialmente nos últimos níveis as faixas são capazes de empolgar os mais variados juízos estéticos. Os efeitos sonoros apresentam o que Bomberman mais tem a oferecer: boom’s. A novidade fica por conta dos gritinhos do boneco, tanto na execução de pulos quanto ao sofrer dano e ao passar de fase, quando pronuncia frases inteiras (a inspiração em Super Mario na sua versão N64 fica ainda mais evidente aqui).


Bomber-bolha – são “n” power-ups até o fim da saga!

Os ângulos de câmera surgem como o ponto fraco do título, opondo-se, curiosamente, ao antecessor Bomberman 64, por não serem “redondos” (totalmente rotacionáveis, ou seja, 360º), o que trava bastante a jogabilidade. Na verdade, quase que os botões C-esquerda, C-cima e C-direita são inúteis porque só mudam um pouco da visão e durante poucos segundos. É irritante errar pulos e morrer bobamente porque a câmera (e não as dificuldades da fase em si ou a imperícia do gamer) atrapalhou. Bomberman Hero apresenta, ainda, slowdowns que não depõem a seu favor. São comprometedores principalmente em circunstâncias como ter a possibilidade de lançar quatro bombas e não parar de dispará-las, principalmente nas fases com veículos embaixo d’água, permeadas de inimigos.

SOBREVIDA

A inteligência artificial dos oponentes não costuma ser muito alta. Vários dos meliantes são apenas chatos, entretanto sobrevêm com padrões de ataque facilmente combatíveis. Para os chefes, a mesma coisa: é fácil chegar a uma “estratégia perfeita”, não precisa ser nenhum gênio! A diferença entre eles e os rivais das fases normais é que são mais resistentes. Para chegar ao fim, portanto, não haverá problema substancial. Recomenda-se, a esse tipo de explorador superficial, a não-aquisição da fita. Se possível, tenha-a por um tempo para conhecê-la melhor.

Já para os que gostam de detonar tudo em um jogo, BH é um prato cheio. Se conseguir todos os itens e matar todos os inimigos, sem exceção, em cada fase, algo bem interessante irá acontecer. Pode-se adiantar que as opções destravadas são suficientes para segurar o jogador na poltrona por mais um punhado de horas. O título inclui dois finais, então busque o segundo incessantemente! A recompensa virá na forma de mini-games inusitados... Acho que já falei demais. Só mais uma coisa: derrotar os chefões é simples, todavia será necessário superá-los em uma margem de tempo apertada caso o jogador queira habilitar as opções secretas e fazer os 5 pontos máximos na fase. Bombas às obras!

Dica: para aumentar um slot na barra de life (que começa com 4 e pode chegar a 8), basta colecionar 200 cristais azuis. Mas atenção: essa quantia não é carregada após o console ser desligado, apesar de a fita possuir bateria interna para salvar seu progresso. É bastante recomendável que Bomberman enfrente os chefes da bateria final de desafios com um medidor de vida melhorado.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e cientista social pela Universidade de Brasília

© 2004-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 04:49
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Nintendo 64

Tony Hawk's Pro Skater 3



FICHA TÉCNICA
Developer: Edge of Reality
Publisher: Activision
Gênero: Esporte (skate)
Data de Lançamento (EUA): 20/08/02



NOTA
7.55

"Aqueles que ainda jogam o Nintendo 64 deviam dar uma olhada em THPS3, porque ele é o jogo de skate que melhor representa o estilo no console"

Quando todos achavam que o Nintendo 64 estava largado às moscas, a Activision lança a terceira versão de sua série de skate também para ele, depois de 6 meses da aparição de THPS3 no PlayStation, PlayStation2 (onde ficou melhor), Game Boy Advance e X-Box. A imprensa criticou essa decisão maluca da softhouse, mas os gamers detentores do N64 ficaram felizes, claro, pois achavam que Mario Party 3 (meados de 2001) seria o último jogo (ao menos no Ocidente, e entre os lançamentos mainstream) para o console. Nada melhor que um Tony Hawk para fechar a vida de um videogame com chave de ouro (ou medalha de ouro, se o assunto for uma das competições do cartucho)!

A Edge of Reality, os mesmo encarregados da segunda versão, pegaram a responsa de fazer esse desfecho para o64 bits “falido” ou simplesmente “idoso”. E os caras fizeram um ótimo trabalho, pegando o rústico hardware do periférico e construindo ótimos gráficos, inspirados na engine do antecessor, tudo respeitando os percursos originais do THPS3 para PS2. Os jogos vêm usando a mesma fórmula desde 99 e esta versão não inova muito, portanto até que não foi tão penoso assim para os desenvolvedores. Qual é essa fórmula? Você anda com seu skate pelos níveis, executando manobras atrás de pontos, coletando itens e completando objetivos específicos para poder progredir ao próximo estágio. Nos modos de jogo e suas extensões, tudo igual também: no Single Player Mode existem o modo Career, a Single Session e o Free Skate. Já o modo multiplayer inclui os sub-modos Grafitti (batalha por maior número absoluto de lugares conquistados na fase com manobras), Trick Attack (uma competição simples para ver quem faz mais pontos em 2 minutos) e Horse (onde você tem 10 segundos para fazer uma manobra, que deve superar a do seu adversário para que você não vá ganhando letras e seja chamado de Horse, perdendo o jogo – Horse pode ser qualquer palavra, inclusive “horse”!).


Não é a melhor versão de Tony na jogabilidade nem nos gráficos, porém mesmo assim já é bom o bastante para horas a fio em frente à TV

Na jogabilidade o game inova com uma mecânica que nunca se viu em outros títulos de skate, nem nos da série: uma manobra de aterrissagem batizada de "The Revert". Mas, não se sabe o porquê, várias outras novidades foram deixadas de lado em relação aos jogos para outras plataformas: o handplant, os grinds dinâmicos e os diversos kickflips. Talvez por falta de botões. Mas o Revert sozinho já basta para alegrar os fãs, porque afeta muito o estilo de jogo (para melhor!). Assim como os Manuals ajudavam os jogadores na hora de interligar manobras independentes, o Revert possibilita que se façam vários grinds em seqüência, sempre intercalados com tricks verticais, desencadeando cmbos animalescos. Isso funciona pressionando-se a tecla R assim que se chega ao solo depois da qualquer manobra no half-pipe ou similar, que depois pode ser transformada em Manual, que segue para a próxima, e assim vai...

Mas não foram só aquelas três classes de manobras já mencionadas que ficaram de fora da versão final, pois coisas legais como objetos destrutíveis, pedestres, tráfego de carros e alguns complementos para as opções de criar skatistas e arenas foram todos cortados, em termos de Nintendo 64 (o cartucho e seu limite especial – agora entendo por que se demorou mais que o habitual para encaixotar tal obra-prima na embalagem!). Com tudo isso, esse THPS3 ficou muito parecido com a primeira continuação, o que pode espantar alguns compradores. E os estágios ficaram mais sem-graça: imagine um aeroporto sem ninguém ou ruas de Los Angeles sem carros. Deprimente, até! Ao invés de estar passeando na rua, parece que o gamer estava no banheiro enquanto a humanidade sucumbiu a uma ogiva nuclear e ainda não se deu conta disso!


Por respeito ao console, os gamers deveriam checar esse que é, ao que aparenta, o último título a pintar para o N64

Essa é com seguridade a última versão 3 a chegar ao mercado, já que nenhum console ficou sem a sua, a não ser o Dreamcast, que teve até uma morte mais prematura que a do próprio N64. E, infelizmente, essa foi uma das piores versões, ganhando qualitativamente só do Game Boy no que se refere ao visual ou controle, mas pelas limitações do console era óbvio que isso iria acontecer, sendo que o espaço na presente mídia era tão insuficiente que os produtores da casa tiveram que deixar o look semelhante ao do número 2, fato que irritou os jogadores. Detalhes como falta de polígonos em alguns objetos, impossibilidade de visão de corpos distantes e a “palidez” das imagens no Nintendo 64 já eram esperados, mas é inegável que decepcionam muito para quem já tiver jogado o mesmo game para um console 128 bits. Pelo menos os fãs poderão curtir um bom framerate (ritmo da ação) e muitas das imagens de alta qualidade (hi-res), com a ajuda do Expansion Pak, vendido separadamente. Infelizmente (e novamente por conta da mídia ultrapassada do videogame), só puderam ser incluídas 6 das 12 músicas que eram para estar na trilha. Entre elas, algumas do Motorhead e Ramones. E se você acha que ouvir apenas metade das músicas já é ruim, vai pirar (no mal sentido) com o fato de que os produtores ainda tiveram de "aparar" a maioria dos trechos das mesmas (na verdade mutilaram!), sendo que ao longo de 2 minutos de pista você ouvirá apenas “loops” da música, a repetição enfadonha do riff. Os sons do skate (quando ele desliza, bate no chão, etc.) são legais e realistas, mas a sonoridade do ambiente em volta deixa a desejar, muito esparsa.

Se você já tem um videogame de nova geração, não agüentará perder tempo com um jogo "todo picotado e limitado", preferindo comprar um DVD com ele completo do que um cartucho caro. Mas – aviso destinado detentores de Nintendo 64 que não têm nenhum sistema mais novo – é melhor agarrarem esta oportunidade antes que ela escape, afinal nenhum game será lançado depois desse na máquina e, Pro Skater 3, apesar de tantos defeitos, faz parte de uma série que é a melhor de skate, na verdade de esportes radicais, há muito tempo. E a compressão das músicas, dos gráficos e dos elementos das fases é uma marca registrada dos THPS1&2 em cartucho. THPS3 não conseguiu se livrar das armadilhas dos antecessores, no entanto isso não retira seus méritos.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e cientista social pela Universidade de Brasília

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Escrito por wormsaiboty às 18:19
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PlayStation / Nintendo 64 / Dreamcast

Tony Hawk's Pro Skater



FICHA TÉCNICA
Developers: NeverSoft (PS), Edge of Reality (N64), Treyarch (DC)
Publishers: Activision (PS-N64), Crave (DC)
Estilo: Esporte (skate)
Datas de Lançamento: 31/08/99 (PS), 29/02/00 (N64), 30/06/00 (DC)



NOTA
9.1

"Um dos poucos que conseguem manter a fidelidade do jogador mesmo após o mesmo finalizar o game, infinitas vezes"

Mania nas décadas de 70 e 80 com 720 Degrees (para Atari) e Skate or Die (para alguns consoles de 8 bits), os jogos radicais de skate foram quase que esquecidos nos anos seguintes. Foi em 99 que a febre voltou com este jogo. Na sua cola vieram dezenas de cópias fajutas, como Street Sk8er, nenhuma chegando perto do sucesso deste que foi um marco da indústria.

SISTEMA DE JOGO

O modo principal é o inovador Career Mode, onde você percorre várias arenas lotadas de half-pipes para coletar, em cada uma, cinco fitas de vídeo. Duas são pegas fazendo-se determinada quantidade de pontos com manobras insanas (o jogador só dispõe dois minutos). A terceira é obtida ao se coletar as letras da palavra S-K-A-T-E espalhadas pela fase. A quarta aparece destruindo-se cinco objetos da arena (eles podem ser carros de polícia, caixotes, etc) e o objetivo para chegar à última é achar a própria, já que cada curso possui sua fita escondida, que, se não for difícil de enxergar, é complicada de alcançar! São cerca de 7 níveis nesses moldes, só para arranjar fitas. Mas existem também fases extras: são os três torneios onde manobrar que nem um maluco é a única exigência na hora de superar os outros competidores. Não pare até a medalha de ouro ser sua (como se o jogador conseguisse)!

*
Uma barra de ouro?

Os skatistas à disposição estão – inicialmente – em 15, todos reais. Entre eles, claro que não poderia faltar o grande astro que dá nome ao jogo, Tony Hawk. Mais um que deu as caras foi o brasileiro (e melhor do mundo, à época) Bob Burnquist. Essas feras estão divididas em dois estilos: vertical e street, cada um deles com séries diferentes de manobras. Falando nelas, diversidade é o principal aqui. São milhares de peripécias executáveis com simples toques no controle. A complexidade dos movimentos se estica a patamares absurdos conforme o gamer aprende a conectar uma manobra com a outra em grande velocidade antes de o skatista atingir o solo – e é necessário cair de pé para que os pontos valham, é óbvio. Ainda há os specials, manobras mais difíceis (e que só funcionam com a barra de especial cheia) que dão mais pontos que o usual. Cada skater tem três deles. Os outros modos de jogo, fora o já mencionado Career, são:
- Free Skate: ande onde, como e quanto tempo quiser só para treinar novas manobras.
- Skate Rink: dois minutos numa arena previamente escolhida. É bom para simular seu desempenho no Career Mode.
- 2 Players: para se divertir em dupla. Esse modo se subdivide em três: Grafitti, onde quanto maior a diversidade de lugares onde se faz manobras, melhor; Free Style, em que o que conta é fazer mais pontos, em qualquer trecho da fase; e Horse, no qual os jogadores têm cada um seu turno e devem fazer manobras de dez segundos mais complexas que a do oponente para não ser penalizado (xingado, como você verá caso ponha as mãos no título!).

*

SOBRE O VÍCIO ALUCINANTE

O jogo é incrivelmente amplo: o modo carreira já demora um pouco pra ser finalizado com qualquer skater, imagina com TODOS! Isso mesmo! Tente zerar quinze vezes o game, mais algumas vezes extras com os secretos que forem abertos, cada vez com um cara que execute manobras diferentes (é virtualmente impossível o player achar um boneco tão similar a outro)! Aí sim você é um mestre!
Observação: ainda assim, não enjoa nem um pouquinho! Além disso, as fases são bem grandes e cheias de lugares para mandar bem nas manobras. Desde corrimões a half-pipes gigantes, passando por rampas de salto, tem de tudo. É uma terapia para o estresse do dia-a-dia, um ponto de fuga para qualquer crise pessoal. E não precisa ser crise: você pode estar vivendo um bom momento, mas sempre que tiver uma brecha na rotina, quererá experimentar vôos em quatro rodas de novo, e de novo...

*

ASPECTOS TÉCNICOS

O som é um dos mais maneiros já vistos: Dead Kennedys com Police Truck, Goldfinger e seu Superman, Jerry Was A Racecar Driver do Primus, deixando de mencionar muitas outras exímias composições, tudo isso junto no meio daquela manobra que você está tentando acertar. Empolga. Primeiro porque é bom, segundo porque é a cara do esporte. Falando agora dos gráficos, fique sabendo que nem eles ficam devendo. A câmera raramente deixa na mão e tudo é bem-construído, com poucas quebras de polígono. Tamanho capricho, contudo, exige um pouco de loading a mais demora ainda GD, a mídia do Dreamcast (no caso da mídia cartucho, não há a inconveniência da espera; em compensação, as músicas foram consideravelmente “achatadas”).

*

Concluindo: para praticantes do esporte, obrigatório! Para aqueles que adoram mas não praticam a arte do skate, vai depender se vão gostar ou não do estilo arcade do game (manobras exageradas). Eu apostaria que esse preconceito será deixado de lado nos dois primeiros minutos! E, para os que odeiam, nunca é perda de tempo tentar, porque skate na vida real é uma coisa, e no PlayStation, N64 ou Dream, outra! Muitas quedas no início podem assustar, mas o negócio é "keep walking" como diz aquela propaganda de bebida!

* Imagens da versão DC.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e cientista social pela Universidade de Brasília

© 2002-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 17:42
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Nintendo 64

Goldeneye 007



FICHA TÉCNICA
Developer: Rareware
Publisher: Nintendo
Estilo: First Person Shooter
Data de Lançamento: 31/07/97



NOTA
9.65

"Quando falar em Nintendo 64, fale em Goldeneye para não ser mal compreendido"

Para entendermos o que o mundo achou do primeiro jogo de tiro em primeira pessoa da Rare (e que estréia!), temos de achar exemplos mais recentes: G007 seria mais ou menos o Half-Life 2 daqueles tempos. Mas com ainda mais impacto: ninguém compra um computador só para jogar Half. No entanto muitos gamers compraram o Nintendo 64 graças a Bond, James...

Jogadores que compraram o videogame no seu lançamento, ainda, depois que terminavam Super Mario 64, se encontravam carentes e queriam porque queriam um sucessor. Não precisava ser um Mario. Não tinha nem que ser um adventure e/ou plataforma. Tinha é que ser bom. Goldeneye cumpriu sua premissa com sobras: mais de 12 ambientes de guerra para executar missões de matança, invasão, espionagem e tudo o mais a que um agente britânico com licença para matar tiver direito. E ainda é possível reprisar tudo com elementos completamente novos em outros dois níveis de dificuldade, o que, pode ter certeza, não enjoa o jogador/tira.

Os controles são os mais responsivos da máquina até então. A trilha dos filmes está diante de seus ouvidos sem precisar comprar nenhum box oficial custando os olhos da cara.


Explosões hiper-reais

O melhor de todos os aspectos, a cereja do delicioso bolo: um multiplayer matador que só foi superado por jogos bem mais avançados (no tempo, como Perfect Dark, de 2000). As múltiplas opções e cheats possíveis de habilitar com seu progresso no modo de 1P fazem desse gênero o mais prolífico do cartucho. Desnecessário comentar, apenas chame os amigos e descubra os segredos da “suruba bélica” na prática!

Deixei de fora mil minúcias que fazem do game um verdadeiro clássico. Na verdade mirar na cabeça de um russo a umas 200 jardas e acertar simplesmente não tem preço! Ou melhor: tem sim, e não custa muito caro...

O título do jogo é uma referência a 007 Contra Goldeneye, o décimo sétimo filme da série. Lembra que ele começa naquela seqüência de bungee jumping? Aqui é igualzinho. E lembra do confronto final entre o agente e Alec Trevelyan? Bom, só terão a oportunidade de atuar na pele de Bond nessa parte os mais capacitados! Até lá, dezenas de milhares de soldados terão de ser mortos, explosivos serão tanto plantados quanto desativados, reféns terão de ser resgatados, bond girls serão protegidas e escoltadas, ter-se-á de escapar da prisão e muito mais... A interatividade é impressionante. É possível atirar em qualquer canto. Qualquer localidade de uma fase. Este foi o primeiro título a introduzir tamanha gama de horizontes. Basta mirar com R e... POW (se não estiver usando silenciador)!



O visual é incrível, apesar de não completamente perfeito. De instalações obscuras no meio da neve às mais exóticas selvas cubanas, passando por todo tipo de prédio, bunker e aglomerado militar que se possa imaginar, tudo é recriado com um senso de realismo até então inédito. Já deu para perceber que G007 é um precursor em sua área. Personagens têm rostos, imagine você, reconhecíveis, o que era impensável no mundo dos games até 1996! Quando se fitar Boris de cima a baixo, ele realmente parecerá aquele ator, Alan Cumming. As extremidades da face ainda estarão meio quadradas, mas esta é uma obra pertencente à primeira geração do N64, a plataforma que alçou os games à era dos polígonos. Os produtores ainda estavam começando o aprendizado em cenários tridimensionais.

A trilha parece ter sido orquestrada. Só não foi porque esse não é o forte da mídia cartucho, mas está, a despeito das limitações, surreal! As músicas começam e se encerram na hora certa, e sempre estão no tom adequado. Os efeitos sonoros, impecáveis, mostram como é que se imita o ruído de uma boa carabina. Melhor que isso, só as vozes digitalizadas de Perfect Dark (da própria Rare, inclusive).

Quando falar em Nintendo 64, fale em Goldeneye para não ser mal compreendido. Sim, muitos têm vergonha de dizer que têm o aparelho, um fracasso mercadológico. Mas se a justificativa for “eu adoro Goldeneye”, a vergonha desaparece. A verdade é que se a média de qualidade dos títulos de N64 fosse a metade da de G007, aí quem sabe nem o PlayStation teria chances com a Nintendo àquela época.

Agradecimentos a Jeff Gerstmann

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e cientista social pela Universidade de Brasília

© 2004-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 17:08
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Nintendo 64

All-Star Baseball '2000



FICHA TÉCNICA
Developer: Iguana Entertainment
Publisher: Acclaim
Estilo: Esporte (baseball)
Data de Lançamento (EUA): 31/03/99



NOTA
8.75

"ASB2000 cumpre seu papel: é tudo aquilo que foi a versão 99 e algo mais"

A nova versão do jogo de baseball que foi o maior sucesso no ano anterior, no N64, chega apenas melhorando ou mantendo alguns aspectos, o que significa que se você já tem a versão 99 é melhor nem gastar dinheiro num jogo quase igual. Já sendo um jogador interessado em baseball e ainda “virgem” no 64 bits, opte pelo update, inquestionavelmente um produto mais recompensador no binômio custo-benefício.

Mas o título traz lá suas inovações também, só para manter um ar fresco. Agora são vistos mais movimentos, um pouco de frases a mais do comentarista e a interessante possibilidade de comprar, vender, trocar ou criar o próprio atleta.



Os gráficos, já no nível de excelência, ganharam um retoque. Estão (quase) perfeitos. Se não fossem alguns detalhes...

Algo que todos os fãs pediam para ser incluído no último jogo da série no milênio passado era uma melhor interface com os ângulos de câmera. O pedido foi atendido e a cada lance pode-se rever as jogadas de qualquer panorama, escolhido por quem controla. Talvez a evolução mais notável no título.



O som não mudou quase nada. As músicas dos menus continuam as mesmas e o narrador fala só uma ou outra frase nova, além do outro da dobradinha, o comentarista, continuar engraçadinho (até demais). Avaliação idêntica.

O realismo continua o mesmo, também. São as factuais 30 equipes que compõem o leque selecionável. E, de novo, quatro modos de jogo marcam presença: Friendly Game, Season, Play-Offs e Home Run Derby.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e cientista social pela Universidade de Brasília

© 2002-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 16:45
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Nintendo 64

All-Star Baseball '99



FICHA TÉCNICA
Developer: Iguana Entertainment
Publisher: Acclaim
Estilo: Esporte (baseball)
Data de Lançamento (EUA): 30/04/98



NOTA
8.2

"ASB99 superou todas as expectativas e, na época, foi aclamado como o melhor jogo de baseball da História"

Um dos melhores jogos de baseball lançados nos últimos tempos, é quase supremo quanto aos gráficos e ao som. Se for conhecedor do esporte ou quiser aprender como jogar, o ideal é este aqui!



O extremo realismo que a Iguana colocou nesse cartucho é de se ficar pasmo. Todos os 30 times da Major League e seus jogadores estão presentes, devidamente licenciados. Além disso, não se participa apenas de amistosos. Outros três modos estão incluídos para alegria dos gamers: que tal jogar a temporada completa pela equipe do coração? Ou treinar até conseguir dar um Home Run, a jogada máxima do esporte? Tudo isso é possível.

A jogabilidade não decepciona nem um pouco. Com apenas A e B você pode dar as tacadas; com a alavanca ou o direcional digital, controlar a altura do taco; e pelo uso dos botões C, o gamer cumpre funções táticas combinadas antes do começo da partida.



O mais incrível do jogo é a animação dos personagens. Eles têm mais de 40 formas diferentes de pegar na bola, por exemplo, e todas essas cenas podem ser vistas de "n" ângulos diferentes, em "n" velocidades. Um show. Falando da trilha sonora, dá para dizer uma coisa só: a música, ainda que presente unicamente nos menus, não deixa a desejar, visto que no jogo em si ela não daria muito certo (o beisebol é uma modalidade que exige eminentemente concentração por parte dos praticantes). Mas não se preocupe, caso não esteja acostumado: os efeitos sonoros recompensam a perda. A dupla de narradores (apesar de exagerada, no clássico estilo americano bêbado) dá personalidade à disputa.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e cientista social pela Universidade de Brasília

© 2002-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 16:30
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Mega Drive / Super Nintendo

International SuperStar Soccer



FICHA TÉCNICA
Developer: Konami
Publisher: Konami
Estilo: Futebol
Data de Lançamento: 1994



NOTA
9.2

"Um classicão – e não é Palmeiras x Corinthians"

Um game de futebol bem desafiador, talvez o mais completo da era 16 bits! Desde cobranças de pênalti até jogos de Copa, passando por uma liga super-completa a la Campeonato Brasileiro (só que de seleções!) e amistosos requintados. Cabe ressaltar que não é nada oficial, com nomes de jogadores imaginários e algumas outras "inverdades". Como o jogo é póstumo à Copa de 94, no entanto, a força de Brasil, Itália, Alemanha, Holanda, Bulgária e Suécia são aparentes (são 24 selecionados ao todo, mais o All-Star Team, secreto).


Não deixe os hermanos fazerem: tira, tira, TIRA!!!

Foram os primeiros gráficos a mostrar jogadores tão grandes e detalhados em campo e tudo com perfeição inimaginável (tomadas as devidas proporções periféricas!), tendo como único defeito coisas como "a torcida infinita que prossegue mesmo 100m depois do gol" ou alguns bugs relativos à rede do gol, que às vezes aparece no meio do campo misteriosamente. Nada que seja determinante para sua diversão.


International Cup é o modo mais parecido com a Copa do Mundo, com 7 jogos para chegar à taça

O som se destaca pela torcida que emite ruídos diferentes de vez em vez e pelos comentários (muito raros ainda, é verdade, pois os cartuchos não armazenavam muita coisa) do narrador (mormente quando a bola sai ou acontece alguma falta). Não há música em campo, o que de fato não combinaria (já viu jogo de futebol com trilha sonora?), mas os menus têm a sua, legalzinha, até.


Debaixo de chuva, fugindo da patroa... Não importa!!

Já a jogabilidade se mostra excelente. Tudo que o futebolista pode imaginar de básico (não conte com elásticos e pedaladas) qualquer jogador (até o goleiro com a bola no pé) pode fazer, incluindo aí balõezinhos e efeito nos tiros. O pretendido realismo aqui só é falho em lances como "aquela cabeçada com potência de chute de Roberto Carlos", mas é compreensível ao lembrar que o título foi confeccionado por gringos.

Se os critérios de arbitragem são justos ou não, é aquela eterna discussão de bar. Do meu ponto de vista, cartões amarelos são dados quando o jogador merece a advertência parcial e o vermelho vem ou com dois amarelos – óbvio – ou quando se faz falta no goleiro adversário com bola na mão, o que é uma atitude anti-desportiva em todos os sentidos. Legal ainda é ver os médicos vindo com uma maca para socorrer o jogador contundido e como ele se contorce no gramado segurando a perna!


Itália, ofensiva?!

Quem acha que é só pegar o controle e detonar pode se dar mal: o craque do controle pode até ter habilidade no joystick e saber que o objetivo do futebol é entrar com a bola na rede, mas se não ajustar a formação tática do time e mudar os jogadores que estão cansados, a CPU (ou seu adversário humano) pode surpreender. Pode não, deve. Deve não, vai!

Intrigante: a máquina fica melhor quando o gamer está ganhando e pode se armar uma batalha campal de mais de 10 gols – você sai perdendo, empata, vira, sofre outra virada... E não adianta fazer cera: os acréscimos terão esse tempo que você acha que o jogo perdeu e sua decepção pode ser grande ao levar um gol no último lance (aliás, as comemorações também estão ótimas). Falando em último lance, não é raro o juiz apitar exatamente quando você manda um chute que, se for gol ou não, não vale do mesmo jeito: é mania deles apitar quando se está no ataque ao invés de esperar que a bola chegue ao meio-de-campo.


Ai, essa doeu!

ISS não é algo que se zere com qualquer seleção meia-boca, pois apresenta dificuldade alta, mas não a ponto de jogadores novos (6 a 8 anos) não se darem bem, mesmo que não saibam Inglês ainda e – em contrapartida – um adulto conseguirá se divertir da mesma forma. O único requerimento para o usufruto é "paixão pela bola". Para ganhar, porém, perseverança e inteligência no esporte bretão. Um classicão (e não estou falando de Palmeiras e Corinthians)!

Agradecimentos a Diskboy

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2004-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 18:01
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Super Nintendo

Secret of Mana



FICHA TÉCNICA
Developer: Square
Publisher: Square
Estilo: Action RPG
Data de Lançamento: 06/08/93 (JP) / 1993 (EUA)

NOTA
9

"Seria uma boa adquiri-lo"

SoM é a segunda parte de uma série de RolePlay com capítulos nada conectados uns aos outros (a la Final Fantasy) chamada Seiken Densetsu no original (Sword of Mana é o primeiro segmento, mais conhecido como Final Fantasy Adventure nos Estados Unidos – não à toa – , e Legend é o terceiro, já para PlayStation, fora uma versão entre o 2 e o 3 nunca conhecida pelo Ocidente, ainda neste console).

SISTEMA DE JOGO 10/10

Mas em relação a FF há uma diferença brutal: não é um RPG puro, pois as batalhas não têm nada que se possa chamar de turno. A ação é ininterrupta, num esquema similar aos games Zelda. Enquanto que isso pode parecer o fim do mundo para alguns (os puristas!), o fato de poder ver os inimigos na tela e evitar combates enquanto se explora o overworld map é inegavelmente um ponto pró. Ainda assim isso não significa um sepultamento do elemento "estratégia": gamers que pensam só a curto prazo estarão condenados a nunca finalizar Secret. Entrando em modo ofensivo, cada personagem terá uma barra de status aberta na parte inferior da tela, que vai enchendo de 0% a 100% e esvaziando de novo numa velocidade considerável. Tendo bom timing, o jogador sempre acertará os inimigos com a espada (ou qualquer que seja a arma) nos momentos mais próximos possíveis de 100, ou seja, total damage. Falta de perícia nessa área quer dizer danos alheios muito irrelevantes, mesmo com itens poderosos e personagens evoluídos. A manha é se aproximar dos inimigos, descarregar o ataque, se distanciar de novo até que você esteja pronto para descarregá-lo novamente em boas condições e assim por diante. Quanto ao uso de magia, ela não depende desse cálculo precioso de segundos e provoca estrago considerável num grande raio (distância em relação ao personagem) da tela, sem nunca machucar o convocador do spell ou seus amigos (na maior parte do game se estará em trios).

RPGistas também chiarão quando virem a organização de menus e a ordem das opções confirm/cancel, trocadas em relação ao que é tradicional nesse ramo. Mas ninguém com um mínimo de coordenação motora nos dedos e traços de inteligência precisará ficar olhando para o controle para executar funções, afinal não estamos em jogos de luta com combinações complexas das teclas! O Y chama o ring menu, conceito que será explanado mais adiante; o B é usado para confirmar seleções em menus e sacar a arma quando não nas cidades (uso proibitivo); o X chama o ally's menu do personagem principal e o dos outros caso apertado novamente; o A é usado para correr, o que pode ser feito indefinidamente, com o inconveniente da direção não poder ser controlada e esbarrar em paredes ser o limite prático (semelhanças com A Link to The Past?); o Select troca o personagem controlável.



A novidade grotesca da parada? Com um multi-tap (adaptador!) é perfeitamente real o absurdo de três viciados jogarem simultaneamente. É possível que os dois jogadores secundários andem livremente pela tela (só o primeiro player pode arrastá-la). Na prática, significa que um pode cuidar dum bando de monstros no sudeste, outro procura por tesouros no norte e o restante chupa o dedo – digo, dá cobertura a quem precisar, abre uma passagem, etc.

Mesmo numa aventura-solo não há tantas perdas quanto a essa possibilidade de multi-funções: é possível designar comandos para os aliados controlados pela CPU. Se vir que os bonecos não estão fazendo seu serviço direito, é possível assumir controle de um deles imediatamente por meio da já mencionada tecla Select. Salva vidas, economiza tempo e evita a monotonia (a execução perpétua de uma mesma tarefa).

Voltando ao tema do ring menu, como prometido, trata-se do maior menu do jogo, servindo também como um pause para a ação. Quatro grandes segmentos de sub-menus se tornam disponíveis. O primeiro deles mostra suas armas (sempre as da equipe inteira). Além dos respectivos nomes, claro que há detalhes mais profundos como o quanto cada uma delas afetará o atributo Força ao ser equipada. O segundo é um inventário de itens comuns, não-usados para tirar life dos oponentes, como chaves. É possível juntar apenas 4 de cada tipo, então sempre encha a "mochila" antes de uma saga mais séria e seja conservador no uso de suprimentos. O terceiro menuzinho é exclusivo do Sprite e da Girl (esses são nomes próprios), visto que o Boy (ung) não consegue executar magia. Mais ou menos uma spell list. Finalmente, o último bloco serve para que você verifique seu status e mexa nas configurações.

Entrando no enredo, daqueles típicos da Square, este é um mundo que esteve muito (mas muito...) tempo atrás em guerra (mas que guerra...), contudo depois dela as coisas em Mana (magia, essencialmente, que não era mais de interesse das massas) perderam sua natureza agressiva e desfrutou-se um longo (mas longo...) período de tranqüilidade absoluta. Só que o tempo flui como um rio e a estória se repete... Boy está andando por aí – mais precisamente nos limites exteriores de sua cidade de Potos – com amigos, de repente caindo de uma ponte próxima a uma cachoeira. Que surpresa, o rapazinho não se machucou! No meio do caminho de volta, descobre (você já está no controle aqui, amigão!) uma espada fincada numa rocha (vai lá, Rei da Inglaterra!). Depois de retirá-la (spoiler? Acho que não...), és cegado por uma luz branca e uma aparição fantasmagórica lhe dirige a palavra. Nem invertida nem pelada nem vestida você pôde entender a mensagem. Nada de extraordinário: um moleque dessa idade só tem que ter esperteza mesmo é pra brincar! Continuando e chegando à vila, um monstro que há eras não era visto ataca a todos (e principalmente a Boy!). Depois de derrotá-lo (não sem a ajuda de alguém...), acaba sendo banido da vila. Todos concluem que sua maldita espada foi o que atraiu aquela aura maligna ali. Mas essa expulsão não é nenhum fim, na verdade é quase o início do início da sua jornada. Como um andarilho, terá de fazer amizades e tentar recuperar o poder das Mana Seeds, artefatos sagrados do bem. Dilemas cabeçudos e puzzles vão cair na sua cabeça aos montes. Cuidado para não rachar o crânio. Haverá oito palácios principais mais algumas dungeons de side quests para enfrentar!

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 16:13
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Secret of Mana não tem muito diálogo e comunicação, no entanto quando o tem não faz feio, num Inglês arcaico de encher os olhos. Além de chorar muito com os dramas, todos vão rir nos núcleos cômicos. E o desejo de continuar jogando, sejam quais forem as adversidades (bom, na análise da "sobrevida" você perceberá que não é bem assim), continuará aceso.

GRÁFICOS 8/10

Uma só palavra para descrever o vasto mundo de Mana? Colorido! Mais outra? Vivo! Os personagens, então, parecem quase passar pela tela, visto que estão sempre acima da perspectiva comum e seus traços são ressaltados pelas cores quentes. Um belo mundo 2D quase 3D, tamanha a "vontade" de seus sprites de construir uma nova dimensão. Um toque legal é que nem todos os cidadãos mundo afora têm aparência idêntica (parecendo que vieram de uma fábrica): rostos são os mais diversos possíveis e as roupas identificam bem as particularidades de cada povoado.



Entendedores desse bicho que é o Super Nintendo devem desconfiar que quando a tela enche de inimigos o slowdown é inevitável. Achem o que quiserem, mas SoM carece desse defeito básico! A técnica usada para evitar isso é que alguns sprites do corpo dos objetos do campo de visão são momentaneamente apagados, o que não prejudica a visualização e muito menos a velocidade. Não se assuste, então, se sua metade de baixo sumir por uns tempos!

SOM 10/10

Deixa qualquer um sem palavras. Está no topo do topo do 16 bits. Dúzias de bem-vindos efeitos sonoros e muitas, muitas faixas para que nenhum RPGista se sinta enjoado de continuar a jogatina exclusivamente por causa do áudio. E o modo como tudo foi executado chega a assustar. Atrás de pérolas como essa existe sempre aquele japonês filho da *(&!@&*$ e aqui não é diferente! Infelizmente não tenho o nome do sujeito, mas quem se habilitar a pesquisar o staff da Square da época pode mencioná-lo, com direito a créditos finais neste review!

SOBREVIDA 6/10

O manual de instruções mete logo uma facada em quem tentar criticar a longevidade de Secret: de 48 a 72 horas de curtição (na verdade este é o game com mais memória interna entre os cartuchos de SNES!). Isso se não desejar um bis. Para os bobões de plantão parece pouco: "poxa, se eu ficar dois dias seguidos na frente da TV nunca mais vou querer jogar?". Mas nessa sociedade frenética atual em que estamos sempre atolados de coisas para fazer (olha o vestibular batendo à porta! Errei?), o que era para ser dois dias pode se tornar 2 anos!!

Por que, então, esse 6 destoante das notas sempre acima de 7 da análise? Apesar de garantir esse punhado de horas para se chegar ao fim, às vezes faltam recursos e elementos RPGísticos para levar os mais mal-voluntariosos até lá. Muitos desistem no meio do caminho, por mais que a storyline tente puxá-los. Um exemplo de game chiclete é Chrono Trigger, não por acaso desta mesma produtora. Secret of Mana não repete a maestria deste último clássico (na verdade saiu antes), então não espere sorrisos do início ao fim da empreitada. Digamos que eles sejam intercalados por momentos de depressão ("ops, não sei o que fazer", "que diabos, essa floresta não acaba nunca", "tô com sono, vou jogar outra coisa").

Não entenda as coisas mal. É um jogaço, e viciante, sim. Até me dói dar uma nota dessas a um clássico Squareano (poucos títulos desta softhouse não são grandes jogos, pode reparar), no entanto temos sempre de enxergar todos os tipos de mente, todos os eventuais jogadores que porão as mãos na obra e seu possível negativismo em relação a certos aspectos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Garanto que será uma boa adquiri-lo! Mas, caso não seja, no seu estrito caso, não venha pedir ao célebre autor deste artigo a devolução da grana. Hardcore RPG gamers seguirão ao pé-da-letra aquele número de horas de jogo definido no manual; adventure/action lovers, talvez a mesma coisa (é o que eu disse de The Legend of Zelda); outras classes, hmm (torcida de nariz)... Mas afinal o quê é que pessoas que não gostam de RPG estão fazendo aqui? Pressuponho que você adore RolePlays.

Agradecimentos a Lance (square-x.com)

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2005-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 16:13
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Super Nintendo

Super Mario World



FICHA TÉCNICA
Developer: Nintendo
Publisher: Nintendo
Estilo: Plataforma / Adventure
Ano de Lançamento: 1991



NOTA
10

"Simplesmente o melhor jogo de todos os tempos!"

Se você está em dúvida de qual é o melhor jogo em que já colocou as mãos, saiba que se está diante de um fortíssimo candidato, goste o gamer do gênero que gostar. SMW é tão bom que suas 96 fases vão permanecer inalienáveis na memória e o jogador vai ter satisfação em re-experimentá-las 10 anos depois. Se o presente leitor ainda não plugou um cartucho Super Mario World em seu (ou qualquer outro!) SNES, está perdendo um dos maiores prazeres da vida, um clássico universal!

Pegue Mario – isso, aquele que já salvou o Reino dos Cogumelos do terrível Bowser incontáveis vezes –, seu irmão (o que seria de SMWorld se não fosse para dois? Por trás de um grande encanador há sempre um grande assistente de encanador!), uma princesa tonta para resgatar todo verão (sim, Mario e Luigi terão de interromper suas merecidas férias para salvar Toadstool, carinhosamente chamada de Peach [pêssego]), o próprio dragão imortal Bowser Koopa, um dinossauro mega-carismático chamado Yoshi (pela primeira vez num game Nintendo!), sete ovos para resgatar, sete castelos, sete filhotes-pentelho de dragão... e "zipe" tudo, para, em seguida, inserir tais maravilhas dantescas em um mísero cartuchinho de Super NES de (poucos críticos sabem) apenas 8 bits! Esse é SMW, essa é sua maior aventura (se não em dificuldade ou em tempo, "apenas" na diversão)!


Uma das inovações: caixa de item reserva no topo!

GRÁFICOS

Foram os melhores gráficos da chamada "primeira geração" do SNES, em que os jogos sequer usavam os 16 bits (e o Super Nintendo é um console 16 bits!) a que tinham direito, sendo que este em especial usava só a metade. Isso não significa que faltou alguma coisa. Pelo contrário: bits de menos, qualidade de mais. Era bastante colorido e não tinha slowdowns (ok, em duas ou três ocasiões de inimigos em excesso na tela), seguindo o padrão Mario. E, se está do jeito que estava Super Mario Bros. 3 para sua época (que foi um escândalo – no bom sentido – no quesito imagem), o fã realmente não pode reclamar!

SOM

Aqui não temos uma música por fase, até porque seria extremamente complicado quase uma centena de faixas num cartucho de silício! Ademais, como as tunes são boas de dar dó, seus ouvidos não prestarão queixa alguma... Os efeitos sonoros, na toada, são perfeitos: se Mario ainda não tem voz, como em Super Mario 64, Yoshi faz seu papel muito bem. Além disso, os inimigos, quando mortos, fazem um barulho engraçado, e as moedas, quando coletadas, também.


Casa fantasma: uma das grandes sacadas do "Mario 4"

JOGABILIDADE

Ter tudo de que já se falou à disposição e não poder guiar o protagonista direito seria um desperdício sem precedentes. Mas não acontece isso em SMW. Os comandos estão "menos escorregadios" que em Mario 3 e mais dinâmicos que no Mario original (Mario 2 nem entra na história, porque é uma adaptação precipitada de um side-scrolling banal!), o que significa que foi alcançado um excelente meio-termo. Você pode reclamar da dificuldade da fase por várias coisas (inimigos, obstáculos...) menos por parte do controle, porque é o mesmo que reclamar de mãe ou de time de futebol – amanhã a gente esquece! Como inovações, há a técnica de voar com uma pena mágica que rende uma capa ao herói, poder quebrar blocos situados abaixo do personagem com um "pulo-furadeira" e até bisbilhotar o que está um pouco atrás ou à frente na fase (usando L e R)!

CONCLUSÃO

Antes de qualquer coisa: homem, são 96 fases! Mesmo depois de completar o caminho linear até Bowser Koopa e mostrá-lo com quantos canos se faz um sistema de esgoto (pau e canoas, entendeu?), você se deliciará em pegar todas as chaves nas fases marcadas em vermelho no mapa para acessar caminhos alternativos. Se fosse só isso... Mas o gamer ainda acaba descobrindo, em suas andanças, que há cinco passagens para um mundo paralelo chamado Star Road. E, detonando tudo na estrada estelar, Mario e Luigi ganham acesso a um terceiro, integralmente escuro e misterioso, com mais um punhado de estágios de nível de dificuldade acima do normal. Esse jogo não é para alugar, não é para jogar no vizinho, não é para dar uma distraída (ok, ok, entendemos a vida dura de um trabalhador): é para ter onipresente, ali, na estante. Está faltando uma seita marioworldiana no Orkut, o que acha de criarmos uma?

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2004-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 14:38
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Super Nintendo

Donkey Kong Country



FICHA TÉCNICA
Developer: Rareware
Publisher: Nintendo
Estilo: Ação / Adventure
Data de Lançamento: 12/94



NOTA
9.1

"Se DKC fosse um cacho de uvas daria um ótimo vinho – no caso, a vitamina de bananas ficou no ponto"

DKC é a ressurreição de uma figuraça do elenco da Nintendo, lapidada pela subsidiária Rare para enfrentar as ameaças representadas por Sega CD, 32X, PlayStation e Saturn: contra os novos periféricos super-potentes, gráficos de última geração, som cabreiro, jogabilidade nos trinques e – sobretudo – a diversão dos velhos tempos de volta! O objetivo? Ajudar a dupla Donkey e Diddy Kong a recuperar suas bananas da dispensa após todas terem sido roubadas por King K. Rool e seus Kremlings (paródia de algum filme de Sessão da Tarde?). Trata-se basicamente de um desentendimento entre macacos e jacarés! O cenário é uma ilha paradisíaca que leva o rosto do protagonista, que parecia ser o rei do local até que o crocodilão-mor aí chegou querendo tomar posse das coisas. Vamos lá? Aonde? Mergulhar neste maravilhoso país!

Familiares para ajudar não vão faltar: Funky Kong é o primo descolado que arranja passagens aéreas entre os mundos; Cranky Kong é o vovô contador de estórias; Candy Kong é a futura esposa do rapagão, responsável por salvar seu progresso. E existem também os animais amigos de Donkey que não pestanejarão na hora de assistências precisas. Tem o rinoceronte, o sapo, a ema, o golfinho...

Voltando a falar dos inacreditáveis gráficos, foi usado um processador CGI especial para produzir efeitos nunca vistos num game de cartucho. Acabou sendo o pioneiro de uma onda de adventure games ressurgindo das cinzas, pena que a maioria seja de imitadores baratos. Engana-se quem pensa que os personagens bem-animados, os fundos pré-renderizados e eticétera são os responsáveis pelo notão 9 ali em cima. Digamos que seja um belo dum livro com uma capa igualmente caprichada!



São toneladas de fases, estimadas em pelo menos 50, fora os inúmeros segredinhos. Há vários "bonus levels" dentro das fases comuns, verdadeiros games dentro de um game. Há estágios com mais de 3 desses mini-jogos para entretê-lo até o bagaço! As dezenas de fases estão agrupadas basicamente em 5 grandes mundos, que apresentam fases temáticas (mundo da fábrica, mundo da neve, selva, etc.) e niveladas numa mesma dificuldade, fora o chefe ao final. Cada um dos mundos tem um Cranky, um Funky e uma Candy. Como ela é seu save point, o recomendável é ir progredindo um mundo por jogatina (separe muito bem as horas para desfrutar esta obra-prima!). Jogar é muito divertido: você vai avançando pela fase correndo, pulando, batendo nos inimigos por cima (a la Super Mario), enfim, executando todas as estripulias típicas dos símios. Ah sim, ia esquecendo da marca registrada: os dois entram em barris e, ao toque de uma tecla, saem voando poraí! Há fases inteiras só nesse esquema. E, não, não é algo chato.

Controles sólidos, para dizer o mínimo. Aprende-se a controlar o macacão e seu "discípulo" em no máximo 5 minutos. Claro que pra mestrar os saltos, matanças kremlingianas e desvios dos perigos, de uma maneira decente na acepção da palavra, horas e horas são requeridas, mas é um processo adorado pelos jogadores. Apesar de tantas ações serem possíveis, o controle do Super Nintendo é mais que suficiente para mandar ver em tudo que for traquinagem. E há uma desvantagem mesmo em relação aos sucessores, DKC2&3, no que diz respeito à tecla de troca de macaco na dianteira, o A, diferentemente dos outros onde é Select porque há uma nova função: carregar o outro nas costas, mas isto não está em avaliação aqui.

Inimigos são uma coisa à parte! São tão carismaticamente feitos que odiá-los não é coisa que humano possa conceber. Não são fofos, não é isso. Mas encare-os e entenderá o que estou falando... O cuidado demandado nessa parte será visto no final, quando a lista completa de nomes de cada "raça" será mostrada ao gamer felizardo. Fica aqui uma ressalva para o pequeno lapso de criatividade nos chefes: por que alguns foram repetidos?



Sobre a "mudança de rumo", podemos dizer que DKC NÃO é um Donkey Kong legítimo, já que todos os DKs até essa data eram puzzles/ação, em que se ia subindo escadas, pulando plataformas, entendendo alguns esquemas e chegando ao topo de lugares por diferentes motivos (às vezes como Mario, para salvar uma princesa, outras como Donkey Kong Jr. para salvar seu pai do próprio Mario!). Trata-se de um adventure deveras complexo para um console da geração de início da década de 90 e quebra-cabeças podem até existir, mas numa roupagem totalmente nova e mais interessante. Há raras fases em que a estrutura side-scrolling dá lugar a uma "corrida ao topo da tela" ou coisa parecida, mas isso é o de menos.

"Inovações" é um termo recorrente para dizer o que DKC apresenta. Primeiro de tudo, há um mapa. Tudo bem que Super Mario World já apresentava um. E o de lá também não era linear. Aliás, esse é bem mais linear que aquele, mas não importa! É muito legal ver o território inimigo (representado pela cara de um Kremling) ser retomado com a cara ou de DK ou de Diddy, assim como é sempre agradável ver o rosto dos três queridos amigos para quando se quer suprimentos e/ou dicas para prosseguir na aventura. Há também esse elemento da "dupla": Mario e Luigi, mesmo que pudessem ser usados em simultaneidade, simplesmente são iguaizinhos a não ser pela cor do macacão (ou melhor ainda: da camisa por baixo deste). Já Donkey Kong é um autêntico gorila-rei, pesadão e forte. Sua movimentação é ligeiramente lenta e ele dá conta de inimigos "tougher", consegue erguer barris, etc. Diddy é um macaquinho "quase-mico" cuja principal qualidade é a malandragem: usa da agilidade já que lhe faltam músculos e pode tomar muito mais impulso para passar por eventuais abismos e cruzar uma fase com o dobro da velocidade! A rigor, enquanto tiver os dois, tudo joga a seu favor a menos que não saiba o significado da palavra "revezamento". Perdendo algum (um simples toque alheio), será possível recuperar o amigo quando chegar a um novo barril DK, um dos itens mais preciosos do game além dos balões de vida.

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 17:30
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Há vários modos para quando se jogar de 2. Pode ser um contra o outro (quem detona o mapa mais cedo), uma cooperação mútua (a la, novamente, SMW) ou um em que você sempre será o macaco-líder Donkey e o outro Diddy. Basta escolher!



Outra coisa de interessante no game é a coleta de bananas, similares às moedas de Mario. 100 bananas = 1 balão vermelho = 1 vida extra. Há áreas-bônus para coleta incansável de bananas (fases só com bananas, para ser mais exato), que devem estar lá para evitar Game Overs indesejáveis (e qual não é), certo?

Como ele (o presente título) consegue manter os gamers grudados? Ora, chamando-se Donkey Kong Country! Sendo mais específico, no file escolhido para jogar há uma contagem em termos de porcentagem de quanto do jogo você já esmiuçou. Embora não seja exata (não pára no 100, e sim 101%!), é um belo medidor de progresso – estimulante que só ele. Depois de já ver a zeração com mirrados 60% ninguém vai querer parar de procurar todas as fases secretas e completar todos os bônus para chegar aos três dígitos.

Musicalmente, já na apresentação você percebe o quanto de peso terá o fator som durante suas jogadas. Cada estágio (tá bom, admitimos que há repetecos, mas seria impossível) apresenta sua tune "semi-orquestrada" que dá todo o ambiente e atmosfera necessários ao gamer, que mesmo no sofá mais confortável do mundo se achará inseguro numa selva de perigos! Bom, a única faixa que podemos considerar chata para baralho é aquela de quando se morre. Mas pense bem: deve ter sido intencional dos caras, para que odiássemos nós mesmos ainda mais a cada morte e aprendêssemos a jogar de uma vez! Tudo ótimo até aqui, porém, nem falei ainda dos sons que os macaquinhos emitem enquanto vão fazendo das suas, e dos gemidos dos inimigos vencidos, super-engraçados. O fonema das bananas, quando coletadas, nos faz sentir algo agradável e nos estimula a pegar mais. As "explosões" de quando se sai dos barris é outro batuque apreciável.



O grau de dificuldade é estranhamente baixo nos três primeiros mundos, pelo menos, e então as coisas ficam abruptas vertiginosamente (ou abruptamente vertiginosas?). É como uma escada com um degrau exageradamente alto. Não se sabe se esse é o melhor jeito de projetar um jogo, mas se ele é tão bom assim, deve ser mesmo!

O que se pode tirar de tudo isso? Se este review fosse um limão, o que se poderia espremer seria: UAU, UM DOS MAIORES CLÁSSICOS 2D DE TODOS OS TEMPOS! Aliás, gostando desse negócio de frutas, se DKC fosse um cacho de uvas, daria um ótimo vinho! Macacos me mordam, se Donkey Kong gostasse dessas coisas ele não estaria atrás do seu carregamento de bananeiras que de que K. Rool se apossou!

Agradecimentos a Karthik Selvakumar do GameRankings.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2005-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 17:30
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Sega CD

Shining Force CD



FICHA TÉCNICA
Developer: Sonic Team
Publisher: Sega
Estilo: Estratégia / RPG
Data de Lançamento: 1995

NOTA
9.5

"É o melhor RolePlay/Estratégia que alguém pode encontrar para Mega e derivados"

SFCD é na verdade dois jogos (livros) inteiros num só. Cada livro tem uma storyline similar às versões correspondentes de Game Gear. Como todos sabem, apenas o segundo capítulo (Sword of Hayja) chegou ao Ocidente – então essa é a única maneira de jogar a estória na íntegra: tendo um Sega CD. SFCD é, acima de tudo, mais um fiel capítulo dessa franquia sem arranhões em sua história, um legítimo Shining Force, dando ênfase às (longas) batalhas de turno, muitas falas, muita exploração e mercados lotados de itens. O exército Runefaust está inteiro mais uma vez e você deve liderar a ofensiva dos reinos de Cypress e Gardiana para não deixar a espada sagrada cair em mãos erradas...

GRÁFICOS



A maior mudança para o primeiro Shining é justamente que há menos locais agora. Isso possibilitou que os cenários presentes aqui fossem construídos com muito mais detalhes e houvesse mais personagens controláveis na ação, fora o contingente inimigo! A maior atração continua sendo os efeitos mágicos durante as batalhas e na mídia CD eles estão ainda mais maravilhosos. A visão é no tradicional top/down de tantos jogos do gênero, popularizada por Zelda, mas durante os combates ela muda para algo mais perfilado. Há animações pré-CG para os golpes.

JOGABILIDADE

Inalterada em relação ao antecessor. Para que mudar algo excelente, já que o controle a ser usado seria o mesmo? Na verdade quase tudo que se faz não é em tempo real, e sim baseado na navegação de menus. Estes não decepcionam: até entendedores bem "básicos" da Língua Inglesa poderão aprender a mecânica de jogo em menos de 1 hora com um empurrãozinho de um manual ou amigo.

SISTEMA DE JOGO

Shining Force é conhecido por enredos maravilhosos mas que não possuem nós em excesso, ou seja, não há tramas que se embaralham umas com as outras e coisa e tal, apenas uma seqüência linear de acontecimentos. Nenhum RPGista minimamente ligado consegue se perder. O esquema é ir comprando armas a cada dungeon ultrapassada, pois o nível dos adversários costuma dar "saltos" súbitos. E, claro, ler muito o que os figurantes dizem, principalmente os mais velhos, contadores de estórias. De resto, boa estratégia nas lutas e você estará um passo adiante para finalizar o game. O maior desafio é balancear todos da equipe de modo que não se deixe ninguém super-poderoso (pois, em contra-peso, com certeza um outro será demasiado fraco).



SOM

Uma das melhores trilhas dos 16 bits. Há clássicos de orquestra e algumas "tunes" mais repetitivas, mas engolíveis do mesmo jeito (tudo tem seu lado minimamente ruim, né?). O Sound Test será uma opção freqüentada com assiduidade pelos bons ouvintes e maiores fãs do título.

Os efeitos sonoros são os mesmos do "primo" de cartucho de silício, mas claro que um pouco menos abafados, se reparar bem.

CONCLUSÃO

Comandar 12 carinhas em batalhas de turno em massa com spells a valer! Precisa dizer mais? Achar mais personagens, escondidos por mais de 50 seqüências esmagadoras de batalhas principais que você demorará horas para completar. Opa, acabei dizendo! Enfim, é o melhor RolePlay com elementos de Estratégia que alguém pode encontrar para Mega Drive e derivados!

Agradecimentos a Shinobi do shinforce.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2005-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 15:37
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Saturn

Resident Evil



FICHA TÉCNICA
Developer: Capcom
Publisher: Capcom
Estilo: Ação
Data de Lançamento: 31/08/97



NOTA
8.1

"Ótimo início para a série de estourar crânios de zumbis mais conhecida de todos os tempos"

Donos de Saturn, bem-vindos ao mundo dos survival horrors. Caso ainda não saiba, meu caro, RE é um game (por incrível que pareça na época inovador) de ação / puzzle / terror que veio ao mundo pouco antes das Olimpíadas de Altanta (1996), em fevereiro. Isso no PlayStation. Sony, Sony... sempre na frente. Mas não importa. Meio ano depois, a Capcom provou que sua formula não havia envelhecido (ainda).



O enredo se desenvolve de uma forma bem hollywoodiana. O Esquadrão de Resgate e Táticas Especiais (S.T.A.R.S. em Inglês), um time de policiais muito bem-treinados, desaparece por inteiro em investigação numa cidade afetada por rumores de desaparecimentos espontâneos e mortes bizarras. Um novo time é mandado para investigar (com cuidados triplicados!) e é rapidamente cercado por criaturas horrendas. O jeito encontrado foi se refugiar na maior mansão local, aparentemente deserta. Daqui, começa sua jornada como um dos dois mais habilidosos do esquadrão, Jill Valentine ou Chris Redfield. A diferença real entre eles (além do sexo!) é o tipo de item que podem carregar consigo no inventário, já que a jogabilidade é recíproca. Munição e kits de primeiros-socorros são mais raros com Chris, então os espertos devem ter deduzido que as coisas são mais difíceis com o rapaz.

Sua missão será guiar seu boneco pelos diferentes (vastos e numerosos) cômodos da mansão, tentando descobrir o que aconteceu ao primeiro time e também num esforço para salvar a própria pele. Você consegue acesso às várias áreas (salas, corredores, jardins) achando chaves, resolvendo desafios e, além de usando a cabeça, mandando ver com os dedos! Mas não é aquela matança de zumbis injustificada: nem são tantos assim. E, com uma munição limitada independente do personagem escolhido, mirar bem e pensar antes de meter bronca no gatilho são dois requisitos básicos. Trata-se de um Adventure semi-linear onde a palavra sorte nunca nem pensou em bater à porta: tudo é questão de inteligência, seja a de reflexo, seja a conclusiva.



Os cenários de RE podem ser comparados aos de Alone in The Dark do ponto de vista de "meter medo em quem joga", com seus polígonos e gráficos renderizados construídos de uma forma e com cores tais que você vai agradecer não estar do outro lado da tela. O gamer acompanha toda a ação de câmeras fixas, instaladas em todos os ambientes, como se fosse um daqueles pay-per-views do Big Brother cheio de câmeras pela casa. Leu a palavra fixa? Ela não se mexe. Ao mesmo tempo que pode ser ruim por esconder coisas que aconteçam em lugares desfavoráveis da perspectiva, é bom na medida em que não haverá nenhuma reclamação quanto a mudanças impróprias no ângulo, tremedeiras de tela e quebras poligonais de objetos. Além disso, oferece um look de filme ao título. A animação dos dois é exímia, andam e agem como humanos de verdade. No PlayStation os polígonos parecem um pouco mais "lustrados", mas não MUITO.

A música e os efeitos sonoros são, dizem as (boas e más) línguas, metade da experiência em Resident. Um exemplo é quando se está explorando a mansão calmamente e de repente a trilha entra num clima sombrio que vai se intensificando com seus passos. Aprenda desde já: quando isso acontecer é porque zumbis estão à espreita. Seja para entrar pela sala quebrando um vidro e fazendo seu espírito sair de tanto susto, seja agarrando seu pescoço ao sair de um corredor oculto! E, quando dezenas de semi-mortos enchem a tela, a música muda para um tom pancada típico do "aproveite seus últimos segundos de vida", mwa ha ha! Mais do que as faixas musicais, são os barulhinhos que o deixam todo eriçado. Seus pés fazendo as tábuas do solo rangerem, maçanetas de porta rodando sem você abri-las (oh!), estrondos... Fiquem felizes, Sega followers, por saberem que nesse campo o console 32-bit ganha de seu arqui-rival.



O maior problema da empreitada é o sistema de save. Para salvar seu progresso em RE o player tem de achar tinta, recipientes de tinta de máquina-de-escrever, guardar a tinta nos mesmos e, finalmente usá-los nas máquinas. Complicadinho. Não tinha nenhum PC na mansão? Há pouca tinta, quase nenhum recipiente e menos ainda exemplares da maquininha preferida dos jornalistas...

É uma das melhores opções no estilo Ação para o sistema. Não só isso, é um pioneiro do sub-estilo survival horror, ótimo início para a série de estourar crânios de zumbis mais conhecida de todos os tempos e inspirador de muitas cópias. E ainda melhor (Saturn owners adoram quando vencem nas comparações): tem um modo extra em relação à versão PS, o Battle Mode, no qual pode-se ir de sala em sala num embate sem-fim contra hordas e hordas de undeads.

Agradecimentos a Ryan McDonald

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2005-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 12:32
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Pong (console)

Pong (jogo)

FICHA TÉCNICA
Estilo: Ação
Data de lançamento: 1971

NOTA
10

"Sem paralelos ou precedentes – ok, talvez o primeiro homem na Lua!"

Antes de qualquer coisa: Pong é o primeiro jogo idealizado para ser um videogame, mesmo que originalmente (num osciloscópio) não tenha sido. Ele vem de uma época em que até os mais otimistas pensavam que o mercado de games ia morrer em semanas por inanição. Terminaria por ser um belo passo em negrito para o que conhecemos hoje...

CONCEITO

Pong foi primogênito esportivo! Sim, ali em cima está classificado como Ação, talvez um preconceito de minha parte pelo jogo ser tão básico que não se parece com uma modalidade esportiva, mas essa é a verdade. É um tipo de partida de tênis pré-histórica, atualmente mais parecido com um daqueles joguinhos de mesa das casas-de-jogo onde dois jogadores seguram um disco grudado ao campo, pela parte de cima, e tentam rebater um disquinho ainda menor, representando uma bola, de modo que faça um gol no adversário (tênis com gol, que beleza!). A única diferença é que nessa versão em bits o gol não é tão pequeno: na verdade é a tela inteira, bastando que a bola (que na prática é um quadrado branco) passe do "segmento de reta" que é o adversário. O placar chega até o 99. Mas, para uma tarde de diversão sem fim, que tal combinar com seu amigo uma melhor de 7?

JOGABILIDADE

Aqui fala mais alto a perfeição da simplicidade. O conceito de controlar algo na tela do televisor sem erros e esquemas complexos nasceu desse jogo, poder-se-ia dizer... Então como criticar os comandos de P? De fato, tudo que você deve fazer é controlar a tábua para cima e para baixo, pegando o tempo certo da bolinha. E isso é tudo MESMO: não há menus ou coisas parecidas. Assim que se liga no jogo, já se começa a partida, estando a bola no centro e indo aleatoriamente para algum dos lados de modo lento.

GRÁFICOS

Mais uma vez eu lembro: foi um dos pioneiros na arte de se fazer um game! Não é para tentar salvar a alma de ninguém: a alma de Pong está eternamente salva. Honestamente, com tudo que havia na época, o jogo ficou muito bem-feito e "bonitinho". Se ao invés do fundo preto e dos detalhes brancos, por exemplo, os criadores resolvessem fazer um fundo branco com detalhes negros, ficaria horrível! Essa é a maior prova de que as escolhas foram criteriosas e, caso não fossem, o produto estaria estragado.


Assim como você é o resultado das duplicações sucessivas de uma única célula, os jogos de hoje são meros descendentes desta maravilha aqui!

SOM

Um sorriso brotará de sua face quando a bola atingir os limites verticais da tela em sinal de GOOOOOOOL!! Só bips e bops.

ENREDO

O quê?! Você achou que não tinha? Não podia ser mais envolvente: Yin-Yang, o bem contra o mal (cabe a vocês, dois amigos, decidirem quem é quem), dois combatentes mortais, batalhando eternamente para ver quem é o melhor de todos os tempos! Sim, 99 não é o limite, afinal existindo o botão Reset tudo é possível!!!

DIVERSÃO

Um dos títulos mais viciantes que jamais existiu. Houve relatos de malucos que jogaram no Versus do Mortal Kombat 50 vezes só para ter a glória de jogar o Pong. Só quem já experimentou a sensação sabe!

ORIGINALIDADE

Nem se os produtores quisessem teriam de quem copiar ou plagiar idéias: ele foi o PRIMEIRO, é ÚNICO!

CONCLUSÃO

Sem paralelos ou precedentes – ok, talvez o primeiro homem na Lua, já que o negócio aqui foi bem parecido com explorar outros mundos (o homem num território tecnológico onde jamais esteve)! Não vou mandar você comprar um Pong (o videogame) só para jogá-lo (ele e mais uma dúzia de títulos, no máximo), porque é caro (panela velha é que faz comida boa) e você vai ter de peregrinar por muitos sebos eletrônicos / sites, mas pelo menos procure na Internet algum endereço que disponibilize uma versão online! DICA: Uns malas aí criaram um tal de Pong 3-D, mas não se engane – a versão 2D continua sendo a melhor!

Agradecimentos a TheSwordEmperor

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2004-2007 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 11:55
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CINEMA - HUMOR

Conselho Jedi = ONU?

Lado Negro e Lado Jedi. Com a competência do Conselho Jedi, que mais parece a Organização das Nações Unidas, eu já sei quem o universo conspira para que vença. A "ONU do Star Wars" existe até o episódio III e, como não resolve o que lhe é atribuído, apenas some do mapa, no plano prático. Tudo começou no veto ao nuclear (mal-humoradinho disposto a desrespeitar os Direitos Humanos para suas metas pessoais - quaisquer semelhanças são cópias dos ideais luquistas) Anakin "Vader" Skywalker. Deu no que deu...

Escrito por wormsaiboty às 18:16
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CINEMA

(adaptado)

Veja 1904 – 11 de maio de 2005

SOB O DOMÍNIO DA FORÇA - Lançamento do sexto e último filme da série Star Wars, na semana que vem, mobiliza os fervorosos fãs da série

Por Sérgio Martins


A Vingança dos Sith: uma das mais sombrias da série Guerra nas Estrelas, a película mostrará a origem da maldade do vilão Darth Vader

No último censo do Reino Unido, 390 mil cidadãos declararam-se adeptos de uma fé inusitada: a "religião Jedi" [ou, mais aconchegadamente, Força]. A identificação dos ingleses com a ordem dos guerreiros da série de cinema Star Wars é uma amostra do fervor que a saga criada pelo americano George Lucas desperta em seus fãs – e também fornece indícios do grau de excitação deles com a proximidade do lançamento mundial de seu sexto e último filme, Episódio III – A Vingança dos Sith, previsto para o dia 19 [vai fazer 2 anos e parece que foi ontem!]. Mais de um mês antes de o filme estrear em 4 500 salas dos Estados Unidos, uma hoste de maníacos por Star Wars já montava acampamento em frente ao Chinese Theatre, um dos cinemas mais famosos de Los Angeles. De nada adiantou avisar-lhes que a fita [fita?!] não entraria em cartaz no lugar: eles se mantêm em vigília assim mesmo, por julgar que é uma manobra para despistá-los. No Brasil, o filme será exibido em 450 salas, o equivalente a um quarto do circuito nacional, e os ingressos estarão à venda com uma semana de antecedência para atender à demanda dos otakus de plantão. Ao surgir, no fim dos anos 70, Star Wars causou uma revolução – a fita elevou os efeitos especiais a um padrão até então impensável de excelência, inaugurou a era dos mega-lançamentos nos cinemas e inventou o merchandising em larga escala de produtos associados a filmes (só com isso já movimentou nada menos do que 5 bilhões de dólares até hoje). Mas não se trata apenas da série mais bem-sucedida de todos os tempos: Star Wars é, sobretudo, um fenômeno cultural.

Uma das razões da reverência exacerbada dos fãs é o fato de que Lucas foi hábil em construir um universo mitológico cujo apelo é comparável, por exemplo, ao da série literária O Senhor dos Anéis, do inglês J.R.R. Tolkien. Sob uma trama que mistura clichês de faroeste com duelos de espada [sabres de luz!], trata de questões universais. A mais evidente delas é o conflito entre pai e filho, abordado nas lutas entre o herói Luke Skywalker e o vilão Darth Vader. "A série lida com arquétipos e isso prende as pessoas", diz a psicóloga Luisa de Oliveira, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ainda que tenha decepcionado muitos fãs de primeira hora, a retomada da série por Lucas em 1999, com a decisão de filmar três episódios adicionais para esclarecer o início da trama que se desenrola nos filmes originais, lançados entre 1977 e 1983, só confirmou a força do culto. A Vingança dos Sith deve dar mais alento ao fenômeno. Em um dos momentos mais sombrios da série, o fragmento revela como o cavaleiro da Justiça e da República Anakin Skywalker, em sua ânsia pelo poder, acaba se rendendo ao lado negro da Força – e se transmutando no alter-ego Darth Vader, que será inimigo do próprio filho.

Ainda que sedutor, o universo de Star Wars, com seus cavaleiros armados com lasers e extraterrestres bisonhos, também tem um efeito infantilizante sobre certo estrato dos espectadores [vai da percepção do autor ser este um hábito infantil]. Seus fãs mais exaltados promovem convenções em que se fantasiam como o Mestre Yoda e a princesa Leia, entre outros personagens. Além disso, debatem cada detalhe da trama como se fosse um versículo das Escrituras [muito melhor do que falar da Bíblia ipsis literis, não é mesmo?]. A brincadeira às vezes se torna escapismo. Para aqueles que conheceram Star Wars em seus primórdios e hoje têm mais de 35 anos, por exemplo, trata-se de uma forma de esticar a adolescência. Mesmo o pessoal mais jovem, contudo, também cede a esse fascínio. "Só tomei contato com a série quando seus primeiros episódios foram relançados, nos anos 90, mas fiquei doida pela história", diz Fabiola Chierice, de 28 anos, "primeira-dama" do fã-clube Conselho Jedi, de São Paulo. Fé não se discute.

[Poderia ter falado bem mais sobre o terceiro capítulo em si; gastou muita saliva para explicar o que era a série, e todos nós sabemos que, se grande parte dos leitores se constitui de interessados (logo, bem-informados sobre o tema), era informação desnecessária!]

E AGORA, JEDI?

- BOX por Isabela Boscov -

George Lucas declarou em várias ocasiões que nunca quis se tornar o "Senhor Star Wars": achou que o primeiro filme da saga, lançado em 1977, consumiria um ano de sua vida e ela, então, prosseguiria como a de qualquer outro cineasta – com filmes diversos, sobre temas diferentes. Mas Lucas, que em 2007 estará completando 63 anos, deixou que sua criatura o dominasse a ponto de impedi-lo de adquirir o traquejo que a profissão exige. Fechou-se em sua obra. Quando ele inaugurou a série, havia feito apenas dois filmes: a ficção científica THX 1138 e o nostálgico American Graffiti, sobre um verão no interior da Califórnia. Graffiti foi o filme que pôs Lucas no mapa, ao tornar-se um dos recordistas da relação custo-benefício na história do cinema: custou 777 000 dólares e rendeu 150 vezes mais só nos Estados Unidos [belo exemplo atemporal!]. Ao se fechar no mundo de Star Wars, porém, o cineasta tornou-se uma ilha-continente: é dono do maior fenômeno da história do Cinema, mas tem um currículo resumidíssimo como diretor e um histórico irregular como produtor, em que sucessos como a série Indiana Jones se alternam com fiascos como Howard, o Super-Herói. Nem Lucas sabe dizer o que Lucas vai fazer agora que a sexta e última parte de Star Wars foi concluída. Em entrevista na última edição da revista Time, ele falou vagamente sobre filmes experimentais, meio abstratos, na linha de Koyaanisqatsi, além de um quarto Indiana Jones – que, de tanto ser prometido, já soa como conversa fiada [que isso! Se até Rocky Balboa voltou...]. Não só os fãs de Star Wars, portanto, vão ficar desnorteados. Lucas parece tão carente de um guru quanto eles [resposta futura: ele está engajado no lançamento de uma minissérie que vai dar mais detalhes sobre os primeiros dias de Darth Vader, ou seja, um live action com cenas entre os episódios III e IV, igual à série animada Guerras Clônicas, mas dessa vez com os mesmos atores que atuaram no longa e os tradicionais super-efeitos, trilha e letrinhas subindo em um fantástico e irretocável 3D!].

Escrito por wormsaiboty às 04:10
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Exército – Puro Simbolismo
Data: 20/05/03
(feito durante a aula de Matemática, quinto horário)

Daquele tempo...

O que seria o Exército Brasileiro além de pura representação oca do Estado? Não entramos em guerra, tampouco esperamos por uma. Menos ainda teríamos combatentes preparados para enfrentar qualquer outra nação que fosse.

"Sim, mas o Exército tem uma utilidade pública", questiona-se você. Qual? Proteger a Amazônia? Combater o pesado tráfico no Rio? Apesar de tentarem fazer essas funções com todas as forças e terem vontade em seus corações, as tropas simplesmente não são páreo para as madeireiras da região Norte e para os traficantes das favelas cariocas...

Conclui-se, portanto, que, tendo ou não um Exército, o Brasil seria rigorosamente o mesmo. Até onde mais podemos chegar? Aos COLÉGIOS MILITARES! Para quê eles servem então?

Uns que neles estudam saem decididos a virar soldados, "defender a pátria custe o que custar", segundo eles mesmos. Mas, como bem sabemos, não terão nada a defender. Outros seguem carreira, mas somente pensando nos benefícios da aposentadoria. Estes são espertos, mas podem se dar mal tendo uma vida adulta infeliz ou caso a Reforma da Previdência realmente saia do papel.

Há, ainda, mais dois grupos: o dos que saem nem empolgados nem rancorosos do colégio e seguem suas vidas normais em empregos civis e (onde me situo) o GRUPO DOS REVOLTADOS, aqueles mais inteligentes que conseguem discernir o que o Exército deveria ser do que ele realmente é: simbolismo. Saem (se não completando o Ensino Médio, expulsos!) decididos a falar mal do Exército, Marinha e Aeronáutica pelo resto da vida.

Os mais ousados (incluo-me aqui, de novo) vão além e colocam suas idéias em um meio formal de comunicação, esperando mudanças.

CAIAM NA REAL E DISSOLVAM O EXÉRCITO, POVO BRASILEIRO!

Rafael de Araújo Aguiar, ex-aluno, expulso algumas semanas depois.

***

Hahaha! Além de muito me rir depois de reler e corrigir errinhos bobos de gramática, fiquei nostálgico e ao mesmo tempo orgulhoso e inculcado: parece que esse texto de 2003 está muito mais bem elaborado que o de 2005 sobre Anarquia, tanto na construção, como no léxico, como na idéia expressa (a analogia com os morros e a floresta foi muito mais bem-vinda que as – talvez "falta de" – do texto logo abaixo). Poxa, fica aí o mistério: na época namorava, então durante o relacionamento eu estava mais idiota?

Por fim, um desejo: gostaria de voltar a ser tão ácido e tão sem culpa ao mesmo tempo!

Escrito por wormsaiboty às 03:40
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Texto para a escola - aulas de Filosofia/Sociologia/História

3º ano do Ensino Médio na rede pública - claro que é muito além do exigido para pessoas "supostamente no mesmo nível que eu"

18/02/05

AN|ARQUIA - Privação de Chefe

Não venho aqui supor quando o ser humano será suficientemente benevolente para que ele - o Anarquismo - possa ser implantado. Nem como (o modo de transição, o Socialismo Marxista ou o Niilismo puro e simples). Tampouco em que nação será implantado primeiro, se é que podemos conceber uma separação ainda em países quando tal momento se der. Mas sim responder duas outras perguntas acerca desse tema: por quê? O Capitalismo Moderno já não confere ao maior número possível de pessoas condições aceitáveis de vida (uma pergunta só)? É viável acreditar na perfeição de um sistema/regime/estilo de vida tão FRÁGIL?

A(s) primeira(s) é/são tiro(s) rápido(s): apesar de, faticamente, o mundo estar se tornando cada vez mais democrático e igualitário, saiba que numa Anarquia (não confundir com a hermenêutica de "caos" da palavra) TODOS estão em condições milimetricamente planificadas (não é o Anarquismo indígena que está em debate aqui), não havendo exceções, nenhum degrau na sociedade. Abola de sua mente qualquer conceito parecido com "pirâmide" ou "estamento". Em suma: um mundo melhor para uma raça humana merecidamente melhor.

Em seguida... bem, tudo é muito complexo, no entanto meu objetivo é convencê-lo de um ponto: no Anarquismo real e direito não há pessoa que não goste do que faça, essa imperfeição ou lacuna em que todos os críticos do sistema pensam. Explicando melhor: no Capitalismo há o inconveniente de haver profissões lotadas de pretendentes e outras que não atraem metade das vagas ofertadas. É uma falha grave: viver uma vida inteira fora do ramo que se quis para si. No Anarquismo as peças se encaixarão de tal maneira que o "amor natural" das pessoas por uma função será sempre seguido por elas, pois estará conforme a demanda: um agrupamento social tão em sintonia que o pensamento individual será condizente, infalivelmente, com "o todo" anárquico, o bem coletivo.

Rafael de Araújo Aguiar agora está cursando Jornalismo por uma instituição particular porque não pôde com o concorrido vestibular da UnB (também pudera, numa escola como aquela...)

OBS: Consertei aberrações do original manuscrito, como "exceções" escrito com "ss".

OBS2: Nem sei se tal tratado rudimentar sanou alguma dúvida, sequer as que levantei. O "por que" continuou em aberto. Digamos que eu não tinha estudado, ainda, Freud com a devida propriedade. Faltava-me chão, e finalmente eu posso dar prosseguimento ao excerto: se sucede que o Anarquismo é 100% impossível pelo simples fato de os escritores e jornalistas dessa "existência perfeita" (e quem disse que haveria existência perfeita sem a Literatura?) falarão ficcionalmente de atos criminosos e libidinosos (já que no plano real eles não acontecerão), o que incentiva que malucos os cometam. Percebeu a cilada? É paradoxal. O ser humano precisa dessas válvulas de escape. Falar de crime, violência, sexo, traição, poligamia, realizar, satisfazer suas fantasias, tanto essas de devorar aquela mulher que você viu, como se ela fosse um artigo, numa vitrine, ou matar aquele seu vizinho porque você teve um péssimo dia e ele gritou com você. Esqueçam essa baboseira que escrevi há aproximadamente dois anos.



Escrito por wormsaiboty às 02:18
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TECNOLOGIA

Fonte: Revista VEJA - artigo adaptado

A natureza fez primeiro

O avanço da Ciência permite à indústria reproduzir os truques das plantas e dos animais

Por Thereza Venturoli


DA ÁGUA PARA AS ESTRADAS
O novo protótipo da Mercedes-Benz reproduz as formas do peixe-cofre. O carro é 30% mais leve e gasta 20% menos combustível que os modelos de mesmo porte da fábrica

A natureza sempre foi fonte de inspiração para os inventores. Não é para menos: em 3,5 bilhões de anos de evolução na Terra, os animais e as plantas desenvolveram sistemas vitais que desafiam a imaginação dos cientistas. Os mexilhões, por exemplo, grudam-se às rochas com um adesivo tão poderoso que resiste às violentas ondas e correntes marítimas – nunca se conseguiu criar em laboratório uma cola tão eficiente. À medida que o conhecimento da ciência avança sobre as estruturas das células e moléculas, no entanto, fica mais fácil reproduzi-las. Assim, cada vez mais a Ciência utiliza lições da natureza para encontrar soluções tecnológicas [superbonder e velcro]. Um grupo de pesquisadores australianos da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade Britânica, de Santa Lucia, conseguiu a façanha de sintetizar artificialmente a resilina, a proteína mais elástica que se conhece. Graças à presença da resilina em suas patas, as pulgas, que medem menos de 2 milímetros de altura, conseguem dar saltos de 30 centímetros – é o equivalente a um homem saltar sobre a Torre Eiffel. A resilina também permite que as abelhas e os insetos voadores [ou o beija-flor] batam as asas a grande velocidade mais de 500 milhões de vezes ao longo da vida sem que suas articulações apresentem desgaste ou fadiga. Entre as muitas aplicações previstas da resilina sintética estão desde solados de tênis até próteses médicas, principalmente em discos da coluna vertebral.

Para sintetizarem a resilina, os cientistas australianos isolaram o gene que produz a substância nas drosófilas, as chamadas moscas-das-frutas. Depois, inseriram o gene em bactérias, que, ao se reproduzir, transmitiram a informação genética para as gerações seguintes. Com isso, em pouco tempo a colônia produzia uma solução de resilina que, tratada quimicamente, passou para o estado sólido. Não é só por meio da genética que a sabedoria da natureza é aproveitada na tecnologia. A indústria sueca Volvo está construindo um novo protótipo de automóvel com sistema de navegação que se baseia na habilidade dos gafanhotos de voar em grandes enxames sem esbarrar uns nos outros. Os gafanhotos são dotados de um neurônio especial que os alerta sobre os obstáculos e os faz empreender manobras no ar em apenas 45 milésimos de segundo. A Volvo quer reproduzir o mecanismo para evitar acidentes no trânsito congestionado das grandes cidades.

A Mercedes-Benz apresentou recentemente o protótipo de um carro que copia, tanto no visual como na estrutura da carroceria, o design do peixe-cofre – comum nas costas do Japão e da Austrália. Resultado: o carro é 30% mais leve e, devido à aerodinâmica calcada na forma do peixe-cofre, gasta 20% menos combustível do que os modelos de mesmo porte da Mercedes. Até para a exploração de outros planetas o reino animal oferece soluções geniais. Cientistas de diversas universidades americanas tentam reproduzir tecnologicamente os micro-pêlos que existem nas patas das lagartixas e lhes permitem ficar grudadas nas paredes e no teto por uma atração entre as moléculas chamada força de Van der Waals [a mesma que permite que alguns insetos planem sobre a água]. O sistema seria usado em sondas capazes de escalar rampas íngremes ou entrar em crateras de vulcões.

***

Fantástico - texto e fotos -, não crê?!

Escrito por wormsaiboty às 00:23
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ESPAÇO

Como os cientistas sabem que o Universo chegou a ser criado ou criou-se?

Para fugir do debate eleitoral às vésperas da escolha do Presidente da República e de alguns governadores, Cosmologia. Não é interessante divagar sobre o estranho que é esse espaço sideral que nos circunda? Mas chega dos subjetivos demais "de onde vimos", "para onde vamos", "onde estamos", "o que somos", "há vida inteligente" (provavelmente não, quem sabe uma vidinha simples e humilde em algum dos trilhões de planetas de uma das centenas de bilhões de galáxias – números verdadeiros) e variantes. Vamos tentar – e conseguir! – responder a uma pergunta mais trivial, quiçá, porém (espero eu, caso contrário o artigo terá sido em vão), a mais cercada de mistérios que se possa imaginar.

Ã? Como? Que pretensão! Uma pergunta não pode ser boba e encerrar tantos mistérios. Pode sim: é que o ser humano é um bicho desatento. E não é a questão do título. Na realidade é algo com que lidamos todo dia; ou achamos que lidamos, por estarmos "tão próximos", imersos nele. POR QUE O CÉU É PRETO? A resposta para essa dúvida "boboca" de criança de 5 anos é que surpreende – e puxa questões existenciais complexas. Sempre que pensamos nisso a cabeça dói. Mas prometo não descambar para esse lado, o mesmo do "quem somos nós", "o que havia antes do início" e "você acredita no Apocalipse".

Habituamo-nos a considerar o dia como claro/luz e a noite como a escuridão. Senso comum. Depois aprendemos na escola que o Sol não desaparece, é apenas um dos lados da Terra que "se esconde" dele. Que no nosso Sistema Solar ele é a única fonte de calor e dependemos dela para sobreviver. Entretanto, por que a "cor original" (a visível pela percepção humana, ao menos) tem de ser negra? O que haveria de "errado" se o pano-de-fundo do Universo, se o wallpaper desse magnânimo sistema operacional incapaz de travar, fosse branco, rosinha, verde ou mais "CHEGUEI"??!?!

Melhor se contentar com branco/preto: maioria das estrelas (que, também aprendemos no Ensino Fundamental ou mesmo na pré-escola, são os "Sóis dos outros") observáveis a olho nu emite um espectro branco ou muito próximo a ele (amarelinho ou semelhante) – além dos astros emissores de luz de cor vermelha ou azul que contemplamos nas imagens telescópicas, contudo, para não embaralhar, atemo-nos ao binômio branco/preto.

É, então... Por que não branco? Não existe o vácuo na prática. Mesmo o espaço negro que percebemos é cheio de matéria. Muitas vezes gases ou o que chamam de poeira cósmica. São coisas "escuras", não-emissoras de luz. O negro é ausência de luz, o branco são todas juntas, esqueceu? Quando aprendemos isso, parece um choque, porque na sociedade industrializada os valores são invertidos: a folha de papel onde se desenha o castelinho bonitinho é branca, enquanto que o giz-de-cera negro "preencherá o nada". Se só esses corpos chamados estrelas são "brancos" no Universo pretão, só existe uma maneira de conceber um cosmo claro. Até ela, um longo caminho...

Antes que você tente adivinhar e acabe errando pior que os antigos astrônomos ("e se o Universo fosse uma estrela?", hoho), mais um dado: as estrelas estão distribuídas uniformemente pelo firmamento. Leia a legenda abaixo:


Para entender o parágrafo seguinte pode ser que você precise fitar a figura com uma idéia na mente: com as estrelas, é a mesma coisa. De perto, de longe...

A questão do "por que o céu não é claro" ou "por que é escuro?" deixa de ser meramente estética para adentrar os domínios da Lógica. Quanto mais distantes objetos uniformes, mais "compactos" os vamos enxergando, ou seja, é como se as estrelas fossem se unindo, até formar apenas um corpo majestoso e brilhante no "fundo" do Universo, na ilusão de nossa vista.

Mas o Universo não é um campo de girassóis. Ao menos não é o que parece, pois não é essa a visão que detemos, certo? De todos os lados, exceto de muito perto, tudo deveria ser branco, se assim funcionasse. Esse "deveria", caprichoso, encerra uma verdade fundamental. Aqui a Lógica sozinha não é capaz de explicar a situação. Evoquemos a Física, os equipamentos, o conhecimento humano acumulado após gerações.

Esclarecimentos a respeito da negritude do visível nenhum gênio do Renascimento até o século XIX obteve, por mais que sua massa cinzenta evaporasse no esforço. Kepler, Newton, Halley... Não, não! Essa definitivamente não é uma pergunta de menininho de 5 anos. Ou, se é, trata-se de uma daquelas que deixam a família toda sem-graça, que disfarça instantaneamente dizendo que o frango está uma delícia – já que não podem dizer "Veja como o céu está azul!" (já que almoços em família não acontecem enquanto o céu está negro, e isso só dificultaria as coisas!).

Heinrich Olbers – sempre os alemães! – avançaria um degrau, o suficiente para deixar o problema com sua nomenclatura, o Paradoxo de Olbers, a razão do céu ser escuro. Não obstante, ele errou a razão! Em Olbers e seus trabalhos, tudo era uma questão de "absorção da luz pela poeira sideral". Faz sentido. Fazia sentido. Com os computadores o cálculo de comprovação dessa teoria se tornou viável. Olbers esqueceu de um princípio básico da Física: dois corpos de temperaturas divergentes que interajam não podem, a longo prazo, conservá-las como estavam antes do encontro. Mesmo que estejamos falando essencialmente da luz, o que elimina a noção de "corpo", as estrelas possuem um núcleo. Núcleo quente, muito quente. A poeira intergaláctica, pelo contrário, não passa por nenhuma fusão, nada de "movimentos suspeitos" de gases aloprados circundando "pelo interior". Ela é gélida. E o gelado, depois de absorver tanta luz, teria de ficar "quentinho" (sou leigo, não posso explicar com a máxima propriedade), e ela – a luz – tenderia a reaparecer, branquinha como nas estrelas (manifestação da radiação, incandescência). Ou seja: depois do equilíbrio térmico, ainda assim, o céu tinha de se conservar branco. O que há de errado? Voltamos a afirmar: as estrelas estão dispostas de modo uniforme no firmamento, não existe o menor engano nisso.

Os cientistas da contemporaneidade (ok, podemos até admitir que já morreram antes que tivéssemos nascido, no entanto cada um deles deu sua contribuição já no século passado) apelaram para mais uma hipótese antes que impusessem a verdade mais estarrecedora de nossas vidas (ó!): como o Universo está em constante expansão, esta faz com que a luz "enfraqueça" no meio do caminho. O enfraquecimento da luz deve ser entendido como uma redução em sua freqüência, e o ser humano não capta luzes abaixo de certa freqüência. Sem embargo, aparelhos capazes de detectar esses raios mais fracos também não apontam para estrelas por todo canto indefinidamente, além de os cálculos mostrarem que a expansão do Universo, na velocidade em que se dá, não é capaz de baixar a freqüência da luz até um patamar inacessível a nosso globo ocular. Então, se as estrelas se dispõem de modo uniforme e nossos olhos são capazes de enxergá-las, o que há de errado?

Escrito por wormsaiboty às 02:23
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Fica sobrando uma conjectura, a resposta obrigatória do Paradoxo de Olbers, triste para aqueles terráqueos com sangue de explorador nas veias: O ESPAÇO É FINITO. Dizer "finito" significa, na nossa realidade, delimitar no tempo e no espaço, porque são conceitos inseparáveis. O espaço é constituído de três dimensões, mas o Universo tem 4. A última é o tempo. Não existe nada "congelado". Olhar ao redor é fazer viagens no tempo. Olhar seu dedo é embarcar numa "micro-excursão" para descobrir como era o dito-cujo há alguns milionésimos de segundo (viu como ele mudou bastante de lá para cá? Ops, o "cá" não pode ser possível. Estamos sempre observando o passado, por mais imediato que seja. O conceito de "presente" é falso. Existe o que já passou e pode ser visto, "testemunhado com defasagem"; e o que virá, que podemos apenas imaginar). O presente – da visão – é o passado do cosmo.

Troque o seu dedo gordo pelas estrelas: a luz de algumas deveria demorar anos, décadas, séculos, milênios, eras geológicas, milhões, bilhões de centenas de dias para chegar ao nosso campo de vigília. Há um limite, porém. Tem de haver. Se não houvesse, estaria sempre chegando a luz de outras estrelas mais distantes (ou "indo", dependendo da perspectiva), sem cessar, com o céu branquinho, branquinho 100% do tempo, enquanto o contemplássemos. Posto que não é assim, os cientistas se sentiram obrigados a informar os tripulantes da Espaçonave Terra: há um limite que não permite que haja estrelas para além de "tal lugar". Esse limite, se é espacial, é temporal; se é temporal, é espacial. Significa que o Universo tem uma idade determinável. Não existe desde o sempre. E quem nasceu numa dada época não pode ter crescido infinitamente, porque quem nasceu era apenas um pontinho e foi se expandindo gradualmente... A máxima velocidade de expansão é a da própria luz, e tudo leva a crer que, no momento, um extremo ao outro do Universo distam uns 15 bilhões de anos-luz um do outro (ano-luz: a distância percorrida pela luz ou alguma coisa "imitando a luz" em um ano, lembrando que a luz "corre" a trezentos mil quilômetros por segundo!). Logo, no horizonte de nossa visão, ou da dos telescópios, há o negro, a falta da luz, isso porque as estrelas primogênitas "ainda não nos alcançaram", portanto estamos no começo daquele campo de girassóis da imagem (na verdade numa periferia cósmica), vendo-os (aos girassóis, uma analogia às estrelas), por enquanto, de modo espaçado. Olhar para o céu é muito mais divertido que olhar para seu dedo, porque o Universo é tão vasto que aquela informação pertence a um passado muito remoto, com boas chances daquele "quadro cosmular" (sua apreensão do céu) preceder mesmo as primeiras formas de vida do nosso planeta. Impressionante, que tal? O negro representa a constatação de que "há 'x' bilhões de anos aquela área não era povoada por estrelas até o talo" (só umas aqui, outras ali, jamais uma miríade, o que nos permitiria ver todas como uma só, como o fundo do campo de girassóis).

Essa conclusão é potencialmente infeliz para muitos de nós já que nosso espírito desbravador aparentemente preferiria um plano existencial ilimitado, que sempre existiu e existirá, com lugares sem-fim para visitar e explorar. Entretanto, não se deixe abater pela mesquinha verdade do finito, terminável ou esgotável: somos um fragmento tão ínfimo da Totalidade que, apesar de na teoria ela apresentar um "desfecho", na escala humana é tranqüilamente aceitável chamar as coisas de infinitas, uma vez que será impossível vivenciar todas as possibilidades, sequer sobras, reduzidas frações, destas. Ufa!

Além disso, é um calar-de-boca aos Criacionistas ou afins, donos de idéias mais exóticas para justificar tudo ao seu redor. Houve o Big Bang, isso é fato. Outrossim, o Universo está se expandido. Mas paremos por aqui. Prometi que não falaria sobre essas coisas, só responderia "POR QUE O CÉU É PRETO?", então missão cumprida! Um dia, distante, possivelmente tanto quanto uma daquelas estrelas no zênite, volto para adentrar esse perigoso terreno e incutir-lhes o conhecimento. Por hora, contemplai a irrelevância da raça humana e a finitude infinita do cosmo! Ah, sim: as noites estreladas, também.

Fontes de pesquisa e imagem: www.zenite.nu & http://astro.if.ufrgs.br/univ/

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Ciência

Escrito por wormsaiboty às 02:23
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